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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Texto com citações de Sub comandante Marcos a respeito da guerra


A INVESTIDA DE ISRAEL CONTRA GAZA, "CLÁSSICA" GUERRA DE CONQUISTA: MARCOS. Hermann Bellinhausen, La Jornada, 05/01/2009.

San Cristóbal de las Casas, Chiapas, 04 de janeiro. Para os zapatistas, em Gaza há "um exército profissional assassinando uma população indefesa", disse hoje o Subcomandante Marcos ao dedicar uma intervenção não-programada à nova guerra em curso.
O penúltimo dia do Festival Mundial da Digna Raiva foi marcado pela indignação diante do ataque contra a Palestina e a repressão em Oaxaca, que horas antes havia se repetido com a prisão de 20 pessoas que participavam de um protesto pacífico contra a invasão em Gaza diante do consulado dos Estados Unidos.
Nas primeiras horas deste domingo, centenas de participantes do festival, que se realiza nas proximidades de San Cristóbal, para além dos subúrbios indígenas de La Hormiga, foram até o centro para protestar contra a invasão e pedir a libertação dos presos da APPO. Pelo menos, esta última demanda foi conseguida ontem à noite. A inusitada marcha com tochas, que saiu da Universidade da Terra, fez com que os hotéis fechassem as portas e alguns moradores lembrassem da primeira madrugada de 1994 [dia do levante do EZLN].
Na parte da tarde, Marcos diria: "Não muito longe daqui, num lugar chamado Gaza, um exercito fortemente armado e treinado, o do governo de Israel, continua seu avanço de morte e destruição". Uma guerra "clássica" de conquista. "Primeiro um pesado bombardeio para destruir os pontos nevrálgicos e abrandar as fortificações da resistência". Lembrou que na sexta-feira, "no mesmo dia em que nossa palavra se referiu à violência", Condoleeza Rice declarava que o que acontece em Gaza era "culpa dos palestinos, por sua natureza violenta".
Afirmou que continua "o férreo controle sobre o que se ouve e se vê" no mundo, "externo ao teatro de operações", e há "fogo intenso de artilharia sobre a infantaria inimiga para proteger o avanço das tropas. Depois o cerco e o sítio à guarnição, e o assalto que conquiste a posição aniquilando o inimigo".
De acordo com as fotos das agências, acrescentou, "os ‘pontos nevrálgicos’ destruídos pela aviação israelense são casas de moradia, barracos e prédios civis". Então, "pensamos que ou os artilheiros são ruins de pontaria ou tais pontos não existem. Não temos a honra de conhecer a Palestina, mas supomos que nessas casas, barracos e prédios mora ou morava gente, homens, mulheres, crianças e anciãos, e não soldados".
Talvez, opinou, "para o governo de Israel esses homens, mulheres, crianças e anciãos são soldados inimigos, e os barracos, casas e prédios onde moram são quartéis que devem ser destruídos. Com certeza, os disparos de artilharia que nesta madrugada caiam sobre Gaza eram para proteger desses homens, mulheres, crianças e anciãos o avanço da infantaria de Israel e o destacamento inimigo que querem debilitar nada mais é a não ser a população palestina que vive aí e que o assalto procurará aniquilar".
Com voz quebrada expressou: "Nossos gritos podem deter alguma bomba? Nossa palavra salva a vida de alguma criança palestina? Achamos que sim. Talvez não detenhamos uma bomba, nem nossa palavra se transforme em escudo blindado", mas, possivelmente, consiga unir-se a outras e "se torne murmúrio, em seguida voz forte e depois grito que se escute em Gaza. Todos e todas nós, zapatistas do EZLN, sabemos quanto é importante ouvir palavras de alento em meio à destruição e à morte".
Quanto ao resto, segundo a análise de Marcos, "o governo de Israel declarará que infligiu um severo golpe ao terrorismo, ocultará do seu povo a magnitude do massacre e os produtores de armamentos terão tido um breve fôlego econômico".
O povo palestino vai resistir, sobreviver e continuar lutando, confiou o porta-voz zapatista. "Talvez, um menino ou uma menina de Gaza sobrevivam e cresçam, e com eles cresçam a coragem, a indignação, a raiva; talvez se tornem soldados ou milicianos, talvez enfrentem Israel, e, então, lá em cima escreverão sobre a natureza violenta dos palestinos, farão declarações condenando esta violência e se voltará a discutir sobre se é sionismo ou anti-semitismo. Ninguém perguntará quem semeou o que colhe".

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