Esse poema demonstra a bondade e sensibilidade de um palestino,
a verdadeira imagem do povo palestino, longe da imagem distorcida
de terroristas passada por Israel a todo o mundo, com a criminosa intenção
de criar e alimentar o ódio dos ignorantes contra todo um povo pacífico,
honesto e íntegro que é o povo palestino.
ESFORÇA-TE, ANIMA-TE
Não entristeça ó filho da Palestina
O Brasil nos aceitou
Em seus lares nos abrigou
O Brasil, país abundante,
povo honesto e consciente,
sem racismo,
repleto de piedade e ternura.
A Arábia nos recusou,
de traição nos acusou.
Acusaram-nos por politicagem.
Alguns dizem terroristas.
Não quero falar de mim
Peço a Deus, o exaltado
Não se entristeça, ó filho da Palestina
Desafia-te o impossível.
Há um Deus e o Brasil
no colo nos tomou;
de sobre nós o mal tirou,
nos recebeu, pequenos e grandes.
Não possui balbuciantes
nem sectários religiosos.
Sua bondade maior prova.
No deserto nos jogaram,
por loucos nos chamaram,
assassinos e falangistas.
O amanhã trará as provas,
nada do que me afligir.
O Brasil continua honrado.
Há um Deus, é o Brasil.
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
domingo, 27 de dezembro de 2009
A poesia palestina de resistência: O cantar dos que não se rendem
Apesar da forte repressão à arte popular — “A democracia israelense não suporta que os palestinos cantem”, disse uma vez o poeta Tawfic Zayyad — a poesia daquele povo árabe não é “marginal”. Como disse o peruano Julio Carmona, “marginal é a poesia que a estética dominante pontifica ou institucionaliza; ao se tomar o povo como pedra de toque (e sempre o povo tem a última palavra em tudo) a única poesia que não se marginaliza é aquela que não se afasta de sua fonte, aquela que vinda do povo, a ele retorna.”
O poema é, de longe, o mais popular gênero da literatura palestina. Isto pode ser em parte atribuído à forte tradição oral da sua cultura. Houve, desde o início, uma vontade de simplicidade na poesia de resistência. Os artifícios de linguagem em favor da estética foram postos de lado. O poeta Mahmud Darwish expressou claramente isso num de seus primeiros versos:
Se os mais humildes não nos compreendem
será melhor jogar fora os poemas
e ficarmos calados.
O poeta diz:
se meus versos são bons para meus amigos
e enfurecem os meus inimigos
então é que sou mesmo poeta
e devo continuar cantando.
Fontes: Poesia Palestina da Resistência , edição OLP/Brasil, 1986 e Beleza Cruel (prólogo de Julio Carmona), edição Lira Popular, Peru, 1982.
Não iremos embora
Tawfic Zayyad*
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar
A comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
Aqui sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Famintos
Nus
Provocadores
Declamando poemas
Somos os guardiões da sombra
Das laranjeiras e das oliveiras
Semeamos as idéias como o fermento na massa
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede
Espremeremos as pedras
E comeremos terra
Quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro
*Tawfic Zayyad, palestino de Nazaré, é considerado um pioneiro da poesia de resistência. A maior parte de sua obra foi escrita na prisão.
Discurso no mercado do desempregoSamih Al-Qassim*
Talvez perca — se desejares — minha subsistência
Talvez venda minhas roupas e meu colchão
Talvez trabalhe na pedreira... como carregador... ou varredor
Talvez procure grãos no esterco
Talvez fique nu e faminto
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Talvez me despojes da última polegada da minha terra
Talvez aprisiones minha juventude
Talvez me roubes a herança de meus antepassados
Móveis... utensílios e jarras
Talvez queimes meus poemas e meus livros
Talvez atires meu corpo aos cães
Talvez levantes espantos de terror sobre nossa aldeia
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Talvez apagues todas as luzes de minha noite
Talvez me prives da ternura de minha mãe
Talvez falsifiques minha história
Talvez ponhas máscaras para enganar meus amigos
Talvez levantes muralhas e muralhas ao meu redor
Talvez me crucifiques um dia diante de espetáculos indignos
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Ó inimigo do sol
O porto transborda de beleza... e de signos
Botes e alegrias
Clamores e manifestações
Os cantos patrióticos arrebentam as gargantas
E no horizonte... há velas
Que desafiam o vento... a tempestade e franqueiam os obstáculos
É o regresso de Ulisses
Do mar das privações
O regresso do sol... de meu povo exilado
E para seus olhos
Ó inimigo do sol
Juro que não me venderei
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Resistirei
Resistirei
*Samih Al-Qassim nasceu em Zarqá, no seio de uma família drusa. Formado professor, depois da publicação de seus primeiros poemas foi proibido pelos israelenses de exercer a profissão.
O poema é, de longe, o mais popular gênero da literatura palestina. Isto pode ser em parte atribuído à forte tradição oral da sua cultura. Houve, desde o início, uma vontade de simplicidade na poesia de resistência. Os artifícios de linguagem em favor da estética foram postos de lado. O poeta Mahmud Darwish expressou claramente isso num de seus primeiros versos:
Se os mais humildes não nos compreendem
será melhor jogar fora os poemas
e ficarmos calados.
O poeta diz:
se meus versos são bons para meus amigos
e enfurecem os meus inimigos
então é que sou mesmo poeta
e devo continuar cantando.
Fontes: Poesia Palestina da Resistência , edição OLP/Brasil, 1986 e Beleza Cruel (prólogo de Julio Carmona), edição Lira Popular, Peru, 1982.
Não iremos embora
Tawfic Zayyad*
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar
A comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
Aqui sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Famintos
Nus
Provocadores
Declamando poemas
Somos os guardiões da sombra
Das laranjeiras e das oliveiras
Semeamos as idéias como o fermento na massa
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede
Espremeremos as pedras
E comeremos terra
Quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro
*Tawfic Zayyad, palestino de Nazaré, é considerado um pioneiro da poesia de resistência. A maior parte de sua obra foi escrita na prisão.
Discurso no mercado do desempregoSamih Al-Qassim*
Talvez perca — se desejares — minha subsistência
Talvez venda minhas roupas e meu colchão
Talvez trabalhe na pedreira... como carregador... ou varredor
Talvez procure grãos no esterco
Talvez fique nu e faminto
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Talvez me despojes da última polegada da minha terra
Talvez aprisiones minha juventude
Talvez me roubes a herança de meus antepassados
Móveis... utensílios e jarras
Talvez queimes meus poemas e meus livros
Talvez atires meu corpo aos cães
Talvez levantes espantos de terror sobre nossa aldeia
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Talvez apagues todas as luzes de minha noite
Talvez me prives da ternura de minha mãe
Talvez falsifiques minha história
Talvez ponhas máscaras para enganar meus amigos
Talvez levantes muralhas e muralhas ao meu redor
Talvez me crucifiques um dia diante de espetáculos indignos
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Ó inimigo do sol
O porto transborda de beleza... e de signos
Botes e alegrias
Clamores e manifestações
Os cantos patrióticos arrebentam as gargantas
E no horizonte... há velas
Que desafiam o vento... a tempestade e franqueiam os obstáculos
É o regresso de Ulisses
Do mar das privações
O regresso do sol... de meu povo exilado
E para seus olhos
Ó inimigo do sol
Juro que não me venderei
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Resistirei
Resistirei
*Samih Al-Qassim nasceu em Zarqá, no seio de uma família drusa. Formado professor, depois da publicação de seus primeiros poemas foi proibido pelos israelenses de exercer a profissão.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Poesia

Poesia feita pelo Sr. Mohammad, refugiado palestino que vive em Mogi. Ele oferece a todos que direta, ou indiretamente ajudou o povo palestino.
Filhos de Nakba – a história de um povo
Mohammad al Tamimi
Testemunhem, ó estrelas
Registrem, ó céus
Escrevam na história,
Escrevam-a pelo sangue:
Quem teve misericórdia de mim
Quem me consolou na tragédia.
É a Nakba de um povo
Que não experimentou
O sabor da felicidade
Sessenta anos sem abrigo,
Sem barraca ou lar.
Invejá-lo a uma caverna
Cavada pelos antigos!
Viveu nela com as cobras,
No seu corpo criou pestes
Sofreu muitas doenças
Sem médico nem remédio.
Viveu sem identidade,
Andando na escuridão
Fora, pela força o tiraram
E no ar livre o jogaram
Basta que Deus testemunhe,
A obra dos desprezíveis.
Presas caíram as unidades,
Sabra e Chatila foram mártires
Onde estão os habitantes,
Do acampamento de velhos e mulheres?
Milhares de mártires!
Eram desarmados e inocentes...
Pátria minha, como estás?
E meus filhos, e meu lar?
Meu pai, minha mãe,
Minha vida, meu viver?
Por ti minha alma redentora
E pela sua fidelidade, ninguém conta
Que o amor à minha terra encheu meu coração
E foi o remédio para a minha moléstia
Dela, a terra alumiou a verdade, e sua luz
Os berços dos profetas
Sua glória permanece e voltarão
E os amigos te visitarão
Até se morrermos,
Redenção a ti!
Somos dignos à redenção
Pela escuridão da noite andemos,
Sobre espinhos e pedregulhos
Caminhamos atravessando as fronteiras,
Insistindo em te encontrar
Quantos batalhadores, quantos lutadores
Sobre teu solo foram mártires
Símbolo do meu amor, ó minha pátria
Sejas o memorial eterno!
Maio de 2009
Nota - Nakba é a grande tragédia, da expulsão deles de sua terra;
Sabra e Chatila foram dois acampamentos de refugiados palestinos que foram
massacrados por grupos cristãos no Líbano em 1982, rendendo 3 mil mortos.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
SARAU PALESTINA LIVRE
COLETIVO TRINCA APRESENTA:SARAU EM PRÓL DA CAUSA PALESTINA
ATRAÇÕES:
- APRESENTAÇÃO MÚSICAL PALESTINA
- VÍDEOS
- DEPOIMENTO DOS REFUGIADOS
- POESIAS
- EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS DE JENNIFER BALCOMBE (FOTÓGRAFA INGLESA PRESENTE EM GAZA NOS DIAS DE CONFLITO!)
- VENDA DE COMIDAS TÍPICAS (FALAFÉL)
- ONDE?
Na Subsede da Apeoesp de Mogi das Cruzes.
Rua Hamilton Silva Costa, 427, Mogilar, Mogi das Cruzes - (Próximo à estação central de Mogi)
- QUANDO?
Marcadores:
conflito,
poesia,
Refugiados,
Sarau Coletivo Trinca,
vídeo
sábado, 3 de janeiro de 2009
SOBRE O BLOG PALESTINA LIVRE

Este BLOG não tem dono, não tem regras.
Deve possuir apenas alimentadores, pessoas que colaborem com textos, fotos, poesias, músicas,vídeos, downloads e dicas.
Se trata da extensão de um trabalho de conclusão de curso de uma universidade sobre o conflito entre Palestina e Israel. Aos poucos serão disponibilizados os materias deste trabalho - um programa de rádio de cerca de 45 minutos, entrevistas, textos, dados, fontes, bibliografia e relatório.
Deve possuir apenas alimentadores, pessoas que colaborem com textos, fotos, poesias, músicas,vídeos, downloads e dicas.
Se trata da extensão de um trabalho de conclusão de curso de uma universidade sobre o conflito entre Palestina e Israel. Aos poucos serão disponibilizados os materias deste trabalho - um programa de rádio de cerca de 45 minutos, entrevistas, textos, dados, fontes, bibliografia e relatório.
O BLOG tem um pretexto: a discussão acerca da Palestina, uma nação massacrada por um Estado opressor, privada da própria existência, marcada pela miséria, pelo descaso.
O BLOG provavelmente irá receber ao menos uma postagem por semana, até que todos comecem a escrever e se assim a preguiça permitir.
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