Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Rede de solidariedade aos palestinos em situação de refúgio no Brasil


Car@s
Refugiados palestinos que moram em Mogi das Cruzes estão precisando muito da nossa ajuda. Não conseguiram a devida inclusão e estão em situação muito difícil. Queremos garantir sua inclusão, mas neste momento faz-se urgente uma ajuda para que não sejam despejados e tenham o que comer. Os interessados em contribuir mensalmente ou bimestralmente, entrem em contato com Mauro pelo e-mail mroag@ig.com.br para que enviemos a Ficha Compromisso de Adesão a ser preenchida e devolvida assinada e escaneada, por e-mail ou pelo correio, seguindo as instruções que constam na própria ficha. Manteremos contato mensal para informar sobre a destinação dos recursos doados.

Conta na Caixa Econômica Federal nº 0350 / 013 / 00020048-0


Nos depósitos ou transferências eletrônicas será sempre solicitado digitar na seguinte ordem:
0350 = agência
013 = tipo de conta (poupança)
00020048-0 = número da conta e dígito verificador


Favor divulgarem, abraços a todos e todas,

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A história de um povo


Em memória das vítimas do ataque à ajuda humanitária e de Rachel Corrie

Filhos da Nakba - A história de um povo

Por Mohammad Al Tamimi [*]

Testemunhem, ó estrelas
Registrem, ó céus
Escrevam na história,
Escrevam-a pelo sangue:
Quem teve misericórdia de mim
Quem me consolou na tragédia.
É a Nakba [1] de um povo
Que não experimentou
O sabor da felicidade

Sessenta anos sem abrigo,
Sem barraca ou lar.
Invejá-lo a uma caverna
Cavada pelos antigos!
Viveu nela com as cobras,
No seu corpo criou pestes
Sofreu muitas doenças
Sem médico nem remédio.
Viveu sem identidade,
Andando na escuridão

Fora, pela força o tiraram
E no ar livre o jogaram
Basta que Deus testemunhe,
A obra dos desprezíveis.

Presas caíram as unidades,
Sabra e Chatila [2] foram mártires
Onde estão os habitantes,
Do acampamento de velhos e mulheres?
Milhares de mártires!
Eram desarmados e inocentes…

Pátria minha, como estás?
E meus filhos, e meu lar?
Meu pai, minha mãe,
Minha vida, meu viver?
Por ti minha alma redentora
E pela sua fidelidade, ninguém conta

Que o amor à minha terra encheu meu coração
E foi o remédio para a minha moléstia
Dela, a terra alumiou a verdade, e sua luz
Os berços dos profetas
Sua glória permanece e voltarão
E os amigos te visitarão
Até se morrermos,
Redenção a ti!
Somos dignos à redenção

Pela escuridão da noite andemos,
Sobre espinhos e pedregulhos
Caminhamos atravessando as fronteiras,
Insistindo em te encontrar
Quantos batalhadores, quantos lutadores
Sobre teu solo foram mártires
Símbolo do meu amor, ó minha pátria
Sejas o memorial eterno!

Maio de 2009


Notas

[*] Poeta palestino refugiado.

[1] Nakba significa Grande Tragédia. É o nome dado ao processo da criação do Estado de Israel e à expulsão e massacre do povo palestino.

[2] Referência ao massacre dos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano, onde milícias cristãs de extrema-direita, com apoio militar israelita, fizeram cerca de 3000 mortos, em 1982.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ajude a família de Abu Mustafá!


Recentemente, faleceu Abu Mustafá (Khaled Sabri), aos 47 anos de idade, um dos 117 refugiados palestinos que viveram por quase cinco anos no campo de Ruweished, perto da Jordânia, e foram recebidos pelo Governo brasileiro ao final de 2007. Atualmente, a família – mulher e três filhos – vive em Dois Vizinhos, no Paraná, onde Abu Mustafá trabalhava num abatedouro.
Uma maneira de ajudar essa família palestina, neste momento emergencial, de modo que possa ter estabilidade para construir e continuar sua vida no Brasil, é contribuir depositando qualquer quantia na conta abaixo:
Banco do Brasil
Ag. 0294-1
c/c 59129-7
Mustafá Khaled Sabri


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sem políticas públicas, o drama dos palestinos em situação de refúgio no Brasil continua...

http://povosnaolineares.blogspot.com/2010/01/sem-politica-publica-o-drama-dos.html

Tomei a liberdade de publicar o link acima por conter uma leitura necessária para que as pessoas que se sensibilizam com a situação das pessoas em situação de refúgio no Brasil, se embase para apresentar sugestões para a elaboração de uma proposta de regulamentação da Lei nº 9474/97 (Estatuto do refugiado) que pretendemos fazer chegar ao Presidente da República, para que, no uso de sua prerrogativa o sancione em forma de decreto.

O Estatuto do refugiado, como está hoje, é uma peça completamente inútil, sem nenhuma aplicabilidade na prática, porque trata da proteção aos refugiados no Brasil de forma muito genérica, na medida em que não define responsabilidade civil e criminal às partes que deveriam zelar pela plena observância dos direitos humanos das pessoas em situação de refúgio no Brasil, propiciando a negligência e o abandono à própria sorte das pessoas em situação de refúgio no Brasil, sem que a justiça possa alcançar os responsáveis por esses atos de lesa humanidade.

No link a seguir você tem acesso ao Estatuto do Refugiado, na íntegra: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9474.htm

domingo, 10 de janeiro de 2010

PNDH III – UMA FALSA POLÊMICA, FABRICADA PARA LUDIBRIAR E MANIPULAR OS INCAUTOS E INCULTOS EM ANO ELEITORAL

Todo o retardado alarde estabelecido na imprensa sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, “decretado” em 21/12/09, é tão falso quanto o próprio Programa.



Primeiramente, que ela é totalmente impraticável, só para inglês ver mesmo, pela gama de temas que são tratados num único documento, quando deveria cada tema nele contido ser objeto de decretos específicos.



Inexplicavelmente, não foi incluído neste PNDH o tema dos refugiados, que também é um tema que carece de discussão com a sociedade e merece ser objeto de um decreto presidencial, bastando para tanto regulamentar o Estatuto do Refugiado (Lei Nº 9.474, de 22 de julho de 1997), de modo a estabelecer a obrigatoriedade de se observar os direitos humanos na elaboração dos programas de atendimento aos refugiados estrangeiros, o cumprimento por parte dos agentes gestores responsáveis pelo acompanhamento e aplicação dos programas para refugiados e classificar como crime a negligência com os direitos humanos dos refugiados estrangeiros.



Contudo, a falsa polêmica acabou expondo o quão avessa é a classe dominante da nossa sociedade a aceitar que haja direitos humanos aos menos favorecidos.



Isso demonstra que a condição essencial para a existência da classe dominante é justamente a negação dos direitos humanos aos que produzem com árduo trabalho as riquezas das quais se apropria e se locupleta a classe burguesa.



Link para o PNDH 3, na íntegra: http://www.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mais um palestino morre por descaso no Brasil




Morre o segundo palestino da leva de refugiados que chegou ao Brasil em 2007

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O refugiado palestino Handam Mahmoud Abu Sitta, 65, morreu nesta segunda-feira após passar dias internado no Hospital da Universidade de Brasília, onde deu entrada com uma crise respiratória

Ele fazia parte do grupo de 115 palestinos que estavam em campos na Jordânia, Iraque e Líbano e receberam asilo no Brasil em 2007. Inicialmente enviado para Mogi das Cruzes, município da Grande São Paulo que recebeu 56 desses refugiados, Abu Sitta era um dos integrantes da comissão que protestou e acampou em Brasília exigindo melhor tratamento para os refugiados por parte do Itamaraty e da ONU.
Esta é a segunda morte dentro do grupo que recebeu abrigo no Brasil. Em agosto último, Nusha El Loh morreu de pneumonia em Mogi.
Os palestinos e grupos que auxiliam refugiados apontam descaso por parte do governo federal, das Nações Unidas e inclusive da Cáritas, organização católica responsável que recebeu a missão de amparar os refugiados. As autoridades, por seu lado, negam falta de assistência.
Atualmente, os palestinos negociam com a Prefeitura de Mogi das Cruzes para que o município auxilie mais ativamente na adaptação do grupo ao cotidiano da cidade.
Muitos palestinos apresentam problemas de saúde pelas condições em que viveram nos campos durante os recentes conflitos no Oriente Médio.
do UOL Notícias


sábado, 19 de setembro de 2009

O fim do auxilio subsistência da ONU aos refugiados palestinos exige intervenção de pessoas comprometidas com os direitos humanos e solução urgente

Expulsos da Palestina por israelenses, impedidos de refugiar-se nos países árabes vizinhos até que conseguiram refúgio no Iraque, expulsos do Iraque após a queda de Sadan Hussein e ascenção dos xiitas ao poder, impedidos de refugiarem-se na jordânia, barrados na fronteira entre os dois países, na região desértica de Ruweiched, onde formaram o Campo de Refugiados onde permaneceram por cinco longos anos, expulsos do Campo de Ruweished devido ao aviso sobre seu fechamento e agora, refugiados no Brasil, neste, que esperavam ser finalmente o lugar onde reconstruiriam suas vidas.

Esse é um ultraresumido relato da saga de 117 refugiados palestinos que no final de 2007 foram trazidos para o Brasil no chamado Programa de Reassentamento Solidário, num convênio "ultrasecreto" e de regras duvidosas e mais do que suspeitas entre o governo brasileiro (através do CONARE), a ACNUR-Brasil, a Cáritas Brasileira e a Associação Antonio Vieira (ASAV).

Mas, infelizmente, a transferência desses refugiados para o Brasil não significou o fim do drama, conforme lhes foi prometido, ainda em Ruweished; foi sim a continuação da "nakba" (catástrofe) dessas vidas humanas, longe de acabar se as autoridades brasileiras continuarem a não dar a devida atenção.

O CONARE, a ACNUR-Brasil, a Cáritas e a ASAV provaram total incompetência para atender os refugiados.

Os dois anos de duração do Programa de Reassentamento Solidário, foram dois anos de descaso, maus tratos e misteriosa e cúmplice relação entre essas instituições e entidades que impossibilitaram a adaptação dos palestinos no Brasil e, consequentemente impossibilitaram que pudessem sequer começar a reconstruir suas vidas.

É urgente que outras instâncias do governo brasileiro, independentes do CONARE, da ACNUR-Brasil, da Cáritas e da ASAV, intervenham no caso e apurem com profundidade o por que de tanta negligência. Todas têm responsabilidade no precário atendimento aos refugiados palestinos no Brasil, mas nenhuma assume, nem dá solução. São cúmplices na situação de risco social em que jogaram os refugiados e são recíprocas na defesa umas das outras.

domingo, 16 de agosto de 2009

O fascismo israelense

Segue um texto do Maurício Tragtenberg, um intelectual judeu, que se posicionou a favor do povo palestino e contra o Estado de Israel. Tragtenberg é um dos grandes mestres para todos os que almejam um socialismo libertário e autogestionário. E é preciso lembrar, que ser contra o sionismo não tem absolutamente nada a ver com ser contra os judeus ou anti-semita. Pelo contrário, qualquer judeu que tenha um mínimo de coerência com a tradição humanista judaica e de esquerda, irá se posicionar criticamente em relação ao fascismo do estado de Israel e assumir a defesa do povo palestino. Nao queremos nem o nazismo, nem o sionismo.
O fascismo israelense
Por MAURÍCIO TRAGTENBERG
Textos Políticos- In Memorian Menachem Begin visto por Einstein, H. Arendt e N. Goldman
Deu-se o massacre dos palestinos dos campos de Sabra e Chatila por obra dos assassinos chefiados por cel. Haddad, com conivência e participação, isso após a morte do traficante de haxixe Gemayel, novo “Quisling” imposto pelas tropas de ocupação.Por tudo isso, ser fiel à tradição judaica é condenar mais este genocídio praticado contra o povo palestino. [1]É necessário acabar de vez com o etnocentrismo que toma a forma de judeu-centrismo, onde o massacre de judeus brancos por brancos europeus tem um status diferente do massacre dos armêmios pelos turcos, dos negros africanos pelos traficantes de escravos, dos chineses na Indonésia. Assim, Auschwitz é elevado a potência metafísica. Sou um dos últimos a minimizar as atrocidades cometidas em Auschwitz, porém, as lágrimas de outros povos não contam?Esse massacre de palestinos, a esclada militar no Líbano, a expropriação das terras de camponeses palestinos à custa dos quais fundou-se o Estado de Israel, são consequências da hegemonia em Israel do bloco religioso ao fascismo, que tem em Begin sua maior expressão. Compreender o “fenômeno Begin” é condição indispensável para compreensão de um fenômeno que transformou o Estado de Israel na Prússia do Oriente Médio.Já em 1948 Begin era criticado numa carta publicada pelo “New York Times” a 4/12, assinada por Albert Einstein e Hannah Arendt, entre outras personalidades judaicas e não judaicas.Já era chamado de terrorista, acusação que ele no poder faz contra os palestinos indiscrinadamente. Muito mais, denunciava a carta que entre os fenômenos mais pertubadores de nossa época está o aparecimento do Tnuat Haherut, partido político semelhante por sua organização e métodos totalitários aos partidos Nazitas e Fascista. Acrescentava a carta que a visita de Begin aos EUA era para dar impressão de que ele dispunha do apoio norte-americano. Argumentavam os autores da citada carta ser inconcebível que aqueles que se opunham ao fascismo através do mundo, se corretamente informados sobre os antecedentes do sr. Begin, apoiassem suas iniciativas. Segundo Hannah Arendt e seus companheiros, hoje em dia ele (Begin) fala em democracia e liberdade, mas até há pouco pregava abertamente a doutrina fascista. Einstein e os demais subscritores da carta criticam como prática fascista o massacre de camponeses árabes da aldeia de Der Yassin.A 9/4/48 o bando terrorista da “Irgun” massacrou 240 habitantes, levando os poucos sobreviventes para uma parada, exibindo-os como cativos nas ruas de Jerusalém. Enquanto a “Agência Judaica” desculpava-se por esse massacre fora dos planos, os adeptos de Begin convidavam os correspondentes estrangeiros no país para ver os corpos empilhados em Der Yassin.Segundo Einstein, Hannah Arendt e mais 24 intelectuais que assinaram a carta, o partido do sr. Begin prega um ultranacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. A carta critica “Irgun”, por espalhar o medo entre a comunidade judia na Palestina, espancando intelectuais judeus que o criticam, tentando intimidar a população judia com assaltos e depredações. Conclui a carta que Beguin tenta substituir a liberdade sindical por um modelo corporativo “nos moldes do fascismo” e que seu partido traz a marca do Partido Fascista, para quem o terrorismo contra ingleses, árabes e judeus é um meio e a construção do Estado Fascista Autoritário, a finalidade.Na mesma linha de pensamento está baseada a entrevista que Nahum Goldman, ex-presidente do Congresso Mundial Judaico, concedeu à revista alemã “Der Spiegel”, pouco antes de falecer.Segundo N. Goldman, a política agressiva de Beguin reforçará no mundo o anti-semitismo. Condena como ação criminosa o bombardeio de Beirute. Esse homem não quis se tornar cidadão israelense, nem participar do governo de Israel. Nutria a firme convicção de que não haverá futuro para o Estado judeu sem acordo com os árabes.É necessário compreender que Beguin é fruto de uma formação ideológico-política inerente ao Movimento Revisionista criado por Jabotinsky. Esse Movimento adotava a saudação fascista, estilo militar e camisas negras. Um de seus líderes, Aba Haimeir, colaborava no jornal israelense “Doar Hayom” numa seção intitulada “Diário de um Fascista”.Em 1922 Jabotinsky escreve carta entusiasmada a Mussolini. Este em 1924 envia seu representante, Dr. Mancini, à Palestina para conhecer o Partido Fascista Judeu.O Primeiro Congresso do Movimento Revisionista de Jabotinsky-Beguin se realiza em Milão em 1932, tendo como slogan “Ordem Italiana para o Oriente “. Devido o apoio do Movimento Revisionista à guerra de Mussolini contra a Etiópia, a agência noticiosa fascista “Oriente Moderno” saudava o Congresso Revisionista realizado em 1935.A partir de 1935, quando se tornou público o universo concentracionário criado por Hitler e seu anti-semitismo militante, o Movimento Revisionista prudentemente afasta-se de Mussolini. Isso não o impede de organizar na Palestina bando de “fura-greves”, criar uma central sindical paralela com o nome de “Histadruth Aleumit” e praticar terrorismo contra organizações operárias na Palestina. São os culpados pelo assassinato do dirigente sindical operário Alrosoroff. Recrutavam seus membros entre a classe média de origem polonesa, em crise e sensível à demagogia fascista. Jabotinsky e Beguin eram comandantes do “Irgun” e o mentor político do fascismo era o rabino Bar-Ilan, conforme o historiador Yehuda Baer (”The Arab Revolt” vol.9, n.7,Set 1966).Quem sabe isso poderia permitir a compreensão do massacre de palestinos no campo de Chatila, “onde ninguém foi deixado vivo para contar o que aconteceu”. (FSP 19/9, fl. 15).Já no início do século, Judah L. Magnes, presidente da Universidade Hebraica de Jerusalém, desiludido com o jovem Estado de Israel, morria nos EUA, não sem antes advertir profeticamente: “Um Estado judeu só pode ser obtido pela guerra. Falai a um árabe do que quiseres, menos de um Estado judeu. Porque isso significa por definição que os judeus governam outros povos que vivem no Estado judeu. Exorcizado, excomungado, viu o movimento sionista adotar suas idéias. Escrevia ele: ‘Já se viu um povo doar seu território por vontade própria? Os árabes da Palestina não renunciarão sem violência. Conclui J. L. Magnes, essas coisas são adotadas por aqueles que o excomungaram.” (In Essais on Zionism and Jewish-Arab Cooperation, ed. Martin Buber, Jerusalém 1947, págs. 14/21.)Não há povos inocentes ou culpados. O povo de Israel que saiu às ruas para protestar contra o massacre de palestinos não pode ser responsabilizado por um governo genocida, fruto da aliança clerical-fascista.Seria o mesmo que dizer que todos os alemães são nazistas, quando é sabido que o “Holocausto” começou na Alemanha, quando Hitler assassinou 60.000 líderes sindicais alemães.O que favorece o anti-semitismo latente no mumdo é a escalada militar e o genocídio que a acompanha. A crítica pública a essa política é o primeiro dever de quem não renunciou à tradição humanista judaica, presente em Einstein, Hannah Arendt e nos críticos atuais.Tem como um de seus fundamentos um preceito do Rabi Hilel, que, antes do surgimento de Jesus de Nazaré, ensinava: “O que condenas não o faças a outro. Eis toda a Lei, o resto é só comentário.” (Thalmud da Babilônia, cap. Sabath, 31. )
(1) - O correspondente do “Newsweek” em beirute revelou que os israelenses participaram do massacre nos campos de refugiados, encurralando os civis palestinos para que os milicianos libaneses pudessem liquidá-los. (FSP 20/9/82 fl.6). Sem Comentários._______________________________________________________*
Mauricio Tragtenberg é professor do departamento de Ciências Sociais da Escola de Administração de empresas da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e da Universidade Estadual de Campinas, autor de “Burocracia e Ideologia” e “Administração, Poder e Ideologia”.

sábado, 15 de agosto de 2009

Refugiados palestinos no Brasil - descaso e sofrimento

DENÚNCIA PÚBLICA

O dinheiro destinado aos refugiados palestinos não saem do bolso dos brasileiros e sim da ONU. É importantíssimo que essa informação seja tornada pública para desfazer interpretações erradas por parte de alguns. Ademais, o povo palestino não tem um país, pois este lhe foi roubado, forçado por bombardeios e tiros a fugir para dar lugar à instalação do estado de Israel, com o aval do Brasil, inclusive.

A soma a ser aplicada na subsistência e adaptação dos 117 palestinos que chegaram em 2007, conta-se em milhões de dólares, dinheiro mais do que suficiente para que o governo brasileiro criasse uma estrutura eficiente para atendimento aos refugiados até que eles saíssem da situação de risco social em que se encontram, ainda hoje, já no final do prazo previsto para término da ajuda humanitária da ONU.

O programa de reassentamento “solidário” da ACNUR tem validade de dois anos e iria até setembro, outubro e dezembro, dependendo do mês em que foram trazidos para o Brasil, mas, muitos dos refugiados já foram excluídos do programa, indevidamente pela ACNUR. E, não é exagero afirmar que, pela ineficácia do programa, todos eles já estão excluídos desde o início do programa.

Por parte da Cáritas, entidade à qual é atribuída pela ACNUR a aplicação do programa de ajuda humanitária, eles recebem além do descaso, o cinismo, a humilhação, a intimidação e a criminalização. Não são atendidos com atenção e respeito que merece um ser humano, principalmente, em se tratando de pessoas prestes a perderem suas moradias, alguns com sérios problemas de saúde, necessitando de acompanhamento médico e cirurgias e sem perspectivas de conseguirem reconstruir suas vidas, devido às falhas do programa de reassentamento assinado entre o Brasil e a ONU.

Falo como testemunha ocular, e auditiva dos refugiados que estão em Mogi das Cruzes. Ainda ontem fui impedido por força policial, chamada pela Cáritas (pela segunda vez em três dias), para que eu não pudesse acompanhar um refugiado numa conversa com a entidade. Felizmente, levei uma advogada solidária aos palestinos que a cáritas não teve como impedi-la de entrar e participar da conversa.

Algo tem que ser feito com a urgência que o caso requer. A Cáritas de Mogi das Cruzes está agindo arbitrariamente, como se estivesse acima das leis.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Além de não ajudar, agora a Cáritas quer criminalizar os refugiados

Vou relatar um fato muito grave que aconteceu ontem a tarde e peço muita atenção a todos que se solidarizam com a causa dos refugiados palestinos.

A cáritas convocou o Hossam na data de ontem para lá comparecer, sob o pretexto de fazer um reembolso de remédios que o Hossam comprou para sua mãe nesses três meses em que ela esteve entre nós. Foram para lá o Hossam, a Huda, a Aysha e eu, como testemunha. Chegando lá, o que se viu foram tentativas por parte da Cáritas de justificar o injustificável, a mesma ladainha de sempre que os refugiados já estão cansados de ver e ouvir pessoalmente ou através de declarações da entidade na imprensa. Todas as argumentações das duas funcionárias da Cáritas, Shirley e Elisa, eram no sentido de desqualificar as reclamações dos refugiados, mas em nenhum momento se dignaram a perguntar como estava a saúde dos familiares dos palestinos.

Em dado momento, a Aysha irritou-se com a Shirley e segurou-lhe pela blusa, não chegando a consumar-se uma agressão física, mas, mesmo assim, imediatamente a Shirley, foi para outra sala e telefonou para a polícia. Chamei um advogado amigo meu e fomos todos para a delegacia e foi feito um boletim de ocorrência contra a Aysha, constando artigo 21 no B.O.

É importante frisar que a Aysha foi incluida juntamente com a Sra. Nuzha e seu sobrinho de 09 anos de idade no programa de reunião familiar da ACNUR, está há três meses no Brasil sem que até agora tenham ficado prontos os documentos dos três, previstos no Estatuto do Refugiado, não fala nada de português, teve a noticia da morte de seu marido em Gaza quando estava recem chegada em Mogi, perdeu sua irmã Nuzha que faleceu no último dia 27/07 por pura negligência da Cáritas, seu sobrinho tem passado por crises violentas de asma, com o conhecimento e negligência da Cáritas que não tem lhe prestado a assistência devida, não receberam até o momento nenhum pagamento do auxilio subsistência previsto no convênio de reassentamento. A Nuzha era cirurgiada da coluna vertebral e por isso precisava de um colchão ortopédico, mas recebeu da cáritas um colchão de espuma, o que a obrigava a dormir no chão, o que pode ter causado a água nos pulmões que provocou o agravamento dos seus problemas de saúde que a levou à morte.

Foi uma cena fabricada pela cáritas essa de hoje, na tentativa de criminalizar os refugiados palestinos.

Sendo assim, daqui em diante, sabemos que armadilhas como essa são armadas para gerar argumentos contra os palestinos, em represália à ampla cobertura que tem sido dada nos jornais sobre a negligência da Cáritas/ACNUR em relação aos refugiados. A sociedade está de olho!

domingo, 9 de agosto de 2009

Sugestão de amigo para quem ainda acha que os refugiados palestinos estão bem no Brasil

Tente sentir, por um minuto, a situação do povo palestino que tem de fugir da sua terra, expulso pela força de tiros e bombardeios aéreos, depois de ver familiares e amigos seus serem covardemente trucidados pelo exército extremamente sanguinário de Israel.

Uma vez em fuga (alguns apenas com a roupa do corpo), tenta atravessar a fronteira de um país vizinho, que geralmente, naquela região, fica no meio do deserto, e alguns desses países vizinhos lhe impede a passagem.

Não podendo voltar para não ver assassinados os que restaram vivos de sua família e amigos, estaciona ali e passa a viver por anos, da ajuda humanitária da ONU, suportando temperaturas de mais de cinquenta graus durante o dia e abaixo de zero a noite, sob tendas de dez metros quadrados, sob constante ameaça das monstruosas tempestades de areia, cobras e escorpiões do deserto.

Quando o Brasil o resolve acolher, lhe diz ter toda uma estrutura montada que vai lhe permitir reconstruir a vida.

Depois de desembarcados no Brasil, os dias vão passando, a estrutura prometida não funciona, não sai do papel, conforme prometida. Tentam subsistir por conta própria, com a diferença de que nós, pelo menos, falamos português e ele, o árabe.

Sem a estrutura prometida e um auxilio financeiro insuficiente, no dia a dia, aqui, sua opção mais lógica e priorizar a subsistência em detrimento de frequentar as inadequadas e escassas aulas de português e sofre com a impossibilidade de se comunicar para conseguir um emprego, para comprar algo numa loja, para um atendimento médico e o que antes era uma esperança de vida transforma-se em morte, como de fato se transformou por duas vezes, nesses 22 meses que estão em Mogi e alguns estão doentes e, repito: sem assistência médica. - A estrutura prometida não previu que eles precisariam de tradutores?

Sofre por ter de carregar o estigma de refugiado, sofre com a rejeição de muitos da sociedade local que não conhecem sua história, ou conhece apenas a versão apresentada pelos covardes invasores da sua terra, e por isso o rejeita. Sofre com a rejeição (ainda que velada) de um povo que não conhece seu idioma, sua religião, sua cultura totalmente diferentes da nossa.

Depois, descobre que se tornou refém, durante dez anos proibido de sair do Brasil, no caso de não ser possível se adaptar na nossa sociedade, o que normalmente acontece quando um refugiado de lingua árabe é enviado para um país de lingua latina.

Essa é a saga do povo palestino, a maior etnia de refugiados do mundo, a maior catástrofe humanitária da história, causada pela bestialidade humana. E quem os procurar conhecer, verá que são pessoas respeitosas, gentis e amigas verdadeiras.

Minha sugestão a todos que não conhecem a verdadeira história da catástrofe que vive o povo palestino é que procurem conhecer os refugiados, ouça sua versão para não ficar apenas com a versão dos seus algozes.

Vocês terão nos palestinos os melhores amigos de suas vidas.

sábado, 1 de agosto de 2009

Mogi News publica com coerência a situação dos refugiados


"é muito fácil entoar uma lição de moral sentado num gabinete luxuoso e com ar condicionado de Brasília, enquanto pessoas traumatizadas por guerras e perseguições de todos os tipos enfrentam, como podem, a dificuldade de hábitos , língua e clima diferentes daqueles da terra de origem"


Após a morte da Sr. Nusha, não foi possível mais fingir que nada está acontecendo na cidade. Mogi das Cruzes é considerada por muitas pessoas com uma cidade de 'coronéis', uma província dominada por poucos, com duas empresas de transporte que cobram uma das passagens mais altas do Brasil ( R$ 2,50 para andar de Onibus, às vezes, nem cinco minutos), e claro, com uma imprensa defensora da elite local. No entanto, pra surpresa de todos, o jornal Mogi News vem publicando uma série de reportagens sobre a situação dos refrugiados, de uma maneira honesta, inclusive com uma matéria de capa.
No dia 30/07/09, o Mogi News publicou o direito de resposta a Luís Fernando Godinho, oficial de uma informação pública do ACNUR Brasil, que ausou o jornal de "não apenas divulgar informações incorretas como também ignorar as mais elementares práticas do bom jornalismo", além de negar que os palestinos não estavam sendo assistidos pela entidade, Godinho falou que "as assistentes sociais da Cáritas foram informadas sobre a internação da Sr. Nusha, no dia 27/07 e que a oferta de acompanhamento naquele dia foi desconsiderada por seus familiares". Mentira. Como não sabem falar português, jamais recusariam ajuda, tanto que pessoas ligadas ao Comitê largaram o que estavam fazendo para acompanhar a situação e intermediar a conversa entre os familiares de Nusha e os médicos.
A redação do jornal combateu às críticas de Godinho, de maneira contundente dizendo que é estranho que um oficial de informação de uma entidade internacional acuse o jornal, mesmo após o jornal ter publicado de maneira integral "sua resposta superficial e distante da dura realidade em que vivem os refugiados, que lutam em Mogi das Cruzes contra todas as dificuldades e diante do descaso do ACNUR". A redação do jornal completa sua crítica dizendo que "é muito fácil entoar uma lição de moral sentado num gabinete luxuoso e com ar condicionado de Brasília, enquanto pessoas traumatizadas por guerras e perseguições de todos os tipos enfrentam, como podem, a dificuldade de hábitos , língua e clima diferentes daqueles da terra de origem".
Acompanhe as matérias, em ordem cronológica nos links abaixo:

http://www.moginews.com.br/materia.aspx?id=38405

http://www.moginews.com.br/materia.aspx?id=38494

http://www.moginews.com.br/materia.aspx?id=38582

http://www.moginews.com.br/materia.aspx?id=38585

http://www.moginews.com.br/materia.aspx?id=38726

Anomalia Caótica

sábado, 4 de julho de 2009

DEMOLIR A PRÓPRIA CASA OU PAGAR POR ISSO, A OPÇÃO QUE ISRAEL DEIXA AOS PALESTINOS


DEMOLIR A PRÓPRIA CASA OU PAGAR POR ISSO, A OPÇÃO QUE ISRAEL DEIXA AOS PALESTINOS. Gara 23/06/2009. Rebelión 24/06/2009.

"Vocês querem que aceitemos a destruição da nossa casa e que, além do mais, paguemos por isso?". Fátima Ghosheh está indignada. Obrigada a destruir a própria casa no setor leste de Jerusalém, além disso, tem que pagar pela demolição. "Chegaram às sete da manhã para demolir", conta esta mãe de quatro filhos. "Disseram-nos que eles mesmos preferiam fazê-lo porque queriam que os pagássemos", acrescenta.
Segundo explica, a prefeitura deu a opção deles próprios derrubarem a casa ou pagar 100.000 shekels (18.250 euros) pela demolição.
Muitas famílias palestinas da Cidade Velha de Jerusalém, sob ocupação israelense, têm recebido ordens semelhantes da prefeitura pelo fato de suas casas terem sido construídas ou reformadas "sem autorização". Na verdade, "apresentamos uma solicitação para a obra. O problema é que negam sistematicamente os alvarás aos palestinos".
"As construções sem alvará são ilegais", trata de justificar a prefeitura de Jerusalém. A ONU afirma que, no setor leste de Jerusalém, foram expedidas 1.500 ordens de demolição de casas palestinas. Segundo o porta-voz do prefeito Nir Barkat, eleito em novembro de 2008, estas ordens não "não são dirigidas somente aos palestinos, mas a todos os moradores, de forma igualitária".
"Mas é óbvio que há discriminação!", responde Meir Margalit, do Comitê Israelense contra a Destruição de Casas. "Há uma discriminação clara e sistemática por parte das autoridades políticas israelenses", exclama com indignação. Teoricamente, os parâmetros para distribuir os alvarás de construção são os mesmos para todos. Contudo, a prática revela que há um plano para expandir o território [israelense] pelo qual os alvarás de edificação na chamada "área verde" são sistematicamente rechaçados. A maior parte do setor leste de Jerusalém encontra-se nesta área, da qual está excluída a região oeste da cidade, sublinha Margalit.
Se isso não bastasse, Israel está vendendo propriedades de refugiados palestinos que se viram forçados a abandonarem suas casas na Nakba [Catástrofe], conforme denunciou Adalah, uma ONG que defende os direitos dos palestinos nos territórios de 1948, e que qualificou esta medida como "o último ataque contra os direitos de propriedades dos refugiados palestinos". A venda destas propriedades contraria a legislação israelense e internacional.

sábado, 20 de junho de 2009

Dia 20 de junho – Dia Mundial do Refugiado. Nada a comemorar. Tudo a lamentar e denunciar.


Imagine que você é alguém que viu membros da sua família e amigos serem trucidados por bombas e tiros e teve que fugir deixando tudo para trás tentando às pressas salvar o que for possível. Imagine que para todo lugar, onde você vá, na tentativa de se proteger encontre pessoas armadas que te odeiam pelo único motivo de você ter nascido numa terra que eles ambicionam, e por isso querem te matar e aos seus. Imagine que você é uma pessoa pacífica, que condena a violência, as armas, o ódio e o que você mais quer é ver as pessoas vivendo solidariamente e em paz e mesmo assim, você, sua família e seus amigos que pensam como você são caçados como bichos. Imagine que o único lugar que lhe sobrou para alojar o que sobrou da sua família e amigos é um deserto, sob tendas de lona de 10 metros quadrados, em meio a cobras, escorpiões, tempestades de areia, temperaturas extremas para cima durante o dia e para baixo durante a noite e nesse lugar você será obrigado a viver por tempo indefinido, contando apenas com a sorte para que os que querem lhe ver morto não lhe encontrem antes do que alguém que lhe queira ajudar. Agora imagine que após anos nessa agonia da espera, alguém chegue lhe prometendo ajuda, lhe prometendo levar para outro país, distante e seguro de toda a violência que há em sua terra, longe das pessoas que querem te matar, um lugar muito bom de se viver, lhe prometendo, documentos, emprego, oportunidades para reconstruir sua vida, assistência médica e odontológica, aulas do idioma da nova terra que lhe está sendo oferecida. Agora, imagine que depois de toda a tragédia do passado de sua vida e do “paraíso” prometido, nesse “paraíso” você se depara com miséria e todo tipo de dificuldade, sem que todas aquelas promessas de uma nova vida, digna, sejam cumpridas, sejam reais e então, você cai na real de que, aqueles que a prometeram, apenas usaram da sua necessidade extrema, da sua ansiedade, do seu maior sonho, da sua esperança de uma vida melhor, para tirarem proveito próprio, uma oportunidade de ascensão política, talvez.

Essa é a situação em que se encontram hoje os palestinos que foram trazidos como refugiados para o Brasil em setembro e outubro de 2007, sendo 57 para Mogi das Cruzes, de um total de 108. Foram trazidos, sem ter a oportunidade de escolher. Aos que se recusavam a vir porque já previam as dificuldades de adaptação, era dito de forma ameaçadora que então eles seriam entregues ao exército da coalisão norte americana ou às milícias que os queriam ver mortos. Chegando aqui, foram separados em localidades distantes, os que não foram trazidos para Mogi foram levados para o Rio Grande do Sul e Paraná. Todos eles falam a lingua inglesa, além da língua árabe, mas não foram levados para algum país de língua inglesa, mas sim para um país de língua portuguesa, e a ajuda prometida não passaram de promessas.

Neste dia 20 de junho, dia dedicado a lembrar os refugiados, minha maneira de homenagear os refugiados palestinos, com quem tenho convivido e visto o quanto são amáveis, agradecidos, amigos e também vulneráveis, é contando essa verdade que não é dita, não é divulgada.

Que a ACNUR, o governo brasileiro e o Cáritas cumpram, com urgência, com suas promessas de lhes dar todas as condições para que possam reconstruir suas vidas, já que aceitaram recebê-los aqui. Os próximos três meses serão cruciais para eles, visto que termina o prazo de dois anos da ajuda de custo irrisória paga pela ACNUR, através do Cáritas Diocesana.

Mauro Rodrigues de Aguiar
Coletivo Libertário Trinca
P.S.: Não sou palestino, sou um brasileiro que tem acompanhado as dificuldades dos palestinos refugiados em Mogi das Cruzes e as mazelas do Cáritas Diocesana.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Poesia


Poesia feita pelo Sr. Mohammad, refugiado palestino que vive em Mogi. Ele oferece a todos que direta, ou indiretamente ajudou o povo palestino.



Filhos de Nakba – a história de um povo
Mohammad al Tamimi

Testemunhem, ó estrelas
Registrem, ó céus
Escrevam na história,
Escrevam-a pelo sangue:
Quem teve misericórdia de mim
Quem me consolou na tragédia.
É a Nakba de um povo
Que não experimentou
O sabor da felicidade

Sessenta anos sem abrigo,
Sem barraca ou lar.
Invejá-lo a uma caverna
Cavada pelos antigos!
Viveu nela com as cobras,
No seu corpo criou pestes
Sofreu muitas doenças
Sem médico nem remédio.
Viveu sem identidade,
Andando na escuridão

Fora, pela força o tiraram
E no ar livre o jogaram
Basta que Deus testemunhe,
A obra dos desprezíveis.

Presas caíram as unidades,
Sabra e Chatila foram mártires
Onde estão os habitantes,
Do acampamento de velhos e mulheres?
Milhares de mártires!
Eram desarmados e inocentes...

Pátria minha, como estás?
E meus filhos, e meu lar?
Meu pai, minha mãe,
Minha vida, meu viver?
Por ti minha alma redentora
E pela sua fidelidade, ninguém conta

Que o amor à minha terra encheu meu coração
E foi o remédio para a minha moléstia
Dela, a terra alumiou a verdade, e sua luz
Os berços dos profetas
Sua glória permanece e voltarão
E os amigos te visitarão
Até se morrermos,
Redenção a ti!
Somos dignos à redenção

Pela escuridão da noite andemos,
Sobre espinhos e pedregulhos
Caminhamos atravessando as fronteiras,
Insistindo em te encontrar
Quantos batalhadores, quantos lutadores
Sobre teu solo foram mártires
Símbolo do meu amor, ó minha pátria
Sejas o memorial eterno!

Maio de 2009


Nota - Nakba é a grande tragédia, da expulsão deles de sua terra;
Sabra e Chatila foram dois acampamentos de refugiados palestinos que foram
massacrados por grupos cristãos no Líbano em 1982, rendendo 3 mil mortos.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

CONVITE ABERTO - ATIVIDADE SOLIDÁRIA AOS REFUGIADOS PALESTINOS DE MOGI DAS CRUZES


Serão apresentados dois vídeos, em telão. O primeiro, “A chave de casa”, documentário comovente que relata as dificuldades dos refugiados palestinos que vieram para Mogi das Cruzes no final de 2007 (duração 55 min.)

O segundo vídeo, “Filhos de Nakba”, com duração de apenas 20 minutos, com entrevistas de palestinos que vivem hoje em Mogi das Cruzes. Estarão presentes os próprios palestinos que participam dos dois vídeos. Será uma experiência muito rica para todos que comparecerem.



Será no dia 30/05, às 16 horas, na APEOESP – sub sede Mogi, à rua Hamilton Silva e Costa, nº 427, Mogilar. COMPAREÇAM! A ENTRADA É GRATUITA.

Mauro Rodrigues

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Trabalhadores de todo dia, 1º de maio sem show!


Boletim de Lutas e Resistência do Coletivo Libertário Trinca
ano 1, nº 1, 1º de Maio de 2009
“A emancipação dos trabalhadores só pode ser obra dos próprios trabalhadores.”

Crise capitalista e fascismo nas costas dos trabalhadores – nada temos a comemorar neste 1º de Maio

Neste primeiro de maio, nada temos a comemorar. O capitalismo, desde que começou a automatizar em larga escala a produção substituindo o trabalho humano, gerou uma crise sem precedentes, a qual mantinha sob controle através de injeções de bolhas de ar de dinheiro fictício, que arrebentaram agora. Esta crise mal começou. Para o sistema prolongar sua existência e reerguer seus lucros, os gestores necessitam intensificar a exploração de nós trabalhadores, a repressão e o controle social. A cada dia, pessoas são demitidas, direitos trabalhistas e sociais retirados, salários rebaixados, os preços de tudo sobem e o nosso trabalho é intensificado. Pessoas são despejadas como coisas, os pobres reprimidos, os movimentos sociais perseguidos. Somos vigiados e controlados o tempo todo por câmeras e mecanismos tecnológicos. As pessoas se sentem apáticas e cansadas pelo excesso de trabalho, e a cada dia a barbárie e violência geradas pela miséria crescem. Os governos todos se tornaram vazios e ocos, porque as decisões são tomadas por conselhos de empresas e tecnocratas, quase em segredo. Há cada vez mais uma fachada de democracia que esconde uma ditadura dos tecnocratas e empresas. Assim, o sistema e os loucos que o conduzem nos levam para a barbárie, nos sacrificando para salvar a “Santa Economia”.
Os meios de comunicação, como porta-vozes oficiais do sistema, contribuem ao criar uma cortina de fumaça, usam a barbárie social como justificativa para legitimar a repressão em nome da “segurança”, tentam nos aterrorizar, e escondem que a verdadeira causa da crise é a exploração do trabalho e a lógica do sistema que está falido. Não mencionam que muitas empresas se aproveitam da crise, para mandar embora muitos trabalhadores sem os mínimos direitos, com o aval do Governo. Ao contrário, eles ocultam isso e jogam areia em nossos olhos, usando os Datenas da vida, desviando a atenção para a novela cretina dos escândalos de corrupção (como se esse sistema pudesse não ser corrupto) e o circo dos horrores dos crimes hediondos, desencadeando uma perigosa onda moralista e fascista de ressentimento, onde as pessoas, ao invés de culpar o sistema, procuram bodes expiatórios e se apegam à “defesa da ordem” a qualquer custo.
Enquanto isso, as centrais sindicais e partidos de “esquerda” estão muito mais preocupados em fazer palanque para as eleições do ano que vem, atacam este ou aquele governo mas não o sistema - porque têm interesse em gerir a máquina e ascender socialmente. Querem na verdade administrar a crise e se alçar a postos de comando, criando aparelhos de poder e cargos de tecnocratas. Correm a criar mais e mais centrais sindicais, para receber a grana do imposto sindical. Contribuem para todo este processo e jogam o jogo do sistema e das classes dominantes. Hoje, como sempre, colocam palanques e fazem shows espetaculosos com sorteios de carros e anestesiando as pessoas, reproduzindo as hierarquias e nos reduzindo à condição de espectadores passivos do espetáculo dos profissionais da luta e especialistas em poder. Eles não nos representam, nem a ninguém! Ou nós trabalhadores nos apresentamos e lutamos, ou nos deixamos representar e viramos expectadores.

Ou agimos ou estamos ferrados! Reconstruir a solidariedade de classe!

- Liberdade e asilo político para o escritor italiano Cesare Battisti, um preso político no Brasil!
- Liberdade para o povo Palestino! Todo apoio aos refugiados palestinos no Brasil!
- Solidariedade para com as lutas dos trabalhadores de todos os países! Abaixo xenofobias e racismos!
- Combater a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza! Chega de criminalização ao MST no Rio Grande do Sul! Não ao muro nas favelas do Rio! Fora repressão e câmeras das ruas! Chega de controle social e invasão de privacidade. Não ao controle da internet!
- Abaixo a lógica de empresa nas escolas! Por uma educação autogerida pela comunidade escolar e desvinculada dos ditames do mercado de trabalho e empresas! Abaixo grades e repressão nas escolas!
- Por um sindicalismo autônomo e independente, horizontal, desburocratizado e organizado a partir dos locais de trabalho! Fora burocratas profissionais da luta com seus cargos e Fundos de Pensão, candidatos a futuros patrões!
- Fora atrelamento sindical ao governo, partidos políticos e abaixo o imposto sindical!
- Chega de aumentos de preços, de ônibus, de gás, energia! Que as empresas paguem a crise, não nós!
- Ações de apoio mútuo comunitárias e coletivas contra a crise!
- Coletivização e autogestão: Todo apoio às ocupações de terras e empresas falidas pela crise e, recursos sociais para produção que satisfaçam necessidades básicas, sob controle coletivo dos trabalhadores.
- Unificação das lutas sociais em datas e ações conjuntas! Construção do poder popular!
- Como solução ao desemprego, redução de jornada sem redução de salário! Que as máquinas sirvam para o que deveriam – proporcionar tempo livre, e não desemprego!
- Pela Superação do Capitalismo e da ditadura do dinheiro, da mercadoria e das empresas - a reconstrução da solidariedade de classe e um novo projeto Socialista libertário, contra a barbárie que se alastra!

Quem é o Coletivo Trinca - Autônomo, Anticapitalista e Antiburocrático
Somos um coletivo de engajamento nas lutas sociais, que fomenta a formação política, ação cultural e mídias alternativas, cuja união se dá pela necessidade de reconstruir, sem atrelamento a partidos políticos, governos, empresas ou cargos, a luta social. Este Coletivo se formou pela constituição de uma rede de solidariedade entre estudantes, bancários, professores, artistas, etc., e se consolida como uma alternativa de organização autônoma de nós trabalhadores. Nossos princípios são o classismo, anticapitalismo, a solidariedade de classe, a defesa da auto-organização da nossa luta com autonomia e independência de classe em relação ao estado, partidos, empresas e instituições. Defendemos a horizontalidade e democracia direta contra o burocratismo e a hierarquização dentro dos movimentos sociais e sindicais, bem como a ação direta, como alternativa à via parlamentar e ao cretinismo eleitoreiro-institucional que só atrela os movimentos sociais à lógica do Capital. Para conhecer melhor nosso coletivo: http://coletivotrinca.wordpress.com contato: coletivotrinca@riseup.net
Redução da jornada, um debate escamoteado
A maior contradição do capitalismo é que este desenvolve a tecnologia e aumenta a produtividade cada vez mais, mas continua nos forçando a trabalhar cada vez mais, além de desempregar em massa e destruir o meio ambiente. Isso ocorre porque a finalidade da produção não é satisfazer necessidades humanas, mas produzir “mercadoria”, bens para serem vendidos, e gerar mais dinheiro. Não se produz sapatos, mas “valor”. Assim, a produtividade pode dobrar, e nós continuamos como antes a ser forçados a trabalhar 8 horas por dia ou mais. O tempo de trabalho pago a nós trabalhadores diminui, e aumenta o tempo não pago que fica para o patrão como lucro maior. Albert Einstein, em um artigo, dizia que o capital é uma imensa máquina de desperdício de trabalho. Em alguns setores, a produtividade aumentou dezenas de vezes no século XX. Na agricultura, ela aumentou mais de 16 vezes. No século XIX, quando os operários reivindicavam a jornada de 8 horas, eram chamados de preguiçosos e dizia-se que a economia dos países iria se arruinar, pois as jornadas iam de 12 a 18 horas – não se arruinou com a jornada de 8 horas. Hoje, enquanto a produtividade aumenta cada vez mais, a jornada está aumentando, além da intensidade do trabalho e as doenças de trabalho! As sociedades “primitivas” tribais, sem nenhuma automação trabalhavam apenas o necessário, indo de 2 a 4 horas diárias. Em 1890 Paul Lafargue calculava que se poderia abastecer toda a França com 3 horas de trabalho diário. Na revolta de 1918, os operários alemães reivindicavam a redução para 6 horas diárias. Em 1920, o matemático Bertrand Russel calculava que na Inglaterra seria possível manter bom nível de vida, acabando com a miséria, desemprego e exploração, com uma jornada de 4 horas diárias. Estatísticas de 1938 falavam em 3 horas diárias, e o próprio economista burguês Keynes pensava que no ano 2000 os trabalhadores ingleses estariam trabalhando 15 horas semanais. Em 1968, alguns grupos em luta reivindicavam a automação e a jornada de 10 horas. No Brasil, o próprio presidente do IPEA já afirmou, que a produtividade daqui permitiria as 12 horas semanais de trabalho! Enquanto isso, estamos trabalhando 40, 50, 60 horas, com 2 a 3 empregos e ganhando mal. Pois é, estamos sendo enganados! Enquanto isso as centrais sindicais falam na mesquinharia de reduzir a jornada de 44 para 40 horas - pura demagogia de quem não quer colocar em jogo o sistema, pois tem algo a perder. Uma sociedade emancipada e de tempo livre permitiria o nosso livre desenvolvimento como seres humanos, da arte, da cultura, e que as pessoas absorvessem as tarefas de administração da produção e da política – ou seja, o fim dos gestores, burocratas e políticos profissionais. Já deu para perceber que tem gente que não se interessa mesmo por isso, porque enquanto muitos trabalham, uns poucos tomam as decisões e se apropriam do nosso trabalho. Chega de morte lenta pela imposição de trabalho. Nós reivindicamos a vida!

Augusto Spies, alemão, 31 anos, jornalista Michael Schuvah, alemão, 33 anos, tipógrafo e encanador Oscar Neebe, norte-americano, vendedor de fermento Adolfo Fisher, nascido na Alemanha, jornalista, 30 anos Louis Lingg, alemão, carpinteiro, 22 anos Samuel Fielden inglês, 30 anos, operário têxtil Gerge Engel, alemão, 50 anos, tipógrafo e jornalista Albert Parson, nascido no Alabama (EUA), lutou na guerra da Secessão
Os oito de Chicago, enforcados em 1887, por reivindicar a jornada de 8 horas – jamais serão esquecidos!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Battisti: de dissidente a bode expiatório





Battisti: de dissidente a bode expiatório
18 de Fevereiro de 2009

É urgente, antes de se proceder a um julgamento apressado, estudar os fatos. Cesare Battisti de fato é um perseguido político, e este artigo conta sua história, que os meios de comunicação fazem questão de esconder.

Publicado no Jornal Passa Palavra
http://passapalavra.info/

Mais informações sobre Cesare Battisti:
www.criticaradical.org
www.cesarelivre.org

Essa é a primeira parte (de quatro) do artigo sobre o escritor italiano e refugiado político Cesare Battisti. Aqui apresentamos os anos 70 na Itália até o início da sua fuga.

Introdução


“Cesare Battisti é um perseguido político?”. Essa simples pergunta é objeto de debate inesgotável entre diferentes atores: o governo italiano, o governo francês (com Mitterrand e posteriormente com Sarkozy), o governo brasileiro e os comitês de solidariedade (no Brasil e França), entre outros. Essa discordância tem em seu cerne a análise ou o ponto de vista destes sobre os movimentos dos anos 70 na Itália e o seu desenrolar que perdura até hoje, uma vez que não houve processo de anistia. Para o governo italiano, aquelas pessoas que se uniram em manifestações, nas ocupações das universidades, nas organizações e mobilizações feministas, e se recusaram a se alinhar a um ou outro pólo de poder constituídos da época, isto é, a burocracia do Partido Comunista Italiano (PCI) e a democracia capitalista, não passaram de subversivos e, no caso dos grupos armados, de terroristas. Essa categoria — de profundo conteúdo ideológico — permitiu que a Justiça italiana criminalizasse em massa os movimentos e lutas sociais. Aos dissidentes restou aceitar a história reescrita pelo governo, o que lhes garantia o status de “arrependido” e uma pena reduzida.
Battisti jamais foi um “arrependido”, não só no significado jurídico que carrega o termo, como também na dimensão política, pois, apesar da renúncia às armas, ele nunca deixou de dizer o que ocorreu durante os anos 70 na Itália, isto é, a partir da perspectiva de quem estava na dissidência e não no poder, a qual questionou as estruturas e posições do poder, abrindo espaço à imaginação de formas mais justas e igualitárias de sociedade. É por essa razão que a Itália está disposta a calá-lo. Primeiro Chirac (em 2004), o qual o pagamento foi o consórcio do trem em troca da Doutrina Mitterrand que garantia abrigo a diversos italianos envolvidos nos movimentos dos anos 70. E, agora, a intensa pressão ao governo brasileiro para se “reavaliar” o caso Battisti.
Para uma leitura atenta, esse artigo estará dividido em quatro partes. A primeira, “A Itália daquele tempo e o exílio”, é uma explanação sobre o contexto italiano dos anos 70 e uma noção geral sobre a geografia política italiana. Na segunda parte, passamos a nos focar em Cesare Battisti e sua trajetória de vida, por isso, nomeamos essa de “O Sujeito”. A terceira parte, “Espaços de reação”, analisa a reação contra o refúgio dado pelo Ministro Tarso Genro, no início desse ano. E, por fim, a quarta parte contém uma breve conclusão e uma seleção de citações em apoio.

1- A Itália daquele tempo e o exílio
O levante de Maio de 1968, na próspera economia capitalista francesa foi a “tomada do céu de assalto”. Numa década extremamente entediante, as idéias de emancipação social tornaram não só influentes, como, de fato, perigosas por não caberem dentro da reivindicação político-partidária, a qual está submetida a democracia representativa. Apesar do papel importante dos estudantes, esse evento foi marcado pela maior greve geral dos trabalhadores e pela efetiva aliança entre trabalhadores e estudantes. Fora uma ruptura com o imaginário radical da época, entre os diversos grupos, podemos destacar o “Socialismo ou Barbárie”, grupo que destoava do marxismo ortodoxo do Partido Comunista Francês e dava ênfase nas lutas dos trabalhadores além das fábricas.

Manifestação Feminista na Itália, anos 70
Na Itália, as lutas sociais se desenvolveram ao longo dos anos 70, os quais foram marcados pela força política da esquerda extra-parlamentar, isto é, a efervescência das manifestações de ruas, das ocupações, das rádios livres, dos squats (ocupas e centros sociais) e, por fim, da luta armada e da via insurrecional. Esse campo político — revolucionário, contra o reformismo do PCI — foi denominado Autonomia Operária. Esse movimento possuía elaboração teórica na releitura de O Capital, focando o papel da luta de classes – “operarismo italiano” – e tinha em sua composição o acúmulo de lutas das organizações operárias e estudantis de anos anteriores, sendo a primeira responsável pela influência marxista-leninista e a segunda anarquista libertária.
Uma das práticas da Autonomia Operária eram as “reapropriações revolucionárias” — assaltos a bancos e outros estabelecimentos para o financiamento da luta. Mas, até então, a luta armada não havia sido deflagrada. Ela ocorre em resposta a “estratégia de tensão” aplicada pelo governo italiano, período que é descrito por Battisti, em seu livro “Minha Fuga sem Fim” (Martins Fontes, 2007): “Juntaram-se às hordas de contestatários, jovens miseráveis do campo recém-chegados às cidades e jovens burgueses rompendo com sua própria classe. Desse tríplice encontro iria surgir a onda de violência política que submergia a Itália, e o círculo vicioso das respostas do Estado, da CIA, do Partido Comunista, da extrema esquerda, da extrema direita, das organizações mafiosas. É a anomalia italiana. Bombas lançadas sobre os manifestantes, exército nas ruas, tiros à queima-roupa, organizações secretas, golpes de Estado fracassados, atentados, execuções sumárias.” Tudo isso se desenvolve num cenário incomum: o Partido Comunista Italiano (PCI) partilhava o poder com a Democracia Cristã (PDC), partido de centro-direita. Foi o “Compromisso Histórico”, documento onde o PCI assume o reformismo e a partilha de poder, que teve como resposta a deserção em massa do PCI para as fileiras da Autonomia Operária.
Battisti integra os PAC — Proletários Armados para o Comunismo — depois de cumprir pena por dois anos pelas reapropriações e não reencontrar os antigos companheiros da casa ocupada (squat). Diferente dos outros grupos, os PAC possuem um referencial teórico nos autores franceses (Foucault, Deleuze, Baudrillard e Sartre) e, em contraposição ao rigor do centralismo democrático dos partidos, sua organização era pautada no princípio da identidade múltipla: a sigla poderia ser usada por qualquer pessoa para reivindicar uma ação. É nesse grupo que Cesare conhece Pietro Mutti, o líder dos PAC.

Anos de Chumbo: manifestantes recorrem ao uso de armas para se defender da violência estatal.
Após a execução de Aldo Moro, em Maio de 78, pelas Brigadas Vermelhas (grupo de alinhamento marxista-leninista), a posição defendida pelos PAC passa a ser: “Sim à defesa armada, não aos atentados que acarretassem morte humana”. A saída de Battisti do grupo é marcada quando um núcleo dos PAC reivindica publicamente a morte do comandante da prisão, Antonio Santoro (Junho de 1978). Esse é o momento do adeus às armas. A partir desse evento, Cesare passa a viver num apartamento com outros que abandonaram a via armada. No entanto, a sigla PAC continua a existir até 1979 e somente depois de três homicídios e diversas ações ela é abandonada.
Em Junho de 1979, todos do apartamento são detidos numa operação no norte da Itália e encaminhados para as prisões especiais acusados de subversão e pertencimento ao grupo armado. Porém, “Nem uma única vez, durante os interrogatórios que se seguiram, e durante o processo de 1981, a polícia ou os juízes cogitam sua participação nas quatro ações homicidas dos PAC. Seu nome, aliás, nunca apareceu nas investigações conduzidas após cada um dos atentados.” (Fred Vargas, posfácio “Minha Fuga Sem Fim”)
Ainda sobre o processo jurídico, nessa época, a Itália criou a delação premiada, na qual “os famosos ‘arrependidos’ eram acusados que negociavam sua pena em troca de denúncias, em acordo com a magistratura desejosa de liquidar seus milhares de dossiês mediante todos os meios e de apontar culpados, verdadeiros ou falsos. (…) Quanto mais nomes os arrependidos forneciam, mais chances eles tinham de conseguir liberdade. Num sistema assim, imagina-se facilmente a montanha de mentiras que os arrependidos tentavam inventar, às vezes tão pouco plausíveis que os próprios juízes tinham de lhe chamar a atenção.” (Cesare Battisti, “Minha fuga sem fim“)
É depois dos casos de torturas, da negação de comunicação sobre a morte de seu irmão Giorgio num acidente de trabalho e da intensa repressão em 1980 que Cesare Battisti decide fugir da prisão. Em Outubro de 1981, um grupo de militantes foge do presídio com apoio dos COLP (Comunistas Organizados pela Libertação Proletária) — formado por alguns membros dos PAC e liderado por Pietro Mutti — e até o final daquele ano, centenas de dissidentes estavam em território francês, pois até 2004 vigorou a Doutrina Mitterrand, a qual impedia a extradição por crimes políticos. Este é o início de sua fuga sem fim.


2- O Sujeito

O ativista, escritor romancista, pai de família e, atualmente, refugiado, Cesare Battisti nasceu em 18 de dezembro de 1954 em Sermoneta, pequeno vilarejo ao sul de Roma. Sua família alimentava simpatia pela esquerda, passando pelo avô (que festejou a fundação do PCI), o pai (que sempre demonstrou publicamente sua posição de esquerda) e os irmãos (sindicalistas ou militantes do PCI). Já a mãe, Maria, com a cabeça coberta por um véu preto, temia a Deus e as curas. Resultado: na casa onde moravam o casal e os seis filhos (quatro homens e duas mulheres) havia um retrato de Stálin na sala de jantar, que o caçula Cesare, na infância, imaginava ser a efígie de um santo católico.
Seu irmão mais velho, Giórgio, era militante comunista e atuava em sindicatos. E, quando menino, Cesare Battisti acompanhava as atividades de militância do irmão. Participou, ainda muito novo, da juventude do Partido Comunista Italiano e também das agitações estudantis de 1968. Afastou-se do PCI pouco tempo depois pra aderir – durante a adolescência – à organização Lotta Continua (LC), que está nos primórdios do movimento autonomista italiano. Após sair do LC e se aproximar de alguns squats da época, adere à Autonomia Operária. É após a prisão que Cesare adere aos PAC, em 1977.
Passado o período de participação e ruptura com as idéias de luta armada dos PAC, Cesare foge da Itália. Primeiramente, atravessa os Alpes a pé chegando em Paris e, depois de um ano, parte para o México juntamente com Laurence, companheira com quem teve uma filha (Valentinne) e constituiu uma família.
Em território mexicano trabalhou em diversos ofícios (desde mergulhador submarino até cozinheiro) buscando formas de sustento. Foi nessa época que iniciou sua carreira de escritor: elaborou romances policiais que, em suas narrativas violentas e sombrias, reconstituíam a realidade dos Anos de Chumbo italiano que enfrentou. Como afirma em carta enviada desde a prisão brasileira: “Após minha fuga da Itália, a minha militância deu-se como escritos, usando o espaço que me deram as editoras francesas e italianas para críticas à época política italiana dos anos de chumbo.”
Cesare fundou, em 1986, a revista cultural Via Libre. Publicou 17 livros e escreveu inúmeros outros artigos, constituindo sua carreira de escritor e romancista policial. Por isso estranha a ele e a muitos outros ser chamado repetidamente de terrorista, quando seus principais e mais dedicados instrumentos são seus escritos literários.
Passados oito anos, Cesare volta pra França — restabelecendo seus laços — no período da doutrina Mitterrand, a qual ofereceu asilo/refúgio político para todos os militantes perseguidos que renunciaram à luta armada — com a qual já havia rompido muitos anos antes, ainda na Itália.
Neste momento ele participa em causas humanitárias do país. Jornais alternativos, associações de refugiados políticos (tendo inclusive papel ativo na defesa da doutrina Mitterrand), trabalhos voluntários na periferia e bairros pobres, oficinas de literatura e artes, participação em palestras, seminários e eventos políticos locais. Isso talvez explique o tamanho do movimento em seu favor quando da sua prisão em 2004. Na ocasião, milhares de pessoas tomaram as ruas em sua defesa, sabendo da perseguição política que sofria.
O movimento francês pela sua não extradição, apesar das vitórias iniciais, acabou derrotado. Duas hipóteses são trabalhadas neste caso: a primeira diz que depois do fim de sua detenção houve certo relaxamento em ritmo de “ganhamos”, sendo que a imprensa e a embaixada italiana não pouparam esforços em fabricar uma imagem de um criminoso sanguinário. Como afirma Fred Vargas, “Battisti virou aos olhos da imprensa primeiro um estrangeiro, depois um terrorista, depois um assassino, depois um monstro.” Em segundo lugar, acordos econômicos de grande ordem foram fechados entre Sarkozy e Berlusconi em troca do fim da Doutrina Mitterrand. Em sua nota em apoio a Cesare, o Movimento Passe Livre (MPL) tripudia esta jogatina econômica afirmando que “Há, ainda, uma ironia. Na época que a Itália pediu a extradição de Cesare à França, foi divulgado pela imprensa que os dois governos fizeram uma negociação: França negociou a vida de Cesare com a Itália, em um acordo político-econômico que envolvia um trem Bala. Mais um jogo sujo dos donos do transporte, dessa vez trocando a vida de um homem por alguns milhões! Nós, que por aqui lutamos por um transporte justo, não podemos deixar de protestar contra essa máfia que, no mundo inteiro, restringe nosso direito fundamental de ir e vir e, nesse caso, condena mais um lutador às grades.”
Quando veio ao Brasil, Cesare manteve sua atividade de escritor, sendo sua primeira obra em português, a autobiografia “Minha Fuga Sem fim”, publicada quase concomitantemente à sua prisão. Um segundo livro, já pronto e a espera de edição, foi apreendido em seu computador pela Polícia Federal, e espera-se que assim que solto possa ser publicado. Manteve, mesmo que de maneira escassa – dada sua perseguição – contatos frequentes com a família e amigos que, aliás, visitam-no no Brasil. A renomada romancista francesa Fred Vargas destaca-se na França como uma das articuladoras de sua causa junto à comunidade internacional.
O escritor conta também com um comitê de solidariedade com membros de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza, que acompanha o caso, realiza visitas periódicas na prisão, mantém o site Cesarelivre.org e realiza outras diversas mobilizações pautando a esquerda e a imprensa alternativa. A campanha por sua libertação possui inúmeras análises, textos, abaixo assinados e carta-manifestos de intelectuais e pessoas públicas — como o cineasta Silvio Tendler, os jornalistas Rui Martins, Celso Lungaretti e Laerte Braga, e o jurista Dalmo Dallari — que apresentam, ponto a ponto, os motivos da necessidade da condição de refugiado. Completam também a campanha, parlamentares — em especial Eduardo Suplicy (PT) e José Nery (PSOL) — que intervém desde sua função em favor de Battisti.
Todavia, resta analisar quais os reais motivos que levaram este italiano foragido a ser assunto de tamanha evidência pública, política, midiática e diplomática. Por que outros casos de concessão de refúgio político — tanto da direita como da esquerda — não causaram tanta comoção, surpresa, reações exacerbadas e ameaças? Qual o peso que leva um acusado, sob condições evidentemente questionáveis — como já afirmamos — de execução de 3 assassinatos e planejamento de mais um, ser um dos principais casos da justiça internacional nessa década? Por fim, o que motiva tanto empenho na perseguição jurídica e política a um homem que supostamente assassinou um açougueiro? (Dado que as elites não costumam importar-se com a morte de “pessoas comuns”).
Como já colocado acima, o escritor alega — com base em argumentos críveis — que não é autor dos assassinatos dos quais é acusado. Mais ainda, Cesare não era do núcleo de decisões do grupo que cometeu estes crimes — dada sua idade, o pouco tempo presente na organização, por exemplo — de modo que não foi o agente fundamental do grupo, como a imprensa gosta de inventar. Suas detenções na Itália ocorriam em períodos de perseguição generalizada aos dissidentes, logo sua detenção não foi provocada por ele ser um mentor ou líder, ao contrário de Pietro Mutti. Quando fugiu da Itália, em 1981, pesavam sobre ele somente as acusações de porte ilegal de armas, associação subversiva e formação de quadrilha.
Cesare só começa a ter alguma visibilidade e destaque pessoal quando já estava foragido da Itália, numa conjunção de fatores: foi escolhido por seu antigo companheiro, Pietro Mutti, como bode expiatório dos crimes cometidos pelos PAC, tendo sobre si imputados todos os crimes da organização; tornou-se romancista e, com seus textos, apresentou ao público as inconvenientes ações arbitrárias e de terror cometidas pelo governo italiano da década de 70, fato que tanto remanescentes do PCI como de grupos da direita procuram esconder, acima de tudo; participou da vida política da França, tanto na defesa da Doutrina Mitterrand como nas críticas à ascendente direita francesa que, nas palavras de Nicolas Sarkozy, quer apagar a herança de 1968, afirmando que esta foi um grande erro. Concomitantemente, é alvo e símbolo desta disputa histórica sobre o que foi a “geração de 68”, seja na França e, principalmente, na Itália.
A disputa colocada nesse caso, então, não está nos supostos crimes cometidos ou na idéia de se fazer cumprir a lei, mas em tudo o que significa a punição ou liberdade de um membro da geração de 68. A luta não se trata, unicamente, de defender Cesare, mas de firmar qual versão da história recente faremos prevalecer: do PCI governista em aliança com a Democracia Cristã ou na dissidência e na oposição exilada. Trata-se, certamente, de uma disputa política que se insere em interesses de classe. Sua prisão na França não girou em torno de negociações econômicas de grande valor por mera coincidência; é evidência de que as posições no assunto possuem um fundo classista: seja da burguesia encarnada na direita, seja na classe burocrática instalada no PCI (e em boa parte dos que herdaram essa tradição após sua dissolução), ambas questionadas pela geração de 68.
Cesare, em entrevista concedida ao Centro de Mídia Independente, é enfático sobre esta questão: “O meu caso não pode ser analisado isoladamente. Temos que aproveitar esse caso para falar de tudo o que se conquistou em 68. Às vezes fica a impressão de que tudo o que foi conquistado foi dado pelos governos. Os governos não nos deram nada de presente, tudo o que se conquistou foi pago com a vida e com a morte. Quando se pensa em 68, logo se associam imagens de guerrilhas, terrorismo. A guerrilha foi uma pequena parte de tudo o que aconteceu. O movimento de 68 era um movimento de gente que queria viver, e não morrer. De Chumbo eram os anos deles. Os nossos eram os anos de amor”.


3- Espaços de reação
O Senador Eduardo Suplicy, em artigo publicado na revista Caros Amigos, chamado “Um fim para a fuga”, de Junho/08, afirma, em defesa de Cesare: “Nossa constituição estabelece que ninguém pode ser julgado sem direito à defesa, como ocorreu na condenação italiana, nem condenado à prisão perpétua, e muito menos permite a extradição em razão de crime político.”

O jurista Dalmo Dallari é apoiador de Battisti
O jurista Dalmo Dallari, no artigo “Extradição e direitos humanos”, de Maio/08, também defende a permanência de Cesare no Brasil: “E a Constituição brasileira estabelece, no artigo 5º, que não será concedida extradição de estrangeiro por crime político. Além disso tudo, que exige séria reflexão, a Constituição, em seu artigo 5º, inciso XLII, estabelece que “não haverá penas: a) de morte; b) de caráter perpétuo”.” (…) “Não seria aceitável deixar-se impune quem atentou contra o direito à vida, mas seria iníquo e injusto colaborar para a imposição de uma pena que, além de perpétua, criando um morto-vivo, seja baseada em arbitrariedades e falsidades, contrariando princípios e normas expressamente consagrados na Constituição brasileira.”
Porém, assim que o Ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, concedeu refúgio à Cesare Battisti, sua situação, até então pouco noticiada – a não ser em veículos com vínculo direto à situação –, tornou-se um dos principais temas de debate político na imprensa nacional. Inúmeros editoriais na mídia corporativa escrita, matérias de longos minutos nas cadeias de TV, enquetes em sites na internet, inúmeros blogs comentando a situação, em polarização crescente de opiniões. Cesare Battisti passou de um ilustre desconhecido a uma figura odiada por uns e solidarizado por outros.
Este comportamento poderia ser completamente explicável como pauta corrente, não fosse o fato de que boa parte dos meios de comunicação tem orientado claramente sua linha editorial em posição favorável à extradição de Cesare. O jornalista Celso Lungaretti, em um artigo, chega a comparar a imprensa Brasileira à “Quinta Coluna”, expressão do exército em guerra. A quinta coluna seria a responsável por se infiltrar no terreno inimigo e instigar as posições do exército invasor, colaborando com sua futura entrada no território inimigo. O fato de o presidente italiano enviar sua carta endereçada a Lula primeiramente à imprensa (alinhada à posição italiana) antes dela chegar ao presidente corrobora com esta opinião. E, reparando com atenção nas coberturas, observa-se que todas as posições contrárias a Cesare são vinculadas nas reportagens, quando suas defesas são pouquíssimo visibilizadas.
Posição igual, mas de matriz diferente tem a revista Carta Capital, dirigida pelo Ítalo-Brasileiro Mino Carta. A revista, que também tem posição alinhada aos detratores de Battisti, fez constante cobertura favorável à extradição, vinculando a imagem de Cesare à de um criminoso comum e dissociando-o de seu passado militante/ativista. Esta posição causou afastamento no Brasil de muitas pessoas inicialmente envolvidas com a campanha.

O ítalo-brasileiro Mino Carta
Explica-se porém a posição de Mino Carta remetendo-se ao já citado “Compromisso Histórico” do PCI/Democracia Cristã e seus seguidores. “O editor da Carta Capital, o ítalo-brasileiro Mino Carta, embora nunca tenha se filiado ao Partido Comunista Italiano, foi seu simpatizante declarado. Os conflitos e lutas sociais nos anos 70 na Itália, nos quais Cesare Battisti estava inserido, foram antes de tudo um conflito em que de um lado estavam organizações e movimentos extra-institucionais, extra-parlamentares, e de outro organismos institucionais, como os partidos políticos. Na segunda metade dos anos 70, o PCI celebrou o chamado Compromisso Histórico, com o qual teria uma participação no governo da Democracia Cristão. E o papel do PCI foi, antes de tudo, o de (tentar) controlar o conflito e os movimentos sociais. O PCI e a Democracia Cristã estavam no mesmo lado, enquanto grupos comunistas extra-parlamentares como o que Cesare Battisti participou, estavam em antagonismo a eles. A ferrenha caça às bruxas, com a derrota dos movimentos autônomos na Itália, foi obra tanto do PCI quanto da Democracia Cristã.
O que vemos na posição condenatória, reacionária e até desumana, da desinformação reproduzida incessantemente na Carta Capital e pelos seus principais articulistas não é mais do que a continuidade, no tempo e no espaço, do Compromisso Histórico italiano dos anos 70 entre o PCI e a direita.”
Também cabe analisarmos a reação do próprio Estado italiano, em todos seus aspectos: com partidos conservadores propondo retaliações diplomáticas, econômicas e políticas ao Brasil; presidente, relações exteriores, primeiro-ministro e chanceler italiano questionando por diversos meios a decisão brasileira e sugerindo que esta foi uma afronta ao Estado italiano; partidos de centro-esquerda (herdeiros do PCI) depreciando o refúgio brasileiro e sugerindo que a decisão baseou-se em desconhecimento; por fim, ativistas de organizações reacionárias fazendo manifestações na Itália em contrariedade a Battisti.
O jurista Dalmo Dallari é categórico sobre uma das comprovações tácitas desta reação: “O governo italiano acatou civilizadamente a decisão francesa de não extraditar Marina Petrella, reconhecendo tratar-se de um ato de soberania. Qual o motivo da diferença de reações? O governo e o povo do Brasil não merecem o mesmo respeito que os franceses? Essa diferença de comportamento dos ministros italianos deixa mais do que evidente que é plenamente justificado o temor de Battisti de sofrer perseguição por motivo político. A reação raivosa dos ministros italianos não dignifica a Itália e elimina qualquer dúvida.”

Itália, Julho/08 - Manifestação pela liberdade de Marina Petrella
Podemos tirar algumas conclusões desta forma diferenciada de tratar a decisão brasileira – já que foi respeitado o recente refúgio francês a Marina Petrella. Um resquício colonial, dado que um Estado de passado colonial tomou uma posição questionadora a um Estado de origem colonialista. É também um questionamento da própria Justiça italiana, dado que o refúgio afirma claramente que houve arbitrariedades no julgamento — à revelia e com base em provas de caráter duvidoso. Ainda, trata-se do reconhecimento de que a esquerda institucional italiana tem, em seu passado, ações repressivas e autoritárias destinadas à esquerda autonomista e/ou extraparlamentar. E, por fim, é o reconhecimento de que Battisti não é o monstro criado por meio de delações premiadas, matérias sensacionalistas, propagandas de Estado. É a derrota da “caça às bruxas” italiana, inaugurada em uma aliança do PCI com a Democracia cristã e re-editada por Romano Prodi e Silvio Berlusconi.
Dallari, novamente, defende a constitucionalidade plena desta decisão. “A concessão do estatuto de refugiado a Cesare Battisti é um ato de soberania do Estado brasileiro e não ofende nenhum direito do Estado italiano nem implica desrespeito ao governo daquele país, não tendo cabimento pretender que as autoridades brasileiras decidam coagidas pelas ofensas e ameaças de autoridades italianas ou façam concessões que configurem uma indigna subserviência do Estado brasileiro.”
Esta decisão coloca em xeque também, claro, a idéia de que a Itália teve, na década de 70, uma democracia ampla, irrestrita e que respeitava os direitos humanos. Reconhece com isso que esta cometeu excessos na defesa de interesses econômicos emergentes e, para isso, torturou, matou, prendeu arbitrariamente, utilizou-se de meios paramilitares e reprimiu a dissidência, seja ela política, cultural ou intelectual. Michel Foucault, numa entrevista de 1980, referindo-se à prisão de Toni Negri e ao que ocorria na Itália, compara a vida nos países soviéticos com os supostos países democráticos: “É verdade, nós não vivemos sob um regime no qual os intelectuais são enviados para os campos de arroz. Mas você já ouviu falar de um Toni Negri? Ele não está na prisão apenas por ser um intelectual?”

Negri em Pádua em 1979
Em “De Volta” (2006), Antonio Negri apresenta uma importante consideração sobre o processo judiciário italiano: “Era preciso aceitar a Lei dizia-se, mesmo que a Lei fosse injusta, pois era a única possibilidade de se defender. Como se fosse possível! Fui condenado a trinta anos de prisão com base em denúncias delirantes feitas por “arrependidos”. Eu mal havia partido da Itália, e tinha esperado preso durante quatro anos por um processo que não começava. Bastou que eu não estivesse mais lá que o processo começou. Bastou que alguns “arrependidos” me acusassem de tudo e de coisa nenhuma: eles queriam sair da prisão, eu estava foragido – nenhuma defesa possível. (…) Na Itália, a crise e o fim dos movimentos revolucionários dos anos 70 e início dos 80, determinaram uma espécie de generalização da delação e do arrependimento – a delação e o arrependimento como instrumentos de salvaguarda pessoal e jurídica impostos pelo poder. Foram aprovadas certas leis: falar era o mesmo que sair da prisão. (…) O resultado é, mais uma vez, que indivíduos que assassinaram dezenas de pessoas estão em liberdade, e que outros que não mataram ninguém continuam na prisão. É um sistema perverso, os efeitos são inimagináveis. (…) Como já disse, a esquerda entrou no sistema de justiça através da luta contra o terrorismo. Foi ela que levou adiante o empreendimento da repressão política no fim dos anos 70.” (Antonio Negri, em entrevista publicada no livro intitulado “De Volta”, Record, 2006).
O próprio ex-presidente italiano Francesco Cossiga, em carta enviada a Battisti afirma que “Como instrumento de luta psicológica, conseguimos, a Democracia Cristã e o Partido Comunista Italiano, que conduziram o entendimento com as organizações sindicais e com a grande imprensa e a televisão pública, fazer passar os subversivos de esquerda e os eversores de direita como simples terroristas e talvez absolutamente como “criminosos comuns”. (…) “Os crimes que a subversão de esquerda e a subversão de direita cumpriram, são certamente crimes, mas não certamente “crimes comuns”, porém “crimes políticos”.”

Distrito Federal, Brasília - Manifestação em 2008, pró-Cesare.
Da mesma forma, Battisti assinala que os tribunais da época eram constituídos por membros do PCI que “teorizam e aplicaram uma repressão terrível, em acordo com o governo dirigido pela Democracia Cristã. A implicação dos comunistas nos impressionantes desvios jurídicos dos anos de chumbo permite compreender por que a ‘centro-esquerda’ italiana, oriunda diretamente do antigo PCI, é hoje um dos partidos mais encarniçados contra os antigos refugiados.” (Cesare Battisti, Minha Fuga Sem Fim, p. 54).




4- Conclusão
Ao concluir o artigo, vale citar a participação curiosa do Supremo Tribunal Federal no caso: após o refúgio concedido por Tarso Genro, percebe-se a movimentação por parte do Presidente do STF Gilmar Mendes para que Cesare continue preso e, mais, que seu refúgio seja anulado. As conseqüências dessas ações do STF ainda não podem ser previstas, mas correm o perigo de gerar uma crise entre os poderes.
O “Caso Battisti”, como vem sendo divulgado, deve se estender ainda por mais tempo. Manobras do governo italiano, articulações junto ao judiciário, ataques caluniosos pela mídia e até mesmo atentados revanchistas estão no calendário de possíveis casos futuros. Cesare, em recente entrevista à revista Istoé, permanece questionando a dimensão do caso. “Eu, sinceramente, não acredito que tudo isso esteja acontecendo. É enorme, é exagerado. Eu não sou essa pessoa tão importante. Sou um dos milhares de militantes italianos dos anos 1970. Sou um das centenas de militantes que se refugiaram no mundo inteiro, fugindo dos anos de chumbo da Itália. Por que tudo isso comigo?”
Por fim, após 40 anos de 1968 e 30 de seu desligamento dos PAC, o Brasil avista-se como o fim da fuga de C.B. A história de sua geração, porém, ainda tem muito a se desenvolver: se lutaram contra a aproximação entre direita e esquerda (institucional), estão a rever esta mesma aliança colocando-se contra os militantes daquele período. Mais que uma disputa anacrônica sobre problemas do passado, o desenrolar dos fatos apresentará que herança reivindicaremos ao nosso futuro: a da imaginação ao poder ou a do poder disciplinar. Já experimentamos a segunda à exaustão, com resultados catastróficos. Daremos à primeira alguma chance?

Posicionamentos públicos em favor de Cesare Battisti
“Na questão do expatriamento ou não de Cesare Battisti cada um de nós pode ser contra ou a favor, mas a decência deveria impedir que se usasse como argumento denegrir nossa Justiça, e se lançar uma nova teoria jurídica – a do entreguismo do Judiciário. Depois da privatização de nossas empresas no governo FHC, cedidas a multinacionais estrangeiras, querem agora nos forçar a adotar, como se fôssemos um subserviente país do quarto mundo, as normas decididas pela Itália ou pela União Européia?” (Rui Martins)
Notas informativas sobre o “Caso Battisti”
→ A condenação à prisão perpétua de Cesare Battisti, na Itália, priva-o de contato com a luz solar. Por questão de reciprocidade, Cesare não pode ser extraditado do Brasil para cumprir prisão perpétua ou pena sem luz solar (pois essas penas não existem no Brasil).
→ Quando da prisão de Battisti, uma carta enviada pela Itália ao governo Brasileiro pedia cumprimento rápido do processo e assegurava que as disposições legais brasileiras seriam cumpridas, em caso de extradição. Logo em seguida, o posicionamento público do então Ministro da Justiça, Clemente Mastella, comprova a pretensão da Itália em manter em prisão perpétua Battisti. A confirmação está na edição de 11/10/2007, do jornal eletrônico il Giornale.it. Nele, Mastella explica que sua afirmação às autoridades brasileiras de que Battisti não seria penalizado com pena perpétua tratava-se, em verdade, de um estratagema para garantir a extradição do mesmo. A matéria noticia que o Ministro Italiano asseverou que Cesare não receberia nenhum benefício penitenciário.
→ A condenação de Battisti foi de efeito retroativo: “Uma legislação de exceção promulgada na Itália em 1981, a chamada Lei Cossiga, serviu para condenar o escritor e preso político Cesare Battisti por crimes ocorridos em 1978 e 1979, dos quais se declara inocente. “A Lei Cossiga retroage no tempo para me condenar à revelia, contrariando todas as doutrinas do direito democrático”, afirma Battisti.”
→ O Brasil tem, na democracia, tradição de conceder refúgio político a perseguidos de direita e de esquerda, como Olivério Medinna e Alfredo Stroessner. Em especial, quatro refúgios já foram concedidos no Brasil a italianos que participaram do mesmo período de lutas que Cesare, sendo inclusive da Frente Ampla Autonomia Operária. São eles Luciano Pessina, Achille Lollo, Pietro Mancini e Pasquale Valitutti.
→ Os cubanos que permaneceram no Brasil – abandonando a delegação cubana – após o PAN não foram deportados. Na realidade eles retornaram a Cuba porque assim quiseram, como confirma em depoimento Lara, um dos boxeadores: “Nós decidimos retornar, não foi pelo governo brasileiro nem por ninguém, já que as coisas deram errado, nós decidimos voltar”
→ Não consta em nenhum auto dos processo de Battisti, na Itália, que ele fosse liderança no grupo. Esta é uma invenção recente da mídia sobre sua pessoa. Quando da sua participação nos PAC Cesare era muito novo e muito recente na organização pra assumir qualquer posição de liderança.
→ O processo de Battisti tem pelo menos 3 falhas juríicas graves: “No âmbito do direito geral, o processo estava viciado de pelo menos três elementos: o recurso à tortura para estorcer confissão na fase de investigação, o uso de testemunhas menores de idade ou com distúrbios mentais, a multiplicação das imputações com base nas declarações de um arrependido de confiabilidade incerta, além de outros elementos menores.”
→ Era norma vigente nas organizações de extrema-esquerda da época que, caso um militante fosse delatar companheiros, que se centrasse nos que já não pertenciam à organização e estavam fora do país, para proteger os ainda ativos. Cesare Battisti, quando delatado por Pietro Mutti, estava exatamente fora dos PAC e fora da Itália.
“No Brasil não existe a prisão perpétua. Uma das condições para que Battisti possa ser extraditado será um compromisso do governo italiano para que o exilado não seja condenado a pena superior a 30 anos. Na prática prisão perpétua. Battisti tem 53 anos e sairia da cadeia com 83.” (Laerte Braga)
“A decisão do ministro Tarso Genro coincide no tempo com a decisão do presidente Obama de encerrar a prisão de Guantánamo e de suspender os julgamentos da ‘justiça de exceção’. São duas decisões convergentes dos governos de dois grandes países que assinalam ao mundo que a verdadeira segurança cidadã – um dos lemas do seu governo – reside no respeito do direito, dos direitos humanos e no aprofundamento da democracia. Todos os democratas do mundo estamos gratos por isso.” (Boaventura de Sousa Santos)
“(…)Nem me verão com espanto pela concessão de asilo ao italiano César Batistti, não só de acordo com a tradição brasileira como, também, pelo fato de ele ser acusado de crimes que nega e que já estariam prescritos no Brasil. Além do mais, tais crimes podem lhe ter sido imputados porque já estava fora do alcance da polícia de seu país, prática comum naqueles tempos.” (Juca Kfouri)
“Battisti era apenas o integrante de um desses 500 grupúsculos, sem nenhuma participação em episódios realmente marcantes. Só que, com seu êxito literário, deixou de ser um foragido anônimo e se tornou uma ameaça para quantos querem manter a sujeira do passado escondida sob os tapetes (“Estou passando por isso porque falei muito, escrevi e contei sobre os anos de chumbo. Isso na Itália é um buraco negro, não se sabe de nada. O país lida mal com seu passado. Eles não aceitaram um romancista escrevendo sobre aqueles anos”).” (Celso Lungaretti)
“Considerando que o governo brasileiro tem, em seus mais altos escalões, pessoas que durante o período de ditadura foram estigmatizadas e perseguidas como criminosos comuns; que hoje no Brasil se trava uma luta, inclusive dentro do próprio governo, pelo esclarecimento das mortes e desaparecimentos no período da ditadura e punição dos torturadores sendo que há setores do governo a favor e contra a extensão da Lei da Anistia aos torturadores. Na época, inclusive, notadamente depois do famigerado AI-5, milhares de brasileiros(as), foram forçados a se exilar para escapar da prisão, da tortura e da morte e com isso salvaram suas vidas em outros países.” - Moção pela liberdade com refúgio político para Cesare Battisti aprovada pela 11ª conferência Nacional dos Direitos Humanos, realizada de 15 a 18 de dezembro de 2008 em Brasília – DF
“Ao apoiar o ato soberano de concessão do citado refúgio político, esta CDHM reitera posicionamento expresso na moção de apoio aprovada em 03/09/2008 pela unanimidade de seu plenário, em defesa do refúgio político agora concedido num ato soberano, equilibrado e de caráter humanitário, sem dúvida o único no caso condizente com os princípios contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e no Direito Internacional Público.” Nota da CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados
“Diante de tantas contradições e de tantos fatos mal explicados, inclusive um asilo revogado na França (depois de um atuante trabalho de lobby italiano), fica a dúvida de por que interessa tanto ao governo italiano coroar Cesare Battisti como o bode expiatório de um período na Itália, onde não apenas a luta armada enevoou o país, mas as instituições se ajustaram a uma guerra contra o terror usando métodos pouco afeitos à ordem democrática. Talvez reconhecer erros no processo que levou à condenação de Battisti tenha o poder de expor a falta de legitimidade de ações policiais e judiciais desse período difícil da Itália.” (Maria Inês Nassif, jornalista do Valor Econômico)
“Esclareço a Vossa Excelência que a concessão da condição de refugiado ao senhor Battisti representa um ato de soberania do Estado brasileiro”. (Lula, presidente do Brasil, em carta enviada ao presidente italiano Giorgio Napolitano)
“Hoje estou cansado. Se volto para a Itália sei que vou morrer. Embora nunca tenha matado ninguém, me acusaram de ter matado policiais com base em um depoimento de um ‘arrependido’ por delação premiada, que jogou a culpa por muitos atos praticados por ele próprio em mim… Nunca pratiquei atos de violência contra quem quer que seja, e não há testemunha presencial que me acuse de tal prática.” (…) “Vim para o Brasil pois sabia do calor e do acolhimento que aqui receberia. Sabia também que o Brasil acolhe perseguidos políticos. Hoje tenho certeza que reúno condições de aqui trabalhar, de trazer minha família para perto, de estar ao lado de meus amigos que, mesmo vivendo do outro lado do Atlântico, nunca me deixaram só.” (Cesare Battisti)

terça-feira, 10 de março de 2009

Gilles Deleuze sobre a Palestina

"Israel inteira está envolvida num experimento. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países".
Publicado originalmente no Le Monde (7/4/1978), mas bem atual!

Como os palestinos poderiam ser “parceiros legítimos” em conversações de paz, se não têm país? Mas como teriam país, se seu país lhes foi roubado? Os palestinos jamais tiveram escolha, além da rendição incondicional. Só lhes ofereceram a morte.
No conflito Israel-Palestina, as ações dos israelenses são consideradas retaliação legítima (mesmo que seus ataques sejam desproporcionais); e as ações dos palestinos são, sem exceção, tratadas como crimes terroristas. Um palestino morto jamais interessa tanto, nem tem o mesmo impacto, que um israelense morto.
Desde 1969, Israel bombardeia sem descanso o sul do Líbano. Israel já disse, claramente, que a recente invasão do Líbano não foi ato de retaliação pelo ataque terrorista em Telavive (11 terroristas contra 30 mil soldados); de fato, a invasão do Líbano é o ponto culminante de um plano, mais uma, numa sequência de operações a serem iniciadas como e quanto Israel decida iniciá-las. Para uma “solução final” para a questão palestina, Israel conta com a cumplicidade quase irrestrita de outros Estados (com diferentes nuances e diferentes restrições).
Um povo sem terra e sem Estado, como o palestino, é como uma espécie de leme, que dá a direção em que andará a paz de todos que se envolvam em suas questões. Se tivessem recebido auxílio econômico e militar, ainda assim teria sido em vão. Os palestinos sabem o que dizem, quando dizem que estão sós.
Os militantes palestinos têm dito que teriam conseguido arrancar, no Líbano, alguma espécie de vitória. No sul Líbano, só havia grupos de resistência, que se comportaram muito bem sob ataque. A invasão israelense, por sua vez, atacou cegamente refugiados palestino e agricultores libaneses, população pobre, que vive da terra. Já se confirmou que cidades foram arrasadas e que civis inocentes foram massacrados. Várias fontes informam que se usaram bombas de fragmentação.
Essa população do sul do Líbano, em exílio perpétuo, indo e vindo sob ataque militar dos israelenses, não vê diferença alguma entre os ataques de Israel e atos de terrorismo. Os últimos ataques tiraram 200 mil pessoas de suas casas. Agora, esses refugiados vagam pelas estradas.
O Estado de Israel está usando, no sul do Líbano, o método que já se provou tão eficaz na Galileia e em outros lugares, em 1948: Israel está “palestinizando” o sul do Líbano.
A maioria dos militantes palestinos nasceram dessa população de refugiados. E Israel pensa que derrotará esses militantes criando mais refugiados e, portanto, com certeza, criando mais terroristas. Não é por termos um relacionamento com o Líbano que dizemos: Israel está massacrando um país frágil e complexo. E há mais.
O conflito Israel-Palestina é um modelo que determinará como o ocidente enfrentará, doravante, os problemas do terrorismo, também na Europa.
A cooperação internacional entre vários Estados e a organização planetária dos procedimentos da polícia e dos bandidos necessariamente levará a um tipo de classificação que cada vez mais incluirá pessoas que serão consideradas “terroristas”. Aconteceu já na Guerra Civil espanhola, quando a Espanha serviu como laboratório experimental para um futuro ainda mais terrível que o passado do qual nascera.
Israel inteira está envolvida num experimento. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países.
Há marcada continuidade nas políticas de Israel. Israel crê que as resoluções da ONU, que condenam Israel verbalmente, são autorizações para invadir. Israel converteu a resolução que o mandava sair dos territórios ocupados em direito de construir colônias!
Achou que seria excelente idéia manter uma força de paz no sul do Líbano… desde que essa força, em vez do exército israelense, transformasse a região em área militar, sob controle policial, um deserto em matéria de segurança.
Esse conflito é uma estranha espécie de chantagem, da qual o mundo jamais escapará, a menos que todos lutemos para que os palestinos sejam reconhecidos pelo que são: “parceiros genuínos” para conversações de paz. De fato, estão em guerra. Numa guerra que não escolheram.
Tradução a partir do inglês: Caia Fittipaldi.
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