Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Trabalhadores de todo dia, 1º de maio sem show!


Boletim de Lutas e Resistência do Coletivo Libertário Trinca
ano 1, nº 1, 1º de Maio de 2009
“A emancipação dos trabalhadores só pode ser obra dos próprios trabalhadores.”

Crise capitalista e fascismo nas costas dos trabalhadores – nada temos a comemorar neste 1º de Maio

Neste primeiro de maio, nada temos a comemorar. O capitalismo, desde que começou a automatizar em larga escala a produção substituindo o trabalho humano, gerou uma crise sem precedentes, a qual mantinha sob controle através de injeções de bolhas de ar de dinheiro fictício, que arrebentaram agora. Esta crise mal começou. Para o sistema prolongar sua existência e reerguer seus lucros, os gestores necessitam intensificar a exploração de nós trabalhadores, a repressão e o controle social. A cada dia, pessoas são demitidas, direitos trabalhistas e sociais retirados, salários rebaixados, os preços de tudo sobem e o nosso trabalho é intensificado. Pessoas são despejadas como coisas, os pobres reprimidos, os movimentos sociais perseguidos. Somos vigiados e controlados o tempo todo por câmeras e mecanismos tecnológicos. As pessoas se sentem apáticas e cansadas pelo excesso de trabalho, e a cada dia a barbárie e violência geradas pela miséria crescem. Os governos todos se tornaram vazios e ocos, porque as decisões são tomadas por conselhos de empresas e tecnocratas, quase em segredo. Há cada vez mais uma fachada de democracia que esconde uma ditadura dos tecnocratas e empresas. Assim, o sistema e os loucos que o conduzem nos levam para a barbárie, nos sacrificando para salvar a “Santa Economia”.
Os meios de comunicação, como porta-vozes oficiais do sistema, contribuem ao criar uma cortina de fumaça, usam a barbárie social como justificativa para legitimar a repressão em nome da “segurança”, tentam nos aterrorizar, e escondem que a verdadeira causa da crise é a exploração do trabalho e a lógica do sistema que está falido. Não mencionam que muitas empresas se aproveitam da crise, para mandar embora muitos trabalhadores sem os mínimos direitos, com o aval do Governo. Ao contrário, eles ocultam isso e jogam areia em nossos olhos, usando os Datenas da vida, desviando a atenção para a novela cretina dos escândalos de corrupção (como se esse sistema pudesse não ser corrupto) e o circo dos horrores dos crimes hediondos, desencadeando uma perigosa onda moralista e fascista de ressentimento, onde as pessoas, ao invés de culpar o sistema, procuram bodes expiatórios e se apegam à “defesa da ordem” a qualquer custo.
Enquanto isso, as centrais sindicais e partidos de “esquerda” estão muito mais preocupados em fazer palanque para as eleições do ano que vem, atacam este ou aquele governo mas não o sistema - porque têm interesse em gerir a máquina e ascender socialmente. Querem na verdade administrar a crise e se alçar a postos de comando, criando aparelhos de poder e cargos de tecnocratas. Correm a criar mais e mais centrais sindicais, para receber a grana do imposto sindical. Contribuem para todo este processo e jogam o jogo do sistema e das classes dominantes. Hoje, como sempre, colocam palanques e fazem shows espetaculosos com sorteios de carros e anestesiando as pessoas, reproduzindo as hierarquias e nos reduzindo à condição de espectadores passivos do espetáculo dos profissionais da luta e especialistas em poder. Eles não nos representam, nem a ninguém! Ou nós trabalhadores nos apresentamos e lutamos, ou nos deixamos representar e viramos expectadores.

Ou agimos ou estamos ferrados! Reconstruir a solidariedade de classe!

- Liberdade e asilo político para o escritor italiano Cesare Battisti, um preso político no Brasil!
- Liberdade para o povo Palestino! Todo apoio aos refugiados palestinos no Brasil!
- Solidariedade para com as lutas dos trabalhadores de todos os países! Abaixo xenofobias e racismos!
- Combater a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza! Chega de criminalização ao MST no Rio Grande do Sul! Não ao muro nas favelas do Rio! Fora repressão e câmeras das ruas! Chega de controle social e invasão de privacidade. Não ao controle da internet!
- Abaixo a lógica de empresa nas escolas! Por uma educação autogerida pela comunidade escolar e desvinculada dos ditames do mercado de trabalho e empresas! Abaixo grades e repressão nas escolas!
- Por um sindicalismo autônomo e independente, horizontal, desburocratizado e organizado a partir dos locais de trabalho! Fora burocratas profissionais da luta com seus cargos e Fundos de Pensão, candidatos a futuros patrões!
- Fora atrelamento sindical ao governo, partidos políticos e abaixo o imposto sindical!
- Chega de aumentos de preços, de ônibus, de gás, energia! Que as empresas paguem a crise, não nós!
- Ações de apoio mútuo comunitárias e coletivas contra a crise!
- Coletivização e autogestão: Todo apoio às ocupações de terras e empresas falidas pela crise e, recursos sociais para produção que satisfaçam necessidades básicas, sob controle coletivo dos trabalhadores.
- Unificação das lutas sociais em datas e ações conjuntas! Construção do poder popular!
- Como solução ao desemprego, redução de jornada sem redução de salário! Que as máquinas sirvam para o que deveriam – proporcionar tempo livre, e não desemprego!
- Pela Superação do Capitalismo e da ditadura do dinheiro, da mercadoria e das empresas - a reconstrução da solidariedade de classe e um novo projeto Socialista libertário, contra a barbárie que se alastra!

Quem é o Coletivo Trinca - Autônomo, Anticapitalista e Antiburocrático
Somos um coletivo de engajamento nas lutas sociais, que fomenta a formação política, ação cultural e mídias alternativas, cuja união se dá pela necessidade de reconstruir, sem atrelamento a partidos políticos, governos, empresas ou cargos, a luta social. Este Coletivo se formou pela constituição de uma rede de solidariedade entre estudantes, bancários, professores, artistas, etc., e se consolida como uma alternativa de organização autônoma de nós trabalhadores. Nossos princípios são o classismo, anticapitalismo, a solidariedade de classe, a defesa da auto-organização da nossa luta com autonomia e independência de classe em relação ao estado, partidos, empresas e instituições. Defendemos a horizontalidade e democracia direta contra o burocratismo e a hierarquização dentro dos movimentos sociais e sindicais, bem como a ação direta, como alternativa à via parlamentar e ao cretinismo eleitoreiro-institucional que só atrela os movimentos sociais à lógica do Capital. Para conhecer melhor nosso coletivo: http://coletivotrinca.wordpress.com contato: coletivotrinca@riseup.net
Redução da jornada, um debate escamoteado
A maior contradição do capitalismo é que este desenvolve a tecnologia e aumenta a produtividade cada vez mais, mas continua nos forçando a trabalhar cada vez mais, além de desempregar em massa e destruir o meio ambiente. Isso ocorre porque a finalidade da produção não é satisfazer necessidades humanas, mas produzir “mercadoria”, bens para serem vendidos, e gerar mais dinheiro. Não se produz sapatos, mas “valor”. Assim, a produtividade pode dobrar, e nós continuamos como antes a ser forçados a trabalhar 8 horas por dia ou mais. O tempo de trabalho pago a nós trabalhadores diminui, e aumenta o tempo não pago que fica para o patrão como lucro maior. Albert Einstein, em um artigo, dizia que o capital é uma imensa máquina de desperdício de trabalho. Em alguns setores, a produtividade aumentou dezenas de vezes no século XX. Na agricultura, ela aumentou mais de 16 vezes. No século XIX, quando os operários reivindicavam a jornada de 8 horas, eram chamados de preguiçosos e dizia-se que a economia dos países iria se arruinar, pois as jornadas iam de 12 a 18 horas – não se arruinou com a jornada de 8 horas. Hoje, enquanto a produtividade aumenta cada vez mais, a jornada está aumentando, além da intensidade do trabalho e as doenças de trabalho! As sociedades “primitivas” tribais, sem nenhuma automação trabalhavam apenas o necessário, indo de 2 a 4 horas diárias. Em 1890 Paul Lafargue calculava que se poderia abastecer toda a França com 3 horas de trabalho diário. Na revolta de 1918, os operários alemães reivindicavam a redução para 6 horas diárias. Em 1920, o matemático Bertrand Russel calculava que na Inglaterra seria possível manter bom nível de vida, acabando com a miséria, desemprego e exploração, com uma jornada de 4 horas diárias. Estatísticas de 1938 falavam em 3 horas diárias, e o próprio economista burguês Keynes pensava que no ano 2000 os trabalhadores ingleses estariam trabalhando 15 horas semanais. Em 1968, alguns grupos em luta reivindicavam a automação e a jornada de 10 horas. No Brasil, o próprio presidente do IPEA já afirmou, que a produtividade daqui permitiria as 12 horas semanais de trabalho! Enquanto isso, estamos trabalhando 40, 50, 60 horas, com 2 a 3 empregos e ganhando mal. Pois é, estamos sendo enganados! Enquanto isso as centrais sindicais falam na mesquinharia de reduzir a jornada de 44 para 40 horas - pura demagogia de quem não quer colocar em jogo o sistema, pois tem algo a perder. Uma sociedade emancipada e de tempo livre permitiria o nosso livre desenvolvimento como seres humanos, da arte, da cultura, e que as pessoas absorvessem as tarefas de administração da produção e da política – ou seja, o fim dos gestores, burocratas e políticos profissionais. Já deu para perceber que tem gente que não se interessa mesmo por isso, porque enquanto muitos trabalham, uns poucos tomam as decisões e se apropriam do nosso trabalho. Chega de morte lenta pela imposição de trabalho. Nós reivindicamos a vida!

Augusto Spies, alemão, 31 anos, jornalista Michael Schuvah, alemão, 33 anos, tipógrafo e encanador Oscar Neebe, norte-americano, vendedor de fermento Adolfo Fisher, nascido na Alemanha, jornalista, 30 anos Louis Lingg, alemão, carpinteiro, 22 anos Samuel Fielden inglês, 30 anos, operário têxtil Gerge Engel, alemão, 50 anos, tipógrafo e jornalista Albert Parson, nascido no Alabama (EUA), lutou na guerra da Secessão
Os oito de Chicago, enforcados em 1887, por reivindicar a jornada de 8 horas – jamais serão esquecidos!

Nenhum comentário: