Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

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sábado, 20 de junho de 2009

Dia 20 de junho – Dia Mundial do Refugiado. Nada a comemorar. Tudo a lamentar e denunciar.


Imagine que você é alguém que viu membros da sua família e amigos serem trucidados por bombas e tiros e teve que fugir deixando tudo para trás tentando às pressas salvar o que for possível. Imagine que para todo lugar, onde você vá, na tentativa de se proteger encontre pessoas armadas que te odeiam pelo único motivo de você ter nascido numa terra que eles ambicionam, e por isso querem te matar e aos seus. Imagine que você é uma pessoa pacífica, que condena a violência, as armas, o ódio e o que você mais quer é ver as pessoas vivendo solidariamente e em paz e mesmo assim, você, sua família e seus amigos que pensam como você são caçados como bichos. Imagine que o único lugar que lhe sobrou para alojar o que sobrou da sua família e amigos é um deserto, sob tendas de lona de 10 metros quadrados, em meio a cobras, escorpiões, tempestades de areia, temperaturas extremas para cima durante o dia e para baixo durante a noite e nesse lugar você será obrigado a viver por tempo indefinido, contando apenas com a sorte para que os que querem lhe ver morto não lhe encontrem antes do que alguém que lhe queira ajudar. Agora imagine que após anos nessa agonia da espera, alguém chegue lhe prometendo ajuda, lhe prometendo levar para outro país, distante e seguro de toda a violência que há em sua terra, longe das pessoas que querem te matar, um lugar muito bom de se viver, lhe prometendo, documentos, emprego, oportunidades para reconstruir sua vida, assistência médica e odontológica, aulas do idioma da nova terra que lhe está sendo oferecida. Agora, imagine que depois de toda a tragédia do passado de sua vida e do “paraíso” prometido, nesse “paraíso” você se depara com miséria e todo tipo de dificuldade, sem que todas aquelas promessas de uma nova vida, digna, sejam cumpridas, sejam reais e então, você cai na real de que, aqueles que a prometeram, apenas usaram da sua necessidade extrema, da sua ansiedade, do seu maior sonho, da sua esperança de uma vida melhor, para tirarem proveito próprio, uma oportunidade de ascensão política, talvez.

Essa é a situação em que se encontram hoje os palestinos que foram trazidos como refugiados para o Brasil em setembro e outubro de 2007, sendo 57 para Mogi das Cruzes, de um total de 108. Foram trazidos, sem ter a oportunidade de escolher. Aos que se recusavam a vir porque já previam as dificuldades de adaptação, era dito de forma ameaçadora que então eles seriam entregues ao exército da coalisão norte americana ou às milícias que os queriam ver mortos. Chegando aqui, foram separados em localidades distantes, os que não foram trazidos para Mogi foram levados para o Rio Grande do Sul e Paraná. Todos eles falam a lingua inglesa, além da língua árabe, mas não foram levados para algum país de língua inglesa, mas sim para um país de língua portuguesa, e a ajuda prometida não passaram de promessas.

Neste dia 20 de junho, dia dedicado a lembrar os refugiados, minha maneira de homenagear os refugiados palestinos, com quem tenho convivido e visto o quanto são amáveis, agradecidos, amigos e também vulneráveis, é contando essa verdade que não é dita, não é divulgada.

Que a ACNUR, o governo brasileiro e o Cáritas cumpram, com urgência, com suas promessas de lhes dar todas as condições para que possam reconstruir suas vidas, já que aceitaram recebê-los aqui. Os próximos três meses serão cruciais para eles, visto que termina o prazo de dois anos da ajuda de custo irrisória paga pela ACNUR, através do Cáritas Diocesana.

Mauro Rodrigues de Aguiar
Coletivo Libertário Trinca
P.S.: Não sou palestino, sou um brasileiro que tem acompanhado as dificuldades dos palestinos refugiados em Mogi das Cruzes e as mazelas do Cáritas Diocesana.

2 comentários:

Palestina livre disse...

Imagine você em um país que foi pintado de ouro por alguns hipócritas aproveitadores, mas que na verdade é totalmante enferrujado, expurgando tétano. Imagine você, já velho, colocado em um asilo, falando árabe, não entendendo nada de português, totalmente relegado, jogado de lado, tal como os velhos brasileiros, que male-male conseguem se comunicar. Imagine que sua única e desesperada atitude é a fuga para as ruas de um bairro, uma cidade, várias ruas que você jamais viu, sem que nehuma autoridade lhe procure...
Imagine você, mulher, grávida, em um país que dos costumes você não entendo um terço, imagine-se em trabalho de parto, sem saber como chegar em um hospital, chamar os bombeiros, o resgate, a polícia...imagine perder seu filho por falta de atendimento médico!
Imagine que você se cansou disso tudo e deu um jeito de ir à Capital, na sede do órgão responsável pela sua permanência nesse novo país, mas nunca lhe receberam, nunca atenderam suas necessidades, que a essa altura do campeonato é ir embora...imagine você ficar meses e meses acampado, vivendo na rua (como é o caso dos refugiados que estão em Brasília).
Essa é a situação dos refugiados palestinos que (sobre) vivem no Brasil, considerados como "difíceis, devido a sua cultura, os únicos refugiados que dão problemas", pelo presidente do Cáritas - entidade responsável pela assistência aos refugiados que vem ao Brasil. Claro, compare os palestinos com os latinos que trabalham como escravo no Bom Retiro em São Paulo, costurando nossas roupas, esses são ótimos refugiados...

Coveiro

Anônimo disse...

O pior é a hipocrisia daqueles que dizem defendera causa palestina nos panfletos de seus partidos mas nada fazem por estes refugiados que estão aqui do lado sofrendo. A libertação da palestina começa aqui. Assim como a construção do socialismo deve começar em nosso cotidiano. Todo o resto é papo, é blá-blá-blá politiquês e ideologês demagógico, muito bom para as igrejinhas políticas de plantão e seus adeptos.

Mojica