Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

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domingo, 27 de dezembro de 2009

A poesia palestina de resistência: O cantar dos que não se rendem

Apesar da forte repressão à arte popular — “A democracia israelense não suporta que os palestinos cantem”, disse uma vez o poeta Tawfic Zayyad — a poesia daquele povo árabe não é “marginal”. Como disse o peruano Julio Carmona, “marginal é a poesia que a estética dominante pontifica ou institucionaliza; ao se tomar o povo como pedra de toque (e sempre o povo tem a última palavra em tudo) a única poesia que não se marginaliza é aquela que não se afasta de sua fonte, aquela que vinda do povo, a ele retorna.”

O poema é, de longe, o mais popular gênero da literatura palestina. Isto pode ser em parte atribuído à forte tradição oral da sua cultura. Houve, desde o início, uma vontade de simplicidade na poesia de resistência. Os artifícios de linguagem em favor da estética foram postos de lado. O poeta Mahmud Darwish expressou claramente isso num de seus primeiros versos:

Se os mais humildes não nos compreendem
será melhor jogar fora os poemas
e ficarmos calados.
O poeta diz:
se meus versos são bons para meus amigos
e enfurecem os meus inimigos
então é que sou mesmo poeta
e devo continuar cantando.

Fontes: Poesia Palestina da Resistência , edição OLP/Brasil, 1986 e Beleza Cruel (prólogo de Julio Carmona), edição Lira Popular, Peru, 1982.

Não iremos embora
Tawfic Zayyad*

Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar
A comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
Aqui sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Famintos
Nus
Provocadores
Declamando poemas
Somos os guardiões da sombra
Das laranjeiras e das oliveiras
Semeamos as idéias como o fermento na massa
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede
Espremeremos as pedras
E comeremos terra
Quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro
*Tawfic Zayyad, palestino de Nazaré, é considerado um pioneiro da poesia de resistência. A maior parte de sua obra foi escrita na prisão.
Discurso no mercado do desempregoSamih Al-Qassim*

Talvez perca — se desejares — minha subsistência
Talvez venda minhas roupas e meu colchão
Talvez trabalhe na pedreira... como carregador... ou varredor
Talvez procure grãos no esterco
Talvez fique nu e faminto
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Talvez me despojes da última polegada da minha terra
Talvez aprisiones minha juventude
Talvez me roubes a herança de meus antepassados
Móveis... utensílios e jarras
Talvez queimes meus poemas e meus livros
Talvez atires meu corpo aos cães
Talvez levantes espantos de terror sobre nossa aldeia
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Talvez apagues todas as luzes de minha noite
Talvez me prives da ternura de minha mãe
Talvez falsifiques minha história
Talvez ponhas máscaras para enganar meus amigos
Talvez levantes muralhas e muralhas ao meu redor
Talvez me crucifiques um dia diante de espetáculos indignos
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Ó inimigo do sol
O porto transborda de beleza... e de signos
Botes e alegrias
Clamores e manifestações
Os cantos patrióticos arrebentam as gargantas
E no horizonte... há velas
Que desafiam o vento... a tempestade e franqueiam os obstáculos
É o regresso de Ulisses
Do mar das privações
O regresso do sol... de meu povo exilado
E para seus olhos
Ó inimigo do sol
Juro que não me venderei
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Resistirei
Resistirei

*Samih Al-Qassim nasceu em Zarqá, no seio de uma família drusa. Formado professor, depois da publicação de seus primeiros poemas foi proibido pelos israelenses de exercer a profissão.

5 comentários:

Provos Brasil disse...

Salve!!!

Coloquei esse texto no blog!!!!

Provos Brasil

Solange Malosto disse...

Solange Malosto
* Paz, Peace, Paix
Paz, peace, Paix pra Palestina, cessar fogo.São corpos sem vida, espetáculo chocante!Conquanto incrível, quase difícil compreender!Inimaginável, inaceitável, tais transtornos acontecer...Palestina, sensibilidade, anseios, esperanças,realizações importantes, concretização do ser!Alguém cuja beleza profunda pisou tuas terras,acreditou em te, num futuro promissor, amanhecer...Além horizonte, além céu, além terra, além mar,valor acima de iluzões momentâneas, ocasionais...Sobrelevastes elevações quaisquer que seja o auge,sendo a Palestina responsável por tuas realizações formais...Desatastes as sandálias, afrouxastes a túnica,pálpebras fechadas, recostando evidentemente, a cabeça...Semblante sereno, quem sabe em sono profundo?Saboreastes momentos, que só teu Pai foi testemunha...Amei - te, amo - te, e como te amarei com ternura!Tu que tivesses nos braços, o máximo, o amor maior...Acolhestes a pureza, como a do ar que respiramos,beleza da mãe natureza, paisagem por onde circulamos,e em momentos qundo sentimos, irremediavelmente só...Não a guerra, não a destruição, cessar fogo...Crianças infelizes, vítimas inocentes, terror,estampado em teus rostos, clamor pela paz,paz, peace,paix, que um dia floriu...Palestina, não podes ficar extinta do Planeta,transformar - te em cidade fantasma, inexistir...Tens história, és responsável por descendências futuras,grandes gerações ainda orgulharão de te...Paz, peace, paix pra Palestina!O apelo é dos idosos, jovens,infantil!Nós agentes de Paz da humanidade e do Planeta,Caminhemos juntos, solidários a juventude, idosos, infantís...( Solange Malosto - Poesias & Poetas/ Poesia da Alma Azul Ana GarjanTribuna do Leste Manhuaçú
Solange Malosto/Representante do Rtforum Br IN MINAS/Associadaao núcleo de direção dos GRUPOS ARTFORUM MUNDI PLANET&ARTFORUM BR XXl/Direção Ana Felix Garjan,França

Solange Malosto disse...

*****DESAMOR**
Alarmante, tenebroso e temível é a sensação do momento,tal,constrangedoras cenas, mostradas em jornais,revistas,rádio,tv...Deslisamentos, acidentes em nossas estradas,cidades debaixo d'agua,crianças ocupando um espaço, num cenário triste,manifestante na tv.Oh Senhor meu criador, onde estás que não respondes, onde estás?Tu que fizestes do causador de tudo isso, imagem e semelhança tua,Em uma terra cujo objetivo deveria brotar leite e mel,o que vemos Senhor?Destruição,desamor, devastaçao em tua criação,ingratidão,amargura do fel Onde estás Senhor que não respondes, onde estás?Não achas que seria hipocrisia minha,fazer vista grossa,dar uma de desentendida dizendo que 2009, em paz se inicia?Não é isso que meus olhos veem, a população presencia...Teu templo, tua mesquita,teu aconchego,tua igreja de carne,nosso refúgio,alternativa em momentos de desesperança e dor,veja em que o homen, imagem e semelhança tua, transformou... Como falar ou encontrar a paz numa terra cuja criação é tua,em países, onde o pobre é massacrado,injustiçado, e o rico?Cada vez mais rico, pobre cada vez mais pobre e como nãobastasse, meu irmão não dorme,receioso de ver teu teto cair... Não te acanhes Senhor! Que tu manifestes! Clamamos por teu amor...Nossa crianças, futuras gerações,a paz do planeta, depende de te.A terra pede socorro, o planeta está em chamas,é o caos Senhor!( Autora Solange Malosto public/Poesias & Poetas )
email:solangemalosto@yahoo.com.br

cid simoes disse...

Em "aspalavrassaoarmas" esta é a semana da minha INTIFADA.

Anônimo disse...

auto retrato para quando chegar meu dia

quando chegar meu dia e certo escrevas por extenso
o meu nome completo joão fernandes lucho melgarejo
da forma como estou dizendo e se não entenderes
embora tenhas dito que pareço um palestino
eu soletrarei uma a uma cada letra
digo tudo isso para que tu não te incomodes
ao escrever nome tão simples que veio dos avós
hoje tenho muito mais do que muitos anos
um dos números do meu rg é 0 do cpf 1 e da cnh 3
tenho três filhos e um casal de netos
meu endereço tu já sabias
digo isso tudo para que tu não te incomodes
ao escrever nome tão simples que veio dos avós
mas torno a te pedir
quando chegar meu dia e certo escrevas por extenso
o meu nome completo joão fernandes lucho melgarejo
da forma como estou dizendo e porque
talvez eu seja mesmo palestino
conheço muitas pessoas que também são
até ganhei regalo dum amigo que andou por lá
e lá todos perdidos na guerra pela paz
exilados e sendo donos da sua terra
nesta luta somos também um pouco palestinos
e tudo que agora estou te dizendo
é para que saibas um pouco mais de mim
embora eu sei que esse pouco que te digo
nada é perto do muito que já sabias há tempos
então cumpre com os teus regulamentos
porque tendo eu perdido tudo injustamente
com ganhos do suor continuo lutando como eles
agora sou ajudante no mesmo ofício do meu amigo
ele também da mesma terra que me pariu
e não venho como nem antes pedir ou mendigar
me fiei até agora das minhas forças
das que tem melhor que eu minha mulher
digna foi ela quem adquiriu e compartiu comigo a casa
para ela devo e contribuo na medida que me pode
sou orgulhoso demais para certos gostos
e quero respeito aos meus princípios
se às vezes ando com roupas de palhaço
elas não me alcançam incomodo algum
mas reparo que nos dias que não as uso
embora não as tenha como uniforme
muitos e muitas continuam a me ver com elas
alguns se queixam que filosofo e morro pelos amigos
conquanto bem mais do que isso saibas
repito essas coisas para que tu não te incomodes
com as ditas por este velho que veio até aqui
e quando chegar o meu dia ao menos certo
escrevas por extenso todo meu nome
porque se for preciso morrer por um deles
não quero outro seja chamado no meu lugar por engano
e só por isso insisto e insisto em repetir ao te pedir
quando chegar meu dia e certo escrevas por extenso
o meu nome completo joão fernandes lucho melgarejo