sexta-feira, 2 de setembro de 2011
MANIFESTO PELO BOICOTE AO APARTHEID DE ISRAEL
Há seis anos foi lançada por diversas organizações da sociedade civil palestina a campanha de BDS (boicotes, desinvestimento e sanções) a empresas, produtos e serviços que financiam o apartheid israelense.
Neste ano, a iniciativa prioriza o embargo militar integral a Israel, até que se cumpram as reivindicações fundamentais dos palestinos:
1) o fim imediato da ocupação militar e colonização de terras árabes, e a derrubada do muro do apartheid, que vem sendo construído na Cisjordânia desde 2002, dividindo terras, famílias e impedindo os palestinos do direito elementar de ir e vir;
2) o reconhecimento dos direitos dos cidadãos palestinos à autodeterminação, à soberania e à igualdade;
3) o respeito, proteção e promoção do direito de retorno dos refugiados palestinos às suas terras e propriedades, das quais vêm sendo expulsos desde 1948, quando foi criado unilateralmente o Estado de Israel, até os dias atuais.
Essas medidas logicamente teriam que vir acompanhadas da libertação dos milhares de presos políticos.
Sob esse mote, o comitê palestino por BDS realizou recentemente em território ocupado um ato público em frente à representação diplomática brasileira.
Principal campanha internacional de solidariedade ao povo palestino e contra qualquer forma de discriminação naquelas terras, a campanha do BDS redundou em conquistas importantes, como o rompimento de contratos milionários com empresas que atuam na construção do muro, de assentamentos ilegais ou de outros aparatos que sustentam a segregação na Palestina. Envolvida em ações do gênero em Jerusalém, a multinacional francesa Veolia teve prejuízo de bilhões de dólares como resultado dessa campanha.
Outra prova do seu sucesso e viabilidade foi a decisão do Governo da Noruega de desinvestir em companhias israelenses que detinham no currículo essas práticas colonialistas. Ainda como parte dessa iniciativa, em 2010, sindicatos de portuários da Califórnia, Suécia, Índia e África do Sul promoveram um dia de protesto no qual se recusaram a descarregar navios comerciais israelenses ou com cargas provenientes daquele destino.
No campo acadêmico, a Universidade de Johanesburgo suspendeu acordo de cooperação e intercâmbio com a Universidade Ben Gurion, por sua cumplicidade na violação de direitos humanos.
O êxito dessa campanha é comprovado ainda pela ação do Knesset (Parlamento israelense) de aprovar neste mês uma lei que criminaliza ativistas e organizações em favor dos boicotes.
Apesar de esse movimento vir se expandindo em todo o globo, no Brasil ainda é preciso avançar bastante. Algumas ações vão inclusive na contramão dessa corrente, como a adesão do Brasil ao TLC (Tratado de Livre Comércio) Mercosul-Israel e negociações comerciais bilaterais com a potência ocupante, incluindo a assinatura de acordos militares e de tecnologia bélica. Amplo estudo promovido pela organização Stop the Wall denuncia que o TLC inclui a venda em território brasileiro de produtos e serviços feitos em assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, bem como de tecnologias de defesa e segurança, as quais têm sido usadas nos ataques contra os civis palestinos. O tratado, portanto, transforma o Brasil em porta de entrada da indústria armamentista de Israel na América Latina., A tecnologia de defesa tem sido um dos focos dos negócios bilaterais entre os governos de Israel e do Brasil. Inclusive já se tem conhecimento de visitas de grupos israelenses visando atuar na segurança durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Ainda na contracorrente, a cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, passou a abrigar instalações da empresa israelense Elbit Systems, que atua na área de tecnologia militar e é especialista em construção de veículos não tripulados, os quais foram amplamente usados nos ataques aos palestinos de Gaza em final de 2008 e início de 2009. Uma das 12 companhias envolvidas na construção do muro do apartheid, a Elbit já assinou contratos no Brasil, inclusive com as Forças Armadas e com a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica).
Além disso, a USP (Universidade de São Paulo) e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal) têm firmado acordos de cooperação e intercâmbio com instituições israelenses, sobretudo nos últimos anos.
A organização Stop the Wall alertou, em relatório, que essas iniciativas garantem que as guerras, ocupação e colonização israelenses continuem a gerar lucros. E enfatizou: “Esses laços militares põem em questão o compromisso do governo brasileiro em apoiar os direitos humanos, a paz e a criação de um Estado palestino e parecem contradizer as atuais alianças brasileiras e interesses na região. É preocupante que o Brasil entregue o dinheiro dos impostos dos seus cidadãos às empresas de armamento israelenses. O Brasil não pode conciliar a cumplicidade com as graves violações da lei internacional por parte de Israel e as aspirações a potência mundial emergente, defensora do respeito à lei internacional e aos direitos humanos.”
Perante esse cenário e atendendo a pleito da sociedade civil palestina, exigimos que o governo brasileiro e suas instituições, bem como empresas públicas e privadas nacionais e/ou instaladas neste País, imponham embargo militar e econômico a Israel, através do rompimento de acordos, contratos e suspensão na aquisição de produtos e serviços, os quais financiam cotidianamente a violação dos direitos humanos do povo palestino e a ocupação de suas terras.
Revindicamos que o governo brasileiro:
a) rompa unilateralmente com o Tratado de Livre Comércio Israel-Mercosul;
b) retire imediatamente o posto das Forças Armadas Brasileiras em Israel;
c) cancele todos os contratos das Forças Armadas com empresas israelenses;
d) exclua as empresas israelenses de participar de quaisquer concorrências públicas;
e) vete a instalação de empresas israelenses em território nacional ou mesmo a aquisição de empresas nacionais por capitais israelenses;
f) exclua as empresas israelenses de contratos para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
ASSINAM:
Frente em Defesa do Povo Palestino - São Paulo
Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro
Frente Palestina da USP – Universidade de São Paulo
Comitê Democrático Palestino do Brasil
Comitê Autônomo de Solidariedade ao Povo Palestino – Mogi das Cruzes
CLP – Comitê pela Libertação da Palestina
Sociedade Árabe-palestina de Corumbá
Centro Cultural Árabe-palestino do Rio Grande do Sul
Comitê Pró-Haiti
Sociedade Árabe-palestina de Brasília
Comitê de Solidariedade ao Povo Sírio
Deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP)
Georges Bourdoukan – jornalista
Anel – Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre
Apropuc-SP – Associação dos Professores da PUC-SP
Associação Islâmica de São Paulo
Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz
Centro de Memória e Resistência do Povo de Mauá e Região
Ciranda Internacional da Informação Independente
Coletivo de Mulheres Ana Montenegro
Coletivo Libertário Trinca
CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular-Coordenação Nacional de Lutas
CUT – Central Única dos Trabalhadores
DCE-USP – Diretório Central dos Estudantes da Universidade de São Paulo
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento Mulheres em Luta
Movimento Mulheres pela P@z
Mopat – Movimento Palestina para Tod@s
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
MTST – Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto
Oposição Bancária de Mogi das Cruzes e Região
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
Rede Bolivariana
Rede para Difusão da Cultura Árabe-brasileira Samba do Ventre
Revolutas
União dos Estudantes Muçulmanos do Brasil
UJC – União da Juventude Comunista
UNI – União Nacional das Entidades Islâmicas
E-mail para contato: frentepalestina@yahoo.com.br
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
AMEAÇAS DE MORTE A JORNALISTAS (Adivinha porque os jornalistas da Globo não sofrem a mesma ameaça)
Notícia extraída de http://resistir.info/
Os jornalistas Mahdi Darius Nazemroaya e Thierry Meyssan estão sob ameaça de morte em Tripoli.
O primeiro é investigador do Centre for Research on Globalization e o segundo presidente do Réseau Voltaire e da conferência Axis for Peace.
Ambos encontram-se sitiados no Hotel Rixos, em torno do qual decorrem combates. Há informações de que teria sido dada a ordem de abatê-los.
Cinco Estados ofereceram protecção diplomática aos dois jornalistas, mas os combates em torno do hotel impedem-nos de sair e várias destas embaixadas estão cercadas a fim de tornar o seu acesso impossível.
O Résau Voltaire apela a pressões sobre os governos envolvidos no sentido de garantir as vidas destes jornalistas e que se faça circular esta informação.
Novos desenvolvimentos : Os jornalistas foram retirados do H. Rixos pela Cruz Vermelha Internacional, que os transportou para outro hotel enquanto aguardam o barco que deverá evacuá-los.
No novo hotel, já sem a protecção da Cruz Vermelha, têm recebido ameaças dos "rebeldes".
29/Agosto/2011/16h00 GMT – Os jornalistas em perigo na Líbia chegaram ao porto de La Valetta, em Malta. São eles: Thierry Meyssan, Mahdi Darius Nazemroaya, Mathieu Ozanon, Julien Teil, Lizzie Phelan (Press TV, britânica), a equipe da TeleSur, Walter E. Fauntroy, antigo membro do Congresso dos EUA e ex-assistente de Martin Luther King.
O pequeno barco em que abandonaram a Líbia, concebido para 12 pessoas, transportou 52 refugiados e mais a tripulação. A viagem demorou 36 horas.
À partida, a lista dos passageiros foi objecto de intensas negociações e teve de ser validada pelas diferentes autoridades que agora controlam Tripoli.
Até o último momento os jornalistas do Réseau Voltaire temeram não poder embarcar.
No último instante uma pessoa, de nome desconhecido, foi arrancada do barco pelos "rebeldes".
Os jornalistas Mahdi Darius Nazemroaya e Thierry Meyssan estão sob ameaça de morte em Tripoli.
O primeiro é investigador do Centre for Research on Globalization e o segundo presidente do Réseau Voltaire e da conferência Axis for Peace.
Ambos encontram-se sitiados no Hotel Rixos, em torno do qual decorrem combates. Há informações de que teria sido dada a ordem de abatê-los.
Cinco Estados ofereceram protecção diplomática aos dois jornalistas, mas os combates em torno do hotel impedem-nos de sair e várias destas embaixadas estão cercadas a fim de tornar o seu acesso impossível.
O Résau Voltaire apela a pressões sobre os governos envolvidos no sentido de garantir as vidas destes jornalistas e que se faça circular esta informação.
Novos desenvolvimentos : Os jornalistas foram retirados do H. Rixos pela Cruz Vermelha Internacional, que os transportou para outro hotel enquanto aguardam o barco que deverá evacuá-los.
No novo hotel, já sem a protecção da Cruz Vermelha, têm recebido ameaças dos "rebeldes".
29/Agosto/2011/16h00 GMT – Os jornalistas em perigo na Líbia chegaram ao porto de La Valetta, em Malta. São eles: Thierry Meyssan, Mahdi Darius Nazemroaya, Mathieu Ozanon, Julien Teil, Lizzie Phelan (Press TV, britânica), a equipe da TeleSur, Walter E. Fauntroy, antigo membro do Congresso dos EUA e ex-assistente de Martin Luther King.
O pequeno barco em que abandonaram a Líbia, concebido para 12 pessoas, transportou 52 refugiados e mais a tripulação. A viagem demorou 36 horas.
À partida, a lista dos passageiros foi objecto de intensas negociações e teve de ser validada pelas diferentes autoridades que agora controlam Tripoli.
Até o último momento os jornalistas do Réseau Voltaire temeram não poder embarcar.
No último instante uma pessoa, de nome desconhecido, foi arrancada do barco pelos "rebeldes".
domingo, 28 de agosto de 2011
Sete pontos acerca da Líbia
por Domenico Losurdo
Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está a acontecer na Líbia:
1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela NATO. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de "informação" burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra "inteiramente externa, ou seja, feita pelas forças da NATO"; foi "o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi". Uma peça do International Herald Tribune de 24 de Agosto mostra-nos "rebeldes" que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da NATO.
2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que "três semanas" antes da resolução da ONU já estavam em acção na Líbia "centenas" de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas no International Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de "pequenos grupos da CIA" e de uma "ampla força ocidental a actuar na sombra", sempre "antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março".
3. Esta guerra nada tem a ver com a protecção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: "A NATO que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra". Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise económica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das "nações não ocidentais" e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa, em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: "Nova Líbia, desafio Itália-França". Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético activismo de Sarkozy, "compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: guerra económica, com um novo adversário: a Itália obviamente".
4. Desejada por motivos abjectos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: "Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço".
5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reacções da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: "Caça a Kadafi e seus filhos, casa por casa". Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Kadafi.
6. Não menos bárbara que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a NATO martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a protecção dos civis! E a imprensa, a "livre" imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a "notícia" segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta "notícia" caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra "nova" segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar.
7. Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a NATO apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o "Negus dos negreiros"; hoje a NATO exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o "ditador". Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: "O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: 'a guerra deve fazer-se', a guerra seguia-se efectivamente". Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma "liberal" daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os "monarcas absolutos" da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.
Agosto/2011
O original encontra-se em http://domenicolosurdo.blogspot.com/ ; a versão em francês em
http://www.legrandsoir.info/sept-points-sur-la-libye.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Lutar pela libertação do povo palestino, contra o Estado terrorista de Israel e o imperialismo
A luta pela libertação palestina é uma das grandes causas da humanidade. Há mais de 60 anos o povo palestino vem sendo oprimido e massacrado por Israel, cão de guarda dos interesses imperialistas na região. Hoje a situação no Oriente Médio estabelece uma nova situação para essa luta, especialmente no Egito, onde uma rebelião popular derrubou Mubarak, principal aliado de Israel.
Recentemente, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) decidiu solicitar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, o reconhecimento do Estado da Palestina como membro da organização, tendo como referência as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967.
No Brasil, foi lançado um manifesto "Estado da Palestina já!", que conta com o apoio de inúmeras entidades e movimentos. Nós nos sentimos na obrigação de explicitar nossa posição e justificar porque não assinamos o referido manifesto.
Acreditamos que esse debate não foi aprofundado e amadurecido como deveria. E esse fato se reflete no próprio manifesto, que mostra ambiguidade em algumas passagens.
Mesmo no caso da ONU reconhecer o Estado palestino como membro, isso significará não a criação de fato de um Estado palestino, mas apenas o seu reconhecimento nominal. Daí para a conquista de um Estado palestino livre, democrático e soberano, há uma enorme distância, que dificilmente será vencida por meios diplomáticos. A própria ONU até hoje tem se limitado a condenar formalmente alguns dos crimes cometidos por Israel, sem, contudo, adotar qualquer sanção ou medida visando proteger o povo palestino das sucessivas agressões israelenses.
Um caso típico e exemplar é a construção do Muro da Vergonha e dos assentamentos israelenses, condenados pela ONU, mas que prosseguem, sem que seja tomada qualquer medida.
Além disso, é preciso deixar claro que não se trata de um "conflito" a ser mediado e solucionado através de negociações. A nossa luta e a luta do povo palestino são pela liberdade, pelo direito à autodeterminação, pela restauração de seus direitos básicos, como o direito dos palestinos expulsos pelos israelenses em 1948 de retornarem aos seus lares e retomarem as propriedades usurpadas.
Não é possível falar de paz justa enquanto permanecer um Estado fundamentado na doutrina sionista, financiado e armado ostensivamente pelo imperialismo estadunidense.
O simples reconhecimento formal do Estado palestino como membro da ONU não garantirá nenhuma dessas premissas fundamentais e inegociáveis.
A luta pela libertação do povo palestino passa pela luta contra o imperialismo e o Estado terrorista de Israel, pela solidariedade às lutas dos povos árabes. Não é possível apoiar o povo palestino e reconhecer a legitimidade do Estado sionista.
Campanhas como a de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) a empresas, produtos e serviços que financiam o apartheid israelense têm conseguido vitórias importantes em escala mundial. No Brasil, essa também começou. E uma das principais lutas é exigir que o governo brasileiro revogue os vários acordos militares feitos com Israel. É inadmissível que o nosso país compre armas que têm sido usadas para massacrar o povo palestino e permitir que empresas militares israelenses se estabeleçam livremente no território nacional. Da mesma maneira, não podemos admitir a manutenção do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel.
A proposta da OLP está gerando, sim, um fato político importante, com grande impacto internacional. Sinal disso é a declaração de Israel de que poderia reabrir as negociações e rediscutir a proposta de um Estado palestino com base nas fronteiras pré-1967. Contudo, se isso é válido como expediente tático, visando isolar politicamente Israel, considerá-lo como o principal foco da luta pela libertação palestina seria um erro grave.
Qualquer ilusão nesse sentido pode levar a resultados desastrosos. Basta lembramos dos Acordos de Oslo, cujas consequências são claras e vivas ainda hoje.
Por essas razões, não assinamos o manifesto. Porém, sabemos que este é um momento crucial em que mais do que nunca é preciso manter a unidade do povo palestino em torno do objetivo maior que é a libertação do povo palestino, ainda que existam diferenças significativas quanto aos rumos a serem tomados. Pois sabemos que a unidade pressupõe a diversidade de opiniões.
http://www.palestinalivre.org/node/2159
Movimento Palestina para Tod@s (MOP@T)
Recentemente, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) decidiu solicitar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, o reconhecimento do Estado da Palestina como membro da organização, tendo como referência as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967.
No Brasil, foi lançado um manifesto "Estado da Palestina já!", que conta com o apoio de inúmeras entidades e movimentos. Nós nos sentimos na obrigação de explicitar nossa posição e justificar porque não assinamos o referido manifesto.
Acreditamos que esse debate não foi aprofundado e amadurecido como deveria. E esse fato se reflete no próprio manifesto, que mostra ambiguidade em algumas passagens.
Mesmo no caso da ONU reconhecer o Estado palestino como membro, isso significará não a criação de fato de um Estado palestino, mas apenas o seu reconhecimento nominal. Daí para a conquista de um Estado palestino livre, democrático e soberano, há uma enorme distância, que dificilmente será vencida por meios diplomáticos. A própria ONU até hoje tem se limitado a condenar formalmente alguns dos crimes cometidos por Israel, sem, contudo, adotar qualquer sanção ou medida visando proteger o povo palestino das sucessivas agressões israelenses.
Um caso típico e exemplar é a construção do Muro da Vergonha e dos assentamentos israelenses, condenados pela ONU, mas que prosseguem, sem que seja tomada qualquer medida.
Além disso, é preciso deixar claro que não se trata de um "conflito" a ser mediado e solucionado através de negociações. A nossa luta e a luta do povo palestino são pela liberdade, pelo direito à autodeterminação, pela restauração de seus direitos básicos, como o direito dos palestinos expulsos pelos israelenses em 1948 de retornarem aos seus lares e retomarem as propriedades usurpadas.
Não é possível falar de paz justa enquanto permanecer um Estado fundamentado na doutrina sionista, financiado e armado ostensivamente pelo imperialismo estadunidense.
O simples reconhecimento formal do Estado palestino como membro da ONU não garantirá nenhuma dessas premissas fundamentais e inegociáveis.
A luta pela libertação do povo palestino passa pela luta contra o imperialismo e o Estado terrorista de Israel, pela solidariedade às lutas dos povos árabes. Não é possível apoiar o povo palestino e reconhecer a legitimidade do Estado sionista.
Campanhas como a de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) a empresas, produtos e serviços que financiam o apartheid israelense têm conseguido vitórias importantes em escala mundial. No Brasil, essa também começou. E uma das principais lutas é exigir que o governo brasileiro revogue os vários acordos militares feitos com Israel. É inadmissível que o nosso país compre armas que têm sido usadas para massacrar o povo palestino e permitir que empresas militares israelenses se estabeleçam livremente no território nacional. Da mesma maneira, não podemos admitir a manutenção do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel.
A proposta da OLP está gerando, sim, um fato político importante, com grande impacto internacional. Sinal disso é a declaração de Israel de que poderia reabrir as negociações e rediscutir a proposta de um Estado palestino com base nas fronteiras pré-1967. Contudo, se isso é válido como expediente tático, visando isolar politicamente Israel, considerá-lo como o principal foco da luta pela libertação palestina seria um erro grave.
Qualquer ilusão nesse sentido pode levar a resultados desastrosos. Basta lembramos dos Acordos de Oslo, cujas consequências são claras e vivas ainda hoje.
Por essas razões, não assinamos o manifesto. Porém, sabemos que este é um momento crucial em que mais do que nunca é preciso manter a unidade do povo palestino em torno do objetivo maior que é a libertação do povo palestino, ainda que existam diferenças significativas quanto aos rumos a serem tomados. Pois sabemos que a unidade pressupõe a diversidade de opiniões.
http://www.palestinalivre.org/node/2159
Movimento Palestina para Tod@s (MOP@T)
terça-feira, 23 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Depois de 63 anos, a ONU começa a denunciar os crimes de Israel contra o povo palestino
ONU Brasil
http://www.onu.org.br/palestinos-estao-sendo-forcados-a-deixar-cisjordania-alerta-onu/
Palestinos estão sendo forçados a deixar Cisjordânia, alerta ONU
O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) lançou nesta segunda-feira (01/08) o relatório “Deslocamento e Insegurança na Área C da Cisjordânia”. O documento aponta que medidas aplicadas por autoridades israelenses estão forçando palestinos a deixar a chamada Área C – que corresponde a 60% do território da Cisjordânia e é controlada por Israel.
Segundo o relatório, as regras de zoneamento tornam praticamente impossível para os palestinos obter licenças de construção. Outras imposições incluem a construção de barreiras, redução da renda, demolição de casas e difícil acesso a serviços como educação e abastecimento de água.
“Este padrão de deslocamento, juntamente com as atuais atividades de assentamento, minam as possibilidades das comunidades palestinas manterem sua presença na Área C, e geram preocupações sobre mudanças demográficas e na composição étnica da área”, disse o Coordenador Humanitário da ONU para o Território Palestino Ocupado, Ramesh Rajasingham.
O OCHA pediu ao governo israelense que acabe com os deslocamentos e desapropriações de palestinos no território ocupado – incluindo o fim imediato da demolição de propriedades palestinas – até que eles tenham um acesso justo e não discriminatório ao regime de planejamento e zoneamento.
http://www.onu.org.br/palestinos-estao-sendo-forcados-a-deixar-cisjordania-alerta-onu/
Palestinos estão sendo forçados a deixar Cisjordânia, alerta ONU
O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) lançou nesta segunda-feira (01/08) o relatório “Deslocamento e Insegurança na Área C da Cisjordânia”. O documento aponta que medidas aplicadas por autoridades israelenses estão forçando palestinos a deixar a chamada Área C – que corresponde a 60% do território da Cisjordânia e é controlada por Israel.
Segundo o relatório, as regras de zoneamento tornam praticamente impossível para os palestinos obter licenças de construção. Outras imposições incluem a construção de barreiras, redução da renda, demolição de casas e difícil acesso a serviços como educação e abastecimento de água.
“Este padrão de deslocamento, juntamente com as atuais atividades de assentamento, minam as possibilidades das comunidades palestinas manterem sua presença na Área C, e geram preocupações sobre mudanças demográficas e na composição étnica da área”, disse o Coordenador Humanitário da ONU para o Território Palestino Ocupado, Ramesh Rajasingham.
O OCHA pediu ao governo israelense que acabe com os deslocamentos e desapropriações de palestinos no território ocupado – incluindo o fim imediato da demolição de propriedades palestinas – até que eles tenham um acesso justo e não discriminatório ao regime de planejamento e zoneamento.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
A VERDADEIRA HISTÓRIA DO SIONISMO
"A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas"
Stylianos Tsirakis* - Revista Teoria & Debate
Ralph Schoenman foi diretor-executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russel, papel através do qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado. Foi também fundador e diretor da Campanha de Solidariedade ao Vietnã e diretor do Comitê "Quem Matou Kennedy?". Tem sido co-diretor do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos.
T & D - Em seu livro The Hidden History of Zionism (A História Oculta do Sionismo), você descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Nós gostaríamos que você explicasse um pouco seu livro.
Schoenman - O meu trabalho na Fundação Bertrand Russel foi importante por me dar a chance de documentar fatos da formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e européias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objetivos e de vários fatos. Nessas ocasiões, deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, The Hidden History of Zionism, no qual eu abordo o que chamo de os quatro mitos que têm moldado a consciência nos Estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel.
T & D - Quais são esses quatro mitos?
Schoenman - O primeiro mito é o da "terra sem povo para um povo sem terra". Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram para o mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nômades; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e onde essa população trabalhava.
T & D - Quais os outros três mitos?
Schoenman - O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelense. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático no estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade.
Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelenses ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem nenhuma indenização.
Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina. Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do caráter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista.
A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais.
O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas dos EUA. Mas há uma exceção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais.
O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial?
A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente Médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelense.
O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se "alimentado" da mortandade coletiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazista na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas. Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar o establishment, o status quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários, como o dos mares na Rússia, que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas.
T & D - Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazistas?
Schoenman - Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3.º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3.º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de que o movimento sionista lutou ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã- Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irônico, porque o que o movimento sionista fez, quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada, foi fazer acordos, e colaborar com os nazistas.
*Stylianos Tsirakis é arquiteto. Revista Teoria&Debate nº 5
http://blogdobourdoukan.blogspot.com/
Stylianos Tsirakis* - Revista Teoria & Debate
Ralph Schoenman foi diretor-executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russel, papel através do qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado. Foi também fundador e diretor da Campanha de Solidariedade ao Vietnã e diretor do Comitê "Quem Matou Kennedy?". Tem sido co-diretor do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos.
T & D - Em seu livro The Hidden History of Zionism (A História Oculta do Sionismo), você descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Nós gostaríamos que você explicasse um pouco seu livro.
Schoenman - O meu trabalho na Fundação Bertrand Russel foi importante por me dar a chance de documentar fatos da formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e européias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objetivos e de vários fatos. Nessas ocasiões, deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, The Hidden History of Zionism, no qual eu abordo o que chamo de os quatro mitos que têm moldado a consciência nos Estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel.
T & D - Quais são esses quatro mitos?
Schoenman - O primeiro mito é o da "terra sem povo para um povo sem terra". Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram para o mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nômades; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e onde essa população trabalhava.
T & D - Quais os outros três mitos?
Schoenman - O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelense. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático no estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade.
Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelenses ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem nenhuma indenização.
Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina. Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do caráter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista.
A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais.
O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas dos EUA. Mas há uma exceção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais.
O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial?
A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente Médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelense.
O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se "alimentado" da mortandade coletiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazista na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas. Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar o establishment, o status quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários, como o dos mares na Rússia, que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas.
T & D - Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazistas?
Schoenman - Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3.º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3.º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de que o movimento sionista lutou ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã- Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irônico, porque o que o movimento sionista fez, quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada, foi fazer acordos, e colaborar com os nazistas.
*Stylianos Tsirakis é arquiteto. Revista Teoria&Debate nº 5
http://blogdobourdoukan.blogspot.com/
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Palestinos avançam com passos firmes para pedir adesão à ONU
04 de agosto de 2011 • 13h00 • atualizado às 13h05
Os palestinos descartaram renunciar a sua intenção de pedir em setembro a adesão de um Estado palestino à Organização das Nações Unidas (ONU), apesar de uma recente proposta israelense de retomar as negociações. "O trem palestino vai partir rumo a Nova York", afirmou à AFP na noite de quarta-feira o negociador palestino Saeb Erakat, no início de uma reunião do comitê árabe sobre a gestão palestina na ONU, em Doha.
Erakat minimizou as recentes informações de que Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, estaria disposto a retomar as negociações de paz com base nas fronteiras de 1967, como pediu de maneira solene, em maio, o presidente norte-americano Barack Obama.
"São boatos vindos do gabinete de Netanyahu, que definimos como manobras e um simples ato de relações públicas", justificou.
Na terça-feira, uma autoridade israelense indicara que seu país estaria pronto para retomar as negociações.
"A ideia é que os palestinos renunciem ao seu projeto de agir unilateralmente na ONU", explicou ele, destacando os esforços para "elaborar um plano para que seja possível a retomada das negociações", iniciadas há várias semanas pelos Estados Unidos com o apoio do Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU).
A direção palestina, no entanto, teria muito a perder com a opinião pública caso renuncie na última hora a este projeto ao qual muito se dedicou, consideram analistas.
"Seria um golpe duro", observou Hani al Masri, um especialista em assuntos da Palestina.
De acordo com ele, "Israel teme a iniciativa dos palestinos, uma vez que acredita que a ONU poderia dar a eles o que Israel se nega a dar pelas vias da negociação", justifica.
A abertura atribuída a Netanyahu "tem como único objetivo demover o projeto palestino de se ir a ONU", afirmou por sua vez Ahmad Majdalani, membro do Comitê Executivo da Organização para Liberação da Palestina (OLP), muito cético em relação a vontade do primeiro-ministro israelense de regressar à mesa de negociações.
Netanyahu interveio recentemente para anular um encontro previsto entre Shimon Peres, chefe de Estado israelense, e Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestina. A reunião deveria ser o marco do reinício do processo de paz, acredita Majdalani.
Há vários meses Abbas repete que sua decisão de levar à ONU o pedido de adesão de um Estado com base nas fronteiras de 1967, ou seja, a totalidade da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, não é "uma manobra", mas sim um meio de retomar as negociações com um maior aparato.
"Seria errado pensar que indo à ONU os palestinos buscariam apenas pontos para melhorar sua posição nas negociações", afirmou Majdalani.
As negociações entre Israel e Palestina, brevemente retomadas em setembro de 2010 sob os olhares de Washington, estão estagnadas há dez meses.
Apesar de tanta determinação, Erakat mostra-se evasivo quanto a data do envio do pedido de adesão.
"Temos tempo", justificou, assegurando que o expediente "estaria pronto para ser apresentado antes da reunião da Assembleia Geral da ONU".
Os palestinos descartaram renunciar a sua intenção de pedir em setembro a adesão de um Estado palestino à Organização das Nações Unidas (ONU), apesar de uma recente proposta israelense de retomar as negociações. "O trem palestino vai partir rumo a Nova York", afirmou à AFP na noite de quarta-feira o negociador palestino Saeb Erakat, no início de uma reunião do comitê árabe sobre a gestão palestina na ONU, em Doha.
Erakat minimizou as recentes informações de que Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, estaria disposto a retomar as negociações de paz com base nas fronteiras de 1967, como pediu de maneira solene, em maio, o presidente norte-americano Barack Obama.
"São boatos vindos do gabinete de Netanyahu, que definimos como manobras e um simples ato de relações públicas", justificou.
Na terça-feira, uma autoridade israelense indicara que seu país estaria pronto para retomar as negociações.
"A ideia é que os palestinos renunciem ao seu projeto de agir unilateralmente na ONU", explicou ele, destacando os esforços para "elaborar um plano para que seja possível a retomada das negociações", iniciadas há várias semanas pelos Estados Unidos com o apoio do Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU).
A direção palestina, no entanto, teria muito a perder com a opinião pública caso renuncie na última hora a este projeto ao qual muito se dedicou, consideram analistas.
"Seria um golpe duro", observou Hani al Masri, um especialista em assuntos da Palestina.
De acordo com ele, "Israel teme a iniciativa dos palestinos, uma vez que acredita que a ONU poderia dar a eles o que Israel se nega a dar pelas vias da negociação", justifica.
A abertura atribuída a Netanyahu "tem como único objetivo demover o projeto palestino de se ir a ONU", afirmou por sua vez Ahmad Majdalani, membro do Comitê Executivo da Organização para Liberação da Palestina (OLP), muito cético em relação a vontade do primeiro-ministro israelense de regressar à mesa de negociações.
Netanyahu interveio recentemente para anular um encontro previsto entre Shimon Peres, chefe de Estado israelense, e Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestina. A reunião deveria ser o marco do reinício do processo de paz, acredita Majdalani.
Há vários meses Abbas repete que sua decisão de levar à ONU o pedido de adesão de um Estado com base nas fronteiras de 1967, ou seja, a totalidade da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, não é "uma manobra", mas sim um meio de retomar as negociações com um maior aparato.
"Seria errado pensar que indo à ONU os palestinos buscariam apenas pontos para melhorar sua posição nas negociações", afirmou Majdalani.
As negociações entre Israel e Palestina, brevemente retomadas em setembro de 2010 sob os olhares de Washington, estão estagnadas há dez meses.
Apesar de tanta determinação, Erakat mostra-se evasivo quanto a data do envio do pedido de adesão.
"Temos tempo", justificou, assegurando que o expediente "estaria pronto para ser apresentado antes da reunião da Assembleia Geral da ONU".
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Parlamento de Israel aprova proibição de boicote a colônias
11 de julho de 2011 • 18h27 • atualizado às 19h03
O Parlamento de Israel aprovou nesta segunda-feira uma lei que criminaliza a campanha pelo boicote a instituições e empresas localizadas em assentamentos construídos nos territórios palestinos ocupados.
A lei, apresentada pelo partido governista Likud, obteve o apoio de 47 dos 120 membros do Parlamento; 38 deputados votaram contra e 35 se abstiveram ou se ausentaram do recinto durante a votação.
Os partidos de direita, extrema-direita e religiosos votaram em favor de lei, enquanto os partidos de centro, de esquerda e representantes da população árabe-israelense votaram contra.
De acordo com a nova lei, "aquele que prejudicar o Estado de Israel por intermédio de boicote estará sujeito a pagar indenização e sofrerá restrições a seu direito de participar de licitações públicas".
O autor do projeto, deputado Zeev Elkin, afirmou que Israel "chegou ao absurdo de que muitos dos que convocam o boicote vêm de dentro", em referência a grupos pacifistas israelenses que apoiam o boicote aos assentamentos, como parte do protesto contra a ocupação dos territorios palestinos.
A lei estabelece que "aqueles que se sentirem prejudicados pelo boicote poderão processar os responsáveis e exigir indenização".
Liberdade de expressão
De acordo com a lei, os supostos prejudicados não terão que provar que sofreram danos nem demonstrar a extensão do prejuízo. Não haverá limite ao valor que poderão exigir como indenização, e ONGs que defendem o boicote poderão perder seu direito à isenção de impostos.
A lei não visa o consumidor individual, mas sim grupos ou instituições que exortam ao boicote.
A deputada Zahava Galon, do partido social-democrata Meretz, anunciou que apoia o boicote aos produtos fabricados nos assentamentos e declarou que a lei representa "repressão explicita à liberdade de expressão".
O assessor jurídico do Parlamento, o advogado Eyal Inon, disse que a nova lei está "à beira de ser inconstitucional, ou mais que isso".
Israel não tem uma Constituição, mas possui algumas leis de caráter constitucional, entre elas a lei básica de dignidade e liberdade da pessoa. Segundo Inon, ao afetar a liberdade de expressão, a lei antiboicote estaria contradizendo a lei básica.
No entanto, o procurador-geral da Justiça, Yehuda Weinstein, aprovou a formulação da lei e concordou que ela fosse levada à votação do Parlamento.
A nova legislação tem o apoio do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O ministro das Finanças, Yuval Steinitz, negou que haja violação da liberdade de expressão. "Democracia não significa um grupo derrubar um outro com o poder econômico", disse.
Boicote
Para o veterano pacifista Uri Avnery, "esta é a lei mais draconiana na história de Israel".
Em entrevista ao jornal Haaretz, Avnery, 87 anos, afirmou que a lei "deixa claro que não é Israel que manda nos colonos, mas sim os colonos que mandam em Israel".
O grupo liderado por Avnery, Gush Shalom (Bloco da Paz), foi o primeiro em Israel a fazer campanha pelo boicote aos produtos dos assentamentos e divulga, há mais de dez anos, listas de itens fabricados nessas colônias, pedindo ao público que não os compre.
O boicote é um tema polêmico em Israel e envolve não apenas o debate entre a esquerda e a direita, mas também controvérsias dentro da própria esquerda.
A maioria dos esquerdistas israelenses defende o boicote aos assentamentos, inclusive nos âmbitos econômico e cultural.
Uma minoria defende o boicote ainda mais amplo, a todas as instituições identificadas com o Estado, inclusive instituições academicas, científicas, artísticas e empresas comerciais.
Esse grupo, denominado BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), equipara a situação atual em Israel com a situação que vigorava na África do Sul na época do apartheid.
Segundo o BDS, "a única maneira de terminar com o apartheid israelense contra os palestinos é por intermédio do boicote internacional, da mesma maneira como o mundo boicotou a África do Sul".
O Parlamento de Israel aprovou nesta segunda-feira uma lei que criminaliza a campanha pelo boicote a instituições e empresas localizadas em assentamentos construídos nos territórios palestinos ocupados.
A lei, apresentada pelo partido governista Likud, obteve o apoio de 47 dos 120 membros do Parlamento; 38 deputados votaram contra e 35 se abstiveram ou se ausentaram do recinto durante a votação.
Os partidos de direita, extrema-direita e religiosos votaram em favor de lei, enquanto os partidos de centro, de esquerda e representantes da população árabe-israelense votaram contra.
De acordo com a nova lei, "aquele que prejudicar o Estado de Israel por intermédio de boicote estará sujeito a pagar indenização e sofrerá restrições a seu direito de participar de licitações públicas".
O autor do projeto, deputado Zeev Elkin, afirmou que Israel "chegou ao absurdo de que muitos dos que convocam o boicote vêm de dentro", em referência a grupos pacifistas israelenses que apoiam o boicote aos assentamentos, como parte do protesto contra a ocupação dos territorios palestinos.
A lei estabelece que "aqueles que se sentirem prejudicados pelo boicote poderão processar os responsáveis e exigir indenização".
Liberdade de expressão
De acordo com a lei, os supostos prejudicados não terão que provar que sofreram danos nem demonstrar a extensão do prejuízo. Não haverá limite ao valor que poderão exigir como indenização, e ONGs que defendem o boicote poderão perder seu direito à isenção de impostos.
A lei não visa o consumidor individual, mas sim grupos ou instituições que exortam ao boicote.
A deputada Zahava Galon, do partido social-democrata Meretz, anunciou que apoia o boicote aos produtos fabricados nos assentamentos e declarou que a lei representa "repressão explicita à liberdade de expressão".
O assessor jurídico do Parlamento, o advogado Eyal Inon, disse que a nova lei está "à beira de ser inconstitucional, ou mais que isso".
Israel não tem uma Constituição, mas possui algumas leis de caráter constitucional, entre elas a lei básica de dignidade e liberdade da pessoa. Segundo Inon, ao afetar a liberdade de expressão, a lei antiboicote estaria contradizendo a lei básica.
No entanto, o procurador-geral da Justiça, Yehuda Weinstein, aprovou a formulação da lei e concordou que ela fosse levada à votação do Parlamento.
A nova legislação tem o apoio do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O ministro das Finanças, Yuval Steinitz, negou que haja violação da liberdade de expressão. "Democracia não significa um grupo derrubar um outro com o poder econômico", disse.
Boicote
Para o veterano pacifista Uri Avnery, "esta é a lei mais draconiana na história de Israel".
Em entrevista ao jornal Haaretz, Avnery, 87 anos, afirmou que a lei "deixa claro que não é Israel que manda nos colonos, mas sim os colonos que mandam em Israel".
O grupo liderado por Avnery, Gush Shalom (Bloco da Paz), foi o primeiro em Israel a fazer campanha pelo boicote aos produtos dos assentamentos e divulga, há mais de dez anos, listas de itens fabricados nessas colônias, pedindo ao público que não os compre.
O boicote é um tema polêmico em Israel e envolve não apenas o debate entre a esquerda e a direita, mas também controvérsias dentro da própria esquerda.
A maioria dos esquerdistas israelenses defende o boicote aos assentamentos, inclusive nos âmbitos econômico e cultural.
Uma minoria defende o boicote ainda mais amplo, a todas as instituições identificadas com o Estado, inclusive instituições academicas, científicas, artísticas e empresas comerciais.
Esse grupo, denominado BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), equipara a situação atual em Israel com a situação que vigorava na África do Sul na época do apartheid.
Segundo o BDS, "a única maneira de terminar com o apartheid israelense contra os palestinos é por intermédio do boicote internacional, da mesma maneira como o mundo boicotou a África do Sul".
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Parlamento israelense debate lei que proibirá boicote a colônias
11 de julho de 2011 • 06h13 • atualizado às 06h51
O Parlamento israelense (Knesset) debaterá nesta segunda-feira uma lei que imporá multas a quem promover boicote econômico, cultural ou acadêmico às colônias judias em território palestino, seus moradores ou seus produtos, o que provocou a ira entre muitas ONGs israelenses.
A iniciativa deveria ser votada hoje, mas poderia ser adiada a pedido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, para que a aprovação da controvertida norma não coincida com a reunião do Quarteto para a Paz no Oriente Médio (EUA, Rússia, ONU e UE), que estudará em Washington as possibilidades de lançar uma nova iniciativa de paz para o Oriente Médio.
Espera-se que o assessor legal da Knesset, Eyal Yinon, torne pública hoje sua opinião sobre a proposta legislativa, que considera poder violar o direito à liberdade de expressão e o direito a protestar, informa o jornal israelense Haaretz.
A maior parte dos partidos que formam a coalizão de governo mostrou seu apoio à iniciativa, proposta pelo deputado Zeev Elkin, do direitista Likud, que não terá os votos da oposição.
Um grupo de intelectuais israelenses, entre os quais se encontra o reputado escritor Amós Oz, enviou uma carta a vários legisladores pedindo sua oposição à "lei do boicote", ao considerar que "os assentamentos estão fora das fronteiras do Estado de Israel e, portanto, são ilegais
O Parlamento israelense (Knesset) debaterá nesta segunda-feira uma lei que imporá multas a quem promover boicote econômico, cultural ou acadêmico às colônias judias em território palestino, seus moradores ou seus produtos, o que provocou a ira entre muitas ONGs israelenses.
A iniciativa deveria ser votada hoje, mas poderia ser adiada a pedido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, para que a aprovação da controvertida norma não coincida com a reunião do Quarteto para a Paz no Oriente Médio (EUA, Rússia, ONU e UE), que estudará em Washington as possibilidades de lançar uma nova iniciativa de paz para o Oriente Médio.
Espera-se que o assessor legal da Knesset, Eyal Yinon, torne pública hoje sua opinião sobre a proposta legislativa, que considera poder violar o direito à liberdade de expressão e o direito a protestar, informa o jornal israelense Haaretz.
A maior parte dos partidos que formam a coalizão de governo mostrou seu apoio à iniciativa, proposta pelo deputado Zeev Elkin, do direitista Likud, que não terá os votos da oposição.
Um grupo de intelectuais israelenses, entre os quais se encontra o reputado escritor Amós Oz, enviou uma carta a vários legisladores pedindo sua oposição à "lei do boicote", ao considerar que "os assentamentos estão fora das fronteiras do Estado de Israel e, portanto, são ilegais
sábado, 9 de julho de 2011
Israel prende 124 ativistas pró-palestinos dos EUA e da Europa
Militantes de diferentes países pretendiam participar de atos em solidariedade aos palestinos.
09 de julho de 2011 12h 24
A policia de Israel prendeu 124 ativistas europeus e americanos, que desembarcaram no aeroporto internacional do país, com o objetivo de viajar à Cisjordânia para participar de atos de solidariedade com os palestinos.
Os ativistas - 76 mulheres e 38 homens - da França, Holanda, Espanha, EUA, Bélgica e Bulgária, foram detidos imediatamente após desembarcarem no Aeroporto Ben Gurion e, depois de serem interrogados, foram transferidos para diversas prisões onde deverão aguardar a deportação.
De acordo com os ativistas seu plano original era participar de um programa chamado "Bem-vindos à Palestina", organizado por grupos europeus e palestinos.
Entre os participantes, o principal é o Movimento de Solidariedade Internacional, fundado há dez anos, que costuma enviar ativistas para a Cisjordânia, para participar de diversos tipos de atividades, inclusive manifestações contra a ocupação israelense e de auxilio a agricultores palestinos na colheita anual de azeitonas.
O ministro da Segurança Interna de Israel, Itzhak Aharonovitz, utilizou o termo ''hooligans'', que significa arruaceiros em inglês e é normalmente relacionado a atos de vandalismo cometidos por torcedores de futebol, para qualificar os ativistas.
'Lista negra'
Além dos ativistas detidos em Israel, cerca de 200 participantes foram barrados em diversos aeroportos europeus, pelas próprias companhias aéreas, depois que receberam uma "lista negra" de Israel.
As autoridades israelenses informaram as companhias aéreas que não permitiriam a entrada dos passageiros listados e que as empresas teriam que arcar com as despesas de deportação.
De acordo com o primeiro ministro israelense, Binyamin Netanyahu, os ativistas poderiam "perturbar a ordem pública".
A representante da Autoridade Palestina junto à União Europeia, Laila Shahid, condenou os países europeus e as companhias aéreas, que, segundo ela , "obedeceram a decisão de Israel de colocar cidadãos europeus em listas negras".
"Ninguém sabe em que se baseiam essas listas, nem que crimes essas pessoas cometeram, exceto tentar manifestar solidariedade", afirmou a representante palestina.
O site israelense Ynet cita um porta-voz da policia alemã dizendo que "se um passageiro tem um passaporte válido e uma passagem, não há base para impedi-lo de embarcar".
No entanto, o porta-voz da Swiss Air, companhia aérea suíça, afirmou que segundo o regulamento da Organização Internacional de Aviação Civil "se um país informa a companhia aérea que a entrada de um indivíduo será barrada, essa pessoa não terá permissão para embarcar".
Ativistas que foram barrados na Europa anunciaram que pretendem processar as companhias aéreas e denunciaram o que chamaram de "cumplicidade" das empresas com Israel.
Segundo o jornal Haaretz, companhias aéreas que deverão transportar os ativistas presos em Israel disseram que não será fácil encontrar lugar nos aviões para eles, pois esta época do ano é de alta estação e todos os voos para a Europa estão lotados. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
09 de julho de 2011 12h 24
A policia de Israel prendeu 124 ativistas europeus e americanos, que desembarcaram no aeroporto internacional do país, com o objetivo de viajar à Cisjordânia para participar de atos de solidariedade com os palestinos.
Os ativistas - 76 mulheres e 38 homens - da França, Holanda, Espanha, EUA, Bélgica e Bulgária, foram detidos imediatamente após desembarcarem no Aeroporto Ben Gurion e, depois de serem interrogados, foram transferidos para diversas prisões onde deverão aguardar a deportação.
De acordo com os ativistas seu plano original era participar de um programa chamado "Bem-vindos à Palestina", organizado por grupos europeus e palestinos.
Entre os participantes, o principal é o Movimento de Solidariedade Internacional, fundado há dez anos, que costuma enviar ativistas para a Cisjordânia, para participar de diversos tipos de atividades, inclusive manifestações contra a ocupação israelense e de auxilio a agricultores palestinos na colheita anual de azeitonas.
O ministro da Segurança Interna de Israel, Itzhak Aharonovitz, utilizou o termo ''hooligans'', que significa arruaceiros em inglês e é normalmente relacionado a atos de vandalismo cometidos por torcedores de futebol, para qualificar os ativistas.
'Lista negra'
Além dos ativistas detidos em Israel, cerca de 200 participantes foram barrados em diversos aeroportos europeus, pelas próprias companhias aéreas, depois que receberam uma "lista negra" de Israel.
As autoridades israelenses informaram as companhias aéreas que não permitiriam a entrada dos passageiros listados e que as empresas teriam que arcar com as despesas de deportação.
De acordo com o primeiro ministro israelense, Binyamin Netanyahu, os ativistas poderiam "perturbar a ordem pública".
A representante da Autoridade Palestina junto à União Europeia, Laila Shahid, condenou os países europeus e as companhias aéreas, que, segundo ela , "obedeceram a decisão de Israel de colocar cidadãos europeus em listas negras".
"Ninguém sabe em que se baseiam essas listas, nem que crimes essas pessoas cometeram, exceto tentar manifestar solidariedade", afirmou a representante palestina.
O site israelense Ynet cita um porta-voz da policia alemã dizendo que "se um passageiro tem um passaporte válido e uma passagem, não há base para impedi-lo de embarcar".
No entanto, o porta-voz da Swiss Air, companhia aérea suíça, afirmou que segundo o regulamento da Organização Internacional de Aviação Civil "se um país informa a companhia aérea que a entrada de um indivíduo será barrada, essa pessoa não terá permissão para embarcar".
Ativistas que foram barrados na Europa anunciaram que pretendem processar as companhias aéreas e denunciaram o que chamaram de "cumplicidade" das empresas com Israel.
Segundo o jornal Haaretz, companhias aéreas que deverão transportar os ativistas presos em Israel disseram que não será fácil encontrar lugar nos aviões para eles, pois esta época do ano é de alta estação e todos os voos para a Europa estão lotados. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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