quarta-feira, 29 de junho de 2011
Barco de ajuda a Gaza responde ao governo Obama
Atenas, 24/6/2011 – Os ativistas pacifistas norte-americanos que se preparam para partir levando mensagem de solidariedade ao povo de Gaza a bordo do barco de bandeira norte-americana “A Audácia da Esperança” [título de livro de Obama] manifestaram profundo desapontamento, depois de ‘alerta’ emitido pelo Departamento de Estado dos EUA no dia 22/6/2011.
Em vez de escrever ao governo de Israel, exigindo livre passagem para um barco que conduz cidadãos norte-americanos desarmados com ajuda humanitária aos palestinos, o governo dos EUA pressiona seus próprios cidadãos para que não empreendam movimento legal que livremente decidiram empreender.
Na 4ª-feira, o departamento de Estado emitiu um “alerta de viagem” dirigido a cidadãos norte-americanos que planejem participar da Flotilha de Liberdade para Gaza. O documento aconselha os cidadãos norte-americanos a não viajar para Gaza por qualquer meio, por terra, mar ou ar, “considerando que em tentativas anteriores de entrar em Gaza por mar, os barcos foram impedidos por comandos israelenses, ação que resultou em mortos e feridos, além de prisão e deportação de cidadãos dos EUA.”
“Pelos termos do documentos, conclui-se que o Departamento de Estado entende que os atos de violência previsíveis de Israel contra manifestantes desarmados seriam eventos tão naturalmente previsíveis quanto maremotos ou tempestades” disse Hagit Borer, professora de Linguística da Universidade Southern California e passageira do barco norte-americano. “É atitude espantosa, vinda de governo que garante a Israel bilhões de dólares em ajuda militar e usa rotineiramente seu poder de veto para impedir que o governo de Israel seja censurado pelo Conselho de Segurança da ONU, pela prática de crime de ocupação ilegal de terras palestinas.”
Os passageiros do barco norte-americano observam que o Departamento de Estado tem o dever legal de proteger os cidadãos, sempre que viagem ao exterior. "Até hoje, os funcionários do governo dos EUA falharam sempre que se tratou de impedir que autoridades israelenses nos atacassem fisicamente” – disse Robert Naiman, diretor político da organização Just Foreign Policy, outro passageiro do barco para Gaza. “É claro que o Departamento de Estado deveria manifestar-se contra quem nos ameaça, em vez de tentar impedir que nós viajemos. É terrivelmente decepcionante constatar que não fazem o que devem fazer.”
A seguir, o texto da carta que os passageiros do barco “A Audácia da Esperança” enviaram, dia 14 de junho, ao presidente Obama, à secretária de Estado Hilary Clinton e a outras autoridades. Ainda não receberam resposta.
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14 de junho de 2011
Senhor Presidente
Casa Branca
1600 Pennsylvania Avenue NW, Washington, DC 20500
Senhor Presidente Obama:
Escrevemos para informar-lhe que 50 norte-americanos desarmados partirão nos próximos dias em barco sob bandeira dos EUA, que batizamos “A Audácia da Esperança”, e que integrará mais uma Flotilha da Paz rumo a Gaza.
Nossa manifestação pacífica fará pressão contra o bloqueio de Israel a Gaza, que já é, de fato, campo de prisioneiros no qual Israel mantém aprisionados 1,6 milhão de civis, a maioria dos quais com menos de 16 anos. O bloqueio israelense reduziu à miséria a população de Gaza, privou os palestinos de Gaza de itens básicos de sobrevivência e de materiais de construção para reconstruir as casas que o exército israelense destruiu no ataque de 2008-9; continua a impedir que os doentes e deficientes físicos encontrem socorro médico; e impede que estudantes já contemplados com bolsas de estudos ausentem-se de Gaza para estudar. Em Gaza, 45% da população em idade de trabalhar está desempregada.
Além de 10 passageiros, 5 tripulantes e 10 jornalistas, nosso barco leva também milhares de cartas de solidariedade, apoio e amizade reunidas em todos os EUA e endereçadas aos homens, mulheres e crianças de Gaza. Não temos a bordo nenhum tipo de arma. Não levamos a bordo nenhum produto comercial a ser entregue em Gaza. A nossa, é missão da sociedade civil dos EUA, dirigida à sociedade civil de Gaza. Não somos grupo partidário nem temos qualquer ligação com governo ou grupo de opinião. Nossa ação é ação não violenta, de solidariedade humana e de apoio ao povo palestino de Gaza, para ajudá-los a defender seus direitos humanos.
Na honrada tradição de ativismo não violento da sociedade norte-americana, que sempre se ergueu em manifestações pacíficas contra a injustiça, viajaremos a Gaza com a esperança de que nossa viagem prove ao povo de Gaza que não estão sós. Nossa viagem visa também a chamar a atenção dos EUA e do mundo para o castigo coletivo, moral e legalmente indefensável, que Israel impõe, em Gaza, a civis.
Sr. Presidente, o senhor com certeza já sabe que o bloqueio contra Gaza é insustentável. E seu governo já várias vezes manifestou apoio a manifestações pacíficas ao longo dessa “Primavera Árabe”.
Como cidadãos dos EUA, esperamos que nosso país e seu governo se empenhem para assegurar livre passagem para os barcos da Flotilha da Paz até Gaza. Contamos também com que nosso país apoiará nosso clamor, de caráter humanitário, para que o bloqueio israelense contra Gaza seja imediatamente levantado.
Para tanto, é preciso que o governo dos EUA notifique Israel, em termos claros, de que não deve impedir pela força que a nova Flotilha da Paz – à qual se integrou nosso barco “A Audácia da Esperança” – chegue a Gaza. É o que nós, que estaremos a bordo desse barco – engenheiros, pedreiros, bombeiros, advogados, trabalhadores sociais, aposentados, sobreviventes do Holocausto, funcionários públicos aposentados – esperamos de nosso presidente e do governo que ajudamos a eleger.
Nosso barco partirá do leste do Mediterrâneo na última semana de junho. Agradecemos desde já suas providências, para proteger nossas vidas e nos assegurar livre trânsito por mar até Gaza.
Atenciosamente,
Norte-americanos a bordo do barco “A Audácia da Esperança”, de bandeira norte-americana: Nic Abramson, Johnny Barber, Medea Benjamin, Greta Berlin, Hagit Borer, Regina Carey, Gale Courey Toensing, Erin DeRamus, Linda Durham, Debra Ellis, Hedy Epstein, Steve Fake, Ridgely Fuller, Megan Horan,Kathy Kelly, Kit Kittredge, Libor Koznar, Melissa Lane, G. Kaleo Larson, Richard Levy, Richard Lopez, Ken Mayers, Ray McGovern, Gail Miller, Carol Murry, Robert Naiman, Henry Norr, Ann Petter, Gabe Schivone, Kathy Sheetz, Max Suchan, Brad Taylor, Len Tsou, Alice Walker, Paki Wieland, Ann Wright.
Cc:
Sr. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU
Sra. Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA
Sr. Jeffrey Feltman, secretário de Estado (assistente) dos EUA
Sra. Susan E. Rice, representante permanente dos EUA na ONU
Sr. James B. Cunningham, embaixador dos EUA em Israel (e outros)
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Israel reprime e prepara ataque à flotilha
ByCaue Seigne Ameni
– 17 de junho de 2011
Cada vez mais isolado, governo de Telaviv amplia ataques a palestinos e endurece contra 1500 pacifistas de todo o mundo, que chegarão a Gaza no final do mês.
Na Prensa Latina
Forças militares de Israel irromperam hoje em várias localidades da Cisjordânia ocupada e prenderam residentes palestinos, coincidindo com a aprovação de uma polêmica lei sobre prisioneiros e ameaças contra uma flotilha humanitária. Efetivos do Exército de ocupação e da polícia entraram usando a força em Issawiya, um povoado de Jerusalém Leste, e revistaram moradias palestinas, danificando pertences de seus moradores.
Ativistas palestinos denunciaram que os militares também atacaram duas casas na aldeia Husan, situada ao oeste da cidade cisjordana de Belém, e destruíram o mobiliário.
Outros abusos da polícia israelense foram constatados em distritos da aldeia Al-Shawawra, ao leste de Belém, mas se ignoram os detalhes.
O jornal The Jerusalem Post, por sua vez, informou que militares israelenses prenderam nesta quinta-feira em sua casa de Kfar Surif, ao norte de Hebrón, Samir Qadi, deputado palestino filiado ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza.
Qadi esteve encarcerado em Israel de 2006 a 2009 ao ser preso durante uma onda repressiva e de detenções praticada depois da captura do soldado Gilad Shalit por um comando islamista na fronteira de Gaza.
A detenção de Qadi ocorreu após a aprovação, ontem à noite no parlamento israelense (Knesset), de uma lei que permitirá que os chamados prisioneiros de segurança (termo usado para cidadãos árabes considerados perigosos) sejam devolvidos a prisão sem julgamento prévio.
Dita normativa proposta pelo político Danny Danon, pertencente ao direitista partido Likud (no poder), busca impedir que os presos palestinos retomem algum tipo de atividade política quando forem libertos como parte de uma troca de prisioneiros.
O exército de Israel, por outro lado, recebeu “instruções claras” de impedir qualquer violação de seu bloqueio marítimo a Gaza e elevou a preparação militar e o alerta depois do anúncio de que uma flotilha com ajuda humanitária chegará ao território no final deste mês.
A respeito, as forças navais realizaram ontem exercícios militares para frustrar o acesso à costa da Faixa pela chamada Flotilha da Liberdade 2, em tributo a uma interceptada com brutalidade por Israel em maio de 2010, quando morreram nove pessoas.
O gesto solidário com os palestinos será protagonizado por mais de 1.500 pacifistas de diferentes nacionalidades dispostos a furar o cerco naval e terrestre imposto a Gaza desde junho de 2006 e intensificado um ano depois.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
44 anos de ocupação violenta
Fotos: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.196952857017799.49534.100001092593499&l=f526fd1df6
Duas pessoas feridas, incluindo um repórter, e várias sufocadas na manifestação contra o muro e a ocupação realizada nesta sexta-feira na vila de Bil’in, Palestina. A manifestação rememorou os 44 anos da Naksa
Bil'in, Ramallah, 3/6/2011.
Duas pessoas ficaram feridas em consequência de asfixia grave causada pelas bombas de gás, de composição química nova e desconhecida, nos confrontos entre ativistas desarmados e o exército sionista.
À manifestação, convocada pelo Comitê Popular Contra o Muro e a Ocupação de Bil’in, compareceram moradores da vila e numerosos pacifistas de Israel, do Brasil e de outras partes do mundo.
Carregávamos bandeiras da Palestina, fotos de presos políticos palestinos e banners amarelos com a imagem do líder Marwan Barghouti. Marchamos pelas ruas de Bil’in repetindo palavras de ordem contra o muro e a ocupação, em árabe e em inglês, clamando pela unidade de todos, confirmando a necessidade de divulgação da resistência do povo palestino, exigindo a soltura de todos os presos políticos e liberdade para a Palestina.
Fomos até o muro, onde o exército sionista de ocupação já nos esperava. Os soldados montaram um posto de controle perto do portão oeste do muro, enquanto outros posicionavam-se ao longo do muro, juntamente com o caminhão-tanque carregado de água química. À medida que nos aproximávamos da cerca, o exército atirava bombas sonoras, balas de metal emborrachado e bombas de gás. O caminhão-tanque jogava a água química, afastando muitos manifestantes. Bombas e canisters (cilindros de metal cheios de gás) vinham de todas as direções, encurralando-nos. Uma bomba atingiu o jornalista Khaled Sabarneh, 42, da televisão iraniana. Joseph Issa Abu Rahma, 41, teve severas dificuldades respiratórias e houve vários casos de asfixia, atendidos pelos paramédicos. As bombas também atingiram as áreas próximas ao muro, cheias de oliveiras, e provocaram fogo em alguns pontos.
Os Moradores Contra o Muro e a Ocupação de Bil'in convidam os palestinos locais e da Diáspora a participar das atividades do 44o. aniversário da Naksa [a ocupação provocada pela Guerra dos Seis Dias, de 1967], na Cisjordânia, na Faixa de Gaza, no front palestino das fronteiras, nas capitais árabes e de outras partes do mundo, a fim de confirmar a adesão ao direito de retorno, ao fim da ocupação, ao estabelecimento do Estado palestino independente e soberano com capital em Jerusalém. Esses são os objetivos pelos quais vêm lutando, há 63 anos, os palestinos, a população árabe e internacional.
Comitê Popular Contra o Muro e a Ocupação de Bil'in
44 years of violent occupation
Two persons injured, including a reporter, and dozens deeply suffocated in the demonstration against the wall and the 44 years of occupation
Bil'in, Ramallah, 3/6/2011. Two citizens were injured as a result of severe asphyxia caused by the heavy tear gas in the clashes that took place in the village of Bil'in on this Friday.
To the demonstration, called by the Popular Committee Against the Wall in Bil'in, came village people along with dozens of peace activists, Israelis and foreigners in solidarity. People held Palestinian flags, said slogans and marked the 10th anniversary of the martyrdom of the brother of Jerusalem, Faisal Husseini, and pictures of martyrs in the Israelian jails, and Abo Rahma, and yellow banners with pictures of the leader Marwan Barghouti.
The demonstrators walked on village streets singing national slogans, calling for unity, confirming the need for a resounding Palestinian resistance, asking the release of all prisoners and freedom for Palestine.
The activists walked towards the wall, where the military force of occupation were waiting. There were a “checkpoint” with soldiers near the gate of the western side of the wall. A large number of soldiers deployed on the route of the wall, and the skank truck sprayed water mixed with chemicals. As the demonstrators transit towards the wall, the army fired sound bombs, rubber-coated metal bullets and tear gas. The truck sprayed protestors with chemical water. Bombs ans canisters were throwed to all directions and one of them injuried the journalist Khaled Sabarneh (42 year), Iranian television reporter. Joseph Issa Abu Rahma (41 year) had severe difficulty in breathing, and there were dozens of cases of suffocation. The bombs burned the areas adjacent to the wall, planted with olive trees.
People Against the Wall from Bil'in invite all the sons of our Palestine and the Diaspora to participate in the activities of the 44th anniversary of the Naksa [the 6 Days War occupation, 1967] in West Bank and Gaza Strip, at the Palestinian front on the borders, and in Arab and foreigner capitals, to confirm our adherence to the right of return, the end of the occupation, the establishment of an independent Palestinian state with its capital in Jerusalem. Those are the issues for which Palestinian-Arab-international people have been fighted along all those 63 years.
Popular Committee Against the Wall and the Occupation from Bil'in
أهالي بلعين يحيون ذكرى النكسة ال 44
إصابة مواطنين بجروح بينهم صحفي والعشرات بالاختناق الشديد في المسيرة الاسبوعية
3/6/2011
بلعين- رام الله: إصابة مواطنين بجروح والعشرات بحالات الاختناق الشديد نتيجة استنشاقهم للغاز المسيل للدموع جراء المواجهات التي جرت في قرية بلعين إلى جانب نشطاء سلام ومتضامنين أجانب، اثر قمع قوات الاحتلال الإسرائيلي للمسيرة الاسبوعية المناهضة للجدار والاستيطان في قرية بلعين، إحياء لذكرى النكسة ال44.
وشارك في المسيرة التي دعت إليها اللجنة الشعبية لمقاومة الجدار والاستيطان في بلعين، أهالي قرية بلعين، إلى جانب العشرات من نشطاء سلام إسرائيليين ومتضامنين أجانب.
ورفع المشاركون الأعلام الفلسطينية، وشعارات تحيي الذكرى العاشرة لاستشهاد قائد المقاومة الشعبية ابن القدس الأخ فيصل الحسيني، وصور الشهيدين جواهر وباسم أبورحمة، ورايات صفراء عليها صور القائد النائب مروان البرغوثي.
وجاب المتظاهرون شوارع القرية وهم يرددون الهتافات الوطنية، الداعية إلى الوحدة، المؤكدة على ضرورة التمسك بالثوابت الفلسطينية، ومقاومة الاحتلال وإطلاق سراح جميع الأسرى، والحرية لفلسطين.
وتوجهت المسيرة نحو الجدار، حيث كانت قوة عسكرية من جيش الاحتلال الإسرائيلي قد عملوا حاجز بشري من الجنود بالقرب بوابة الجدار من الجهة الغربية من الجدار، وعدد كبير من الجنود منتشرين على مسار الجدار، وسيارة كبيرة لرش المتظاهرين بالمياه العادمة النتنة الممزوجة بالمواد الكيماوية الممزوجة باللون الازرق، وعند محاولة المتظاهرين العبور نحو الجدار ، قام الجيش بإطلاق قنابل الصوت والرصاص المعدني المغلف بالمطاط والقنابل الغازية ، ورش المتظاهرين بالمياه العادمة النتنة الممزوجة بالمواد الكيماوية ، نحوهم من جميع الاتجاهات، مما أدى إصابة الصحفي خالد صبارنة (42 عام) مراسل التلفزيون الإيراني بقنبلة غازية بالرجل، ويوسف عيسى أبو رحمة (41عام) باختناق شديد، والعشرات بحالات الاختناق والتقي الشديدين، وحرق مساحات محاذية للجدار مزروعة بأشجار الزيتون.
ودعت اللجنة الشعبية لمقاومة الجدار والاستيطان في بلعين جميع أبناء شعبنا الفلسطيني في الوطن والشتات إلى المشاركة في فعاليات الذكرى الـ44 للنكسة، وخاصة الفعاليات المركزية في الضفة الغربية وقطاع غزة وفي الداخل الفلسطيني وعلى الحدود مع فلسطين التاريخية والعواصم العربية والأجنبية، للتأكيد على تمسكنا بحق العودة، والتأكيد على أن قضية اللاجئين هي قضية فلسطينية عربية دولية، والمطالبة بإنهاء الاحتلال وإقامة الدولة الفلسطينية المستقلة وعاصمتها القدس الشريف.
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sábado, 28 de maio de 2011
Israel após 63 anos
por Abdel Latif Hasan Abdel Latif
médico palestino
Em 15 de maio último, Israel completou 63 anos.
Aparentemente, há muitos motivos para comemorar.
Nas ruínas da Palestina plural, engendrada ao longo de milhares de anos, pela mistura e encontro de povos, os sionistas criaram seu singular Estado exclusivamente judeu.
Após limpeza étnica e genocídio contra os nativos daquela Terra, sobraram poucos palestinos em Israel. São tratados como estrangeiros e cidadãos de terceira categoria dentro de sua própria pátria. Vivem ameaçados de expulsão a qualquer hora.
Os palestinos nos territórios ocupados em 1967 vivem em bantustões, guetos e campos de prisioneiros, controlados por Israel.
O resto dos palestinos, que vivem nos miseráveis campos de refugiados nos países vizinhos, são problema criado pelos judeus, mas a ser resolvido pelos árabes, conforme apologia sionista.
Após 63 anos, os palestinos não representam de fato uma ameaça real para o Estado Judeu, pelo menos a curto prazo. Por que então não há comemoração em Israel?
É verdade que o processo de paz entre árabes e israelenses está paralisado. Mas isso não deveria causar maiores preocupações para Israel, porque quando as negociações retornarem, a chamada comunidade internacional se submeteria novamente à posição israelense, resumida a seguir.
A paz na região significa a segurança absoluta do Estado judeu e rendição árabe, mesmo quando essa alegada segurança significa negar o direito básico dos palestinos e árabes em geral e violar o Direito Internacional.
A segurança de Israel é uma constante imutável da política americana e européia em geral. Todos os presidentes americanos e líderes europeus, antes de mencionar paz, justiça, Deus ou qualquer outro assunto, lembram de seu compromisso inabalável com a segurança e futuro do Estado Judeu.
É inimaginável alguém no mundo perguntar por que um Estado rico e armado até os dentes, com todo seu arsenal nuclear e potência financeira mundial, necessita de garantias internacionais para sua segurança, enquanto os palestinos, miseráveis, expulsos da sua terra, massacrados, presos em guetos e campos, não merecem ao menos o mesmo tratamento, ou pelo menos terem mencionados seus anseios em relação a sua segurança e seu futuro?
Por que tentar responder essas perguntas, se é Israel quem controla os governos americanos, independentemente de quem ocupa a Casa Branca, como declarou o então primeiro ministro Israel Sharon?
Por que então não comemorar?
Os sionistas criaram o Estado mais potente no Oriente Médio, capaz de enfrentar todos os países árabes juntos. Recebe apoio político incondicional de seu patrocinador e servo americano, além da mais do que generosa ajuda financeira, que ultrapassa os 3 bilhões de dólares anuais, fora das doações das comunidades judaicas ao redor do mundo.
Israel, apesar de tudo o que fez e está fazendo, continua sendo tratado como parte da civilização ocidental, goza de impunidade total, apesar de seus crimes contra os palestinos e vizinhos árabes e desrespeito ao Direito internacional em relação a vários países, inclusive Estados Unidos, Argentina, Itália, Rússia etc.
Os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade deixam de ser crimes, se praticados por Israel.
Nenhum país no mundo desrespeitou e viola de forma sistêmica e intencional as leis e resoluções internacionais, como faz Israel, sem ser punido sequer uma vez.
O mundo que se auto-proclama civilizado adotou novos conceitos em relação a Israel: massacrar crianças árabes é ato de auto-defesa; campos de concentração para palestinos em Gaza e Cisjordânia são Estado palestino; negar os direitos básicos dos palestinos a um Estado livre e independente é garantia de segurança para Israel; discriminação contra os não judeus em Israel é necessário para manter o caráter judaico do Estado; ter lei de retorno de dois mil anos a judeus e negar o direito dos palestinos expulsos desde 1948 a retornar é essência do Estado judeu; “democracia” que exclui uma significativa parte da população (os não judeus) é “democracia” etc
O Ocidente, hipócrita e não totalmente redimido de seu passado colonialista, não apenas aceita e defende essas distorções e anomalias, mas exigem que os palestinos e árabes devem se submeter a elas.
Após 63 anos, não há comemorações em Israel e não poderia ser diferente. Um Estado projetado, construído e mantido com princípios racistas, no século XX e nesse início do século XXI, não apenas enfrenta as sombras do passado e presente criminosos, como também as incertezas de seu futuro.
Questões como cidadania, nacionalidade, quem é judeu, relação com os palestinos “cidadãos” do Estado judeu e palestinos em geral, a relação de Israel com seus vizinhos árabes, aceitar ou não um Estado Palestino, os refugiados, as fronteiras indefinidas, Constituição inexistente e muitas outras questões não podem ser ignoradas por muito tempo.
A resposta sionista a todas essas questões é simples: construir o maior gueto de todos os tempos. A espada e a muralha de aço são as únicas respostas que os sionistas apresentam.
Os sionistas nada aprenderam dos sábios judeus não sionistas. Aquele que mata com espada, com espada morrerá.
Israel é um projeto colonialista inacabado. Suas vítimas estão vivas e determinadas a viver e corrigir a injustiça histórica cometida contra o povo palestino e sua pátria.
Os milhões massacrados, destinados a serem esquecidos, estão batendo às portas da Palestina.
As casas palestinas, historicamente, tinham janelas olhando para o céu e portas sempre abertas.
Os muros não fazem parte da paisagem palestina.
É uma questão de tempo para os verdadeiros donos do espaço e tempo palestinos devolverem à Palestina sua verdadeira essência: terra de todas as religiões e todos os profetas, terra livre para homens livres!
Palestina livre!
Viva a Intifada! Resitência até a vitória!
Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
"Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana"
www.vivapalestina.com.br
www.palestinalivre.org
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Retrato fiel da brutal intervenção sionista no cotidiano dos palestinos, em sua própria terra
O horizonte é amplo, as oliveiras floridíssimas anunciam colheita farta, nespereiras e tamareiras estão carregadas, flores surgem por todo canto, até entre as pedras das montanhas. Tudo aqui tem tanta beleza, tanta vida, que a gente até esquece que a Palestina está sob a brutal ocupação sionista. A paisagem ajuda a recompor a vida, sob pressão as 24 horas do dia. Um passeio mais longo, porém, mostra a tragédia, a Nakba palestina. Cidades bloqueadas por muros e cercas eletrificadas, com rolos e rolos de um arame de farpas grossas e cortantes impedindo o acesso da população a sua própria terra. Torres altas de ferro e de cimento com câmeras para vigiar cada movimento, cada expressão, cada detalhe da vida privada, a fim de subjugá-la ao olhar militar. É insuportável. Mas os palestinos resistem.
As casas palestinas acompanham a topografia dos montes e o que a Natureza colocou neles. As colônias israelenses rasgam o topo das montanhas, movimentam e tiram terra, arrancam oliveiras. E ainda por cima erguem muros altos ao redor das casas, e cercas eletrificadas sobre os muros, e câmeras de alta sensibilidade, e milícias. Tudo isso contra quem? Um povo pacífico e desarmado? O sionismo criou a militarização da vida. Inventou o mito da insegurança constante para, "por razões de segurança", confiscar as terras palestinas. E destruir o ambiente de um país que sempre o respeitou.
E que terras eles confiscam? As agriculturáveis. As que têm poços e aquíferos. Controlam a água, racionada para os palestinos, livre para os israelenses. Por isso, você reconhece uma casa palestina logo: ela tem caixas d'água pretas no telhado. As israelenses não precisam armazenar o líquido, que flui para elas o dia inteiro. Água roubada aos palestinos. A aldeia de Bourin, por exemplo -- o nome, em árabe antigo, significa "três fontes" -- foi cercada por três colônias israelenses ilegalmente construídas em território palestino. A água de Bourin, roubada por Israel, vai para as colônias -- Itamar, Breka e Yitzhar --, que abrigam inclusive criminosos. Esses colonos atacam os palestinos com frequência. Sem nenhum motivo. Movidos pelo ódio que guardam no coração e que os sionistas insuflam o tempo todo, com sua retórica de "povo escolhido" e sua propaganda que distorce fatos e história.
Depois de Bourin, vemos caminhões e carros dando meia-volta em plena estrada Ramallah-Nablus. Mais à frente, colonos atiram pedras nos veículos. Melhor voltar do que se arriscar a ter a lataria amassada, um vidro quebrado, o rosto ferido, o crânio machucado. Seguimos para Nablus por uma rota alternativa.
Construída sobre sete colinas, Nablus tem igreja, mesquita e sinagoga. Os hebreus mais antigos, palestinos, moram ali, na cidade agroindustrial que produz alumínio, sabão, móveis, doces. E pedras, explorando e destruindo os belos montes de rocha branca.
Nosso destino inicial é Tullkarm, onde nos aguarda o governador Talal Dwekat e o prefeito. Aqui na Palestina, as cidades são administradas por um governador (indicado pelo governo, ao qual representa), um prefeito (eleito pela população, e que a representa) e um conselho legislativo. Em missão diplomática, fomos escoltados da entrada da cidade ao palácio do governo pela polícia.
No carro em que eu viajava, além do motorista, estavam Ibrahim Alzeben, embaixador da Palestina no Brasil -- que me convidou para o passeio -- e sua sobrinha Fida Ibrahim, kwaitiana que vive no Canadá desde menina, onde trabalha como financial planner. No outro veículo seguiam Lígia Maria Scherer, embaixadora do Brasil junto à Autoridade Nacional Palestina, seu chefe de gabinete e a ex-senadora Serys Slhessarenko (PT).
Tive os 15 minutos de glória que Andy Warhol previu como direito de cada um. Descemos dos carros sob lentes de fotógrafos e de cinegrafistas, com jornalistas ao redor. Ganhei faixa palestina e medalha por trabalhar pela liberdade da Palestina, homenagem que não é para mim, pessoal, mas que recebi como simbólica, extensiva a todos os ativistas, palestinos ou não, vivos e mortos, ligados à causa palestina -- que é a causa da defesa de nossa humanidade contra os valores financeiros e militares da dominação sionista. Me agradeceram por informar ao Brasil o que acontece de fato na Palestina. Não é preciso. Faço pelo prazer que tenho pela causa. Sou feliz assim, e isso me basta.
Vãos 15 minutos. Diante do quadro apresentado pelo governador, só se pode ter mais disposição para a batalha. Dwekat resumiu a tragédia provocada pelos sionistas: deportação de militantes estrangeiros, colonização (sob o eufemismo "assentamentos"); o roubo diário das terras palestinas; os ataques diários dos colonos judeus aos palestinos; a perda das terras agrícolas numa região em que a agricultura era a atividade econômica principal, provocando o desemprego e a miséria de milhares de camponeses; o confisco, até agora, de 39 mil donuns (cada donum corresponde a mil metros quadrados) para a construção do muro do apartheid. O muro, por sinal, é o responsável pelos 21% de desemprego de Tullkarm, o mais alto de West Bank. A cidade é vizinha de Israel e, como desde 2002 muito pouca gente pode ir até lá -- o Estado sionista concede hoje apenas 10% dos vistos que concedia dez anos atrás [para entrar em Israel, os palestinos precisam de uma licença, um visto, especial] --, a perda dos empregos foi ainda mais brutal.
Há mais. As patrulhas do exército israelense entram ali a qualquer momento, afetando a vida da população e os órgãos de segurança locais. Sem contar as barreiras militares israelenses, que seguram estudantes e doentes por até 24 horas nos postos de controle (checkpoints) montados por Israel em solo palestino.
Fábricas poluidoras, proibidas em Israel, foram para Tullkarm, em terras confiscadas. Os resíduos tóxicos produzidos por elas afetam o sistema respiratório e provocam câncer. Depois de instaladas, essas indústrias receberam permissão (de Israel) para trabalhar 24 horas por dia. Interessante é saber que, quando o vento sopra para Israel ou para as colônias israelenses ilegalmente construídas na cidade, as fábricas, por acordo assinado com o governo israelense, param de funcionar, para não levar resíduos aos habitantes judeus. Quando o vento vai para a Palestina, porém, elas continuam funcionando -- é o apartheid tóxico, contribuição sionista para o sofrimento do ser humano.
Os habitantes palestinos precisam manter janelas fechadas à noite, para não respirar os gases tóxicos. Estivemos perto das fábricas. Mal dá para aguentar o cheiro, e vê-se um pó esbranquiçado cobrindo tudo. As fábricas produzem coisas como fertilizantes e inseticidas. Faça uma ideia dos venenos respirados pelos palestinos de Tullkarm. Agora adivinhem para onde vai o lixo tóxico... Acertou: para a Palestina. Tudo isso desde 1992.
Dos 7 mil presos políticos palestinos encarcerados em Israel, 500 são da cidade. Crianças também são presas ou assassinadas pelos sionistas. Quando chove, as águas são represadas pelo muro e alagam as plantações. Israel impôs a Tullkam uma barreira tarifária, controlando tudo que entra e sai da cidade. Com isso, os administradores palestinos ficam sem saber o que chegou ou o que saiu e não conseguem cobrar impostos de maneira correta, o que também afeta a economia local, enfraquecendo-a. Sem contar o fato de que muitas vezes os sionistas enviam para Tullkam produtos vencidos, que não podem ser comercializados nem utilizados.
Quer mais? Quando a internet ajudar. Não prometo o dia porque o acesso aqui consegue ser pior do que o da Telefônica. Mas o Abdullah já pediu novos equipamentos, que devem ser instalados hoje ou na segunda-feira. Tomara que resolvam, porque a brincadeira sai cara: 200 sekels, cerca de 90 dólares. Para os padrões palestinos, uma fortuna.
Abraços a todas e a todos,
Baby
Fotos da sexta-feira, da manifestação e em casa: http://www.facebook.com/photo.php?pid=460128&l=e0e6720c08&id=100001092593499 [Filmei a manifestação, mas a filmagem não ficou boa. Não consegui fugir das bombas e manter a câmara no foco ao mesmo tempo. Vou editar, salvando o que for possível, e depois coloco no you tube.]
Fotos A caminho de Qalqilya: http://www.facebook.com/media/set/fbx/?set=a.189133744466377.46702.100001092593499&l=69cd416536
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Islamofobia - vamos descontstruir essa mentalidade
sábado, 9 de abril de 2011
Convocada a Terceira Intifada do Povo Palestino com a Marcha dos Milhões à Palestina.
Liberdade Palestina
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Jamal Harfoush
«O que está acontecendo na Palestina, não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.» Gandhi
Dito isto, está marcada para o dia 15 de maio de 2011, a Terceira Intifada e a Marcha dos Milhões à Palestina. Milhões de Refugiados Palestinos estão se organizando ao redor do mundo, na própria terra que nos foi roubada e nas fronteiras, para iniciarem a maior Intifada (revolta) da história da humanidade contra a fundação terrorista de Israel na Palestina, em busca de seus direitos que foram violados pela fundação de Israel, no dia 15 de maio de 1947.
Desta vez, as mídias corruptas e compradas para mentir a nosso respeito, não conseguirão esconder as violações e manipularem a verdadeira história do Povo Palestino, como sempre fizeram.
Desde a sua fundação, os judeus-sionistas, que não são os judeus palestinos, são os internacionais, de outras terras, não pararam de violar os direitos do povo palestino e ainda continuam matando pessoas indefesas, expulsando famílias de suas próprias casas e dentro do seu próprio país e, descaradamente, roubando suas terras.
Os palestinos nunca aceitaram a fundação de Israel, sempre lutaram contra a sua existência dentro do território palestino. A Palestina é a nossa terra, é o nosso solo sagrado. Nosso povo apelou a todas as entidades internacionais, para reaver seus direitos e obtiveram milhares de resoluções da ONU, favoráveis ao Povo Palestino, que sistematicamente condenam os atos terroristas praticados pelos fundadores de israel.
Uma das resoluções imposta pela ONU a Israel é a 194, que afirma aos palestinos refugiados, o direito incontestável de retornarem a sua terra que lhes foi tomada a força. A resolução nunca foi respeitada ou mesmo cumprida pelos israelenses, tanto que nunca permitiram que os palestinos retornassem ao seu próprio país do qual foram expulsos pelos judeus de outros países que, acordados pelas Nações Unidas, invadiram e tomaram o nosso solo amado.
Para piorar a nossa subsistência, o estado terrorista denominado de Israel, conta com o apoio de governantes corruptos, como são os EUA, do regime nefasto da Jordânia e que nesta questão, sempre bloqueou os caminhos para impedir que os palestinos retornassem à sua pátria, garantindo, assim, a segurança dos terroristas israelenses que lhes pagam com o dinheiro que recebem do sionismo internacional.
Lembrando que, a Jordânia tem fronteira com a Palestina, e lá vivem milhares de palestinos refugiados, que aguardam o retorno a Palestina.
Não podemos também nos esquecer do governante corrupto do Egito, Hosni Mubarak, hoje, destronado, mas que sempre garantiu também a tranquilidade e a segurança dos israelenses na fronteira do lado do Egito, em troca, recebendo milhões e milhões de dólares dos Estados Unidos e de todo mundo sionista internacional.
Ainda existem mais governantes corruptos no mundo árabe, mas o povo de cada país começou a derrubá-los um a um para abrir os caminhos de retorno à Palestina onde está instalado um estado religioso ilegal, ocupando os espaços físicos do povo nativo palestino, constituído por árabes palestinos, por judeus palestinos e como diz a Constituição Palestina, liberdade religiosa para todos os povos que habitam o seu território, embora a religião oficial seja o islamismo.
A Revolução dos árabes tem vários objetivos claros, um deles é derrubar os regimes corruptos, abrir os países para o desenvolvimento sustentável, modernizar-se sem prejudicar a própria história, mostrar ao mundo a sua capacidade intelectual tão prejudicada ao longo dos anos pelos invasores ocidentais que lutam para destruir a nossa cultura milenar, passando a ideia de que sejamos primitivos, tudo com a intenção de nos intimidar e de roubar nossas riquezas nacionais.
Os movimentos acontecem para limpar seus países dos falsos patriotas, para afastar os traidores, para afastar os exploradores e o principal, por uma questão de honra e justiça, abrir suas fronteiras para resolver a questão Palestina.
Sem Israel, as guerras, as mortes, os prejuízos humanos, tudo desaparecerá e nossas crianças e jovens poderão sonhar com um país, com países livres da ingerência internacional e buscaremos o nosso futuro com alegria e muita satisfação.
Assim, até o mês de maio, muitos caminhos se abrirão para que a Marcha dos Milhões ultrapasse a fronteira e adentre na Palestina, ou seja, os palestinos refugiados irão retornar em uma Marcha histórica e pacífica à sua pátria assaltada e hoje gerenciada pelos sionistas-israelenses. É um direito nosso e garantido por todos os códigos de ética e apoiado por centenas de resoluções da ONU.
A Terceira Intifada Palestina, contará com apoio de todos os árabes e simpatizantes do mundo que entrarão junto com os palestinos, na Marcha dos Milhões, pela fronteira do Egito que foi aberta com a queda do regime corrupto pró-Israel.
Também, passarão pela fronteira da Jordânia, assim que os movimentos terminem de derrubar o regime corrupto do Rei, e, ainda, milhões irão marchar a partir das fronteiras do Líbano e da Síria, rumo a Terra Santa Palestina.
A organização dos jovens conta com milhões de apoiadores que estão se organizando em comissões para garantir o sucesso da sua realização. Essas comissões encontram-se nos países Árabes, no mundo e no espaço virtual.
terça-feira, 22 de março de 2011
Assaltantes de petróleo iniciam ataque aéreo - "Ajuda humanitária” mata civis na Líbia
A operação “Odisséia do Amanhecer” assassinou, em três dias consecutivos de ataques, mais de 100 civis e feriu centenas – inclusive crianças e mulheres; atingiu hospital, ônibus e casas; devastou estradas, pontes, aeroportos civis e até uma aldeia de pescadores; e incendiou um oleoduto.
A residência de Kadafi no bairro de Bab el Azizia, na capital, que Reagan bombardeou em 1986, voltou a ser destruída 25 anos depois por míssil disparado de submarino inglês.
Além de Trípoli, já foram bombardeadas Benghazi, Zuwarah, Sirta, Tarhuna, Misrata, Maamura, Jmeil, Sebha e outras cidades.
fonte: A Hora do Povo
terça-feira, 8 de março de 2011
Isso não merece um Tribunal Penal Internacional?
Alguns dias atrás, a Assembléia Geral da ONU expulsou a Líbia do Conselho de Direitos Humanos, enquanto os antecedentes da Líbia foram enviados ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra.
A decisão da ONU se baseia em "suposições" e “presunções", porque não havia nenhuma evidência de mortos como foi falado, até então.
Veja aqui os dois pesos da chamada comunidade internacional, quando se trata de analisar o que torna uma das engrenagens mais simbólicas do Imperialismo - o sionismo:
O número de pacientes com câncer e má formação tem aumentado em Gaza, devido ao uso de urânio empobrecido pelo exército israelita, durante o violento ataque ao pobre enclave durante dois anos, segundo fontes médicas.
Após a guerra, os casos de câncer aumentaram mais de 30% em Gaza, informou o correspondente da PressTV esta semana.
"Temos visto um aumento acentuado em pacientes com câncer de sangue e outras doenças. Muitos pacientes vêm de áreas que foram atacadas por aviões israelenses que usaram armas químicas proibidas", disse o oncologista Mohammed Atteya.
O Hospital Shifa, o maior provedor de cuidados de saúde na Faixa de Gaza, tem presenciado recentemente um forte aumento no número de pacientes com câncer.
Os médicos afirmam que a maioria dos pacientes de câncer reside em áreas que foram fortemente bombardeadas durante a ofensiva de Israel sobre Gaza, no inverno de 2008-2009.
O ataque israelense matou 1.400 palestinos e deixou milhares de feridos; a maioria das vítimas era civil.
Naquele momento, os médicos noruegueses, voluntários em hospitais de Gaza, afirmaram que algumas vítimas tinham traços de urânio empobrecido em seus corpos.
Os danos ambientais e a poluição é outro subproduto infeliz da guerra.
As medições do pós-guerra indicam que áreas no enclave são mil vezes mais radioativas do que os níveis normais, e os casos de câncer e má formação começaram a surgir diariamente.
"O número de pacientes com câncer tem aumentado significativamente. Israel usou urânio empobrecido, fósforo branco contra a cidade, que se tornou um campo de testes para essas armas proibidas", disse o especialista ambiental Zekra Ajour.
Um denominador comum entre pacientes com câncer é que eles vivem em áreas que foram fortemente bombardeadas.
Atualmente, a maioria das armas da mais alta tecnologia contém urânio empobrecido e outros metais pesados.
O resíduo de uma arma com urânio empobrecido pode ser espalhado pelo vento, infectando os residentes nas proximidades e contaminando a cadeia alimentar.
De acordo com médicos especialistas e ambientalistas, a população e o meio ambiente da Faixa de Gaza sofreram graves conseqüências do uso de armas proibidas internacionalmente por Israel durante a guerra.
agência de notícias anarquistas-ana
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Questionamentos a serem feitos sobre acontecimentos atuais na Líbia
Qual é o carácter da oposição ao regime Kadafi, a qual consta que agora controla a cidade de Bengazi, no Leste do país?
Será apenas coincidência que a rebelião tenha começado em Bengazi, a qual é a norte dos mais ricos campos petrolíferos da Líbia bem como próxima da maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto de gás natural liquefeito (GNL)? Haverá um plano de partição do país?
Qual é o risco de intervenção militar imperialista, a qual apresenta grave perigo para o povo de toda a região?
A Líbia não é como o Egipto. Seu líder, Moamar Kadafi, não tem sido um fantoche imperialista como Hosni Mubarak. Durante muitos anos, Kadafi esteve aliado a países e movimentos que combatiam o imperialismo. Ao tomar o poder em 1969 através de um golpe militar, ele nacionalizou o petróleo da Líbia e utilizou grande parte do dinheiro para desenvolver a economia líbia. As condições de vida do povo melhoraram radicalmente.
Por isso, os imperialistas estavam determinados a deitar a Líbia abaixo. Os EUA em 1986 realmente lançaram ataques aéreos a Trípoli e Bengazi que mataram 60 pessoas, incluindo a menina filha de Kadafi – o que raramente é mencionado pelos media corporativos. Foram impostas sanções devastadoras tanto pelos EUA como pela ONU a fim de arruinar a economia líbia.
Depois de os EUA invadirem o Iraque em 2003 e arrasarem grande parte de Bagdad com uma campanha de bombardeamento que o Pentágono exultantemente chamou "pavor e choque", Kadafi tentou evitar a ameaça de outra agressão à Líbia fazendo grandes concessões políticas e económicas ao imperialismo. Ele abriu a economia a bancos e corporações estrangeiras; concordou com exigências do FMI quanto ao "ajustamento estrutural", privatizando muitas empresas estatais e cortando subsídios do estado a necessidades como alimentos e combustível.
O povo líbio está a sofrer dos mesmos preços elevados e desemprego que estão na base das rebeliões em outros lados e que decorre da crise económica capitalista mundial.
Não pode haver dúvida de que a luta que varre o mundo árabe pela liberdade política e a justiça económica também tocou um ponto sensível na Líbia. Não há dúvida de que o descontentamento com o regime Kadafi está a motivar uma secção significativa da população.
Contudo, é importante para gente progressista saber que muitas das pessoas que estão a ser promovidas no Ocidente como líderes da oposição são há muito agente do imperialismo. A BBC mostrou em 22 de Fevereiro filmes de multidões em Bengazi deitando abaixo a bandeira verde da república e substituindo-a pela bandeira do antigo rei Idris – que foi um fantoche dos EUA e do imperialismo britânico.
Os media ocidentais baseiam grande parte das suas reportagens sobre supostos factos fornecidos pelos grupo exilado Frente Nacional para a Salvação da Líbia (National Front for the Salvation of Libya), a qual foi treinada e financiada pela CIA estado-unidense. Pesquise no Google o nome da frente mais CIA e encontrará centenas de referências.
O Wall Street Journal de 23 de Fevereiro escreveu em editorial que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubarem o regime Kadafi". Não há qualquer conversar nas salas das administrações ou nos corredores de Washington acerca de intervir para ajudar o povo do Kuwait ou da Arábia Saudita ou do Bahrain a derrubarem seus governantes ditatoriais. Mesmo com todos os falsos elogios às lutas de massas que agora sacodem a região, isso seria impensável. Em relação ao Egipto e à Tunísia, o imperialismo está a mover todas as alavancas que podem para tirar as massas das ruas.
Tão pouco houve qualquer conversa de intervenção dos EUA para ajudar o povo palestino de Gaza quando milhares morrerem por serem bloqueados, bombardeados e invadidos por Israel. Exactamente o oposto. Os EUA intervieram para impedir a condenação do estado colonizador sionista.
O interesse do imperialismo na Líbia não é difícil de descobrir. Em 22 de Fevereiro a Bloomberg. com escreveu: se bem que a Líbia seja o terceiro maior produtor de petróleo da África, é o país do continente que tem as maiores reservas provadas — 44,3 mil milhões de barris. É um país com uma população relativamente pequena mas com potencial para produzir enormes lucros para as companhias de petróleo gigantes. É assim que os super ricos a encaram e o que está por trás da sua apregoada preocupação com os direitos democráticos do povo da Líbia.
Obterem concessões de Kadafi não é suficiente para os barões imperialistas do petróleo. Eles querem um governo sob a sua dominação total, tudo do bom e do melhor. Eles nunca esqueceram Kadafi por derrubar a monarquia e nacionalizar o petróleo. Fidel Castro, em Cuba, na sua coluna "Reflexões" regista o apetite do imperialismo por petróleo e adverte que os EUA estão a lançar as bases para a intervenção militar na Líbia.
Nos EUA, algumas forças tentam mobilizar uma campanha a nível de rua promovendo uma tal intervenção estado-unidense. Deveríamos opor-nos a isto totalmente e recordar a qualquer pessoa bem intencionada os milhões de mortos e deslocados pela intervenção dos EUA no Iraque.
As pessoas progressistas têm simpatia com o que encaram como um movimento popular na Líbia. Podemos ajudar tal movimento principalmente pelo apoio às suas exigências justas mas rejeitando uma intervenção imperialista, seja qual for a forma que assuma. É o povo da Líbia que deve decidir o seu futuro.
Articles copyright 1995-2011 Workers World. Verbatim copying and distribution of this entire article is permitted in any medium without royalty provided this notice is preserved.
Ver também: Faut-il intervenir militairement en Libye ? , de Alain Gresh
O original encontra-se em http://www.workers.org/2011/editorials/libya_0303/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/africa/libia_23fev11.html
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Gilberto Gil, não arruine a luta palestina pela liberdade: Cancele seu show em Israel
http://boycottisrael.info/content/gilberto-gil-dont-undermine-palestinian-struggle-freedom-cancel-show-israel
Gilberto Gil, Don't Undermine the Palestinian Struggle for Freedom: Cancel Show in Israel!
February 3, 2011
Dear Gilberto Gil,
We are members of a group of over 200 Israeli citizens who support the Palestinian-led cultural boycott of Israel. As an artist who was himself imprisoned and exiled by a military regime in your country, we heard with dismay about your scheduled April 14 concert in Tel-Aviv. The Palestinian Call [1] for Boycott, Divestment and Sanctions (BDS) was issued in 2005 by over 170 Palestinian civil society organizations in order to counter racism and such oppressive mechanisms as mass unlawful expulsion and imprisonment. We are aware that you visited Israel in the past. It is not much due to the act itself but due to its current context that we urge you now to heed the Palestinian Call and cancel your scheduled performance in Israel. By doing so you will stand by a globally growing, human rights-based and non-violent civil society Palestinian initiative.
The BDS Call is the most unitary Palestinian political initiative today. It represents people of all sections who used to live in historic Palestine: Palestinians living under military siege and occupation in the West Bank and the Gaza Strip; Palestinian citizens of Israel, who were subjected to a military regime until 1966 and since then have been facing an apartheid-like systematic racist discrimination by Israel; and Palestinian refugees who were looted and expelled by Israel in 1948 and live with their descendants in refugee camps in Gaza and the West Bank or in exile (some of whom live in Israel). Rather than falsely addressing the colonial conflict in Israel\Palestine in terms of a mere territorial dispute, and refraining to prescribe solutions, the BDS Call is focused on international law and on the rights of the Palestinian people and individuals, which should be the basis for any just and peaceful solution.
The BDS Call is inspired by similar campaigns launched by the indigenous people of South Africa in order to overthrow apartheid there, a struggle in which cultural boycotts played a crucial role in raising global attention to the oppression of the South-Africans. The Call is endorsed by almost the entire community [2] of Palestinian cultural workers and many international supporters. It also inspires and is endorsed by unarmed popular struggle activists such as Bil'in's Abdallah Abu Rahmah who is held for over a year now in an Israeli military prison for the vague accusations of “incitement” and “organizing illegal demonstrations”. Abu Rahmah's imprisonment sparked wide international condemnation: Amnesty international labeled him a prisoner of conscience [3] and the EU repeatedly condemned [4] his persecution. In a letter from prison he encourages his supporters: “you amplified our popular demonstrations in Palestine with international boycott campaigns and international legal actions under universal jurisdiction” [5].
Another human rights activist held in an Israeli prison and recently sentenced to 9 years is Ameer Makhoul. Makhoul is a Palestinian Arab citizen of Israel and General Director of Ittijah, an umbrella organization for about 80 civil society NGOs, which was established by Palestinian citizens of Israel and is one of the signatories of the 2005 BDS Call. Makhoul was brutally arrested by the Israeli Shabak, tortured and denied his legal rights, among them meeting his lawyers. His case was also media gagged at the same time. In his letter from prison he states [6]:
“Based on my experience and on the findings regarding 7,000 Palestinian prisoners in Israeli jails, the Shabak having no evidence does not mean the end of the game. They have their secret weapon, which is the so-called 'secret evidence.' They present it to the judges, but neither me nor my lawyers are allowed to know what it is about. The Israeli system will never blame the state or the Shabak, but will blame their Palestinian victims.“
Makhoul was convicted of making contact with 'a foreign agent', a term so vague in the Israeli security lexicon, as he himself explains: “Israel will never allow its court to declare me as innocent. On the other hand, every Palestinian refugee of Arab friend or partner in the Arab world is potentially considered a so-called 'foreign agent.'”Amnesty International condemned Makhoul's persecution as well. [7]
In order to end such injustices and their inequality-rooted causes, many international artists recently cancelled their scheduled performance in Israel. Some of them and many others explicitly pledged support for the cultural boycott. Here are some of the names and petition lists of such artists: Carlos Santana, Gil Scott Heron, Elvis Costello, Devendra Banhart, Dave Randall [8] and Maxi Jazz of Faithless, Vanessa Paradis, Robert Del Naja of Massive Attack[9], 200 Irish artists [10], 500 Montreal artists [11], the international alliance Artists against Apartheid [12], South-African Artists Against Apartheid [13] and Creative Workers Union of South Africa.
In honor of your anti-racist and human rights legacy, we hope you will add your name to this important and growing international effort.
Sincerely,
Ayala Shani
Liad Kantorowicz
Ronnie Barkan
Shir Hever
Ofer Neiman
Ronnen Ben-Arie
Ohal Grietzer
Dorothy Naor
Yael Oren Kahn
Renen Raz
Rachel Giora
Neta Golan
On behalf of
Boycott! Supporting the Palestinian BDS Call from within
http://boycottisrael.info
[1] http://bdsmovement.net/?q=node/52
[2] http://www.pacbi.org/etemplate.php?id=315
[3] http://www.popularstruggle.org/content/amnesty-international-labels-abdallah-abu-rahmah-prisoner-conscience
[4] http://www.popularstruggle.org/content/eu-condemns-persecution-bilins-abdallah-abu-rahmah-second-time
[5] http://www.popularstruggle.org/content/letter-ofer-prison
[6] http://electronicintifada.net/v2/article11644.shtml
[7] http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/palestinian-human-rights-activist-jailed-israel-2011-01-30
[8] Dave Randall (Faithless) on 5fm: I support www.southafricanartistsagainstapartheid.com : http://www.youtube.com/watch?v=XpE5AjsBiqw
[9] http://www.newstatesman.com/music/2010/09/israel-interview-boycott-naja
[10] http://www.ipsc.ie/pledge
[11] http://www.tadamon.ca/post/5824
[12] http://www.artistsagainstapartheid.org/?page_id=552
[13] http://www.southafricanartistsagainstapartheid.com/2010/11/declaration.html
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Extraditar um refugiado ao país onde é perseguido é abrir um precedente perigoso que pôe em risco qualquer refugiado em solo brasileiro
favor passar adiante,convidar as organizações e pessoas. Obrigada. Lúcia Skromov
Fortalecer a campanha pela imediata liberdade de Cesare Battisti!
Quase quatro anos se passaram e Cesare Battisti continua preso no Brasil desde que foi capturado no Rio de Janeiro em março de 2007 através de uma operação orquestrada pelos governos italiano, francês e a Polícia Federal brasileira. A prisão preventiva mantém-se graças às pressões que o governo de Silvio Berlusconi exerce sobre Brasília para que o ex-militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) seja extraditado a fim de cumprir prisão perpétua nas masmorras italianas, sendo seis meses com a privação da luz solar. Toda espécie de arbitrariedades políticas e jurídicas foi realizada para condenar Cesare Battisti por quatro assassinatos que não cometeu. No Brasil não é diferente: Lula negou a extradição do escritor italiano, mas devolveu ao Supremo Tribunal Federal a possibilidade de apreciação de sua decisão baseada no Tratado Brasil-Itália celebrado em 1989.
O conservador STF, através de seu presidente Cezar Peluso e do relator Gilmar Mendes, declararam que “tudo será considerado a seu tempo”, sinalizando que arquitetarão novo malabarismo jurídico para prolongar a agonia de Cesare Battisti na penitenciária federal da Papuda, no DF. Com o agravamento das denúncias de pedofilia contra o primeiro-ministro Berlusconi, a classe dominante italiana e o setor mais conservador da sociedade intensificam a caçada ao escritor como forma de desviar o foco da opinião pública dos escândalos em que se encontra envolvido. A perseguição ao ex-ativista é, antes de mais nada, um troféu na guerra deflagrada pelos setores reacionários italianos e brasileiros no combate àqueles que se levantaram contra o regime de exploração lançando mão da ação direta como forma de realizar justiça social. Com isso, os que clamam pela extradição de Cesare Battisti buscam puni-lo exemplarmente como forma de atemorizar os lutadores do presente e do futuro contra qualquer possibilidade de revolta contra as diferentes formas de opressão, super exploração e a retirada de direitos sociais da classe trabalhadora.
Várias entidades, movimentos sociais, organizações políticas, coletivos, ativistas ligados aos direitos humanos e às reivindicações democráticas tiveram a iniciativa de conformar comitês em várias regiões do país a fim de lutar contra a extradição de Cesare Battisti, e exigir seja do STF ou do Poder Executivo sua imediata liberdade e concessão de asilo político no Brasil. Afinal, é de comum compreensão que esta perseguição pode-se voltar contra qualquer um de nós que ouse lutar por melhores condições de vida através da livre organização social. Apenas uma mudança na correlação de forças poderá acabar com a “fuga sem fim” do escritor italiano. Vários debates e manifestações foram realizados no Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Mas estes foram apenas os primeiros passos de uma longa jornada de lutas até alcançarmos nosso objetivo. Para os próximos dias, convocamos aqueles ativistas, organizações, movimentos e entidades sindicais que ainda não aderiram à campanha internacionalista a ingressar ativamente nestas atividades, conforme calendário a seguir:
- Manifestação com concentração no MASP
(na sequência caminharemos até o Consulado Italiano, na Av. Paulista)
18 de fevereiro, sexta-feira, às 17 horas
- Plenária ampliada com entidades, movimentos e representações políticas:
19 de fevereiro, sábado, às 15:00
Espaço Mané Garrincha
Rua Silveira Martins, 131, sala 11.
- Saída da caravana a Brasília
22 de fevereiro, terça-feira, 16 horas
- Ato político em Brasília e visita a Cesare Battisti
23 de fevereiro, quarta-feira
A liberdade de Cesare Battisti depende exclusivamente de nossa capacidade de luta! Junte-se a nós!
Comitê Battisti Livre - SP
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Israel envia a Mubarak armas para dispersar multidões
http://parallaksismundo.blogspot.com/2011/02/israel-envia-mubarak-armas-para_10.html
Os sionistas dão mais uma prova de que desrespeitam a soberania dos povos vizinhos e seu direito de escolher como querem viver. Agora querem reprimir as manifestações da população egípcia contra o regime de Mubarak, na tentativa de mantê-lo no poder.
A Rede Internacional para os Direitos e o Desenvolvimento afirmou que apoio logístico israelense foi enviado ao presidente do Egito, Hosni Mubarak, para ajudar seu regime a enfrentar as manifestações públicas exigindo sua deposição. Segundo relatórios da organização não-governamental, três aviões israelenses aterrissaram no Aeroporto Internacional do Cairo no sábado, carregando equipamentos perigosos para dispersar multidões e reprimi-las.
O comunicado da Rede Internacional afirma que as forças de segurança egípcias receberam a carga completa de três aviões israelenses que carregavam uma quantidade abundante de gás internacionalmente proibido para dispersar multidões. Se as notícias forem precisas, indicam que o regime egípcio está se preparando para o pior em defesa da sua posição, apesar do naufrágio país no caos.
No domingo, 30 de janeiro, o primeiro-ministro sionista Benjamin Netanyahu dirigiu-se aos ministros do governo israelense em uma declaração pública dizendo: "Nossos esforços visam a manutenção continuada da estabilidade e da segurança na região ... e devo lembrar que a paz entre Israel e Egito durou mais de três décadas ... atualmente trabalhamos para garantir a continuidade dessas relações ... Estamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos no Egito e na região em alerta ..."
O primeiro-ministro sionista pediu aos ministros do governo israelense que se abstenham de fazer quaisquer declarações adicionais para a mídia.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Israel bombardeou a Faixa de Gaza, de Novo
Os sionistas continuam a aterrorizar a população de Gaza e a deixá-la cada vez mais desamparada.segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Carta ao Gilberto Gil para aderir ao Boicote Cultural a Israel
Querido Gilberto Gil,
Como admiradores de longa data da sua música e cientes de seu compromisso com a liberdade e justiça social, e como ativistas ficamos surpresos e incomodados ao saber que você pretende fazer um show em Israel em abril.
Como parte do chamado da sociedade civil palestina em 2005 para o Boicote, o Desinvestimento e Sanções (BDS) e inspirado pelo boicote cultural ao apartheid na África do Sul, o povo palestino pede a artistas internacionais a se juntarem ao movimento BDS cancelando shows e eventos em Israel, que só servem para igualar o ocupante ao ocupado e, portanto, promover a continuação da injustiça. Em outubro do ano passado o Sul Africano Desmond Tutu, consagrado com o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra o Apartheid, apelou a ópera de seu país a cancelar a apresentação agendada em Israel. Um show em Israel enfraquece a chamada para o BDS até que Israel cumpra os requisitos básicos do direito internacional, pondo fim à ocupação militar, à tomada de terras e construção de novas colônias nos territórios palestinos, respeitando os direitos humanos e os direitos dos refugiados.
A participação em um show em Israel não é um ato neutro, desprovido de qualquer mensagem política. Como disse o falecido Howard Zinn: você não pode ser neutro em um trem em movimento. Ao participar de um evento em Israel, você estará apoiando a campanha israelense para encobrir violações do direito internacional e projetar uma imagem falsa de normalidade. Qualquer afirmação que você deseje fazer através da sua participação neste evento seria ofuscada pelo fato de que você está atravessando um piquete internacional estabelecido pela grande maioria das organizações da sociedade civil na Palestina. Na verdade, uma mensagem de paz justa atingiria muito mais pessoas, incluindo israelenses, se você cancelar a sua participação.
Desde a guerra de Israel contra Gaza em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que deixou 1.400 palestinos mortos e conduziu o relatório Goldstone a declarar que Israel cometeu crimes de guerra, muitos artistas internacionais se recusaram a tocar em um país que se coloca acima dos direitos humantos e do direito internacional. Após o ataque de Israel a um navio de ajuda humanitária com destino a Gaza em maio do ano passado, o número de artistas cresceu. Elvis Costello, Gil Scott Heron, Carlos Santana, Roger Waters, Devendra Banhart, e os Pixies são apenas alguns dos artistas que se recusaram a realizar shows em Israel no ano passado.
Pedimos-lhe para se juntar à lista crescente de artistas que tem respeitado o pedido de boicote.
Durante as últimas décadas, a partir do movimento dos Direitos Civis nos EUA até os movimentos anti-guerra em todo o mundo, quando os nossos governos não conseguem deter as pessoas responsáveis por graves violações dos direitos humanos, nós temos a responsabilidade de fazê-lo. O Sul Africano Desmond Tutu disse que "se o apartheid na África do Sul terminou, esta ocupação também terminará, mas a força moral e a pressão internacional terão de ser tão determinadas quanto". A chamada palestina para o BDS chega a partir da sociedade civil palestina até a sociedade civil em todo o mundo, incluindo Israel, para aderir a este movimento de libertação.
Ficaremos felizes em discutir isso mais a fundo com você, e apoiá-lo no quer for necessário. Nós estamos simplesmente pedindo que você faça isso de uma maneira a não prejudicar o crescimento global liderado pelo movimento BDS da causa palestina. Com todo o respeito por seu legado de resistência na ditadura militar brasileira, pela liberdade e contra o racismo no mundo nós te convidamos a participar dessa luta por justiça e cancelar seu show em Israel no mês de abril.
Com grande respeito,
FRENTE EM DEFESA DO POVO PALESTINO
Abib - Associação Beneficente Islâmica do Brasil
Apta - Associação para Prevenção e Tratamento da Aids
Associação Islâmica de São Paulo
Casa da América Latina
Comitê de Solidariedade aos Povos Árabes
Conlutas - Coordenação Nacional de Lutas
Elac - Encontro Latino Americano e Caribenho de Trabalhadores
ICArabe - Instituto da Cultura Árabe
Intersindical
Jornal Al Baian
Juventude Novos Palmares
Liga da Juventude Islâmica
Mopat - Movimento Palestina para Todos
PCB - Partido Comunista Brasileiro
PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
Revolutas
SBM - Sociedade Beneficente Muçulmana
Sociedade Palestina de São Paulo
Ujaal - União da Juventude Árabe para a América Latina
UNI - União Nacional de Entidades Islâmicas
Uemb - União dos Estudantes Muçulmanos do Brasil
DCE da USP - Universidade de São Paulo
Adalah-NY: The New York Campaign for the Boycott of Israel
Americans Against Apartheid UK
Arab Cultural Forum
Artists Against Apartheid UK
Association of Al-Quds Bank for Culture and Information
BDS Platform in the Netherlands
Birthright Unplugged
Boston BDS
BOYCOTT! Supporting the Palestinian BDS Call from Within (Israel)
British Committee for the Universities of Palestine (BRICUP)
Cafe Intifada
Canadian Arab Federation
Coalition Against Israeli Apartheid (CAIA), Toronto
Davis Committee for Palestinian Rights
Don’t Buy Into Apartheid
Don’t Play Apartheid Israel (DPAI)
Educators for Peace and Justice (Toronto)
Fredericton Palestine Solidarity (New Brunswick)
Independent Jewish Voices (Canada)
International Jewish Anti-Zionist Network (IJAN)
International Solidarity Movement (ISM)
Ireland Palestine Solidarity Campaign
Jews for Boycotting Israeli Goods (J-BIG)
Jews Say No!
Los Angeles Palestine Labor Solidarity Committee
Not in Our Name: Jews Opposing Zionism
One Democratic State Group
Palestine Solidarity Committee-Seattle
Palestine Solidarity Group-Chicago
Palestinian Students Campaign for the Academic Boycott of Israel (Gaza)
Queers Against Israeli Apartheid (QuAIA), Toronto
Queers Undermining Israeli Terrorism (QUIT)
Sheffield Palestine Solidarity Campaign (UK)
Students Against Israeli Apartheid Carleton
Tadamon! Montreal
University Teachers’ Association in Palestine
US Campaign for the Academic and Cultural Boycott of Israel
US Campaign to End the Israeli Occupation
WESPAC Foundation
Women in Solidarity with Palestine (WSP), Toronto
Women of a Certain Age
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Refugiados Palestinos - O Brasil recebeu... mas não ACOLHEU
Segue os principais tópicos que justificam afirmar que os palestinos trazidos do campo de refugiados de Ruweished (Jordânia) foram ABANDONADOS no Brasil, por AUSENCIA DE UMA POLÍTICA ESPECÍFICA brasileira para receber reassentados palestinos, vítimas de perseguição mortal quando os Estados Unidos invadiu o Iraque, onde esses nossos irmãos palestinos se encontravam reassentados:Na verdade, os tópicos listados abaixo são CONSTATAÇÕES FACTUAIS que DETERMINARAM o abandono dos reassentados palestinos no Brasil e a impossibilidade de UNIDADE POLÍTICA entre eles.
1- Foram trazidos no Programa de Reassentamento Solidário, em três grupos, separados, entre setembro e outubro de 2007 e reassentados em estados distantes entre si: Mogi das Cruzes/SP e Venâncio Aires/RS;
2- O programa se mostrou totalmente equivocado;
3- Prazo do programa de apenas dois anos;
4- Foram instalados em casas alugadas, ao invés de o governo lhes disponibilizar casas que começassem a pagar, com subsídio governamental, somente após um nível satisfatório de adaptação e integração social, em condições de trabalhar, resolver problemas burocráticos como qualquer brasileiro e livres da condição de hiposuficiência;
5- Ausência de assistência especial aos idosos e deficientes;
6- Aulas de português sem metodologia e apenas seis horas por semana, que tinham ainda que conciliar com a necessidade de trabalhar ou optar por uma das duas coisas, por insuficiência do auxílio subsistência pago pela ACNUR-Brasil;
7- Ausência de acompanhamento (visitas às famílias) permanente e avaliação periódica durante o processo de adaptação;
8- Despreparo para o trato com refugiados por parte dos funcionários contratados pelas ONGs responsáveis pelo acompanhamento local;
9- Inobservância quanto aos direitos estabelecidos no Estatuto do Refugiado, por parte da própria ACNUR-Brasil e das ONGs católicas gestores do programa;
10- Ausência de assistência de intéprete;
11- Ausência de assistência jurídica;
12- Ausência de assistência psicológica;
13- Ausência de assistência odontológica;
14- Assistência médica quase nula por falta de intérprete - causa principal de algumas das mortes ocorridas;
15- Ausência de auxílio funeral. Sete já faleceram, sendo cinco dos reassentados em Mogi das Cruzes;
16- Ausência de orientações quanto aos seus direitos e deveres;
17- Atraso na expedição de seus documentos;
18- Ausência de preparação aos agentes públicos para o atendimento aos refugiados;
19- Modelo de gestão tripartite (CONARE, ACNUR-Brasil e ONGs católicas), sem especificação de responsabilidades, civil e criminal;
Resta a suspeita de que tenha sido até proposital criar essa situação, pela forma como foi elaborado o programa de reassentamento no Brasil, dos palestinos de Ruweished.
Ao lado, foto do sr. Hamdan,um dos 7 já falecidos. Faleceu
em 19/10/2009, em Brasília,
onde permaneceu acampado,
juntamente com outros palestinos.
Determinado, lutou até o fim,
sem esmorecer, na defesa dos
direitos dos palestinos reassentados
no Brasil.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
“Ditadores" não ditam ordens. Eles as obedecem.
por Michel Chossudovsky
O regime Mubarak pode entrar em colapso em consequência do vasto movimento de protesto em escala nacional. Quais as perspectivas para o Egito e para o mundo árabe?
"Ditadores" não ditam ordens. Eles as obedecem. Isso é verdade tanto na Tunísia como na Argélia e no Egito.
Ditadores são sempre fantoches políticos. Os ditadores não decidem.
O presidente Hosni Mubarak foi o fiel servidor dos interesses econômicos ocidentais e assim era Ben Ali.
O governo nacional é o objeto do movimento de protesto. O objetivo é remover o fantoche em lugar do mestre do fantoche. Os slogans no Egito são "Abaixo Mubarak, abaixo o regime". Não há cartazes antiamericanos... A influência avassaladora e destrutiva dos EUA no Egito e em todo o Oriente Médio permanece oculta. As potências estrangeiras que operam nos bastidores estão protegidas do movimento de protesto.
Nenhuma mudança política significativa se verificará a menos que a questão da interferência estrangeira seja tratada de modo explícito pelo movimento de protesto.
A Embaixada dos EUA no Cairo é uma entidade política importante, sempre ofuscando o governo nacional, e não é alvo do movimento de protesto. No Egito, em 1991, foi imposto um devastador programa do FMI na altura da Guerra do Golfo. Ele foi negociado em troca da anulação da multimilionária dívida militar do Egito para com os EUA, bem como de sua participação na guerra. A resultante desregulamentação dos preços dos alimentos, a privatização geral e medidas de austeridade maciças levaram ao empobrecimento da população egípcia e à desestabilização da sua economia.
O Egito era louvado como um "aluno modelo" do FMI. O papel do governo de Ben Ali na Tunísia foi impor os remédios econômicos mortais do FMI, os quais, num período de mais de vinte anos, serviram para desestabilizar a economia nacional e empobrecer a população tunisiana. Ao longo dos últimos 23 anos, a política econômica e social na Tunísia foi ditada pelo Consenso de Washington.
Tanto Hosni Mubarak como Ben Ali permaneceram no poder porque seus governos obedeceram e aplicaram efetivamente os diktats do FMI. De Pinochet e Videla a Baby Doc, Ben Ali e Mubarak, os ditadores têm sido instalados por Washington. Historicamente, na América Latina, os ditadores eram nomeados por meio de uma série de golpes militares patrocinados pelos EUA. Hoje eles são nomeados por intermédio de "eleições livres e justas" sob a supervisão da comunidade internacional.
Nossa mensagem ao movimento de protesto: as decisões reais são tomadas em Washington DC, no Departamento de Estados dos EUA, no Pentágono, em Langley, sede da CIA, na H Street NW, as sedes do Bando Mundial e do FMI. O relacionamento do "ditador" com interesses estrangeiros deve ser considerado. Derrubar fantoches políticos, sim, mas não esquecer de mirar os "ditadores reais".
O movimento de protesto deveria centrar-se na poltrona real da autoridade política; deveria ter como alvo a Embaixada dos EUA, a delegação da União Europeia, as missões nacionais do FMI e do Banco Mundial.
Uma mudança política significativa só pode ser assegurada se a agenda de política econômica neoliberal for jogada fora.
Substituição de regime
Se o movimento de protesto deixar de tratar o papel das potências estrangeiras, incluindo pressões exercidas por "investidores", credores externos e instituições financeiras internacionais, o objetivo da soberania nacional não será alcançado. Nesse caso, ocorrerá um processo estreito de "substituição de regime", o qual assegura continuidade política.
"Ditadores" são postos e depostos. Quando eles estão politicamente desacreditados e já não servem aos interesses dos seus patrocinadores estadunidenses, são substituídos por um novo líder, muitas vezes recrutado dentro das fileiras da oposição política.
Na Tunísia, a administração Obama já se posicionou. Ela pretende desempenhar um papel-chave no "programa de democratização" (isto é, manutenção das chamadas “eleições justas”). Ela também pretende utilizar a crise política como um meio de enfraquecer o papel da França e consolidar a sua posição no norte da África:
"Os Estados Unidos, que foram rápidos em avaliar a vaga de protesto nas ruas da Tunísia, procuram pressionar em seu proveito, a fim de promover reformas democráticas no país e outras mais além.
O alto enviado dos EUA para o Médio Oriente, Jeffrey Feltman, foi o primeiro responsável estrangeiro a chegar ao país depois de o presidente Zine El Abidine Ben Ali ser derrubado em 14 de janeiro e suavemente apelou a reformas. Ele disse na terça-feira que só eleições livres e justas fortaleceram e dariam credibilidade à liderança sob ataque do estado norte-africano.
"Espero utilizar o exemplo tunisiano em conversas com outros governos árabes”, acrescentou o secretário de Estado Feltman.
Ele foi despachado para o país norte-africano a fim de oferecer ajuda dos EUA na turbulenta transição de poder e encontrar-se com ministros e figuras da sociedade civil tunisiana.
Feltman viaja para Paris na quarta-feira a fim de discutir a crise com líderes da França, promovendo a impressão de que os EUA conduz o apoio internacional a uma nova Tunísia, em detrimento da antiga potência colonial, a França.
Países ocidentais apoiaram por longo tempo a derrubada liderança da Tunísia, encarando-a como um baluarte contra militantes islâmicos na região norte-africana. Em 2006, o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, falando em Túnis, louvou a evolução do país. A secretária de Estado Hillary Clinton, agilmente, interveio com um discurso em Doha a 13 de janeiro, advertindo líderes árabes para permitirem a seus cidadãos maiores liberdades ou [sofreriam] o risco de extremistas explorarem a situação.
"Não há dúvida de que os Estados Unidos procuram posicionar-se muito rapidamente do lado bom..." (AFP: US helping shape outcome of Tunisian).
Será que Washington terá êxito em nomear um novo regime fantoche?
Isso depende muito da capacidade do movimento de protesto de tratar o papel insidioso dos EUA nos assuntos internos do país. Os poderes avassaladores do império não são mencionados. Numa ironia amarga, o presidente Obama exprimiu o seu apoio ao movimento de protesto.
Muitas pessoas dentro do movimento de protesto são levadas a acreditar que o presidente Obama está comprometido com a democracia e os direitos humanos e é apoiador da resolução da oposição de destronar o ditador, o qual foi instalado pelos EUA.
Cooptação de líderes da oposição
A cooptação dos líderes dos principais partidos da oposição, de organizações da sociedade civil, na previsão do colapso de um governo fantoche autoritário faz parte dos desígnios de Washington, aplicados em diferentes regiões do mundo. O processo de cooptação é implementado e financiado pelos EUA com base em fundações incluindo o National Endowment for Democracy (NED) e o Freedom House (FH). Tanto o FH como o NED têm ligações ao Congresso dos EUA, ao Council on Foreign Relations (CFR) e ao establishment de negócios estadunidense. Tanto o NED como o FH são conhecidos por terem laços com a CIA.
O NED está envolvido ativamente na Tunísia, no Egito e na Argélia. A Freedom House apoia várias organizações da sociedade civil no Egito.
"O NED foi estabelecido pela administração Reagan depois de o papel da CIA nos financiamentos encobertos para derrubar governos estrangeiros ter sido trazido à luz, levando ao descrédito de partidos, movimentos, revistas, livros, jornais e indivíduos que receberam financiamento da CIA. ... Como uma fundação bipartidária, com participação dos dois principais partidos, bem como da AFL-CIO e da US Chamber of Commerce, o NED assumiu o comando do financiamento de movimentos para derrubar governos estrangeiros, mas abertamente e sob a rubrica da "promoção da democracia". (Stephen Gowans, January 2011. "What's left")
Embora os EUA tenham apoiado o governo Mubarak durante os últimos trinta anos, fundações dos EUA com laços no Departamento de Estado e no Pentágono apoiaram ativamente a oposição política, incluindo o movimento da sociedade civil. Segundo a Freedom House: "A sociedade civil egípcia é tanto vibrante como constrangida. Há centenas de organizações não governamentais dedicadas a expandir direitos civis e políticos no país, operando num ambiente altamente regulado". (Freedom House Press Releases).
Numa ironia amarga, Washington apoia a ditadura Mubarak, incluindo suas atrocidades, enquanto também apoia e financia seus detratores, através das atividades do FH, NED, dentre outras.
O esforço da Freedom House para envolver uma nova geração de advogados proporcionou resultados tangíveis e o programa New Generation, no Egito, ganhou proeminência tanto em nível local como internacional. Membros visitantes egípcios de todos os grupos da sociedade civil receberam [em maio de 2008] atenção sem precedentes e reconhecimento, incluindo reuniões em Washington com o secretário de Estado, o conselheiro de Segurança Nacional e membros eminentes do Congresso. Nas palavras de Condoleezza Rice, eles representam a "esperança para o futuro do Egito". (http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=66&program=84)
Política dupla: conversar com "ditadores", misturar-se com "dissidentes"
Sob os auspícios da Freedom House, em maio de 2008 dissidentes egípcios e oponentes de Hosni Mubarak foram recebidos por Condoleezza Rice no Departamento de Estado e no Congresso dos EUA.
Em maio de 2009, Hillary Clinton encontrou-se com uma delegação de dissidentes egípcios, visitando Washington sob os auspícios da Freedom House. Foram reuniões de alto nível. Esses grupos de oposição, que desempenham um papel importante no movimento de protesto, estão destinados a servir aos interesses dos EUA. Os EUA são apresentados como um modelo de liberdade e de justiça. O convite de dissidentes para o Departamento de Estado e o Congresso dos EUA pretende instilar um sentimento de compromisso e lealdade a valores democráticos estadunidenses.
Os mestres dos fantoches apoiam o movimento de protesto contra os seus próprios fantoches. Chama-se a isso "alavancagem política", "fabricação de dissidentes". O apoio a ditadores, bem como a oponentes do ditador, é um meio de controlar a oposição política.
Essas ações, por parte da Freedom House e do National Edowment for Democracy, por conta das administrações Bush e Obama, asseguram que a oposição da sociedade civil financiada pelos EUA não dirigirá suas energias contra os mestres do fantoche por trás do regime Mubarak, nomeadamente o governo dos EUA.
Essas organizações da sociedade civil financiadas pelos EUA atuam como um "cavalo de Troia" incorporado dentro do movimento de protesto. Elas protegem os interesses dos mestres do fantoche. Asseguram que o movimento de protesto das bases não considerará a questão mais vasta da interferência estrangeira nos assuntos internos de Estados soberanos.
Facebook, Twitter e blogueiros apoiados e financiados por Washington
Em relação ao movimento de protesto no Egito, vários grupos da sociedade civil financiados por fundações com sede nos EUA têm dirigido o protesto com o Twitter e o Facebook:
"Ativistas do movimento Kifaya (Basta) do Egito – uma coligação de opositores ao governo – e o Movimento da Juventude 6 de Abril organizaram os protestos nas redes sociais dos sítios web do Facebook e Twitter". (Ver Voice of America, Egypt Rocked by Deadly Anti-Government Protests). O movimento Kifaya, que organizou uma das primeiras ações dirigidas contra o regime Mubarak em 2004, é apoiado pelo International Center for Non-Violent Conflict, com sede nos EUA, ligado à Freedom House. Por sua vez, a Freedom House está envolvida na promoção e no treino do Facebook e de blogs Twitter no Oriente Médio e no norte da África.
Os assistidos pela Freedom House adquiriram qualificações em mobilização cívica, liderança e planejamento estratégico, e se beneficiam de oportunidades em rede através da interação com doadores, organizações internacionais e a mídia baseados em Washington. Depois de retornarem ao Egito, os assistidos receberam pequenas subvenções para implementar iniciativas inovadoras, como advogar a reforma política no Facebook e em mensagens SMS. (http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=66&program=84)
De 27 de fevereiro a 13 de março [2010], a Freedom House hospedou 11 blogueiros do Oriente Médio e do norte da África [de diferentes organizações da sociedade civil] para um Advanced New Media Study Tour de duas semanas em Washington, DC. O Study Tour deu aos blogueiros treino em segurança digital, feitura de vídeos digitais, desenvolvimento de mensagens e mapeamento digital. Também participaram de uma reunião no Senado e encontraram-se com responsáveis de alto nível na USAID, no Departamento de Estado e no Congresso, bem como com a mídia internacional, incluindo a Al-Jazeera e o Washington Post [jornal dirigido por sionistas]. (http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=115&program=84&item=87)
Pode-se facilmente perceber a importância concedida pela administração dos EUA a esse programa de treino de blogueiros, complementado com reuniões no Senado, no Congresso, no Departamento de Estado etc.
O papel do movimento no Facebook e no Twitter como expressão de dissidência deve ser cuidadosamente avaliado à luz de ligações de várias organizações da sociedade civil à Freedom House, à National Endowment for Democracy e ao Departamento de Estado dos EUA.
A Fraternidade Muçulmana
A Fraternidade Muçulmana constitui o maior segmento da oposição ao presidente Mubarak. Segundo informações, a Fraternidade Muçulmana domina o movimento de protesto.
Apesar de haver uma proibição constitucional de partidos políticos religiosos, membros eleitos ao parlamento egípcio como "independentes" constituem o maior bloco parlamentar.
A Fraternidade, contudo, não constitui uma ameaça direta aos interesses econômicos e estratégicos de Washington na região. Agências de inteligência ocidentais têm uma longa história de colaboração com a Fraternidade. O apoio britânico à Fraternidade, instrumentado pelo Serviço Secreto Britânico, remonta à década de 1940. A partir da década de 1950, segundo o antigo responsável de inteligência, William Baer, "A CIA [canalizou] apoio à Fraternidade Muçulmana devido à louvável capacidade da Fraternidade para derrubar Nasser". (1954-1970: CIA and the Muslim Brotherhood Ally to Oppose
Egyptian President Nasser)
Essas ligações encobertas da CIA foram mantidas na era pós-Nasser.
Notas conclusivas
A remoção de Hosni Mubarak está há vários anos nos planos da política externa dos EUA.
A substituição de regime serve para assegurar continuidade, ao mesmo tempo que proporciona a ilusão de que se verificou uma mudança política significativa.
A agenda de Washington para o Egito tem sido "sequestrar o movimento de protesto" e substituir o presidente Hosni Mubarak por um novo fantoche complacente na chefia do Estado.
O objetivo de Washington é sustentar os interesses de potências estrangeiras e defender a agenda econômica neoliberal que serviu para empobrecer a população egípcia.
Do ponto de vista de Washington, a substituição de regime não exige mais a instalação de um regime militar autoritário, como no auge do imperialismo estadunidense. Ele pode ser implementado pela cooptação de partidos políticos, incluindo a esquerda, financiamento de grupos da sociedade civil, infiltração no movimento de protesto e manipulação de eleições nacionais.
Em relação ao movimento de protesto no Egito, o presidente Obama declarou, num vídeo de 28 de janeiro difundido no Youtube: "O governo não deveria recorrer à violência".
A questão mais fundamental é: qual a fonte daquela violência?
O Egito é o maior receptor de ajuda militar dos EUA. Os militares egípcios são considerados a base de poder do regime Mubarak.
As políticas estadunidenses impostas ao Egito e ao mundo árabe durante mais de vinte anos, a par de reformas de "mercado livre" e da militarização do Oriente Médio, são a causa e a raiz da violência de Estado.
A intenção dos EUA é utilizar o movimento de protesto para instalar um novo regime.
O Movimento Popular deveria redirecionar suas energias: identificar o relacionamento entre os EUA e "o ditador". Destronar o fantoche político dos EUA mas não esquecer o alvo dos "ditadores reais".
Desviar o processo de mudança de regime.
Desmantelar as reformas neoliberais.
Fechar as bases militares dos EUA no Egito e no mundo árabe.
Estabelecer um governo realmente soberano.
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© Copyright Michel Chossudovsky, Global Research, 2011
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context=va&aid=22993.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Yehuda Shaul, ex-oficial israelense, fala a jornalista francesa
A mentira e o terrorismo de Estado pode durar mais de seis décadas, como acontece na Palestina, mas não durarão para sempre…
Catherine Schwaab (CS): O seu livro é uma bomba pelas suas revelações: que efeito concreto espera?
Yehuda Shaul (YS): Espero poder enfim suscitar uma verdadeira discussão séria em Israel pois, desta vez, os nossos testemunhos são numerosos, verificados, incontestáveis: são 180 e tiramos deles uma análise, o que é novo. Pensa que a opinião pública ignora o que significa a ocupação militar dos territórios palestinos? O público tem clichês na cabeça que incitam à aprovação cega. Por exemplo, em hebreu, a política israelita nos territórios ocupados resume-se a quatro termos que não se pode contestar: «sikkul» (a prevenção do terrorismo), «afradah» (a separação entre a população israelita e a população palestina), «mirkam hayyim» (o «fabrico» da existência palestina) e «akhifat hok» (a aplicação das leis nos territórios ocupados). Na realidade, sob esses nomes em código escondem-se terríveis desvios que vão do sadismo à anarquia e rejeitam os mais elementares direitos da pessoa. Isso vai até aos assassinatos de indivíduos inocentes que se calcula serem terroristas. E não falo das prisões arbitrárias e dos assédios de toda a espécie.
CS: Qual é o objetivo disso?
YS: Está claramente definido: é o de mostrar a presença permanente do exército, de produzir o sentimento de ser-se perseguido, controlado, em suma, trata-se de impor o medo a todos na sociedade palestina. Opera-se de maneira irracional, imprevisível, criando um sentimento de insegurança que quebra a rotina.
CS: A ocupação dos territórios não será necessária para evitar «surpresas» terroristas?
YS: Não! A ocupação sistemática não se justifica, pois ela abrange uma série de interdições e de entraves inadmissíveis. Queremos discutir sobre isso agora. Nem no seio do exército nem no seio da sociedade civil ou política se quer enfrentar a verdade. E essa verdade é que nós criamos um monstro: a ocupação.
CS: Pode esperar-se que discussões sérias sobre a paz melhorem a situação?
YS: Não, tentar acabar com o conflito é uma coisa, acabar com a ocupação é outra. Estamos todos de acordo para procurar a paz, mas esquecemos a ocupação. Ora, é preciso começar por aí.
CS: Os seus testemunhos revelam a incrível impunidade de que se beneficiam os colonos, verdadeiros assistentes militares: eles brutalizam os vizinhos palestinos, levam os seus filhos à agressividade e ao ódio aos árabes…
YS: Certamente, mas não são eles o problema. É o mecanismo de ocupação que lhes deu esse poder desmedido. Eu, quando era militar em Hebron, não podia deter um colono que estivesse a infringir abertamente a lei sob os meus olhos. Eles fazem parte desse sistema imoral.
CS: Pensa encontrar um apoio na opinião israelita?
YS: Por enquanto, somos minoritários mas otimistas! Temos de sê-lo, pois vivemos tempos sombrios, a opinião israelita é apática, as pessoas estão fartas. E o preço a pagar por esta ocupação não é pesado. É a razão por que não há vontade política. Em contrapartida, o preço moral é enorme.
CS: É a primeira vez que são feitas tais revelações?
YS: Não, há um ano, tínhamos contado as pilhagens na faixa de Gaza e tínhamos sido atacados por todos os lados: pelo exército, pela sociedade civil e a sociedade política. Netanyahu acusou-nos de termos «ousado quebrar o silêncio». Mas que silêncio? É um silêncio vergonhoso sobre um escândalo estrondoso! Eles fizeram tudo para nos desacreditar. Saiu-lhes mal, pois nós somos todos antigos oficiais que vivemos esses acontecimentos terríveis.
CS: Precisamente, muitos soldados e oficiais que se expressam parecem traumatizados pelo que tiveram de fazer. Um sofrimento que permanece.
YS: Sim… Enfim, não nos enganemos: as vítimas, são os palestinos que aguentam esse controle. Hei de sempre recordar a resposta de um comandante do exército durante uma discussão televisiva em 2004. Tínhamos organizado uma exposição de fotografias com um vídeo de testemunhos. Ele disse-me: «Concordo com o que vocês mostram, mas é assim, temos de aceitá-lo, isso chama-se crescer, tornar-se adulto». Fiquei sem palavras.
CS: Algumas pessoas pensam que Israel tem interesse em manter o conflito e que os palestinos nunca terão as suas terras.
YS: É falso. É impossível erradicar uma população de 3,5 milhões de habitantes. O problema não está em dar-lhes uma terra, mas na obsessão de querer controlá-los.
CS: Serão as jovens gerações dos 20-30 anos mais permeáveis a seu ponto de vista?
YS: Nem toda a minha geração está de acordo comigo, mas ninguém pode dizer que minto. Somos todos ex-membros do exército nacional, pagamos o preço, ganhamos o direito de falar. É preciso que os espíritos mudem a partir de dentro.
CS: Você é judeu ortodoxo e tem um discurso estranhamente aberto. A sua fé ajuda-o neste combate?
YS: Nem por isso… Mas eu sei o que significa ser judeu religioso: não ficar silencioso perante o que está mal. E quero trazer uma solução, não um problema.
A versão em português deste texto foi publicada em: http://www.egaliteetreconciliation.fr/ Fonte: ODiario.info

