Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

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terça-feira, 22 de março de 2011

Assaltantes de petróleo iniciam ataque aéreo - "Ajuda humanitária” mata civis na Líbia

Mísseis dos EUA, França e Reino Unido explodem hospital, pontes e casas

A operação “Odisséia do Amanhecer” assassinou, em três dias consecutivos de ataques, mais de 100 civis e feriu centenas – inclusive crianças e mulheres; atingiu hospital, ônibus e casas; devastou estradas, pontes, aeroportos civis e até uma aldeia de pescadores; e incendiou um oleoduto.

A residência de Kadafi no bairro de Bab el Azizia, na capital, que Reagan bombardeou em 1986, voltou a ser destruída 25 anos depois por míssil disparado de submarino inglês.

Além de Trípoli, já foram bombardeadas Benghazi, Zuwarah, Sirta, Tarhuna, Misrata, Maamura, Jmeil, Sebha e outras cidades.

fonte: A Hora do Povo

terça-feira, 8 de março de 2011

Isso não merece um Tribunal Penal Internacional?

Bombas sionistas propagam o câncer e más formações em Gaza

Alguns dias atrás, a Assembléia Geral da ONU expulsou a Líbia do Conselho de Direitos Humanos, enquanto os antecedentes da Líbia foram enviados ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra.

A decisão da ONU se baseia em "suposições" e “presunções", porque não havia nenhuma evidência de mortos como foi falado, até então.

Veja aqui os dois pesos da chamada comunidade internacional, quando se trata de analisar o que torna uma das engrenagens mais simbólicas do Imperialismo - o sionismo:

O número de pacientes com câncer e má formação tem aumentado em Gaza, devido ao uso de urânio empobrecido pelo exército israelita, durante o violento ataque ao pobre enclave durante dois anos, segundo fontes médicas.

Após a guerra, os casos de câncer aumentaram mais de 30% em Gaza, informou o correspondente da PressTV esta semana.

"Temos visto um aumento acentuado em pacientes com câncer de sangue e outras doenças. Muitos pacientes vêm de áreas que foram atacadas por aviões israelenses que usaram armas químicas proibidas", disse o oncologista Mohammed Atteya.

O Hospital Shifa, o maior provedor de cuidados de saúde na Faixa de Gaza, tem presenciado recentemente um forte aumento no número de pacientes com câncer.

Os médicos afirmam que a maioria dos pacientes de câncer reside em áreas que foram fortemente bombardeadas durante a ofensiva de Israel sobre Gaza, no inverno de 2008-2009.
O ataque israelense matou 1.400 palestinos e deixou milhares de feridos; a maioria das vítimas era civil.

Naquele momento, os médicos noruegueses, voluntários em hospitais de Gaza, afirmaram que algumas vítimas tinham traços de urânio empobrecido em seus corpos.

Os danos ambientais e a poluição é outro subproduto infeliz da guerra.

As medições do pós-guerra indicam que áreas no enclave são mil vezes mais radioativas do que os níveis normais, e os casos de câncer e má formação começaram a surgir diariamente.

"O número de pacientes com câncer tem aumentado significativamente. Israel usou urânio empobrecido, fósforo branco contra a cidade, que se tornou um campo de testes para essas armas proibidas", disse o especialista ambiental Zekra Ajour.

Um denominador comum entre pacientes com câncer é que eles vivem em áreas que foram fortemente bombardeadas.

Atualmente, a maioria das armas da mais alta tecnologia contém urânio empobrecido e outros metais pesados.

O resíduo de uma arma com urânio empobrecido pode ser espalhado pelo vento, infectando os residentes nas proximidades e contaminando a cadeia alimentar.

De acordo com médicos especialistas e ambientalistas, a população e o meio ambiente da Faixa de Gaza sofreram graves conseqüências do uso de armas proibidas internacionalmente por Israel durante a guerra.

agência de notícias anarquistas-ana

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Questionamentos a serem feitos sobre acontecimentos atuais na Líbia

De todas as lutas que agora decorrem no Norte de África e no Médio Oriente, a mais difícil de deslindar é aquela na Líbia.
Qual é o carácter da oposição ao regime Kadafi, a qual consta que agora controla a cidade de Bengazi, no Leste do país?
Será apenas coincidência que a rebelião tenha começado em Bengazi, a qual é a norte dos mais ricos campos petrolíferos da Líbia bem como próxima da maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto de gás natural liquefeito (GNL)? Haverá um plano de partição do país?
Qual é o risco de intervenção militar imperialista, a qual apresenta grave perigo para o povo de toda a região?
A Líbia não é como o Egipto. Seu líder, Moamar Kadafi, não tem sido um fantoche imperialista como Hosni Mubarak. Durante muitos anos, Kadafi esteve aliado a países e movimentos que combatiam o imperialismo. Ao tomar o poder em 1969 através de um golpe militar, ele nacionalizou o petróleo da Líbia e utilizou grande parte do dinheiro para desenvolver a economia líbia. As condições de vida do povo melhoraram radicalmente.
Por isso, os imperialistas estavam determinados a deitar a Líbia abaixo. Os EUA em 1986 realmente lançaram ataques aéreos a Trípoli e Bengazi que mataram 60 pessoas, incluindo a menina filha de Kadafi – o que raramente é mencionado pelos media corporativos. Foram impostas sanções devastadoras tanto pelos EUA como pela ONU a fim de arruinar a economia líbia.
Depois de os EUA invadirem o Iraque em 2003 e arrasarem grande parte de Bagdad com uma campanha de bombardeamento que o Pentágono exultantemente chamou "pavor e choque", Kadafi tentou evitar a ameaça de outra agressão à Líbia fazendo grandes concessões políticas e económicas ao imperialismo. Ele abriu a economia a bancos e corporações estrangeiras; concordou com exigências do FMI quanto ao "ajustamento estrutural", privatizando muitas empresas estatais e cortando subsídios do estado a necessidades como alimentos e combustível.
O povo líbio está a sofrer dos mesmos preços elevados e desemprego que estão na base das rebeliões em outros lados e que decorre da crise económica capitalista mundial.
Não pode haver dúvida de que a luta que varre o mundo árabe pela liberdade política e a justiça económica também tocou um ponto sensível na Líbia. Não há dúvida de que o descontentamento com o regime Kadafi está a motivar uma secção significativa da população.
Contudo, é importante para gente progressista saber que muitas das pessoas que estão a ser promovidas no Ocidente como líderes da oposição são há muito agente do imperialismo. A BBC mostrou em 22 de Fevereiro filmes de multidões em Bengazi deitando abaixo a bandeira verde da república e substituindo-a pela bandeira do antigo rei Idris – que foi um fantoche dos EUA e do imperialismo britânico.
Os media ocidentais baseiam grande parte das suas reportagens sobre supostos factos fornecidos pelos grupo exilado Frente Nacional para a Salvação da Líbia (National Front for the Salvation of Libya), a qual foi treinada e financiada pela CIA estado-unidense. Pesquise no Google o nome da frente mais CIA e encontrará centenas de referências.
O Wall Street Journal de 23 de Fevereiro escreveu em editorial que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubarem o regime Kadafi". Não há qualquer conversar nas salas das administrações ou nos corredores de Washington acerca de intervir para ajudar o povo do Kuwait ou da Arábia Saudita ou do Bahrain a derrubarem seus governantes ditatoriais. Mesmo com todos os falsos elogios às lutas de massas que agora sacodem a região, isso seria impensável. Em relação ao Egipto e à Tunísia, o imperialismo está a mover todas as alavancas que podem para tirar as massas das ruas.
Tão pouco houve qualquer conversa de intervenção dos EUA para ajudar o povo palestino de Gaza quando milhares morrerem por serem bloqueados, bombardeados e invadidos por Israel. Exactamente o oposto. Os EUA intervieram para impedir a condenação do estado colonizador sionista.
O interesse do imperialismo na Líbia não é difícil de descobrir. Em 22 de Fevereiro a Bloomberg. com escreveu: se bem que a Líbia seja o terceiro maior produtor de petróleo da África, é o país do continente que tem as maiores reservas provadas — 44,3 mil milhões de barris. É um país com uma população relativamente pequena mas com potencial para produzir enormes lucros para as companhias de petróleo gigantes. É assim que os super ricos a encaram e o que está por trás da sua apregoada preocupação com os direitos democráticos do povo da Líbia.
Obterem concessões de Kadafi não é suficiente para os barões imperialistas do petróleo. Eles querem um governo sob a sua dominação total, tudo do bom e do melhor. Eles nunca esqueceram Kadafi por derrubar a monarquia e nacionalizar o petróleo. Fidel Castro, em Cuba, na sua coluna "Reflexões" regista o apetite do imperialismo por petróleo e adverte que os EUA estão a lançar as bases para a intervenção militar na Líbia.
Nos EUA, algumas forças tentam mobilizar uma campanha a nível de rua promovendo uma tal intervenção estado-unidense. Deveríamos opor-nos a isto totalmente e recordar a qualquer pessoa bem intencionada os milhões de mortos e deslocados pela intervenção dos EUA no Iraque.
As pessoas progressistas têm simpatia com o que encaram como um movimento popular na Líbia. Podemos ajudar tal movimento principalmente pelo apoio às suas exigências justas mas rejeitando uma intervenção imperialista, seja qual for a forma que assuma. É o povo da Líbia que deve decidir o seu futuro.
Articles copyright 1995-2011 Workers World. Verbatim copying and distribution of this entire article is permitted in any medium without royalty provided this notice is preserved.
Ver também: Faut-il intervenir militairement en Libye ? , de Alain Gresh
O original encontra-se em http://www.workers.org/2011/editorials/libya_0303/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/africa/libia_23fev11.html

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Gilberto Gil, não arruine a luta palestina pela liberdade: Cancele seu show em Israel

O grupo do BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) pede para fazer circular a carta e dizer que eles estão disponíveis para contato com a mídia brasileira a respeito da carta, claro, se for o caso de conseguirmos maior divulgação do movimento de boicote que está batalhando para que Gil cancele seu show em Israel.

http://boycottisrael.info/content/gilberto-gil-dont-undermine-palestinian-struggle-freedom-cancel-show-israel

Gilberto Gil, Don't Undermine the Palestinian Struggle for Freedom: Cancel Show in Israel!


February 3, 2011
Dear Gilberto Gil,
We are members of a group of over 200 Israeli citizens who support the Palestinian-led cultural boycott of Israel. As an artist who was himself imprisoned and exiled by a military regime in your country, we heard with dismay about your scheduled April 14 concert in Tel-Aviv. The Palestinian Call [1] for Boycott, Divestment and Sanctions (BDS) was issued in 2005 by over 170 Palestinian civil society organizations in order to counter racism and such oppressive mechanisms as mass unlawful expulsion and imprisonment. We are aware that you visited Israel in the past. It is not much due to the act itself but due to its current context that we urge you now to heed the Palestinian Call and cancel your scheduled performance in Israel. By doing so you will stand by a globally growing, human rights-based and non-violent civil society Palestinian initiative.
The BDS Call is the most unitary Palestinian political initiative today. It represents people of all sections who used to live in historic Palestine: Palestinians living under military siege and occupation in the West Bank and the Gaza Strip; Palestinian citizens of Israel, who were subjected to a military regime until 1966 and since then have been facing an apartheid-like systematic racist discrimination by Israel; and Palestinian refugees who were looted and expelled by Israel in 1948 and live with their descendants in refugee camps in Gaza and the West Bank or in exile (some of whom live in Israel). Rather than falsely addressing the colonial conflict in Israel\Palestine in terms of a mere territorial dispute, and refraining to prescribe solutions, the BDS Call is focused on international law and on the rights of the Palestinian people and individuals, which should be the basis for any just and peaceful solution.
The BDS Call is inspired by similar campaigns launched by the indigenous people of South Africa in order to overthrow apartheid there, a struggle in which cultural boycotts played a crucial role in raising global attention to the oppression of the South-Africans. The Call is endorsed by almost the entire community [2] of Palestinian cultural workers and many international supporters. It also inspires and is endorsed by unarmed popular struggle activists such as Bil'in's Abdallah Abu Rahmah who is held for over a year now in an Israeli military prison for the vague accusations of “incitement” and “organizing illegal demonstrations”. Abu Rahmah's imprisonment sparked wide international condemnation: Amnesty international labeled him a prisoner of conscience [3] and the EU repeatedly condemned [4] his persecution. In a letter from prison he encourages his supporters: “you amplified our popular demonstrations in Palestine with international boycott campaigns and international legal actions under universal jurisdiction” [5].
Another human rights activist held in an Israeli prison and recently sentenced to 9 years is Ameer Makhoul. Makhoul is a Palestinian Arab citizen of Israel and General Director of Ittijah, an umbrella organization for about 80 civil society NGOs, which was established by Palestinian citizens of Israel and is one of the signatories of the 2005 BDS Call. Makhoul was brutally arrested by the Israeli Shabak, tortured and denied his legal rights, among them meeting his lawyers. His case was also media gagged at the same time. In his letter from prison he states [6]:
“Based on my experience and on the findings regarding 7,000 Palestinian prisoners in Israeli jails, the Shabak having no evidence does not mean the end of the game. They have their secret weapon, which is the so-called 'secret evidence.' They present it to the judges, but neither me nor my lawyers are allowed to know what it is about. The Israeli system will never blame the state or the Shabak, but will blame their Palestinian victims.“
Makhoul was convicted of making contact with 'a foreign agent', a term so vague in the Israeli security lexicon, as he himself explains: “Israel will never allow its court to declare me as innocent. On the other hand, every Palestinian refugee of Arab friend or partner in the Arab world is potentially considered a so-called 'foreign agent.'”Amnesty International condemned Makhoul's persecution as well. [7]
In order to end such injustices and their inequality-rooted causes, many international artists recently cancelled their scheduled performance in Israel. Some of them and many others explicitly pledged support for the cultural boycott. Here are some of the names and petition lists of such artists: Carlos Santana, Gil Scott Heron, Elvis Costello, Devendra Banhart, Dave Randall [8] and Maxi Jazz of Faithless, Vanessa Paradis, Robert Del Naja of Massive Attack[9], 200 Irish artists [10], 500 Montreal artists [11], the international alliance Artists against Apartheid [12], South-African Artists Against Apartheid [13] and Creative Workers Union of South Africa.
In honor of your anti-racist and human rights legacy, we hope you will add your name to this important and growing international effort.


Sincerely,


Ayala Shani
Liad Kantorowicz
Ronnie Barkan
Shir Hever
Ofer Neiman
Ronnen Ben-Arie
Ohal Grietzer
Dorothy Naor
Yael Oren Kahn
Renen Raz
Rachel Giora
Neta Golan


On behalf of
Boycott! Supporting the Palestinian BDS Call from within
http://boycottisrael.info

[1] http://bdsmovement.net/?q=node/52
[2] http://www.pacbi.org/etemplate.php?id=315
[3] http://www.popularstruggle.org/content/amnesty-international-labels-abdallah-abu-rahmah-prisoner-conscience
[4] http://www.popularstruggle.org/content/eu-condemns-persecution-bilins-abdallah-abu-rahmah-second-time
[5] http://www.popularstruggle.org/content/letter-ofer-prison
[6] http://electronicintifada.net/v2/article11644.shtml
[7] http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/palestinian-human-rights-activist-jailed-israel-2011-01-30
[8] Dave Randall (Faithless) on 5fm: I support www.southafricanartistsagainstapartheid.com : http://www.youtube.com/watch?v=XpE5AjsBiqw
[9] http://www.newstatesman.com/music/2010/09/israel-interview-boycott-naja
[10] http://www.ipsc.ie/pledge
[11] http://www.tadamon.ca/post/5824
[12] http://www.artistsagainstapartheid.org/?page_id=552
[13] http://www.southafricanartistsagainstapartheid.com/2010/11/declaration.html

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Extraditar um refugiado ao país onde é perseguido é abrir um precedente perigoso que pôe em risco qualquer refugiado em solo brasileiro

Aqui vai a convocação do Comitê Battisti Livre.




favor passar adiante,convidar as organizações e pessoas. Obrigada. Lúcia Skromov



Fortalecer a campanha pela imediata liberdade de Cesare Battisti!



Quase quatro anos se passaram e Cesare Battisti continua preso no Brasil desde que foi capturado no Rio de Janeiro em março de 2007 através de uma operação orquestrada pelos governos italiano, francês e a Polícia Federal brasileira. A prisão preventiva mantém-se graças às pressões que o governo de Silvio Berlusconi exerce sobre Brasília para que o ex-militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) seja extraditado a fim de cumprir prisão perpétua nas masmorras italianas, sendo seis meses com a privação da luz solar. Toda espécie de arbitrariedades políticas e jurídicas foi realizada para condenar Cesare Battisti por quatro assassinatos que não cometeu. No Brasil não é diferente: Lula negou a extradição do escritor italiano, mas devolveu ao Supremo Tribunal Federal a possibilidade de apreciação de sua decisão baseada no Tratado Brasil-Itália celebrado em 1989.



O conservador STF, através de seu presidente Cezar Peluso e do relator Gilmar Mendes, declararam que “tudo será considerado a seu tempo”, sinalizando que arquitetarão novo malabarismo jurídico para prolongar a agonia de Cesare Battisti na penitenciária federal da Papuda, no DF. Com o agravamento das denúncias de pedofilia contra o primeiro-ministro Berlusconi, a classe dominante italiana e o setor mais conservador da sociedade intensificam a caçada ao escritor como forma de desviar o foco da opinião pública dos escândalos em que se encontra envolvido. A perseguição ao ex-ativista é, antes de mais nada, um troféu na guerra deflagrada pelos setores reacionários italianos e brasileiros no combate àqueles que se levantaram contra o regime de exploração lançando mão da ação direta como forma de realizar justiça social. Com isso, os que clamam pela extradição de Cesare Battisti buscam puni-lo exemplarmente como forma de atemorizar os lutadores do presente e do futuro contra qualquer possibilidade de revolta contra as diferentes formas de opressão, super exploração e a retirada de direitos sociais da classe trabalhadora.



Várias entidades, movimentos sociais, organizações políticas, coletivos, ativistas ligados aos direitos humanos e às reivindicações democráticas tiveram a iniciativa de conformar comitês em várias regiões do país a fim de lutar contra a extradição de Cesare Battisti, e exigir seja do STF ou do Poder Executivo sua imediata liberdade e concessão de asilo político no Brasil. Afinal, é de comum compreensão que esta perseguição pode-se voltar contra qualquer um de nós que ouse lutar por melhores condições de vida através da livre organização social. Apenas uma mudança na correlação de forças poderá acabar com a “fuga sem fim” do escritor italiano. Vários debates e manifestações foram realizados no Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Mas estes foram apenas os primeiros passos de uma longa jornada de lutas até alcançarmos nosso objetivo. Para os próximos dias, convocamos aqueles ativistas, organizações, movimentos e entidades sindicais que ainda não aderiram à campanha internacionalista a ingressar ativamente nestas atividades, conforme calendário a seguir:







- Manifestação com concentração no MASP

(na sequência caminharemos até o Consulado Italiano, na Av. Paulista)

18 de fevereiro, sexta-feira, às 17 horas



- Plenária ampliada com entidades, movimentos e representações políticas:

19 de fevereiro, sábado, às 15:00

Espaço Mané Garrincha

Rua Silveira Martins, 131, sala 11.



- Saída da caravana a Brasília

22 de fevereiro, terça-feira, 16 horas



- Ato político em Brasília e visita a Cesare Battisti

23 de fevereiro, quarta-feira



A liberdade de Cesare Battisti depende exclusivamente de nossa capacidade de luta! Junte-se a nós!



Comitê Battisti Livre - SP

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Israel envia a Mubarak armas para dispersar multidões

http://parallaksismundo.blogspot.com/2011/02/israel-envia-mubarak-armas-para_10.html

Os sionistas dão mais uma prova de que desrespeitam a soberania dos povos vizinhos e seu direito de escolher como querem viver. Agora querem reprimir as manifestações da população egípcia contra o regime de Mubarak, na tentativa de mantê-lo no poder.
A Rede Internacional para os Direitos e o Desenvolvimento afirmou que apoio logístico israelense foi enviado ao presidente do Egito, Hosni Mubarak, para ajudar seu regime a enfrentar as manifestações públicas exigindo sua deposição. Segundo relatórios da organização não-governamental, três aviões israelenses aterrissaram no Aeroporto Internacional do Cairo no sábado, carregando equipamentos perigosos para dispersar multidões e reprimi-las.
O comunicado da Rede Internacional afirma que as forças de segurança egípcias receberam a carga completa de três aviões israelenses que carregavam uma quantidade abundante de gás internacionalmente proibido para dispersar multidões. Se as notícias forem precisas, indicam que o regime egípcio está se preparando para o pior em defesa da sua posição, apesar do naufrágio país no caos.
No domingo, 30 de janeiro, o primeiro-ministro sionista Benjamin Netanyahu dirigiu-se aos ministros do governo israelense em uma declaração pública dizendo: "Nossos esforços visam a manutenção continuada da estabilidade e da segurança na região ... e devo lembrar que a paz entre Israel e Egito durou mais de três décadas ... atualmente trabalhamos para garantir a continuidade dessas relações ... Estamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos no Egito e na região em alerta ..."
O primeiro-ministro sionista pediu aos ministros do governo israelense que se abstenham de fazer quaisquer declarações adicionais para a mídia.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Israel bombardeou a Faixa de Gaza, de Novo

Os sionistas continuam a aterrorizar a população de Gaza e a deixá-la cada vez mais desamparada.

Nesta quarta-feira, 9 de fevereiro, aviões israelenses realizaram uma série de ataques aéreos na Faixa de Gaza e destruíram um armazém onde era guardado material médico.


Os ataques começaram pouco depois da meia-noite e acertaram vários pontos da faixa costeira, de Jabaliya, no norte, até a fronteira de Rafah com o Egito, ao sul.


Incêndios devastaram o armazém até as primeiras horas da manhã, apesar do trabalho de bombeiros e voluntários, que ainda tentaram salvar suprimentos médicos.


Uma oficina de carpintaria vizinha ao armazém também foi afetada pelos bombardeios.


O porta-voz dos Serviços de Emergência, Abu Adham, afirmou que oito civis foram feridos pelas bombas israelenses, incluindo duas crianças e três mulheres.


As vítimas foram levadas para o hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza.
Abu Adham salientou que já existe uma grave escassez de remédios e suprimentos médicos no território palestino, em consequência do bloqueio israelense.


Em sua avaliação, o ataque aéreo alvejou a armazém na tentativa de subjugar ainda mais a população civil.


Os caças-bombardeiros F-16 israelenses também dispararam dois mísseis em um aterro vazio no sudeste da cidade de Gaza.


Ali não foram registradas vítimas com ferimentos físicos.


Dois homens ficaram feridos no sul da Faixa de Gaza.


Esse ataque é parte da limpeza étnica que os sionistas praticam contra os palestinos, uma vez que dificulta e interdita o tratamento de doentes, causando sofrimento físico e psicológico, incapacitação e morte.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Carta ao Gilberto Gil para aderir ao Boicote Cultural a Israel

3 de Fevereiro de 2011

Querido Gilberto Gil,

Como admiradores de longa data da sua música e cientes de seu compromisso com a liberdade e justiça social, e como ativistas ficamos surpresos e incomodados ao saber que você pretende fazer um show em Israel em abril.
Como parte do chamado da sociedade civil palestina em 2005 para o Boicote, o Desinvestimento e Sanções (BDS) e inspirado pelo boicote cultural ao apartheid na África do Sul, o povo palestino pede a artistas internacionais a se juntarem ao movimento BDS cancelando shows e eventos em Israel, que só servem para igualar o ocupante ao ocupado e, portanto, promover a continuação da injustiça. Em outubro do ano passado o Sul Africano Desmond Tutu, consagrado com o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra o Apartheid, apelou a ópera de seu país a cancelar a apresentação agendada em Israel. Um show em Israel enfraquece a chamada para o BDS até que Israel cumpra os requisitos básicos do direito internacional, pondo fim à ocupação militar, à tomada de terras e construção de novas colônias nos territórios palestinos, respeitando os direitos humanos e os direitos dos refugiados.

A participação em um show em Israel não é um ato neutro, desprovido de qualquer mensagem política. Como disse o falecido Howard Zinn: você não pode ser neutro em um trem em movimento. Ao participar de um evento em Israel, você estará apoiando a campanha israelense para encobrir violações do direito internacional e projetar uma imagem falsa de normalidade. Qualquer afirmação que você deseje fazer através da sua participação neste evento seria ofuscada pelo fato de que você está atravessando um piquete internacional estabelecido pela grande maioria das organizações da sociedade civil na Palestina. Na verdade, uma mensagem de paz justa atingiria muito mais pessoas, incluindo israelenses, se você cancelar a sua participação.

Desde a guerra de Israel contra Gaza em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que deixou 1.400 palestinos mortos e conduziu o relatório Goldstone a declarar que Israel cometeu crimes de guerra, muitos artistas internacionais se recusaram a tocar em um país que se coloca acima dos direitos humantos e do direito internacional. Após o ataque de Israel a um navio de ajuda humanitária com destino a Gaza em maio do ano passado, o número de artistas cresceu. Elvis Costello, Gil Scott Heron, Carlos Santana, Roger Waters, Devendra Banhart, e os Pixies são apenas alguns dos artistas que se recusaram a realizar shows em Israel no ano passado.

Pedimos-lhe para se juntar à lista crescente de artistas que tem respeitado o pedido de boicote.

Durante as últimas décadas, a partir do movimento dos Direitos Civis nos EUA até os movimentos anti-guerra em todo o mundo, quando os nossos governos não conseguem deter as pessoas responsáveis por graves violações dos direitos humanos, nós temos a responsabilidade de fazê-lo. O Sul Africano Desmond Tutu disse que "se o apartheid na África do Sul terminou, esta ocupação também terminará, mas a força moral e a pressão internacional terão de ser tão determinadas quanto". A chamada palestina para o BDS chega a partir da sociedade civil palestina até a sociedade civil em todo o mundo, incluindo Israel, para aderir a este movimento de libertação.

Ficaremos felizes em discutir isso mais a fundo com você, e apoiá-lo no quer for necessário. Nós estamos simplesmente pedindo que você faça isso de uma maneira a não prejudicar o crescimento global liderado pelo movimento BDS da causa palestina. Com todo o respeito por seu legado de resistência na ditadura militar brasileira, pela liberdade e contra o racismo no mundo nós te convidamos a participar dessa luta por justiça e cancelar seu show em Israel no mês de abril.



Com grande respeito,

FRENTE EM DEFESA DO POVO PALESTINO
Abib - Associação Beneficente Islâmica do Brasil
Apta - Associação para Prevenção e Tratamento da Aids
Associação Islâmica de São Paulo
Casa da América Latina
Comitê de Solidariedade aos Povos Árabes
Conlutas - Coordenação Nacional de Lutas
Elac - Encontro Latino Americano e Caribenho de Trabalhadores
ICArabe - Instituto da Cultura Árabe
Intersindical
Jornal Al Baian
Juventude Novos Palmares
Liga da Juventude Islâmica
Mopat - Movimento Palestina para Todos
PCB - Partido Comunista Brasileiro
PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
Revolutas
SBM - Sociedade Beneficente Muçulmana
Sociedade Palestina de São Paulo
Ujaal - União da Juventude Árabe para a América Latina
UNI - União Nacional de Entidades Islâmicas
Uemb - União dos Estudantes Muçulmanos do Brasil
DCE da USP - Universidade de São Paulo

Adalah-NY: The New York Campaign for the Boycott of Israel
Americans Against Apartheid UK
Arab Cultural Forum
Artists Against Apartheid UK
Association of Al-Quds Bank for Culture and Information
BDS Platform in the Netherlands
Birthright Unplugged
Boston BDS
BOYCOTT! Supporting the Palestinian BDS Call from Within (Israel)
British Committee for the Universities of Palestine (BRICUP)
Cafe Intifada
Canadian Arab Federation
Coalition Against Israeli Apartheid (CAIA), Toronto
Davis Committee for Palestinian Rights
Don’t Buy Into Apartheid
Don’t Play Apartheid Israel (DPAI)
Educators for Peace and Justice (Toronto)
Fredericton Palestine Solidarity (New Brunswick)
Independent Jewish Voices (Canada)
International Jewish Anti-Zionist Network (IJAN)
International Solidarity Movement (ISM)
Ireland Palestine Solidarity Campaign
Jews for Boycotting Israeli Goods (J-BIG)
Jews Say No!
Los Angeles Palestine Labor Solidarity Committee
Not in Our Name: Jews Opposing Zionism
One Democratic State Group
Palestine Solidarity Committee-Seattle
Palestine Solidarity Group-Chicago
Palestinian Students Campaign for the Academic Boycott of Israel (Gaza)
Queers Against Israeli Apartheid (QuAIA), Toronto
Queers Undermining Israeli Terrorism (QUIT)
Sheffield Palestine Solidarity Campaign (UK)
Students Against Israeli Apartheid Carleton
Tadamon! Montreal
University Teachers’ Association in Palestine
US Campaign for the Academic and Cultural Boycott of Israel
US Campaign to End the Israeli Occupation
WESPAC Foundation
Women in Solidarity with Palestine (WSP), Toronto
Women of a Certain Age

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Refugiados Palestinos - O Brasil recebeu... mas não ACOLHEU

Segue os principais tópicos que justificam afirmar que os palestinos trazidos do campo de refugiados de Ruweished (Jordânia) foram ABANDONADOS no Brasil, por AUSENCIA DE UMA POLÍTICA ESPECÍFICA brasileira para receber reassentados palestinos, vítimas de perseguição mortal quando os Estados Unidos invadiu o Iraque, onde esses nossos irmãos palestinos se encontravam reassentados:

Na verdade, os tópicos listados abaixo são CONSTATAÇÕES FACTUAIS que DETERMINARAM o abandono dos reassentados palestinos no Brasil e a impossibilidade de UNIDADE POLÍTICA entre eles.

1- Foram trazidos no Programa de Reassentamento Solidário, em três grupos, separados, entre setembro e outubro de 2007 e reassentados em estados distantes entre si: Mogi das Cruzes/SP e Venâncio Aires/RS;

2- O programa se mostrou totalmente equivocado;

3- Prazo do programa de apenas dois anos;

4- Foram instalados em casas alugadas, ao invés de o governo lhes disponibilizar casas que começassem a pagar, com subsídio governamental, somente após um nível satisfatório de adaptação e integração social, em condições de trabalhar, resolver problemas burocráticos como qualquer brasileiro e livres da condição de hiposuficiência;

5- Ausência de assistência especial aos idosos e deficientes;

6- Aulas de português sem metodologia e apenas seis horas por semana, que tinham ainda que conciliar com a necessidade de trabalhar ou optar por uma das duas coisas, por insuficiência do auxílio subsistência pago pela ACNUR-Brasil;

7- Ausência de acompanhamento (visitas às famílias) permanente e avaliação periódica durante o processo de adaptação;

8- Despreparo para o trato com refugiados por parte dos funcionários contratados pelas ONGs responsáveis pelo acompanhamento local;

9- Inobservância quanto aos direitos estabelecidos no Estatuto do Refugiado, por parte da própria ACNUR-Brasil e das ONGs católicas gestores do programa;

10- Ausência de assistência de intéprete;

11- Ausência de assistência jurídica;

12- Ausência de assistência psicológica;

13- Ausência de assistência odontológica;

14- Assistência médica quase nula por falta de intérprete - causa principal de algumas das mortes ocorridas;

15- Ausência de auxílio funeral. Sete já faleceram, sendo cinco dos reassentados em Mogi das Cruzes;

16- Ausência de orientações quanto aos seus direitos e deveres;

17- Atraso na expedição de seus documentos;

18- Ausência de preparação aos agentes públicos para o atendimento aos refugiados;

19- Modelo de gestão tripartite (CONARE, ACNUR-Brasil e ONGs católicas), sem especificação de responsabilidades, civil e criminal;

Resta a suspeita de que tenha sido até proposital criar essa situação, pela forma como foi elaborado o programa de reassentamento no Brasil, dos palestinos de Ruweished.







Ao lado, foto do sr. Hamdan,
um dos 7 já falecidos. Faleceu
em 19/10/2009, em Brasília,
onde permaneceu acampado,
juntamente com outros palestinos.
Determinado, lutou até o fim,
sem esmorecer, na defesa dos
direitos dos palestinos reassentados
no Brasil.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

“Ditadores" não ditam ordens. Eles as obedecem.

De todos os artigos que li até agora, a análise que segue abaixo, de Michel Chossudovsky é a mais elucidadativa sobre o que realmente está por trás das últimas manifestações no Egito.

por Michel Chossudovsky
O regime Mubarak pode entrar em colapso em consequência do vasto movimento de protesto em escala nacional. Quais as perspectivas para o Egito e para o mundo árabe?
"Ditadores" não ditam ordens. Eles as obedecem. Isso é verdade tanto na Tunísia como na Argélia e no Egito.
Ditadores são sempre fantoches políticos. Os ditadores não decidem.
O presidente Hosni Mubarak foi o fiel servidor dos interesses econômicos ocidentais e assim era Ben Ali.
O governo nacional é o objeto do movimento de protesto. O objetivo é remover o fantoche em lugar do mestre do fantoche. Os slogans no Egito são "Abaixo Mubarak, abaixo o regime". Não há cartazes antiamericanos... A influência avassaladora e destrutiva dos EUA no Egito e em todo o Oriente Médio permanece oculta. As potências estrangeiras que operam nos bastidores estão protegidas do movimento de protesto.
Nenhuma mudança política significativa se verificará a menos que a questão da interferência estrangeira seja tratada de modo explícito pelo movimento de protesto.
A Embaixada dos EUA no Cairo é uma entidade política importante, sempre ofuscando o governo nacional, e não é alvo do movimento de protesto. No Egito, em 1991, foi imposto um devastador programa do FMI na altura da Guerra do Golfo. Ele foi negociado em troca da anulação da multimilionária dívida militar do Egito para com os EUA, bem como de sua participação na guerra. A resultante desregulamentação dos preços dos alimentos, a privatização geral e medidas de austeridade maciças levaram ao empobrecimento da população egípcia e à desestabilização da sua economia.
O Egito era louvado como um "aluno modelo" do FMI. O papel do governo de Ben Ali na Tunísia foi impor os remédios econômicos mortais do FMI, os quais, num período de mais de vinte anos, serviram para desestabilizar a economia nacional e empobrecer a população tunisiana. Ao longo dos últimos 23 anos, a política econômica e social na Tunísia foi ditada pelo Consenso de Washington.
Tanto Hosni Mubarak como Ben Ali permaneceram no poder porque seus governos obedeceram e aplicaram efetivamente os diktats do FMI. De Pinochet e Videla a Baby Doc, Ben Ali e Mubarak, os ditadores têm sido instalados por Washington. Historicamente, na América Latina, os ditadores eram nomeados por meio de uma série de golpes militares patrocinados pelos EUA. Hoje eles são nomeados por intermédio de "eleições livres e justas" sob a supervisão da comunidade internacional.
Nossa mensagem ao movimento de protesto: as decisões reais são tomadas em Washington DC, no Departamento de Estados dos EUA, no Pentágono, em Langley, sede da CIA, na H Street NW, as sedes do Bando Mundial e do FMI. O relacionamento do "ditador" com interesses estrangeiros deve ser considerado. Derrubar fantoches políticos, sim, mas não esquecer de mirar os "ditadores reais".
O movimento de protesto deveria centrar-se na poltrona real da autoridade política; deveria ter como alvo a Embaixada dos EUA, a delegação da União Europeia, as missões nacionais do FMI e do Banco Mundial.
Uma mudança política significativa só pode ser assegurada se a agenda de política econômica neoliberal for jogada fora.
Substituição de regime
Se o movimento de protesto deixar de tratar o papel das potências estrangeiras, incluindo pressões exercidas por "investidores", credores externos e instituições financeiras internacionais, o objetivo da soberania nacional não será alcançado. Nesse caso, ocorrerá um processo estreito de "substituição de regime", o qual assegura continuidade política.
"Ditadores" são postos e depostos. Quando eles estão politicamente desacreditados e já não servem aos interesses dos seus patrocinadores estadunidenses, são substituídos por um novo líder, muitas vezes recrutado dentro das fileiras da oposição política.
Na Tunísia, a administração Obama já se posicionou. Ela pretende desempenhar um papel-chave no "programa de democratização" (isto é, manutenção das chamadas “eleições justas”). Ela também pretende utilizar a crise política como um meio de enfraquecer o papel da França e consolidar a sua posição no norte da África:
"Os Estados Unidos, que foram rápidos em avaliar a vaga de protesto nas ruas da Tunísia, procuram pressionar em seu proveito, a fim de promover reformas democráticas no país e outras mais além.
O alto enviado dos EUA para o Médio Oriente, Jeffrey Feltman, foi o primeiro responsável estrangeiro a chegar ao país depois de o presidente Zine El Abidine Ben Ali ser derrubado em 14 de janeiro e suavemente apelou a reformas. Ele disse na terça-feira que só eleições livres e justas fortaleceram e dariam credibilidade à liderança sob ataque do estado norte-africano.
"Espero utilizar o exemplo tunisiano em conversas com outros governos árabes”, acrescentou o secretário de Estado Feltman.
Ele foi despachado para o país norte-africano a fim de oferecer ajuda dos EUA na turbulenta transição de poder e encontrar-se com ministros e figuras da sociedade civil tunisiana.
Feltman viaja para Paris na quarta-feira a fim de discutir a crise com líderes da França, promovendo a impressão de que os EUA conduz o apoio internacional a uma nova Tunísia, em detrimento da antiga potência colonial, a França.
Países ocidentais apoiaram por longo tempo a derrubada liderança da Tunísia, encarando-a como um baluarte contra militantes islâmicos na região norte-africana. Em 2006, o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, falando em Túnis, louvou a evolução do país. A secretária de Estado Hillary Clinton, agilmente, interveio com um discurso em Doha a 13 de janeiro, advertindo líderes árabes para permitirem a seus cidadãos maiores liberdades ou [sofreriam] o risco de extremistas explorarem a situação.
"Não há dúvida de que os Estados Unidos procuram posicionar-se muito rapidamente do lado bom..." (AFP: US helping shape outcome of Tunisian).
Será que Washington terá êxito em nomear um novo regime fantoche?
Isso depende muito da capacidade do movimento de protesto de tratar o papel insidioso dos EUA nos assuntos internos do país. Os poderes avassaladores do império não são mencionados. Numa ironia amarga, o presidente Obama exprimiu o seu apoio ao movimento de protesto.
Muitas pessoas dentro do movimento de protesto são levadas a acreditar que o presidente Obama está comprometido com a democracia e os direitos humanos e é apoiador da resolução da oposição de destronar o ditador, o qual foi instalado pelos EUA.
Cooptação de líderes da oposição
A cooptação dos líderes dos principais partidos da oposição, de organizações da sociedade civil, na previsão do colapso de um governo fantoche autoritário faz parte dos desígnios de Washington, aplicados em diferentes regiões do mundo. O processo de cooptação é implementado e financiado pelos EUA com base em fundações incluindo o National Endowment for Democracy (NED) e o Freedom House (FH). Tanto o FH como o NED têm ligações ao Congresso dos EUA, ao Council on Foreign Relations (CFR) e ao establishment de negócios estadunidense. Tanto o NED como o FH são conhecidos por terem laços com a CIA.
O NED está envolvido ativamente na Tunísia, no Egito e na Argélia. A Freedom House apoia várias organizações da sociedade civil no Egito.
"O NED foi estabelecido pela administração Reagan depois de o papel da CIA nos financiamentos encobertos para derrubar governos estrangeiros ter sido trazido à luz, levando ao descrédito de partidos, movimentos, revistas, livros, jornais e indivíduos que receberam financiamento da CIA. ... Como uma fundação bipartidária, com participação dos dois principais partidos, bem como da AFL-CIO e da US Chamber of Commerce, o NED assumiu o comando do financiamento de movimentos para derrubar governos estrangeiros, mas abertamente e sob a rubrica da "promoção da democracia". (Stephen Gowans, January 2011. "What's left")
Embora os EUA tenham apoiado o governo Mubarak durante os últimos trinta anos, fundações dos EUA com laços no Departamento de Estado e no Pentágono apoiaram ativamente a oposição política, incluindo o movimento da sociedade civil. Segundo a Freedom House: "A sociedade civil egípcia é tanto vibrante como constrangida. Há centenas de organizações não governamentais dedicadas a expandir direitos civis e políticos no país, operando num ambiente altamente regulado". (Freedom House Press Releases).
Numa ironia amarga, Washington apoia a ditadura Mubarak, incluindo suas atrocidades, enquanto também apoia e financia seus detratores, através das atividades do FH, NED, dentre outras.
O esforço da Freedom House para envolver uma nova geração de advogados proporcionou resultados tangíveis e o programa New Generation, no Egito, ganhou proeminência tanto em nível local como internacional. Membros visitantes egípcios de todos os grupos da sociedade civil receberam [em maio de 2008] atenção sem precedentes e reconhecimento, incluindo reuniões em Washington com o secretário de Estado, o conselheiro de Segurança Nacional e membros eminentes do Congresso. Nas palavras de Condoleezza Rice, eles representam a "esperança para o futuro do Egito". (http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=66&program=84)
Política dupla: conversar com "ditadores", misturar-se com "dissidentes"
Sob os auspícios da Freedom House, em maio de 2008 dissidentes egípcios e oponentes de Hosni Mubarak foram recebidos por Condoleezza Rice no Departamento de Estado e no Congresso dos EUA.
Em maio de 2009, Hillary Clinton encontrou-se com uma delegação de dissidentes egípcios, visitando Washington sob os auspícios da Freedom House. Foram reuniões de alto nível. Esses grupos de oposição, que desempenham um papel importante no movimento de protesto, estão destinados a servir aos interesses dos EUA. Os EUA são apresentados como um modelo de liberdade e de justiça. O convite de dissidentes para o Departamento de Estado e o Congresso dos EUA pretende instilar um sentimento de compromisso e lealdade a valores democráticos estadunidenses.
Os mestres dos fantoches apoiam o movimento de protesto contra os seus próprios fantoches. Chama-se a isso "alavancagem política", "fabricação de dissidentes". O apoio a ditadores, bem como a oponentes do ditador, é um meio de controlar a oposição política.
Essas ações, por parte da Freedom House e do National Edowment for Democracy, por conta das administrações Bush e Obama, asseguram que a oposição da sociedade civil financiada pelos EUA não dirigirá suas energias contra os mestres do fantoche por trás do regime Mubarak, nomeadamente o governo dos EUA.
Essas organizações da sociedade civil financiadas pelos EUA atuam como um "cavalo de Troia" incorporado dentro do movimento de protesto. Elas protegem os interesses dos mestres do fantoche. Asseguram que o movimento de protesto das bases não considerará a questão mais vasta da interferência estrangeira nos assuntos internos de Estados soberanos.
Facebook, Twitter e blogueiros apoiados e financiados por Washington
Em relação ao movimento de protesto no Egito, vários grupos da sociedade civil financiados por fundações com sede nos EUA têm dirigido o protesto com o Twitter e o Facebook:
"Ativistas do movimento Kifaya (Basta) do Egito – uma coligação de opositores ao governo – e o Movimento da Juventude 6 de Abril organizaram os protestos nas redes sociais dos sítios web do Facebook e Twitter". (Ver Voice of America, Egypt Rocked by Deadly Anti-Government Protests). O movimento Kifaya, que organizou uma das primeiras ações dirigidas contra o regime Mubarak em 2004, é apoiado pelo International Center for Non-Violent Conflict, com sede nos EUA, ligado à Freedom House. Por sua vez, a Freedom House está envolvida na promoção e no treino do Facebook e de blogs Twitter no Oriente Médio e no norte da África.
Os assistidos pela Freedom House adquiriram qualificações em mobilização cívica, liderança e planejamento estratégico, e se beneficiam de oportunidades em rede através da interação com doadores, organizações internacionais e a mídia baseados em Washington. Depois de retornarem ao Egito, os assistidos receberam pequenas subvenções para implementar iniciativas inovadoras, como advogar a reforma política no Facebook e em mensagens SMS. (http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=66&program=84)
De 27 de fevereiro a 13 de março [2010], a Freedom House hospedou 11 blogueiros do Oriente Médio e do norte da África [de diferentes organizações da sociedade civil] para um Advanced New Media Study Tour de duas semanas em Washington, DC. O Study Tour deu aos blogueiros treino em segurança digital, feitura de vídeos digitais, desenvolvimento de mensagens e mapeamento digital. Também participaram de uma reunião no Senado e encontraram-se com responsáveis de alto nível na USAID, no Departamento de Estado e no Congresso, bem como com a mídia internacional, incluindo a Al-Jazeera e o Washington Post [jornal dirigido por sionistas]. (http://www.freedomhouse.org/template.cfm?page=115&program=84&item=87)
Pode-se facilmente perceber a importância concedida pela administração dos EUA a esse programa de treino de blogueiros, complementado com reuniões no Senado, no Congresso, no Departamento de Estado etc.
O papel do movimento no Facebook e no Twitter como expressão de dissidência deve ser cuidadosamente avaliado à luz de ligações de várias organizações da sociedade civil à Freedom House, à National Endowment for Democracy e ao Departamento de Estado dos EUA.
A Fraternidade Muçulmana
A Fraternidade Muçulmana constitui o maior segmento da oposição ao presidente Mubarak. Segundo informações, a Fraternidade Muçulmana domina o movimento de protesto.
Apesar de haver uma proibição constitucional de partidos políticos religiosos, membros eleitos ao parlamento egípcio como "independentes" constituem o maior bloco parlamentar.
A Fraternidade, contudo, não constitui uma ameaça direta aos interesses econômicos e estratégicos de Washington na região. Agências de inteligência ocidentais têm uma longa história de colaboração com a Fraternidade. O apoio britânico à Fraternidade, instrumentado pelo Serviço Secreto Britânico, remonta à década de 1940. A partir da década de 1950, segundo o antigo responsável de inteligência, William Baer, "A CIA [canalizou] apoio à Fraternidade Muçulmana devido à louvável capacidade da Fraternidade para derrubar Nasser". (1954-1970: CIA and the Muslim Brotherhood Ally to Oppose
Egyptian President Nasser)
Essas ligações encobertas da CIA foram mantidas na era pós-Nasser.
Notas conclusivas
A remoção de Hosni Mubarak está há vários anos nos planos da política externa dos EUA.
A substituição de regime serve para assegurar continuidade, ao mesmo tempo que proporciona a ilusão de que se verificou uma mudança política significativa.
A agenda de Washington para o Egito tem sido "sequestrar o movimento de protesto" e substituir o presidente Hosni Mubarak por um novo fantoche complacente na chefia do Estado.
O objetivo de Washington é sustentar os interesses de potências estrangeiras e defender a agenda econômica neoliberal que serviu para empobrecer a população egípcia.
Do ponto de vista de Washington, a substituição de regime não exige mais a instalação de um regime militar autoritário, como no auge do imperialismo estadunidense. Ele pode ser implementado pela cooptação de partidos políticos, incluindo a esquerda, financiamento de grupos da sociedade civil, infiltração no movimento de protesto e manipulação de eleições nacionais.
Em relação ao movimento de protesto no Egito, o presidente Obama declarou, num vídeo de 28 de janeiro difundido no Youtube: "O governo não deveria recorrer à violência".
A questão mais fundamental é: qual a fonte daquela violência?
O Egito é o maior receptor de ajuda militar dos EUA. Os militares egípcios são considerados a base de poder do regime Mubarak.
As políticas estadunidenses impostas ao Egito e ao mundo árabe durante mais de vinte anos, a par de reformas de "mercado livre" e da militarização do Oriente Médio, são a causa e a raiz da violência de Estado.
A intenção dos EUA é utilizar o movimento de protesto para instalar um novo regime.
O Movimento Popular deveria redirecionar suas energias: identificar o relacionamento entre os EUA e "o ditador". Destronar o fantoche político dos EUA mas não esquecer o alvo dos "ditadores reais".
Desviar o processo de mudança de regime.
Desmantelar as reformas neoliberais.
Fechar as bases militares dos EUA no Egito e no mundo árabe.
Estabelecer um governo realmente soberano.
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domingo, 16 de janeiro de 2011

Yehuda Shaul, ex-oficial israelense, fala a jornalista francesa

“Criamos um monstro: a ocupação” Catherine Schwaab (jornalista do Paris Match) — 12/1/2011 Nesta entrevista ao Paris Match do ex-oficial do Tsahal (exército israelense) Yehuda Shaul, ex-oficial do exército israelita com 28 anos, e autor de Breaking the Silence [Quebrando o silêncio], fica claro que a política dos parceiros Israel–EUA não só não resolve o problema, como se assenta numa série de crimes contra a humanidade exercidos sobre os palestinos.
A mentira e o terrorismo de Estado pode durar mais de seis décadas, como acontece na Palestina, mas não durarão para sempre…

Catherine Schwaab (CS): O seu livro é uma bomba pelas suas revelações: que efeito concreto espera?

Yehuda Shaul (YS): Espero poder enfim suscitar uma verdadeira discussão séria em Israel pois, desta vez, os nossos testemunhos são numerosos, verificados, incontestáveis: são 180 e tiramos deles uma análise, o que é novo. Pensa que a opinião pública ignora o que significa a ocupação militar dos territórios palestinos? O público tem clichês na cabeça que incitam à aprovação cega. Por exemplo, em hebreu, a política israelita nos territórios ocupados resume-se a quatro termos que não se pode contestar: «sikkul» (a prevenção do terrorismo), «afradah» (a separação entre a população israelita e a população palestina), «mirkam hayyim» (o «fabrico» da existência palestina) e «akhifat hok» (a aplicação das leis nos territórios ocupados). Na realidade, sob esses nomes em código escondem-se terríveis desvios que vão do sadismo à anarquia e rejeitam os mais elementares direitos da pessoa. Isso vai até aos assassinatos de indivíduos inocentes que se calcula serem terroristas. E não falo das prisões arbitrárias e dos assédios de toda a espécie.

CS: Qual é o objetivo disso?

YS: Está claramente definido: é o de mostrar a presença permanente do exército, de produzir o sentimento de ser-se perseguido, controlado, em suma, trata-se de impor o medo a todos na sociedade palestina. Opera-se de maneira irracional, imprevisível, criando um sentimento de insegurança que quebra a rotina.

CS: A ocupação dos territórios não será necessária para evitar «surpresas» terroristas?

YS: Não! A ocupação sistemática não se justifica, pois ela abrange uma série de interdições e de entraves inadmissíveis. Queremos discutir sobre isso agora. Nem no seio do exército nem no seio da sociedade civil ou política se quer enfrentar a verdade. E essa verdade é que nós criamos um monstro: a ocupação.

CS: Pode esperar-se que discussões sérias sobre a paz melhorem a situação?

YS: Não, tentar acabar com o conflito é uma coisa, acabar com a ocupação é outra. Estamos todos de acordo para procurar a paz, mas esquecemos a ocupação. Ora, é preciso começar por aí.

CS: Os seus testemunhos revelam a incrível impunidade de que se beneficiam os colonos, verdadeiros assistentes militares: eles brutalizam os vizinhos palestinos, levam os seus filhos à agressividade e ao ódio aos árabes…

YS: Certamente, mas não são eles o problema. É o mecanismo de ocupação que lhes deu esse poder desmedido. Eu, quando era militar em Hebron, não podia deter um colono que estivesse a infringir abertamente a lei sob os meus olhos. Eles fazem parte desse sistema imoral.

CS: Pensa encontrar um apoio na opinião israelita?

YS: Por enquanto, somos minoritários mas otimistas! Temos de sê-lo, pois vivemos tempos sombrios, a opinião israelita é apática, as pessoas estão fartas. E o preço a pagar por esta ocupação não é pesado. É a razão por que não há vontade política. Em contrapartida, o preço moral é enorme.

CS: É a primeira vez que são feitas tais revelações?

YS: Não, há um ano, tínhamos contado as pilhagens na faixa de Gaza e tínhamos sido atacados por todos os lados: pelo exército, pela sociedade civil e a sociedade política. Netanyahu acusou-nos de termos «ousado quebrar o silêncio». Mas que silêncio? É um silêncio vergonhoso sobre um escândalo estrondoso! Eles fizeram tudo para nos desacreditar. Saiu-lhes mal, pois nós somos todos antigos oficiais que vivemos esses acontecimentos terríveis.

CS: Precisamente, muitos soldados e oficiais que se expressam parecem traumatizados pelo que tiveram de fazer. Um sofrimento que permanece.

YS: Sim… Enfim, não nos enganemos: as vítimas, são os palestinos que aguentam esse controle. Hei de sempre recordar a resposta de um comandante do exército durante uma discussão televisiva em 2004. Tínhamos organizado uma exposição de fotografias com um vídeo de testemunhos. Ele disse-me: «Concordo com o que vocês mostram, mas é assim, temos de aceitá-lo, isso chama-se crescer, tornar-se adulto». Fiquei sem palavras.

CS: Algumas pessoas pensam que Israel tem interesse em manter o conflito e que os palestinos nunca terão as suas terras.

YS: É falso. É impossível erradicar uma população de 3,5 milhões de habitantes. O problema não está em dar-lhes uma terra, mas na obsessão de querer controlá-los.

CS: Serão as jovens gerações dos 20-30 anos mais permeáveis a seu ponto de vista?

YS: Nem toda a minha geração está de acordo comigo, mas ninguém pode dizer que minto. Somos todos ex-membros do exército nacional, pagamos o preço, ganhamos o direito de falar. É preciso que os espíritos mudem a partir de dentro.

CS: Você é judeu ortodoxo e tem um discurso estranhamente aberto. A sua fé ajuda-o neste combate?

YS: Nem por isso… Mas eu sei o que significa ser judeu religioso: não ficar silencioso perante o que está mal. E quero trazer uma solução, não um problema.

A versão em português deste texto foi publicada em: http://www.egaliteetreconciliation.fr/ Fonte: ODiario.info