Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

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sábado, 27 de novembro de 2010

Uma história na Palestina 3

por Rafiqa Salam
Palestina, novembro de 2010
comitepalestinasc@yahoo.com.br

De todas as cidades que conheci, teve uma que, particularmente, mexeu muito comigo. É um sentimento estranho, nunca tinha estado lá, e agora eu pisava num lugar que não existia, mas já existiu. Esse paradoxo eu só vivi por um instante, na verdade por um dia que parecia, pelo seu peso, ter mais do que 24 horas. O que dizer dos sentimentos dos palestinos que vivem cotidianamente esse paradoxo!
Vivem num país que existe, mas o mundo já o tirou do mapa! Fazem seus afazeres diários, como qualquer povo, amam, tem suas famílias, trabalham, comercializam, mas têm que segurar nas mãos uma cédula que traz a bandeira do país invasor... Parece difícil entender por que não ter uma moeda com as lindas cores preta, branca, verde e vermelha da bandeira Palestina? Impossível mesmo é aceitar que eu pisava num lugar que era uma cidade viva e agora é um descampado. Um lugar que tem a existência do hoje calcada na eliminação do ontem.... Que, para se consolidar, teve que expulsar, desalojar e arrancar famílias de suas casas, mas não de suas raízes históricas!
Ando por terras que querem que eu enxergue um Parque Nacional , autopistas perfeitas, áreas de lavouras e assentamentos judaicos, querem que eu veja o Estado de Israel! Mas só consigo ver o bater dos corações palestinos, como uma cadência, animadora, anunciando o retorno.... Vejo ali a Palestina livre... Mas meu devaneio é quebrado pela voz do motorista, chamando para voltar, temos hora para entrar e sair!
Temos que sair da Palestina de 1948, passar pelo checkpoint e entrar no que restou da Palestina pós-1967, complicado de entender, imagina de ver!! Aliás, como entender a ocupação sionista de Israel? O único país no mundo que se denomina Estado, oficialmente, inclusive no nome: Estado de Israel. Um nome que agrega ação: é um Estado que sempre está em mudança de estado – e não estou fazendo trocadilho.
Avanços na expansão territorial: Israel tem suas fronteiras em constante movimento! Não tem uma Constituição! Não tem nenhuma lei que descreve a sua área físico-geográfica, pois ela é proporcionalmente elástica à sua força de ocupação... Ocupa áreas da Palestina, Síria, Líbano... Já ocupou Egito, Jordânia e até águas internacionais!! A cidade que mexeu comigo, até 1948, se chamava Qaqun.
Uma linda aldeia, com campos de terras férteis, plantações, casas simples que eram o lar de 2 mil pessoas, tão perto do Mar Mediterrâneo, a apenas 8km de distância. E saber que foi justo por essas águas que os grupos terroristas judeus como Haganah e Stern expulsaram à força e com violência brutal os nativos, palestinos que até hoje sonham com o regresso a sua terra natal! Um sonho impedido pelo pesadelo de não poderem pisarem onde eu estava.
Depois de viverem como refugiados em cidades próximas como Tulkarem, Nablus e terras mais longínquas, mas não mais tranquilas, como Síria, Líbano, Kuwait e Jordânia, achei que fotos, pedras e terra poderiam ser compartilhados com aqueles que dali nunca saíram. Então, bem longe dali, vi o amor, que transcende a tudo, se materializar.
Vi um palestino que nasceu em Qaqun e, aos 13 anos, juntamente com sua família, foi forçado a sair e abandonar sua casa e terras. Ele, que está impedido de pisar onde nasceu, abriu um lindo sorriso e beijou a sua terra! A terra de Qaqun agora em suas mãos! Sua filha lhe presenteou com a terra de Qaqun! Mãos calejadas, apertando as mãos de sua filha, que trouxe para ele mais do que alegria, trouxe o retorno a sua terra natal! Senti em meu coração que fui abençoada por essa linda cena, revigorada, desejo também ser testemunha da Palestina livre!

Palestina livre! Viva a Intifada! Resitência até a vitória!Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino"Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana"http://www.vivapalestina.com.br/http://www.palestinalivre.org/

sábado, 20 de novembro de 2010

Resposta ao embaixador israelelense

Públicado no espaço TENDÊNCIAS/DEBATES da edição de 19/11/2010, a magistral e didática resposta que reproduzo na íntegra abaixo:

Israel não respeita direitos do povo palestino
ARLENE CLEMESHA e BERNADETTE SIQUEIRA ABRÃO

_____________________
Israel tem em seus presídios
mais de 6.000 civis palestinos
(incluindo crianças), a maioria
deles sem acusação formal ou
mesmo processo judicial
_____________________

Em artigo nesta Folha ("Direitos humanos em mãos erradas", "Tendências/Debates", 10/10), o embaixador israelense queixou-se do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, em que relatórios têm sido aprovados, denunciando graves violações de direitos humanos por parte do governo israelense nos territórios palestinos ocupados da Cisjordânia e da faixa de Gaza.
De fato, apenas nos primeiros seis meses de 2010, foram registradas na Cisjordânia a demolição de 223 edifícios e a expulsão de 338 palestinos de suas casas.Quinhentas e cinco barreiras violam o direito de ir e vir, impedindo o acesso da população a escolas, a locais de trabalho e a hospitais, para procedimentos vitais como diálise, cirurgias do coração e cuidado neonatal intensivo.
Seguindo a lógica de anexar o máximo de terras com o mínimo de palestinos, o trajeto tortuoso do muro enclausurou Belém e Qalqilia, expulsou 50 mil palestinos de Jerusalém Oriental e anexou 10% das terras mais férteis da Cisjordânia. As colônias israelenses, também ilegais, expandem-se a todo vapor sobre territórios palestinos.
A justificativa de Israel para a violação de direitos humanos -zelar pela "segurança" de seus cidadãos- não se sustenta, sendo tais atos a própria origem da revolta palestina.
Os "mísseis" citados pelo artigo do embaixador são armas de fabricação caseira, usadas em desespero por um povo sem Estado, que sofre a mais longa ocupação militar da história moderna, submetido a bombardeios, a incursões militares, a assassinatos dirigidos e a toques de recolher.
O artigo também cita um prisioneiro militar israelense, omitindo o fato de que Israel tem em seus presídios mais de 6.000 civis palestinos (incluindo crianças), a maioria deles sem acusação formal, processo judicial ou direito de defesa.
Alega-se que Israel estaria sendo alvo de injustiças por parte do CDH em consequência do relatório do juiz Richard Goldstone sobre os crimes de guerra cometidos durante o bombardeio que massacrou 1.397 pessoas em Gaza (incluindo 320 crianças e 109 mulheres).
Assim, deturpa-se o caráter heroico da flotilha de ativistas humanitários do mundo todo, incluindo israelenses e uma mulher sobrevivente do Holocausto, que arriscaram suas vidas para quebrar o bloqueio ilegal a Gaza.
O objetivo da flotilha era chamar a atenção do mundo para o problema? Sim. Era e continuará sendo uma provocação? Apenas se considerarmos o termo um desafio aberto, para que a humanidade impeça a continuidade do cerco a Gaza, onde 80% da população sofre de má nutrição crônica, as crianças apresentam estresse e distúrbios psicológicos causados pelos ataques, pelo sofrimento e pelas constantes bombas sonoras lançadas por Israel sobre a pequena faixa costeira.
O mesmo governo israelense que se queixa do CDH emitiu, no dia 10/ 10, um projeto de lei que, se aprovado, exigirá de todo não judeu de Israel um juramento de "lealdade ao caráter judeu do Estado".
Cerca de 20% da população, de origem palestina cristã, muçulmana ou outra, terá de aceitar o caráter judeu do Estado de Israel ou emigrar, aumentando o número de refugiados, que ultrapassa 9 milhões. As consequências disso, para a Palestina e para o mundo, não valem um debate no Conselho de Direitos Humanos da ONU?
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ARLENE CLEMESHA, professora de história árabe na USP e diretora do Centro de Estudos Árabes da mesma universidade, é representante da sociedade civil do Brasil no Comitê da ONU pelos Direitos do Povo Palestino.
BERNADETTE SIQUEIRA ABRÃO, jornalista, formada em filosofia pela USP, é pesquisadora da questão palestina, ativista de direitos humanos e autora, entre outros livros, de "História da Filosofia" editora Moderna).

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SEMANA PALESTINA NO BRASIL

Atividades em solidariedade ao povo palestino
Acompanhando calendário global, organizações da sociedade civil brasileira, juntamente com a comunidade árabe-palestina no País, realizam a Semana de Solidariedade ao Povo Palestino. Atividades centrais ocorrerão em vários estados no dia 29 de novembro próximo (confira agenda abaixo). A data marca o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino – conforme resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) nº 32/40 de 1977. Anualmente, em todo o mundo, ocorrem inúmeras manifestações no período. No Brasil, é também lei em várias localidades. Em 29 de novembro de 1947, portanto há 63 anos, em Assembleia-Geral da ONU , foi aprovada a Resolução nº 181, que decidiu pela partilha do território da Palestina histórica para o estabelecimento de um estado judeu e um árabe, sem qualquer consulta aos habitantes locais. Como consequência, o Estado de Israel foi implementado em 15 de maio de 1948 e o da Palestina não foi assegurado, culminando na nakba (catástrofe), em que foram expulsos mais de 700 mil palestinos de suas casas e centenas de vilas foram destruídas. O resultado é a ocupação mais longa do período contemporâneo, que tem sido aprofundada, ao arrepio das leis e convenções internacionais. Uma das maiores injustiças de que se tem notícia. Consequentemente, todos os direitos inalienáveis do povo palestino têm sido desrespeitados, como à autodeterminação, à saúde, à educação, a transitar livremente. Um muro em construção desde 2002, que corta a Cisjordânia ao meio – projetado para ter 720 metros de extensão e 9 metros de altura –, e centenas de checkpoints e assentamentos sionistas, além de estradas exclusivas proibidas a palestinos, são símbolos do apartheid que se configura no território ocupado. Em Gaza, o lugar mais densamente povoado do mundo, com 1,5 milhão de pessoas que se espremem em cerca de 360km2, um bloqueio criminoso tem feito com que grasse a fome e a miséria, numa punição coletiva que deveria ser ainda mais impensável em pleno século XXI. O território palestino, mediante esses aparatos, é mantido sob a forma de bantustões à la África do Sul. É hoje impossível, por exemplo, ir da Cisjordânia a Gaza. Diante da barbárie, realizar atividades em 29 de novembro faz-se urgente. É uma forma de o mundo levantar suas vozes e clamar pelo fim imediato da ocupação na Palestina. A semana de solidariedade pretende contribuir para dar visibilidade a essa questão e lembrar que, dia após dia, famílias são separadas, plantações são destruídas, crianças são impedidas de ir à escola e mães, de dar à luz com dignidade. Mais do que isso: soma-se às iniciativas em que a comunidade internacional é chamada à responsabilidade pela drástica situação na Palestina e cobrada a dar continuidade a ações concretas que pressionem e levem à mudança dessa realidade. Participe! É por direitos humanos e justiça!

Semana de Solidariedade ao Povo Palestino no Brasil

FLORIANÓPOLIS/SC
Dia: 30 de novembro de 2010 - terça-feira Horário: 19h Local: Câmara de Vereadores - Plenário do Centro Legislativo Municipal - Rua Anita Garibaldi, 35 - Centro Atividade: Sessão solene e Ato político com convidados e autoridades Lei 34/40 PMF – 1990 - 29 de novembro - Dia Municipal de Solidariedade ao Povo Palestino em Florianópolis Lei nº 13850 - 2006 - Dia Estadual de Solidariedade ao Povo Palestino em Santa Catarina Organização: Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino comitepalestinasc@yahoo.com.br

BALNEÁRIO CAMBORIÚ/SC
Semana de Difusão da Cultura Árabe-Palestina 22 a 29 de novembro de 2010 Dia: 24 - quarta-feira Horário: 19h Local: Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis - 3º Avenida, esquina com Rua 2.500 Atividade: cerimônia de abertura do evento com a presença de amigos, convidados e autoridades. Entrega de certificados de participação no concurso escolar "Paz para a Palestina". Exibição do filme: "Palestina - A história de uma terra" (Simone Bitton) Dia: 25 - quinta-feira Horário: 9h Local: Auditório BI 4 - Curso de Relações Internacionais – Univali - Campus Balneário Camboriú Tema: Palestina: história, cultura, religião e atualidades Palestrantes: Fairuz Saleh Bujaa - advogada, integrante do Grupo Palestino Terra / Miriam Ramoniga - advogada, mestre em Direito e professora de Direito Internacional / Saleh Bujja - palestino (80 anos) residente no Brasil há 60 anos / Queila Martins - coordenadora do curso de Relações Internacionais da Univali / Márcia Sarubbi - professora do curso de Direito e Relações Internacionais da Univali Dia: 25 - quinta-feira Horário: 17h Local: Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú Atividade: Acompanhamento da votação da legislação municipal que institui o "Dia 29 de novembro como o Dia de Solidariedade ao Povo Palestino no município de Balneário Camboriú - SC" Dia: 26 - sexta-feira Horário: 20h Local: Restaurante Pharol - Av. Atlântica - Barra Sul, 5.740 Atividade: Jantar árabe - comidas típicas da gastronomia árabe, músicas, apresentações de danças folclóricas Dia: 27 - sábado Horário: 18h Local: Livraria Nobel - Av. Alvim Bauer, 250, sl. 04 – Centro Atividade: Cultura e lazer, exposição de livros, sugestão de roteiros de viagem, apresentações de dança do ventre e degustação de pastas e doces árabes Organização: Instituto Amigos da Cultura ramoniga@hotmail.com http://www.amigosdaculturasc.com/

SÃO PAULO/SP
Semana do Povo Palestino
Dia: 29 de novembro de 2010 - segunda-feira Horário: 19h Local: Auditório Franco Montoro - Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - Av. Pedro Álvares Cabral, 201 Atividade: Ato político com convidados e autoridades, exibição de curta-metragem e poesias árabes. Participação de representante do movimento Stop the Wall. Organização: Frente em Defesa do Povo Palestino frentepalestina@yahoo.com.br Dia: 4 de dezembro de 2010 - sábado Horário: 16h Local: Matilha Cultural - Rua Rego Freitas, 542 Atividade: Exibição dos filmes: Ponto de Encontro (Encounter Point) - Direção: Júlia Bacha e Ronit Avni. Documentário, 85 min, 2008 e Nós e os Outros (Selves and Others, A Portrait of Edward Said) - Direção: Emmanuele Hamon. Documentário, 54 min, 2003. Haverá debate com a participação de companheiros que participaram do Fórum Mundial da Educação na Palestina Realização: Núcleo de Estudos Edward Said - Instituto da Cultura Árabe, Oboré e Matilha Apoio: Frente em Defesa do Povo Palestino contato@icarabe.org

RIO DE JANEIRO/RJ
Dia: 29 de novembro de 2010 - segunda-feira Horário: a partir das 17:30 hs Local: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas -IFCS - UFRJ - Largo de São Francisco - Rio de Janeiro /RJ Atividade: Ato Político em defesa do povo palestino. Lançamento da Campanha Mundial de BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel e da Campanha de Boicote Acadêmico e Cultural. Lançamento do livro "Impressões de uma brasileira na Palestina" Organização: Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino vivaintifada@gmail.com BELO HORIZONTE/MG Dia: 26 de novembro de 2010 - sexta-feira Horário: 9h30 Local: Auditório do Instituto de Ciências Exatas - Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG Atividade: Seminário de Solidariedade Internacional. Palestrante: Jadallah Safa - Comitê Democrático Palestino Coordenação: UJC e Casa da América Latina http://www.seminariodesolidariedadeinternacional.blogspot.com/

AÇÃO MIDIÁTICA
Divulgação do balanço da maratona na Semana contra o muro e cobertura das atividades do dia 29 de novembro Coordenação: Ciranda Internacional da Informação Independente e Movimento Palestina para Tod@s http://www.ciranda.net/ e http://www.palestinalivre.org/

“Dizemo-lhes Cantem pela terra que permanece!
Rebelem-se! Ensinem nossa história sombria aos filhos
A fim de que nosso sangue
Permaneça na bandeira dos criminosos
Como sinal de catástrofe.”
(CHAMADA DA TUMBA Mahmud Darwish)

Eventos da Semana internacional de solidariedade ao povo palestino

Caros amigos,
De 29/11 a 04/12 acontece, em todo o mundo, a Semana do Povo Palestino.

O Centro Edward Said de Direitos Humanos, núcleo do Instituto da Cultura

Árabe, do qual faço parte, realizará atividades na Matilha Cultural, espaço na Rego Freitas, próximo ao metrô República.


Nos dias 03, 04 e 05/12 haverá a exibição de dois filmes, alternadamente, e no sábado, dia 04, um debate.


Segue uma breve descrição e o banner criado pelo pessoal do Matilha Cultural.

Em breve teremos o convite eletrônico do ICArabe, para ampla divulgação, que enviarei a todos vocês.

Conto com a presença de todos.
Abraços,
Sâmia.

Semana do Povo Palestino (29/11* e 04/12)
* Dia 29/11 é o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino
Núcleo de Estudos Edward Said - Instituto da Cultura Árabe, Oboré e Matilha
- Ponto de Encontro (Encounter Point) - *Direção:* Júlia Bacha e Ronit Avni http://www.mundoarabe2010.icarabe.org/diretores.htm?expanddiv=dropdown12

Documentário, 85 min, 2008.
Ponto de Encontro é uma co-produção entre palestinos, israelenses, norte-americanos e sul-americanos. Mostra os depoimentos de palestinos e israelenses que superam as barreiras e os estereótipos para atuar pelo diálogo. São grupos organizados que estão na vanguarda do movimento que procura estabelecer um ponto de encontro e de coexistência em meio às perdas. Eles sabem que seus passos são justos, que encontram oposição, mas enfrentam com coragem e lutam pela mudanças.


- Nós e os Outros (Selves and Others, A Portrait of Edward Said) - Direção: Emmanuele Hamon. Documentário, 54 min, 2003.
Sinopse: Edward Said é conhecido como um dos maiores intelectuais contemporâneos, professor da Columbia University, autor do Orientalismo e outras obras e grande defensor dos direitos do Povo Palestino. O documentário foi gravado por algumas semanas com Said e sua família, um pouco antes da sua morte em 2003. O resultado é um filme sensível, contundente e profundo sobre Said, sua obra, sua identidade cultural e as principais reflexões que predominaram durante a sua vida e o seu trabalho intelectual.


Para o debate do dia 04/12, teremos:


Soraya Misleh, jornalista, membro editorial da ciranda.net, membro do Movimento Palestina para Todos e diretora de imprensa e divulgação do Instituto da Cultura Árabe. Participou no mes passado do Forum Mundial de Educação que aconteceu na Palestina.


Dirceu Travesso, dirigente da Central Sindical e Popular-Conlutas, participou no mes passado do Forum Mundial de Educação que aconteceu na Palestina.


coordenação: Francisco Miraglia, Professor Titular da Universidade de São Paulo, Vice-Presidente Regional do ANDES-SN, co-coordenador do Núcleo de Estudos Edward Said do Instituto da Cultura Árabe.


ESPAÇO MATILHA CULTURAL - R. Rego Freitas 542 - São Paulo - Brasil - CEP: 01220-010

fone: +55 11 3256.2636

contato@matilhacultural.com.br

http://matilhacultural.com.br/

domingo, 14 de novembro de 2010

Uma história na Palestina

por Rafiqa Salam Palestina, novembro 2010
comitepalestinasc@yahoo.com.br

Depois de uns dias na Palestina tentando entender por que o mundo disputa esse pedaço de terra, que tem apenas 27 mil km2 entre as lindas águas do mar Mediterrâneo e o Rio Jordão, comecei a conversar com um palestino. Fiquei intrigada com a certeza que aquele homem carregava em suas palavras, cercadas de emoção. Afirmava: “Oitenta e uma vezes, você sabia? Oitenta e uma vezes a Palestina foi invadida! E nós, palestinos, estamos aqui, não saímos e não desistimos, com tudo o que passamos e, agora, também vamos ficar e resistir, a Palestina é dos palestinos, sempre.” Não pensei em relatar a força do exército israelense, o 4º exército mais poderoso do mundo, pois eu estava na frente de um homem que, aos 17 anos, entrou para a Organização pela Libertação da Palestina – OLP! Serviu como soldado, treinou como guerrilheiro, realizou trabalho civil e, forçado pela invasão sionista, viveu, ou melhor, sobreviveu como refugiado em países vizinhos, como o Kuwait, Líbia, Líbano, Jordânia... Em 1995, finalmente, conseguiu voltar para a sua Palestina, mas não para a aldeia onde nasceu, essa ficou na lembrança, não uma lembrança tão doce, conta ele: “Com 11 anos, em 1967, meu irmão e eu saímos a pé, caminhamos, não só nós, minha família, muitos da aldeia, caminhamos muitos dias, até chegarmos na Jordânia, ficamos em campos de refugiados, por muito tempo pensava em minha aldeia, Akraba...” Foi em Jericho a sua morada, por dez anos, num campo de refugiados, onde as casas são de material compensado e não é possível construir, nem aumentar, têm cerca de 50m2. Atualmente, um filho permanece nessa casa e tem mais 32 famílias nesse campo esperando um lugar para serem reassentadas, uma espera de mais de 15 anos... Não tive coragem de perguntar se seria logo ou poderia demorar mais... Hoje, ele, sua esposa e seu outro filho moram de aluguel em Betunnya, uma situação difícil, por causa do custo de vida, mas não tão alto quanto foi quase perder a vida ao ter que fugir do Kuwait depois da Guerra do Golfo em 1991, em que uma coalizão de 33 países, liderados pelos Estados Unidos, decidiu “proteger” o Kuwait do Iraque... Essa história nós já conhecemos... Conta ele: “Eu e mais quatro amigos estávamos dentro de um carro quando fomos atacados por bombas, fugimos pouco antes de acertarem o carro e ele explodiu! Não sobrou nada! Caminhamos 48 horas e entramos no Iraque, mas a nossa saga estava recém começando, fomos presos pelo exército britânico, que nos entregou para o exército da Arábia Saudita, e depois o exército americano tentou nos tirar da prisão passando por “Cruz Vermelha”. Mas, na verdade, queriam nos matar, fizemos greve de fome e, por fim, depois de 60 dias presos, um grupo de franceses da Cruz Vermelha reconheceu nossos passaportes jordanianos e nos levou até próximo à fronteira da Jordânia, nos deixou no deserto e tivemos que caminhar em direção àquele país. Conseguimos carona e entramos na Jordânia, pois desde o início da guerra nós saímos para ir ao encontro de nossas famílias que lá estavam; nossos passaportes eram jordanianos, mas eles achavam que éramos guerrilheiros da OLP...” Percebendo a dor através de suas palavras, resgatei-o para o presente, perguntei sobre a Palestina hoje, como construir o estado palestino, e suas palavras estavam envoltas em um ânimo provocador, cobrando do mundo a obrigação de defender a Palestina. Através do apoio global ao processo de negociação com o Estado de Israel, perguntei, e sua resposta foi enfática: “As negociações só servem para mostrar ao mundo que Israel nada vai ceder, pois se eles quisessem acordo e respeitassem o direito palestino, já teriam reconhecido o estado palestino.” Fiquei muda, e ele continuou: “Uma árvore faz sombra para qualquer pessoa, ela deita embaixo de um pé de oliveira e tem sombra, essa é a história do povo palestino! Esse lugar é abençoado, três religiões nasceram aqui, mas agora as coisas são diferentes, aqui tem escola que um palestino não pode estudar, apenas judeu, tem estradas que carros árabes não podem transitar, só quem tem placa amarela, eu tenho uma carteira de identidade verde que me limita de circular apenas em algumas cidades e não posso entrar na área de 1948, e minha carteira de identidade tem um número que me diferencia, eles criaram uma série para aqueles que foram membros da OLP. Então, se quiserem nos prender, passam a série num checkpoint e, pelo número, somos identificados!” Depois desse relato, como perguntar se ele acredita na construção do estado palestino, na Palestina livre? Meio sem graça, acabei perguntando, então ele respondeu, com as palavras que iniciou essa conversa: “Oitenta e uma vezes, você sabia? Oitenta e uma vezes a Palestina foi invadida! E nós, palestinos, estamos aqui, não saímos e não desistimos, com tudo o que passamos. E agora, também vamos ficar e resistir, a Palestina é dos palestinos, sempre. Você não liberta uma cidade de um invasor apenas com um buquê de flores! Através de negociações e de outras formas e, principalmente, com o fim do apoio dos países europeus e dos Estados Unidos para a construção de assentamentos judaicos, é possível a construção do estado palestino”. Agradeci, entusiasmada com a persistência palestina!
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Uma história na Palestina 2

por Rafiqa Salam Palestina, novembro 2010 comitepalestinasc@yahoo.vom.br
Depois de uma estada sob o sol escaldante em Ramallah, decidi ir para Saffa. Fugi do calor, mas não do inferno da ocupação. Pior que os buracos das estradas em que podemos trafegar com a nossa placa verde, é ver de longe as autopistas israelenses, feito tapetes serpenteando as terras palestinas. Cheguei em Saffa e o calor que me cercou foram os abraços fraternais dos palestinos que já tinham morado no Brasil! Isso mesmo, em Saffa, metade dos palestinos de lá já viveu no Brasil! Muitas conversas e saudade de outros ares mais tranquilos, pois não deu para deixar de ver dois carros do exército israelense passarem nas ruas da tranquila Saffa só para marcar presença... Como pode alguém que já morou no Brasil, que não enfrentou problemas com documentação e permanência, que pode escolher ter brasileiros como vizinhos, que conheceu e conviveu com o jeito alegre dos brasileiros, resolver voltar para a Palestina? Entre um café e outro chá, perguntei. Eles olharam para mim e responderam: “Você quer respostas em palavras? Você com suas perguntas para entender o que o coração decide e não as palavras...” Mas como aprendi com eles a ser persistente, repeti e emergiram doces palavras: “Meu pai fez tudo pela Palestina, fora daqui e aqui dentro. Nós trabalhamos juntos, lembra? Com todas aquelas dificuldades, defendíamos a Palestina livre e contávamos com a maravilhosa solidariedade do povo brasileiro. Mas sabíamos que um dia retornaríamos para cá, era o que meu pai queria. Ele chegou primeiro, em 1999, e eu vim logo depois, minha mãe ainda ficou no Brasil e estava fazendo a documentação para vir. Tanta vida, tanta luta, voltamos para cá, mas quando minha mãe conseguiu vir, meu pai já havia morrido... Então fiquei, casei, tenho três filhos, e essa é a minha casa, essa é a minha terra, esse é o meu país, daqui eu não saio e daqui ninguém me tira.” Fiquei emocionada, todo grande pai tem um grande filho. Tive o prazer de conhecer o pai dele no Brasil, sua família e seu filho, que hoje, um pouco antes da nossa conversa, recebeu, depois de nove anos, meus sentimentos pela morte de seu pai. Trabalhamos juntos na defesa da causa palestina em Porto Alegre, no final da década de 80, e depois em Santa Catarina, nos anos 90, até que em 1999, sempre firme, como tudo o que fez na vida, retornou para sua terra. Seu filho, logo depois, chegou e juntos conheceram o que sobrou da Palestina, como se fosse uma despedida, sem saber que logo a morte seria o que o afastaria de ver sua Palestina livre. E eu sentada ali, na frente daquele homem, hoje com 38 anos, com os filhos pulando em seu colo, sua esposa servindo chá, sua mãe lembrando de sua filha que ainda está no Brasil... Parecia, por um segundo, uma vida tranquila... até ele trazer uma foto... A casa do pai, a casa que foi de toda a família, hoje não existe mais... Só a foto. Mas antes que eu falasse qualquer coisa, ele, com orgulho, disse que aquela nova casa em que estávamos havia sido construída por ele! Falou-me de seu trabalho também, como pedreiro em Mevo Horon, em Israel, nem me arrisquei a perguntar o salário! Mas uma questão me incomodava, então questionei por que ele quis voltar, se no Brasil eles tinham uma boa vida? A resposta não foi em palavras, pois vi em seus olhos o que o coração havia decidido: “Meu pai foi um grande militante, como um comandante na América Latina, e nos criou amando a nossa bandeira. Sempre quis voltar, para morar e morrer no país dele. Ele queria sua família reunida na Palestina. Nasci no Brasil, amo os brasileiros, mas eu sigo o desejo de meu pai. Hoje, eu continuo a fazer o trabalho que realizávamos, vou sempre continuar a lutar pela Palestina livre, mas escolhi o mais difícil: morar aqui e constituir uma família. Para mim, o cotidiano é revolucionário, educar meus filhos transmitindo o amor à terra que recebi é revolucionário e é muito difícil frente às privações que passamos... mas é lindo, fixar raízes, não tem nada no mundo que me faça sair daqui. Se eu sair daqui, minha casa vira um assentamento judaico. Posso retornar ao Brasil, para visitar, mas minha casa é aqui. Em respeito ao meu pai e a todos que permaneceram aqui, fico, para preparar a Palestina para os que virão!” Depois de escutar esse canto que veio de dentro do coração, enxuguei minhas lágrimas e percebi que o calor de Ramallah não era nada, então voltei e vi que era suportável. Agora sei o que significa ficar na Palestina!
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O caso dos palestinos acampados em Brasília

Pela atualidade do texto, decidi publicar o artigo de Thiago Ávila, cujo original foi publicado no dia 14 de maio de 2009 no portal do jornal "O Rebate". O artigo retrata fielmente o mal que algumas autoridades brasileiras fêz aos palestinos trazidos pelo governo brasileiro no final de 2007. Três anos se passaram e os maus tratos continuam.
O original encontra-se em: http://www.jornalorebate.com.br/site/index.php/index.php?option=com_content&task=view&id=3723&Itemid=42

Thiago Ávila - Qui, 14 de Maio de 2009 12:44

O que está acontecendo com os palestinos?
Antes de explicar a situação dos refugiados palestinos aqui no Brasil, é importante saber de você uma coisa: o que você ganhou de presente de Natal no ano passado? Uma camiseta, um celular, um livro? Talvez você nem tenha gostado do que ganhou, ainda assim, deve lembrar com alegria dos bons momentos passados ao lado da família confraternizando e agradecendo ao ano que se acabava. Para Fahrouk, Ramdam, Kammal e os outros companheiros palestinos refugiados no Brasil, o natal teve um gosto um pouco mais amargo. O ataque genocida de Israel à Faixa de Gaza, onde estão muitos de seus familiares, mostrou mais uma vez o lado podre do nazi-sionismo e a inércia e ineficácia da diplomacia ocidental. Para os refugiados ao redor do mundo, este ataque representava a certeza de que a fúria e o ódio daqueles que fazem da Faixa de Gaza hoje um novo Gueto de Varsóvia iriam destruir o pouco que ainda lhes restava de pátria, onde um dia sonhavam em retornar para viver com seus familiares.

A ONU condenou o ataque verbalmente, o governo brasileiro o qualificou como “uso desproporcional da força”, assim como muitos outros países. Tudo retórica, talvez exceto pela expulsão dos embaixadores israelenses da Bolívia e Venezuela por parte de seus presidentes. A imprensa livre e os movimentos sociais tentaram em vão romper o bloqueio da mídia corporativa, preocupada demais em fomentar o gasto do 13º salário do trabalhador brasileiro. Foram denunciados inúmeras vezes os assassinatos em massa de civis, em sua maioria crianças, e o uso de armas proibidas pela ONU, como o fósforo branco. Apesar disso, assim como acontece com a parcela do território palestino demarcado pela própria ONU, nada aconteceu.

Enquanto isso, um grupo de palestinos estava dormindo no chão, sem atendimento médico, comendo manga e comida doada pelo pessoal do mercado, enquanto clamavam pela atenção dos organismos internacionais para que alguém aliviasse sua dor e sofrimento. Casos como esse são corriqueiros no Oriente Médio, no entanto, dessa vez estamos falando de um fato que aconteceu, e acontece, aqui no Brasil. Essa pequena versão de um campo de refugiados acontece em plena capital federal, em seu bairro mais rico, o Lago Sul, que tem o IDH comparável ao de países como a Suécia e Islândia.

O “programa” para refugiados
É assim a nossa versão tupiniquim da tragédia palestina: O governo, gentilmente (ou para mostrar serviço e ser premiado com um “assento” ao lado dos causadores dos grandes problemas do mundo) oferece nosso país para ser o lar temporário de um grupo de palestinos que estavam em um campo de refugiados na Jordânia. A ONU (a mesma que criou toda essa confusão em 1948), representada aqui pelo ACNUR, recebe dinheiro para cuidar então desses refugiados. No entanto, a ONU não acredita ter o tempo necessário para cuidar dessa situação (claro, afinal, Palestina, Sudão, Colômbia, Haiti, Timor Leste não são os países que mais contribuem com o milionário orçamento desse organismo internacional), então incumbe a Cáritas Brasileira (entidade da Igreja Católica, designada enquanto “representante da sociedade civil”) de monitorar e acompanhar o programa para os refugiados. No caso de algum problema no “programa”, o governo brasileiro diz que só repassa os recursos, a ACNUR não dá nenhuma resposta, pois é um “organismo internacional”, e a Cáritas Brasileira diz que só administra o “programa”, que quem o criou foi a ACNUR e o governo brasileiro.

Mesmo para nós brasileiros parece algo complicado, agora imagine para um estrangeiro que não fala português, não está acostumado com a nossa cultura e ainda necessita atendimento médico. Imagine então se você fosse colocado dentro de um asilo nessas condições, sem ter ninguém com quem se comunicar. O que você faria? Imagine também que os organismos que batem no peito e fazem marketing social dizendo que cuidam de vocês desviassem dinheiro, comprassem eletrodomésticos novos para você, mas lhe entregassem velhos. Como se não fosse suficiente, imagine uma comunidade árabe ausente, um governo que não quer se indispor com a ONU, além de inúmeros aproveitadores à sua volta querendo ganhar destaque e lucrar com a sua deplorável situação. Que fazer?

O ano em que os palestinos acamparam em protesto em frente ao ACNUR
Mais de um ano se passou sem que nenhum dos envolvidos pudesse resolver a situação. Inúmeras foram as vezes em que levamos os companheiros às pressas para o hospital, por conta de seus problemas de saúde, ainda mais agravados pelo desumano tratamento que lhes era dispensado pelas autoridades. Chegou uma hora em que o impasse gerou o mesmo conformismo que impregna todo o conflito israelense e palestino: a idéia de um caso sem solução.

E assim ficaria até que, para piorar a situação, o ACNUR, com a ajuda do digníssimo judiciário brasileiro (aquele mesmo que barra a reforma agrária, solta Daniel Dantas e criminaliza os movimentos sociais), consegue uma autorização para retirá-los da frente da bela mansão-sede do ACNUR com ajuda da Polícia Federal. Era uma bela manhã de sábado quando alguns dos vizinhos ricos viam sua bela vizinhança sendo “higienizada”, removendo aqueles senhores do caminho. Outros vizinhos, mas estes loucos ou desavisados, que tinham de alguma forma criado um carinho pelas pessoas que, de forma tão determinada, protestavam em frente às suas casas (apesar do ACNUR ter enviado uma carta a cada vizinho dizendo para NÃO ajudarem os palestinos), discutiam com os policiais inutilmente.

O que pensava o ACNUR? Que os palestinos, justo eles, iam desistir ao primeiro sinal de violência? Que ia adiantar jogar para longe as suas coisas, que eles se calariam e resignariam? Obviamente, não foi isso que aconteceu. Os nossos dignos e corajosos companheiros palestinos resistiram, colocaram suas coisas um pouco mais afastado da sede-mansão do ACNUR, mas ainda ficaram por lá, dessa vez na avenida principal do Lago Sul. Foi um ato de coragem maravilhoso, mas que infelizmente introduziu na história um personagem talvez ainda mais sinistro que todos os anteriores: nosso digníssimo governador do DF, ex-violador de painel eletrônico, atual chefe da polícia, José Roberto Arruda. A saída da frente da sede do ACNUR fez com que a polícia deixasse de enxergar aquilo como um ato político de protesto e encarasse como uma mera ocupação de área pública, justamente no lugar onde todo mundo sabe que não se pode ter ocupação de área pública.

O que aconteceu em seguida seria óbvio, não fosse pela proporção que atingiu. Eram mais de vinte viaturas da Polícia Militar e seus grupos táticos com rifles, talvez em maior número que para prender Daniel Dantas ou os grandes bandidos do tráfico de drogas no Rio e São Paulo. A ação militar tinha como objetivo não apenas assustar e intimidar os palestinos e seus apoiadores, mas também dar o recado para qualquer pessoa que tentasse ocupar um local no Lago Sul. Curiosamente, a operação era comandada por um oficial SUDESA, a Superintendência de Defesa do Solo e da Água (a mesma que não se manifesta para defender o solo de pessoas como Pedro Passos e as águas de gente como PaulOOctávio). Funcionários do GDF recolhiam as coisas e as atiravam em um caminhão, apreendendo as barracas, as roupas, os alimentos e todos os outros “luxos” que os palestinos tiveram nesse ano em que acamparam no chão. Teriam levado tudo, não fosse pela ajuda de alguns companheiros solidários com os palestinos que aceitaram guardar as coisas em suas próprias casas. Para os que presenciaram o fato, era inconcebível tamanha mobilização militar para retirar um grupo de idosos pacíficos de seu protesto político. Era uma versão brasileira do “uso desproporcional da força”, tão criticado por Lula e Celso Amorim, agora praticado pelo governador e seus “capangas”.

O desespero tomou conta por muitas vezes dos companheiros palestinos nesse dia. Agora encontravam-se na rua sem assistência do governo, da ACNUR ou da Cáritas, sem tratamento médico, quase sem apoio da comunidade palestina e árabe e agora sem suas barracas e o pouco de alimento que lhes restavam. Parecia demais para pessoas que tinham sofrido uma vida de privações, de acossamentos e de abusos perpetrados pelo nazi-sionismo. Para eles, era a extrema-unção definitiva da ingênua idéia e do sonho do país tropical, terra de deus, que lhes foi oferecida enquanto estavam em um triste campo de refugiados palestinos na Jordânia.

Uma nova fase do conflito
Sem casa, sem barraca, quase sem alimentos, o grupo de palestinos, principalmente as mulheres grávidas e as crianças, saiu de lá e concentrou-se em um alojamento cedido pela comunidade árabe para a emergência, que expira essa semana. Uma viatura da polícia manteve-se no local, como se fosse uma bandeira cravada no chão dizendo: nós vencemos. Só que os policiais deram de cara com uma coisa que eles não contavam: a persistência, a dignidade e a determinação ferrenha dos palestinos Fahrouk e Ramdam.

Sem comida, sem teto, sem cobertor, sem amigos, eles permaneceram lá, como quem fica simplesmente sentado na grama conversando com um amigo. Não carregam consigo nada grande, porque senão caracteriza uma ocupação e serão presos pelos policiais. De noite acendem um fogo para espantar o frio, mas ainda estão expostos ao sereno e às chuvas. Mais de uma semana já se passou desde o despejo, no entanto os dois palestinos resistem, em uma demonstração clara de dignidade e moral. Eles são dois, assim como são a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, resistindo pequenininhos, apesar de toda a ofensiva imperialista do vizinho. É uma singela representação do que acontece no Oriente Médio e, em ambos os casos, pode ter um final diferente dependendo da nossa intervenção.

Como ajudar?
A urgência da situação nos obriga a sermos rápidos. A saúde de todos os refugiados palestinos está em jogo, além de todos nós sabermos que eles merecem um tratamento humano. Cabe agora a nós, cidadãs e cidadãos brasileiros, ajudarmos essas pessoas que estão dando a cada dia uma nova lição de dignidade, de valentia e pureza. É importante concentrar os esforços de forma organizada e eficiente, para podermos desfazer um pouco do mal que alguns maus representantes de nosso maravilhoso país tropical fizeram a essas pessoas. Moradia, alimentação, tratamento médico, são apenas algumas das necessidades que passam esses grandes homens sem pátria, filhos de uma brava terra para a qual eles não podem voltar, longe de sua família, com nada que lhes comprove o direito a viver ali exceto um papel sem valor da ONU, que demarcou tanto o território israelense como o palestino. Cabe a nós agora formar uma rede de apoiadores e ajudar da melhor maneira possível, e sim, é possível, a esses corajosos homens de paz, de amor e de justiça, que sonham em ver um dia esse planeta onde vivemos transformado na Terra, a Pátria do Homem.

Um enorme abraço internacionalista para todos vocês,

Thiago Ávila

sábado, 16 de outubro de 2010

Oporutnidade para exigir respeito aos direitos dos refugiados no Brasil

Olá amigos


Evento segunda feira, dia 18/10: A prática dos Direitos internacionais dos refugiados no Brasil

É uma oportunidade única para desmascarar de vez a farsa do programa de reassentamento de refugiados palestinos no Brasil e exigir que os direitos dos refugiados sejam respeitados de fato.

Veja o local do evento no mapa que está no link abaixo

http://maps.google.com.br/maps?f=q&source=s_q&hl=pt-BR&geocode=&q=Avenida+Brigadeiro+Lu%C3%ADs+Ant%C3%B4nio,+2020,+S%C3%A3o+Paulo&sll=-14.179186,-50.449219&sspn=64.681899,110.390625&ie=UTF8&hq=&hnear=Av.+Brg.+Lu%C3%ADs+Ant%C3%B4nio,+2020+-+Bela+Vista,+S%C3%A3o+Paulo,+01318-002&ll=-23.565482,-46.647531&spn=0.003934,0.006738&z=17


Mauro Rodrigues de Aguiar
(11) 8389-2026
(11) 4796-5484




18 de outubro de 2010

Local:

Auditório da Procuradoria

Regional da República 3ª Região

Endereço:

Av. Brigadeiro Luís

Antônio, 2020

Horário:

das 14h00 às 18h00

Contato:

011 3397-1423 ou

fgama@prefeitura.sp.gov.br

Inscrições gratuitas

Não será fornecido certificado



Programa
14h00 - 14h30 : abertura - Prof. André de Carvalho Ramos (FADUSP

e PRR3), Prof. Guilherme Assis de Almeida (FADUSP

e SJDC), Dr. Renato Zerbini Leão (CONARE) e Luiz

Fernando Godinho (ACNUR).



14h30 - 14h55: "A Judicialização do Refúgio no Brasil"- Dra. Liliana

Lyra Jubilut, Doutora em Direito Internacional pela

Universidade de São Paulo.



14h55 - 15h20:

“Aspectos Críticos da Proteção dos Refugiados no

Brasil”

- Dr. Jefferson Dias, Procurador Regional dos

Direitos do Cidadão (MPF)



15h20 - 15h45:

"Tratamento Administrativo do Solicitante de

Refúgio"

- Dr. Fábio André Lopes Simões, Delegado

da Polícia Federal



15h45 - 16h00:

Intervalo



16h00 - 16h25:

“Perspectivas da Proteção dos Refugiados" - Luiz

Fernando Godinho (ACNUR)



16h25 - 16h50:

“Defensoria Pública da União e o Refúgio" - Dr.

João Paulo de Campos Dorini, Defensor Público da

União (DPU)



16h50 - 17h15:

“Questões práticas do Reassentamento" - Dr.

Orlando Fantazzini, Secretário de Habitação de

Guarulhos



17h15 - 18h10:

Perguntas, debate e encerramento

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sexta Cultural da APEOESP

Hoje(15), a partir das 20h, haverá a "Sexta Cultural" na Apeoesp Mogi, Rua Barão de Jaceguai, nº 84. Compareçam, toda a renda com a venda de comidas árabes e bebidas será revertida para a conta de apoio às famílias palestinas de Mogi.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Apresentação de dois vídeos sobre os palestinos reassentados no Brasil

O Cineclube Lunetim Mágico realiza todo o último sábado
de cada mês seu projeto de exibição de curtas-metragens
independentes.

Participe.

Realizadores, façam contato, envie-nos seu vídeo.

CINECLUBE LUNETIM MÁGICO
CENTRO CINECLUBISTA DE SÃO PAULO

CONVIDAM PARA A SESSÃO DE FILMES INDEPENDENTES

Sábado, 25 de Setembro - 18:30 horas
GRÁTIS


RUA AUGUSTA 1239, 1º. ANDAR, CONJUNTOS 13 E 14
(EM FRENTE AO BAR IBOTIRAMA)

programação:
A Chave da Casa - Documentário 64 minutos
Retrata a saga de palestinos perseguidos na guerra do Iraque e acolhidos
pelo Brasil.

Direção: Paschoal Samora, Stela Grisotti

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Filhos de Nakba Documentário 20 minutos
Coordenação: Profa. Ms. Cecília Luedemann
Entrevistas de palestinos que vivem hoje em Mogi das Cruzes.

Realizadores debatem suas produções.
Bate papo + Música
Mais Informações:

lunetim@hotmail.com

11 – 3214.3906 / 7038.6836 / 6181-2405

Apoio:
www.bangalo.estantevirtual.com.br
www.teartecer.blogspot.com