Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

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terça-feira, 10 de março de 2009

Gilles Deleuze sobre a Palestina

"Israel inteira está envolvida num experimento. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países".
Publicado originalmente no Le Monde (7/4/1978), mas bem atual!

Como os palestinos poderiam ser “parceiros legítimos” em conversações de paz, se não têm país? Mas como teriam país, se seu país lhes foi roubado? Os palestinos jamais tiveram escolha, além da rendição incondicional. Só lhes ofereceram a morte.
No conflito Israel-Palestina, as ações dos israelenses são consideradas retaliação legítima (mesmo que seus ataques sejam desproporcionais); e as ações dos palestinos são, sem exceção, tratadas como crimes terroristas. Um palestino morto jamais interessa tanto, nem tem o mesmo impacto, que um israelense morto.
Desde 1969, Israel bombardeia sem descanso o sul do Líbano. Israel já disse, claramente, que a recente invasão do Líbano não foi ato de retaliação pelo ataque terrorista em Telavive (11 terroristas contra 30 mil soldados); de fato, a invasão do Líbano é o ponto culminante de um plano, mais uma, numa sequência de operações a serem iniciadas como e quanto Israel decida iniciá-las. Para uma “solução final” para a questão palestina, Israel conta com a cumplicidade quase irrestrita de outros Estados (com diferentes nuances e diferentes restrições).
Um povo sem terra e sem Estado, como o palestino, é como uma espécie de leme, que dá a direção em que andará a paz de todos que se envolvam em suas questões. Se tivessem recebido auxílio econômico e militar, ainda assim teria sido em vão. Os palestinos sabem o que dizem, quando dizem que estão sós.
Os militantes palestinos têm dito que teriam conseguido arrancar, no Líbano, alguma espécie de vitória. No sul Líbano, só havia grupos de resistência, que se comportaram muito bem sob ataque. A invasão israelense, por sua vez, atacou cegamente refugiados palestino e agricultores libaneses, população pobre, que vive da terra. Já se confirmou que cidades foram arrasadas e que civis inocentes foram massacrados. Várias fontes informam que se usaram bombas de fragmentação.
Essa população do sul do Líbano, em exílio perpétuo, indo e vindo sob ataque militar dos israelenses, não vê diferença alguma entre os ataques de Israel e atos de terrorismo. Os últimos ataques tiraram 200 mil pessoas de suas casas. Agora, esses refugiados vagam pelas estradas.
O Estado de Israel está usando, no sul do Líbano, o método que já se provou tão eficaz na Galileia e em outros lugares, em 1948: Israel está “palestinizando” o sul do Líbano.
A maioria dos militantes palestinos nasceram dessa população de refugiados. E Israel pensa que derrotará esses militantes criando mais refugiados e, portanto, com certeza, criando mais terroristas. Não é por termos um relacionamento com o Líbano que dizemos: Israel está massacrando um país frágil e complexo. E há mais.
O conflito Israel-Palestina é um modelo que determinará como o ocidente enfrentará, doravante, os problemas do terrorismo, também na Europa.
A cooperação internacional entre vários Estados e a organização planetária dos procedimentos da polícia e dos bandidos necessariamente levará a um tipo de classificação que cada vez mais incluirá pessoas que serão consideradas “terroristas”. Aconteceu já na Guerra Civil espanhola, quando a Espanha serviu como laboratório experimental para um futuro ainda mais terrível que o passado do qual nascera.
Israel inteira está envolvida num experimento. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países.
Há marcada continuidade nas políticas de Israel. Israel crê que as resoluções da ONU, que condenam Israel verbalmente, são autorizações para invadir. Israel converteu a resolução que o mandava sair dos territórios ocupados em direito de construir colônias!
Achou que seria excelente idéia manter uma força de paz no sul do Líbano… desde que essa força, em vez do exército israelense, transformasse a região em área militar, sob controle policial, um deserto em matéria de segurança.
Esse conflito é uma estranha espécie de chantagem, da qual o mundo jamais escapará, a menos que todos lutemos para que os palestinos sejam reconhecidos pelo que são: “parceiros genuínos” para conversações de paz. De fato, estão em guerra. Numa guerra que não escolheram.
Tradução a partir do inglês: Caia Fittipaldi.
fonte

segunda-feira, 9 de março de 2009

Aos Refugiados Palestinos no Brasil




Aos refugiados

Não tenha medo
O pior já passou
Sei que as coisas andam difíceis
Para os que ficaram
Tua dor também é nossa dor

A terra é de quem trabalha
Toma o teu lugar, faz a tua casa
Planta o teu sustento, come o teu pão
A nossa terra deve ser de todos
E também é sua
Somos todos iguais sob o firmamento
E sobre a terra

Aqui também temos nossos problemas
Ricos e pobres,
Estado de Direito para uns
Estado de Sítio para os outros
Quem trabalha para quem?

No fim, somos todos vítimas
Do dinheiro que ganhou vida própria
Das coisas que dominam os homens
Dos homens que viraram coisas
Dos senhores loucos hipnotizados por isso
Que nos governam e conduzem tudo para o buraco

A opressão e a exploração
Estão em toda parte
Mas neste mundo,
Nada é natural,
Tudo é histórico
Quem faz o mundo são os homens

E no final,
Não há tirania que seja eterna
Não há asfalto grosso que não rache
Abrindo espaço para a flor germinar
A flor vermelha de nosso sangue
A flor que é nosso punho levantado
Que é a vida e o amor universal
Que é a luta e a dignidade
Que é nosso grito de verdade
Que é a emancipação da humanidade
(Otto João leite)

domingo, 8 de março de 2009

Sin Dios

O Sin Dios é uma banda de hard core espanhola de primeira classe. Assumidamente anarquistas, fazem de seus cd's (do encarte deles), verdadeiros livros sobre anarquismo e movimentos sociais. Esse clip, "Toque de Queda", faz um relato perfeito da situação dos palestinos:

terça-feira, 3 de março de 2009

Nacionalidade, etnia e religião


É comum ouvir, até mesmo na imprensa, se falar de árabe, muçulmano e palestino (iraquiano, jordaniano, libanês, egipcio...ou de qualquer nacionalidade que tenha relação com aquela região), como se fosse tudo a mesma coisa.



Pode parecer uma simples confusão conceitual, mas muitas vezes isso gera preconceitos e descaracteriza as diferenças entre os povos e sua cultura. Principalmente quando uma ação mais grave e impactante é feita por um grupo de pessoas, mas que no fim das contas é atribuída a vários grupos, é o caso do terrorismo. De fato, algumas pessoas realizam atentados terroristas, movidas quase sempre por questões ideológicas (ou por uma interpretação errônea da religião), mas pessoas de várias localidades, religiões, etnias, culturas. Acontece que em cima da etnia árabe é que cai a culpa, o que é um absurdo. Se isso fosse correto poderíamos afirmar que os atentados realizados pelo IRA na Irlanda e pelo ETA na Espanha, são feitos pelos árabes. Até mesmo o terrorismo contra os palestinos realizado por alguns israelenses do IRGUM, HAGANÁ e STERN (claro, tem o terrorismo de estado também), seria ocasionado pelos árabes.



A confusão começa a diminuir se os conceitos forem definidos. Não dá pra considerar etnia,religião e nacionalidade como se fosse a mesma coisa.


Deixando de lado questões ideológicas, árabe é aquele que:




  1. é originário da península arábica;


  2. vive em um país pertencente a chamada Liga Árabe;


  3. tem como idioma materno a língua árabe;


  4. é ascendente do povo árabe,que não necessariamente vive em um pais considerado árabe;(por isso que tem árabe na europa, na ásia, oceania e na américa)


Grosso modo, nacionalidade é:



  1. o vinculo jurídico de uma pessoa com um estado;

  2. a naturalidade de uma pessoa com uma pátria (nação);

  3. o Jus sanguinis, relação sanguínea de uma pessoa com outras pessoas nascidas em determinado território;

  4. o jus soli, ligação de uma pessoa com o solo em que vive (solo em que não necessariamente nasceu);

De maneira prática, religião, é:



  1. a prestação de culto a uma divindade;

  2. a religação de uma pessoa com o deus em que acredita;

  3. conjunto de crenças relacionadas aquilo que é sobrenatural, divino, metafísico etc;

Sabe-se que esses conceitos foram colocados aqui de maneira superficial. Entretando, o intuito de distinguir essas três coisas foi mais urgente que um aprofundamento do assunto . Outro objetivo é que se extingua o preconceito contra a cultura árabe que devido a casos isolados(na maioria dos casos, justos), leva a culpa e a fama de promover o terrorismo, o que na verdade é um grande engodo por parte dos governos dos países ocidentais e pelo governo israelense.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Fatah e Hamas fecham acordo de reconciliação



Acordo prevê criação de comitês conjuntos e governo de união
Os grupos rivais palestinos, Fatah e Hamas, anunciaram nesta quinta-feira que fecharam um acordo de reconciliação que inclui a formação de um governo de unidade nacional até o fim do próximo mês.


"Este é um dia histórico. Começamos um novo capítulo de unidade e reconciliação", disse o ex-premiê Ahmed Korei, do Fatah.

Ele disse que foi acertada a formação de cinco comitês conjuntos entre os grupos rivais. Um deles terá a missão de formar um governo de unidade que venha a ser aceito pela comunidade internacional.

Os outros vão tratar de temas como segurança, reconciliação nacional, eleições e o futuro da entidade OLP (Organização para a Libertação da Palestina).

Em tese, as atividades dos comitês terminam com a implementação do governo no próximo mês.

Eleições

As negociações para aparar as arestas entre os dois grupos foram mediadas pelo Egito. Mais de dez facções palestinas, incluindo o Hamas e o Fatah, foram convidadas para participar das conversas no Cairo nesta quinta-feira.

Na quarta-feira, em um gesto de boa-vontade, o Hamas resolveu libertar prisioneiros pertencentes ao Fatah e o Fatah, prisioneiros do Hamas.

As duas facções também prometeram parar de atacar uma a outra nos meios de comunicação, a fim de fomentar uma boa relação.

Um governo único poderia servir como uma gestão interina durante preparativos para novas eleições presidenciais e legislativas e para coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza.

Fragilidade

As negociações entre os dois grupos foram interrompidas em novembro de 2008, mas retomadas após a ofensiva militar israelense em Gaza, entre dezembro e janeiro.

Segundo fontes palestinas, a ofensiva matou mais de 1,3 mil palestinos e danificou boa parte do território.

A Cruz Vermelha pediu nesta quinta-feira que Israel suspenda o bloqueio a Gaza e disse que muitos palestinos continuam sem água potável, remédios e moradia, um mês após o fim da ofensiva. A organização disse que os esforços de reconstrução só vão ser bem-sucedidos se existir união entre as facções palestinas.

O Hamas foi eleito democraticamente em 2006 pelos palestinos para dirigir o parlamento do país, mas a eleição não foi reconhecida pela comunidade internacional, que exigia que o grupo reconhecesse Israel e renunciasse à violência. Foi então imposto um boicote aos palestinos.

Para obter reconhecimento, o Hamas aceitou a formação de um governo de unidade nacional com o Fatah, mas diferenças entre os dois grupos levaram a violentos confrontos em 2007. O Hamas então assumiu controle de Gaza e o Fatah, da Cisjordânia.

Analistas dizem que estas diferenças ainda não foram resolvidas e a possibilidade de um novo rompimento é ainda bastante real.
Fonte: BBC

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Refugiados no Brasil


No Brasil, os refugiados recebem auxílio-subsistência a partir de R$ 350,00 - de acordo com o número de membros de uma família -, aulas de português, casa alugada e mobiliada, carteira de trabalho, cursos profissionalizantes, acesso a microcréditos para pequenos negócios, além de outros benefícios. O órgão responsável pela estada de refugiados no Brasil é o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), além do apoio de algumas ONG’s e do Cáritas Diocesano.
Apesar disso, um grupo de palestinos que viveu “cinco anos acampados no deserto da Jordânia” e que está há “alguns meses em Brasília”, em frente a sede do ACNUR, diz não receber o apoio prometido. É o caso de Handam Abdul que diz que “desde que chegou ao Brasil é tratado como inválido ou como louco”. Em Mogi das Cruzes, o ACNUR-Brasil e a Cáritas Brasileira, conforme afirma, já o colocaram em “um asilo que mais parecia uma prisão”.
O porta-voz do ACNUR no Brasil, Luiz Fernando Godinho, diz sobre o processo de integração dos refugiados:
“é longo, complexo e oferece muitas dificuldades. Muitas pessoas estão trabalhando, as crianças estão estudando, os casos médicos são atendidos pela rede pública de saúde, é um processo que está acontecendo dentro do previsto”, folha on-line, 26/03/08.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Texto retirado do Blog Bourdoukan




Não culpem o Hamas, culpem o colonizador

Vamos esclarecer uma coisa.

Não há nenhum problema palestino. O problema é Israel.

Os palestinos não invadiram a Europa.

Os palestinos não ocuparam nenhuma nação européia.

Os palestinos jamais perseguiram quem quer que seja por questões religiosas.

Governantes muçulmanos palestinos sempre trataram respeitosamente quaisquer membros de outras religiões.

Jamais perseguiram os judeus europeus ou ocidentais.

Os europeus cristãos é quem perseguiam os judeus.

Os europeus cristãos é quem criaram os campos de concentração.

O holocausto é um produto cristão europeu.

E o muçulmano é o terrorista?

A criação de Israel foi uma ação cínica do Ocidente para livrar-se de seus judeus já que os campos de concentração não bastaram.

Roubaram uma terra que não lhes pertencia para doá-la a pessoas que não tinham nenhuma relação com a região.

E os palestinos é que pagam a fatura?

Vamos esclarecer uma coisa.

A Palestina é uma nação ocupada.

E como nação ocupada tem o direito de utilizar todos os meios a seu alcance para se libertar.

Foi o que fizeram todas as nações africanas.

Foi o que fizeram as nações asiáticas.

Foi o que fizeram as nações americanas para se libertar do jugo colonialista.

A Palestina é uma nação ocupada.

Terrorista é o ocupante.

Por isso engana-se quem trata o Hamas como um movimento terrorista.

Terroristas são os invasores e colonizadores.

Não se esqueçam. O presidente inconteste da Palestina, Yasser Arafat, sentou-se à mesa de negociação e apertou a mão de Rabin.

Rabin foi assassinado por um terrorista judeu.

E a cada reunião de Arafat com os israelenses, mudava-se a oferta.

A cada reunião com Arafat, o mapa da Palestina encolhia.

E acusavam Arafat de intransigente.

Dos 100% da Palestina, a ONU ofereceu 47% aos palestinos.

Os 100% originais, que passaram a 47%, foram encolhendo a cada reunião.

Hoje Israel oferece 17% e acusa os palestinos de não quererem negociar.

Eles querem enganar a quem?

Fossem eles sinceros, teriam negociado com Arafat.

Ao invés disso o mantiveram em prisão.

Arafat morreu e até hoje pairam dúvidas sobre a sua morte.

Morreu ou foi assassinado?

Foram realizadas eleições na Palestina e o Hamas venceu.

Os observadores internacionais que acompanharam essa eleição, entre os quais o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, afirmaram que foram eleições limpas e transparentes.

E qual foi a reação de Israel?

Dividir a Palestina e criar um cerco brutal.

Na Cisjordânia, o muro da vergonha.

Em Gaza, um cerco onde ninguém entrava, ninguém saía.

Isto são fatos.

A Palestina é uma nação ocupada que busca a liberdade.

Israel é o opressor que não distingue seus alvos.

O Hamas é um movimento de libertação que tenta libertar sua terra da fome, da miséria, do muro da vergonha e do maior campo de concentração de que se tem notícia.

Por isso, não culpem o Hamas. Culpem o colonizador.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cala a boca Kurz!


Texto retirado do Orkut, da comunidade "Robert Kurz", escrito por Iuri Cavlak, muito bom!

1) Kurz afirma que o Estado de Israel é "uma resposta dos judeus à ideologia da modernização eliminadora do antissemitismo europeu e, sobretudo, alemão". Falso!

Historicamente, Israel foi criado como enclave ocidental dentro de um território que já tinha dono, os árabes. A grande crítica aos judeus se refere ao sionismo, por se tratar de uma ideologia conservadora de extrema direita. Por que não, após o holocausto, criar o Estado de Israel em algum território alemão? Não seria uma maneira de "cobrar dividas de guerra" contra a classe política que apoiou Hitler? Os judeus tem direito a Jerusalém? Pode ser. Todavia, há milênios que não estavam mais lá. Jerusalém era árabe. Ou to errado?

2) "Nessa região - Kurz refere-se ao Oriente Médio - os segmentos do capital que fracassaram no mercado mundial declararam a guerra aos judeus como combate paradigmático à dominação Ocidental". Falso! A elite árabe, que explora a mais valia de seus trabalhadores, concentra renda e reprime movimentos libertários, ainda assim não declara "guerra aos judeus", e sim ao Estado de Israel. Que mata, que toma territórios, que expulsa palestinos, que embarga por terra e mar a economia de 4° mundo de Gaza e da Cisjordania, que cria guetos, que massacra em Sabra e Chatila ( quase 3000 civis. Há algum filme sobre isso?) Que é um potência atomica com 200 ogivas admitidas. Que, desde 1947, não obedece as resoluções da ONU de se retirar de territórios ilegitimos. Alguma altoridade israelense foi enforcada por desrespeitar "direitos humanos"? Israel sofreu alguma intervenção por invadir país alheio? Aliás, tirando o Irã, que elite estatal da região "declara guerra aos judeus"?
3) "Segmentos expressivos da esquerda global também passaram a transferir sem qualquer cerimônia a glorificação do velho "anti imperialismo aos movimentos e regimes islãmicos". Demasiado impreciso! Quem é essa "esquerda global"? Entender os motivos da existencia do presidente do Irã e do Hamas ou Hisbolah, repito, entender e contextualizar, nao significa "glorificar".

4) "A nada santa aliança entre o caudilhismo "socialista" (aspas de Kurz) de um Hugo Chávez e o islamismo representa apenas a ratificação dessa decadência ideologica no plano da política mundial". Demasiado impreciso! Chavez expulsou o embaixador de Israel como protesto ao massacre de Gaza. O apoio é verbal, até porque a pobre economia venezuelana não possui condições de ajudar materialmente movimentos islamicos contra Israel. De 1950 até 1990, quando governos burgueses governaram o capitalismo da Venezuela e, em vários momentos, estiveram do lado dos EUA e de Israel constituiram uma "santa aliança" contra os árabes?

5) "A guerra islãmica contra os judeus é aceita como inevitável. Por isso os lançamentos de foguetes do Hamas sobre a população civil israelense se afiguram inessenciais". Falso!Pode ser que os EUA estejam se preocupando menos com seu 51° estado. Mas dizer que há "ataques de foguetes do Hamas sobre a populaçao civil israelense" é uma obtusidade, vindo de um pensador da estatura de Kurz. Trata-se de foguetes caseiros, que em 5 anos matou 14 civis. Destruiu algumas calçadas. Nos últimos 5 anos, conta-se em 6 mil os mortos civis palestinos. A violencia do oprimido é diferente da do opressor. 14 contra 6 mil! Kurz nao pode cair na lenga lenga da grande midia burguesa e repetir frases sem conteúdo

6) "A opinião pública global caracteriza o contra -ataque israelense majoritariamente como "desproporcional". Contra ataque? Mas que contra ataque? Se estamos falando do avanço de uma potencia nuclear, que conta com uma máquina de guerra up to date, contra população que se arma de paus e pedras. Contra ataque?
Misseis teleguiados a laser, aviaçao modernissima de guerra contra quem sequer tem um teco-teco ou ultraleve pode se chamar de "contra ataque" ?

7) "Por isso o pragmatismo capitalista se volta, conforme se pode observar até na imprensa burguesa de orientação liberal, cada vez mais contra a autodefesa israelense". Falso! Qual imprensa, liberal e burguesa, é anti semita? Ou anti-Isrrael? A CNN? United Press? Autodefesa israelense? Mas trata-se de um aparato estatal imperialista, autoritario e hiper armado, que há décadas mata, mata e mata, e rouba, rouba e rouba territórios. E que sempre apoia os EUA nas votos mais conservadores na ONU. Contra o protocolo de Kyoto? EUA e Israel. Contra o fim do embargo a Cuba? EUA e Israel. Contra o cessar-fogo? EUA E Israel. A favor de invadir o destruido Iraque, e seu famigerado "arsenal de bombas de destruição em massa", inexistente? EUA e Israel. Kurz, afirmar que existe uma autodefesa israelense é lamentavel. Autodefesa seria em uma circunstancia completamente diferente dessa disparidade gicantesca de força material e ideologica.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Importações da China destroçam a economia palestina


Publicado em El País, 03/08/2008


Importações da China destroçam a economia palestina

Ana Carbajosa
Em Jerusalém

Há 41 anos, Abdelaziz El Karaki tece os típicos lenços palestinos ("kufias") em uma fábrica decadente em Hebron, a única em toda Gaza e Cisjordânia. El Karaki viu o negócio evoluir ao ritmo dos acontecimentos políticos. Na primeira Intifada, nos anos 1980, cobrir o rosto com o lenço palestino se transformou em símbolo de resistência e as vendas dispararam, enquanto nos períodos mais tranqüilos as receitas diminuíram. Mas nenhum acontecimento político atingiu tanto a fábrica de Karaki quanto a chegada aos territórios de lenços "made in China", a preços com os quais não consegue concorrer. "Antes esta fábrica dava de comer a 50 pessoas, agora trabalho sozinho e apenas algumas horas. Se continuar assim, logo terei de fechar", lamenta Karaki, tendo como pano de fundo o matraquear de quatro das 15 vetustas máquinas da indústria.

Desmoralizado, Yasir Hamad Hirbawi, o dono da fábrica, confirma a tese de seu empregado enquanto fuma com parcimônia no armazém onde guarda milhares de kufias, na esperança de um dia poder vendê-las. "Nas décadas em que trabalhei como empresário, nunca vi uma mudança tão grande", afirma. "Estamos resistindo, queremos sobreviver e produzir na Palestina, mas..."

Os lamentos de Hirbawi se repetem em todo o território palestino, principalmente em Hebron, seu parque industrial. A chegada das importações chinesas deu o pontapé em uma economia debilitada em boa parte pelas restrições à liberdade de movimentos de trabalhadores e mercadorias impostas por Israel e sua rede de postos de controle, como indicou o Banco Mundial em seu último relatório.

Foram-se os tempos dos famosos sapatos, vidros e têxteis de Hebron. A etiqueta "made in China" entrou nos territórios como um rolo compressor, causando o fechamento de fábricas e a demissão de milhares de trabalhadores. Os números coletados pela Câmara de Comércio de Hebron indicam que, das 120 fábricas têxteis que havia antes de 2000, hoje ficam somente dez e que dos 10 mil trabalhadores empregados pelo setor de calçados só 2.500 conseguiram manter o emprego. O restante passou a engordar a cifra do desemprego, que beira os 32%, segundo dados oficiais.

É verdade que o caso palestino não é um fenômeno isolado, que a locomotiva chinesa não conhece fronteiras, mas os palestinos empobrecidos - com receitas que beiram os US$ 1 mil anuais per capita - são especialmente propensos a consumir produtos baratos, seja quem for o fabricante. "A ocupação destruiu a economia das famílias, que agora começam a comprar produtos chineses baratos", explica Jales Osaily, prefeito de Hebron, para quem sobreviver aos vaivéns da globalização é tão preocupante quanto resistir à ocupação israelense.

Osaily, membro da chamada Terceira Via palestina, o partido minoritário criado em torno do primeiro-ministro Salam Fayyad, acredita que a única solução é se concentrar no desenvolvimento tecnológico e no setor de serviços. Como explicou ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, enviado especial da comunidade internacional ao Oriente Médio, sua idéia é montar zonas francas em Hebron que atraiam os investidores estrangeiros e que sejam capazes de concorrer com a produção chinesa, graças aos acordos de isenção fiscal que a Autoridade Palestina mantém com os EUA e a União européia. "Mas tudo isso só será possível se melhorar a liberdade de movimento dos palestinos", afirma em seu elegante escritório na prefeitura.

Na sede da Câmara de Comércio de Hebron, seu diretor Maher Haimuni conta que, apesar do desembarque de importações chinesas "ter destruído nossa economia", alguns poucos, mais ousados, souberam tirar partido da nova realidade e embarcaram no trem das importações. São centenas de hebronitas que viajam regularmente à província chinesa de Guangdong para fazer negócios e comprar mercadorias.

Haimuni conta que o cônsul chinês em Ramala se desloca até Hebron, onde assina centenas de vistos de uma vez. Alguns empresários palestinos acabam morando na China e outros, embora já casados, aproveitam as viagens de negócios para se casar com chinesas, recorrendo à poligamia que o islamismo permite. Os rumores sobre casamentos de hebronitas com chinesas percorrem os territórios palestinos como pólvora.

Hamed Shawar afirma que ele não tem outra mulher na China, apesar de ter sido dos primeiros a se aventurar no mercado asiático e a cada dois meses viajar à Ásia para controlar o andamento de seus negócios. Hoje administra um próspero comércio de lenços, no qual as importações substituíram progressivamente a produção local. "Foi muito triste a decisão de deixar de produzir aqui. Tínhamos 30 trabalhadores e agora restam só dez, que nem sequer me fazem falta. Prefiro os chineses. Se não fosse por suas famílias, os demitiria", confessa sem rodeios em sua loja no centro de Hebron, no meio de sutiãs e túnicas ao gosto palestino, mas, sim, fabricados na China.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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