quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Refugiados no Brasil

No Brasil, os refugiados recebem auxílio-subsistência a partir de R$ 350,00 - de acordo com o número de membros de uma família -, aulas de português, casa alugada e mobiliada, carteira de trabalho, cursos profissionalizantes, acesso a microcréditos para pequenos negócios, além de outros benefícios. O órgão responsável pela estada de refugiados no Brasil é o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), além do apoio de algumas ONG’s e do Cáritas Diocesano.
Apesar disso, um grupo de palestinos que viveu “cinco anos acampados no deserto da Jordânia” e que está há “alguns meses em Brasília”, em frente a sede do ACNUR, diz não receber o apoio prometido. É o caso de Handam Abdul que diz que “desde que chegou ao Brasil é tratado como inválido ou como louco”. Em Mogi das Cruzes, o ACNUR-Brasil e a Cáritas Brasileira, conforme afirma, já o colocaram em “um asilo que mais parecia uma prisão”.
O porta-voz do ACNUR no Brasil, Luiz Fernando Godinho, diz sobre o processo de integração dos refugiados:
“é longo, complexo e oferece muitas dificuldades. Muitas pessoas estão trabalhando, as crianças estão estudando, os casos médicos são atendidos pela rede pública de saúde, é um processo que está acontecendo dentro do previsto”, folha on-line, 26/03/08.
Apesar disso, um grupo de palestinos que viveu “cinco anos acampados no deserto da Jordânia” e que está há “alguns meses em Brasília”, em frente a sede do ACNUR, diz não receber o apoio prometido. É o caso de Handam Abdul que diz que “desde que chegou ao Brasil é tratado como inválido ou como louco”. Em Mogi das Cruzes, o ACNUR-Brasil e a Cáritas Brasileira, conforme afirma, já o colocaram em “um asilo que mais parecia uma prisão”.
O porta-voz do ACNUR no Brasil, Luiz Fernando Godinho, diz sobre o processo de integração dos refugiados:
“é longo, complexo e oferece muitas dificuldades. Muitas pessoas estão trabalhando, as crianças estão estudando, os casos médicos são atendidos pela rede pública de saúde, é um processo que está acontecendo dentro do previsto”, folha on-line, 26/03/08.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Texto retirado do Blog Bourdoukan

Não culpem o Hamas, culpem o colonizador
Vamos esclarecer uma coisa.
Não há nenhum problema palestino. O problema é Israel.
Os palestinos não invadiram a Europa.
Os palestinos não ocuparam nenhuma nação européia.
Os palestinos jamais perseguiram quem quer que seja por questões religiosas.
Governantes muçulmanos palestinos sempre trataram respeitosamente quaisquer membros de outras religiões.
Jamais perseguiram os judeus europeus ou ocidentais.
Os europeus cristãos é quem perseguiam os judeus.
Os europeus cristãos é quem criaram os campos de concentração.
O holocausto é um produto cristão europeu.
E o muçulmano é o terrorista?
A criação de Israel foi uma ação cínica do Ocidente para livrar-se de seus judeus já que os campos de concentração não bastaram.
Roubaram uma terra que não lhes pertencia para doá-la a pessoas que não tinham nenhuma relação com a região.
E os palestinos é que pagam a fatura?
Vamos esclarecer uma coisa.
A Palestina é uma nação ocupada.
E como nação ocupada tem o direito de utilizar todos os meios a seu alcance para se libertar.
Foi o que fizeram todas as nações africanas.
Foi o que fizeram as nações asiáticas.
Foi o que fizeram as nações americanas para se libertar do jugo colonialista.
A Palestina é uma nação ocupada.
Terrorista é o ocupante.
Por isso engana-se quem trata o Hamas como um movimento terrorista.
Terroristas são os invasores e colonizadores.
Não se esqueçam. O presidente inconteste da Palestina, Yasser Arafat, sentou-se à mesa de negociação e apertou a mão de Rabin.
Rabin foi assassinado por um terrorista judeu.
E a cada reunião de Arafat com os israelenses, mudava-se a oferta.
A cada reunião com Arafat, o mapa da Palestina encolhia.
E acusavam Arafat de intransigente.
Dos 100% da Palestina, a ONU ofereceu 47% aos palestinos.
Os 100% originais, que passaram a 47%, foram encolhendo a cada reunião.
Hoje Israel oferece 17% e acusa os palestinos de não quererem negociar.
Eles querem enganar a quem?
Fossem eles sinceros, teriam negociado com Arafat.
Ao invés disso o mantiveram em prisão.
Arafat morreu e até hoje pairam dúvidas sobre a sua morte.
Morreu ou foi assassinado?
Foram realizadas eleições na Palestina e o Hamas venceu.
Os observadores internacionais que acompanharam essa eleição, entre os quais o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, afirmaram que foram eleições limpas e transparentes.
E qual foi a reação de Israel?
Dividir a Palestina e criar um cerco brutal.
Na Cisjordânia, o muro da vergonha.
Em Gaza, um cerco onde ninguém entrava, ninguém saía.
Isto são fatos.
A Palestina é uma nação ocupada que busca a liberdade.
Israel é o opressor que não distingue seus alvos.
O Hamas é um movimento de libertação que tenta libertar sua terra da fome, da miséria, do muro da vergonha e do maior campo de concentração de que se tem notícia.
Por isso, não culpem o Hamas. Culpem o colonizador.

Não culpem o Hamas, culpem o colonizador
Vamos esclarecer uma coisa.
Não há nenhum problema palestino. O problema é Israel.
Os palestinos não invadiram a Europa.
Os palestinos não ocuparam nenhuma nação européia.
Os palestinos jamais perseguiram quem quer que seja por questões religiosas.
Governantes muçulmanos palestinos sempre trataram respeitosamente quaisquer membros de outras religiões.
Jamais perseguiram os judeus europeus ou ocidentais.
Os europeus cristãos é quem perseguiam os judeus.
Os europeus cristãos é quem criaram os campos de concentração.
O holocausto é um produto cristão europeu.
E o muçulmano é o terrorista?
A criação de Israel foi uma ação cínica do Ocidente para livrar-se de seus judeus já que os campos de concentração não bastaram.
Roubaram uma terra que não lhes pertencia para doá-la a pessoas que não tinham nenhuma relação com a região.
E os palestinos é que pagam a fatura?
Vamos esclarecer uma coisa.
A Palestina é uma nação ocupada.
E como nação ocupada tem o direito de utilizar todos os meios a seu alcance para se libertar.
Foi o que fizeram todas as nações africanas.
Foi o que fizeram as nações asiáticas.
Foi o que fizeram as nações americanas para se libertar do jugo colonialista.
A Palestina é uma nação ocupada.
Terrorista é o ocupante.
Por isso engana-se quem trata o Hamas como um movimento terrorista.
Terroristas são os invasores e colonizadores.
Não se esqueçam. O presidente inconteste da Palestina, Yasser Arafat, sentou-se à mesa de negociação e apertou a mão de Rabin.
Rabin foi assassinado por um terrorista judeu.
E a cada reunião de Arafat com os israelenses, mudava-se a oferta.
A cada reunião com Arafat, o mapa da Palestina encolhia.
E acusavam Arafat de intransigente.
Dos 100% da Palestina, a ONU ofereceu 47% aos palestinos.
Os 100% originais, que passaram a 47%, foram encolhendo a cada reunião.
Hoje Israel oferece 17% e acusa os palestinos de não quererem negociar.
Eles querem enganar a quem?
Fossem eles sinceros, teriam negociado com Arafat.
Ao invés disso o mantiveram em prisão.
Arafat morreu e até hoje pairam dúvidas sobre a sua morte.
Morreu ou foi assassinado?
Foram realizadas eleições na Palestina e o Hamas venceu.
Os observadores internacionais que acompanharam essa eleição, entre os quais o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, afirmaram que foram eleições limpas e transparentes.
E qual foi a reação de Israel?
Dividir a Palestina e criar um cerco brutal.
Na Cisjordânia, o muro da vergonha.
Em Gaza, um cerco onde ninguém entrava, ninguém saía.
Isto são fatos.
A Palestina é uma nação ocupada que busca a liberdade.
Israel é o opressor que não distingue seus alvos.
O Hamas é um movimento de libertação que tenta libertar sua terra da fome, da miséria, do muro da vergonha e do maior campo de concentração de que se tem notícia.
Por isso, não culpem o Hamas. Culpem o colonizador.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Cala a boca Kurz!

Texto retirado do Orkut, da comunidade "Robert Kurz", escrito por Iuri Cavlak, muito bom!
1) Kurz afirma que o Estado de Israel é "uma resposta dos judeus à ideologia da modernização eliminadora do antissemitismo europeu e, sobretudo, alemão". Falso!
Historicamente, Israel foi criado como enclave ocidental dentro de um território que já tinha dono, os árabes. A grande crítica aos judeus se refere ao sionismo, por se tratar de uma ideologia conservadora de extrema direita. Por que não, após o holocausto, criar o Estado de Israel em algum território alemão? Não seria uma maneira de "cobrar dividas de guerra" contra a classe política que apoiou Hitler? Os judeus tem direito a Jerusalém? Pode ser. Todavia, há milênios que não estavam mais lá. Jerusalém era árabe. Ou to errado?
2) "Nessa região - Kurz refere-se ao Oriente Médio - os segmentos do capital que fracassaram no mercado mundial declararam a guerra aos judeus como combate paradigmático à dominação Ocidental". Falso! A elite árabe, que explora a mais valia de seus trabalhadores, concentra renda e reprime movimentos libertários, ainda assim não declara "guerra aos judeus", e sim ao Estado de Israel. Que mata, que toma territórios, que expulsa palestinos, que embarga por terra e mar a economia de 4° mundo de Gaza e da Cisjordania, que cria guetos, que massacra em Sabra e Chatila ( quase 3000 civis. Há algum filme sobre isso?) Que é um potência atomica com 200 ogivas admitidas. Que, desde 1947, não obedece as resoluções da ONU de se retirar de territórios ilegitimos. Alguma altoridade israelense foi enforcada por desrespeitar "direitos humanos"? Israel sofreu alguma intervenção por invadir país alheio? Aliás, tirando o Irã, que elite estatal da região "declara guerra aos judeus"?
3) "Segmentos expressivos da esquerda global também passaram a transferir sem qualquer cerimônia a glorificação do velho "anti imperialismo aos movimentos e regimes islãmicos". Demasiado impreciso! Quem é essa "esquerda global"? Entender os motivos da existencia do presidente do Irã e do Hamas ou Hisbolah, repito, entender e contextualizar, nao significa "glorificar".
3) "Segmentos expressivos da esquerda global também passaram a transferir sem qualquer cerimônia a glorificação do velho "anti imperialismo aos movimentos e regimes islãmicos". Demasiado impreciso! Quem é essa "esquerda global"? Entender os motivos da existencia do presidente do Irã e do Hamas ou Hisbolah, repito, entender e contextualizar, nao significa "glorificar".
4) "A nada santa aliança entre o caudilhismo "socialista" (aspas de Kurz) de um Hugo Chávez e o islamismo representa apenas a ratificação dessa decadência ideologica no plano da política mundial". Demasiado impreciso! Chavez expulsou o embaixador de Israel como protesto ao massacre de Gaza. O apoio é verbal, até porque a pobre economia venezuelana não possui condições de ajudar materialmente movimentos islamicos contra Israel. De 1950 até 1990, quando governos burgueses governaram o capitalismo da Venezuela e, em vários momentos, estiveram do lado dos EUA e de Israel constituiram uma "santa aliança" contra os árabes?
5) "A guerra islãmica contra os judeus é aceita como inevitável. Por isso os lançamentos de foguetes do Hamas sobre a população civil israelense se afiguram inessenciais". Falso!Pode ser que os EUA estejam se preocupando menos com seu 51° estado. Mas dizer que há "ataques de foguetes do Hamas sobre a populaçao civil israelense" é uma obtusidade, vindo de um pensador da estatura de Kurz. Trata-se de foguetes caseiros, que em 5 anos matou 14 civis. Destruiu algumas calçadas. Nos últimos 5 anos, conta-se em 6 mil os mortos civis palestinos. A violencia do oprimido é diferente da do opressor. 14 contra 6 mil! Kurz nao pode cair na lenga lenga da grande midia burguesa e repetir frases sem conteúdo
6) "A opinião pública global caracteriza o contra -ataque israelense majoritariamente como "desproporcional". Contra ataque? Mas que contra ataque? Se estamos falando do avanço de uma potencia nuclear, que conta com uma máquina de guerra up to date, contra população que se arma de paus e pedras. Contra ataque?
Misseis teleguiados a laser, aviaçao modernissima de guerra contra quem sequer tem um teco-teco ou ultraleve pode se chamar de "contra ataque" ?
Misseis teleguiados a laser, aviaçao modernissima de guerra contra quem sequer tem um teco-teco ou ultraleve pode se chamar de "contra ataque" ?
7) "Por isso o pragmatismo capitalista se volta, conforme se pode observar até na imprensa burguesa de orientação liberal, cada vez mais contra a autodefesa israelense". Falso! Qual imprensa, liberal e burguesa, é anti semita? Ou anti-Isrrael? A CNN? United Press? Autodefesa israelense? Mas trata-se de um aparato estatal imperialista, autoritario e hiper armado, que há décadas mata, mata e mata, e rouba, rouba e rouba territórios. E que sempre apoia os EUA nas votos mais conservadores na ONU. Contra o protocolo de Kyoto? EUA e Israel. Contra o fim do embargo a Cuba? EUA e Israel. Contra o cessar-fogo? EUA E Israel. A favor de invadir o destruido Iraque, e seu famigerado "arsenal de bombas de destruição em massa", inexistente? EUA e Israel. Kurz, afirmar que existe uma autodefesa israelense é lamentavel. Autodefesa seria em uma circunstancia completamente diferente dessa disparidade gicantesca de força material e ideologica.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Importações da China destroçam a economia palestina

Publicado em El País, 03/08/2008
Importações da China destroçam a economia palestina
Ana Carbajosa
Em Jerusalém
Há 41 anos, Abdelaziz El Karaki tece os típicos lenços palestinos ("kufias") em uma fábrica decadente em Hebron, a única em toda Gaza e Cisjordânia. El Karaki viu o negócio evoluir ao ritmo dos acontecimentos políticos. Na primeira Intifada, nos anos 1980, cobrir o rosto com o lenço palestino se transformou em símbolo de resistência e as vendas dispararam, enquanto nos períodos mais tranqüilos as receitas diminuíram. Mas nenhum acontecimento político atingiu tanto a fábrica de Karaki quanto a chegada aos territórios de lenços "made in China", a preços com os quais não consegue concorrer. "Antes esta fábrica dava de comer a 50 pessoas, agora trabalho sozinho e apenas algumas horas. Se continuar assim, logo terei de fechar", lamenta Karaki, tendo como pano de fundo o matraquear de quatro das 15 vetustas máquinas da indústria.
Desmoralizado, Yasir Hamad Hirbawi, o dono da fábrica, confirma a tese de seu empregado enquanto fuma com parcimônia no armazém onde guarda milhares de kufias, na esperança de um dia poder vendê-las. "Nas décadas em que trabalhei como empresário, nunca vi uma mudança tão grande", afirma. "Estamos resistindo, queremos sobreviver e produzir na Palestina, mas..."
Os lamentos de Hirbawi se repetem em todo o território palestino, principalmente em Hebron, seu parque industrial. A chegada das importações chinesas deu o pontapé em uma economia debilitada em boa parte pelas restrições à liberdade de movimentos de trabalhadores e mercadorias impostas por Israel e sua rede de postos de controle, como indicou o Banco Mundial em seu último relatório.
Foram-se os tempos dos famosos sapatos, vidros e têxteis de Hebron. A etiqueta "made in China" entrou nos territórios como um rolo compressor, causando o fechamento de fábricas e a demissão de milhares de trabalhadores. Os números coletados pela Câmara de Comércio de Hebron indicam que, das 120 fábricas têxteis que havia antes de 2000, hoje ficam somente dez e que dos 10 mil trabalhadores empregados pelo setor de calçados só 2.500 conseguiram manter o emprego. O restante passou a engordar a cifra do desemprego, que beira os 32%, segundo dados oficiais.
É verdade que o caso palestino não é um fenômeno isolado, que a locomotiva chinesa não conhece fronteiras, mas os palestinos empobrecidos - com receitas que beiram os US$ 1 mil anuais per capita - são especialmente propensos a consumir produtos baratos, seja quem for o fabricante. "A ocupação destruiu a economia das famílias, que agora começam a comprar produtos chineses baratos", explica Jales Osaily, prefeito de Hebron, para quem sobreviver aos vaivéns da globalização é tão preocupante quanto resistir à ocupação israelense.
Osaily, membro da chamada Terceira Via palestina, o partido minoritário criado em torno do primeiro-ministro Salam Fayyad, acredita que a única solução é se concentrar no desenvolvimento tecnológico e no setor de serviços. Como explicou ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, enviado especial da comunidade internacional ao Oriente Médio, sua idéia é montar zonas francas em Hebron que atraiam os investidores estrangeiros e que sejam capazes de concorrer com a produção chinesa, graças aos acordos de isenção fiscal que a Autoridade Palestina mantém com os EUA e a União européia. "Mas tudo isso só será possível se melhorar a liberdade de movimento dos palestinos", afirma em seu elegante escritório na prefeitura.
Na sede da Câmara de Comércio de Hebron, seu diretor Maher Haimuni conta que, apesar do desembarque de importações chinesas "ter destruído nossa economia", alguns poucos, mais ousados, souberam tirar partido da nova realidade e embarcaram no trem das importações. São centenas de hebronitas que viajam regularmente à província chinesa de Guangdong para fazer negócios e comprar mercadorias.
Haimuni conta que o cônsul chinês em Ramala se desloca até Hebron, onde assina centenas de vistos de uma vez. Alguns empresários palestinos acabam morando na China e outros, embora já casados, aproveitam as viagens de negócios para se casar com chinesas, recorrendo à poligamia que o islamismo permite. Os rumores sobre casamentos de hebronitas com chinesas percorrem os territórios palestinos como pólvora.
Hamed Shawar afirma que ele não tem outra mulher na China, apesar de ter sido dos primeiros a se aventurar no mercado asiático e a cada dois meses viajar à Ásia para controlar o andamento de seus negócios. Hoje administra um próspero comércio de lenços, no qual as importações substituíram progressivamente a produção local. "Foi muito triste a decisão de deixar de produzir aqui. Tínhamos 30 trabalhadores e agora restam só dez, que nem sequer me fazem falta. Prefiro os chineses. Se não fosse por suas famílias, os demitiria", confessa sem rodeios em sua loja no centro de Hebron, no meio de sutiãs e túnicas ao gosto palestino, mas, sim, fabricados na China.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do El País
Importações da China destroçam a economia palestina
Ana Carbajosa
Em Jerusalém
Há 41 anos, Abdelaziz El Karaki tece os típicos lenços palestinos ("kufias") em uma fábrica decadente em Hebron, a única em toda Gaza e Cisjordânia. El Karaki viu o negócio evoluir ao ritmo dos acontecimentos políticos. Na primeira Intifada, nos anos 1980, cobrir o rosto com o lenço palestino se transformou em símbolo de resistência e as vendas dispararam, enquanto nos períodos mais tranqüilos as receitas diminuíram. Mas nenhum acontecimento político atingiu tanto a fábrica de Karaki quanto a chegada aos territórios de lenços "made in China", a preços com os quais não consegue concorrer. "Antes esta fábrica dava de comer a 50 pessoas, agora trabalho sozinho e apenas algumas horas. Se continuar assim, logo terei de fechar", lamenta Karaki, tendo como pano de fundo o matraquear de quatro das 15 vetustas máquinas da indústria.
Desmoralizado, Yasir Hamad Hirbawi, o dono da fábrica, confirma a tese de seu empregado enquanto fuma com parcimônia no armazém onde guarda milhares de kufias, na esperança de um dia poder vendê-las. "Nas décadas em que trabalhei como empresário, nunca vi uma mudança tão grande", afirma. "Estamos resistindo, queremos sobreviver e produzir na Palestina, mas..."
Os lamentos de Hirbawi se repetem em todo o território palestino, principalmente em Hebron, seu parque industrial. A chegada das importações chinesas deu o pontapé em uma economia debilitada em boa parte pelas restrições à liberdade de movimentos de trabalhadores e mercadorias impostas por Israel e sua rede de postos de controle, como indicou o Banco Mundial em seu último relatório.
Foram-se os tempos dos famosos sapatos, vidros e têxteis de Hebron. A etiqueta "made in China" entrou nos territórios como um rolo compressor, causando o fechamento de fábricas e a demissão de milhares de trabalhadores. Os números coletados pela Câmara de Comércio de Hebron indicam que, das 120 fábricas têxteis que havia antes de 2000, hoje ficam somente dez e que dos 10 mil trabalhadores empregados pelo setor de calçados só 2.500 conseguiram manter o emprego. O restante passou a engordar a cifra do desemprego, que beira os 32%, segundo dados oficiais.
É verdade que o caso palestino não é um fenômeno isolado, que a locomotiva chinesa não conhece fronteiras, mas os palestinos empobrecidos - com receitas que beiram os US$ 1 mil anuais per capita - são especialmente propensos a consumir produtos baratos, seja quem for o fabricante. "A ocupação destruiu a economia das famílias, que agora começam a comprar produtos chineses baratos", explica Jales Osaily, prefeito de Hebron, para quem sobreviver aos vaivéns da globalização é tão preocupante quanto resistir à ocupação israelense.
Osaily, membro da chamada Terceira Via palestina, o partido minoritário criado em torno do primeiro-ministro Salam Fayyad, acredita que a única solução é se concentrar no desenvolvimento tecnológico e no setor de serviços. Como explicou ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, enviado especial da comunidade internacional ao Oriente Médio, sua idéia é montar zonas francas em Hebron que atraiam os investidores estrangeiros e que sejam capazes de concorrer com a produção chinesa, graças aos acordos de isenção fiscal que a Autoridade Palestina mantém com os EUA e a União européia. "Mas tudo isso só será possível se melhorar a liberdade de movimento dos palestinos", afirma em seu elegante escritório na prefeitura.
Na sede da Câmara de Comércio de Hebron, seu diretor Maher Haimuni conta que, apesar do desembarque de importações chinesas "ter destruído nossa economia", alguns poucos, mais ousados, souberam tirar partido da nova realidade e embarcaram no trem das importações. São centenas de hebronitas que viajam regularmente à província chinesa de Guangdong para fazer negócios e comprar mercadorias.
Haimuni conta que o cônsul chinês em Ramala se desloca até Hebron, onde assina centenas de vistos de uma vez. Alguns empresários palestinos acabam morando na China e outros, embora já casados, aproveitam as viagens de negócios para se casar com chinesas, recorrendo à poligamia que o islamismo permite. Os rumores sobre casamentos de hebronitas com chinesas percorrem os territórios palestinos como pólvora.
Hamed Shawar afirma que ele não tem outra mulher na China, apesar de ter sido dos primeiros a se aventurar no mercado asiático e a cada dois meses viajar à Ásia para controlar o andamento de seus negócios. Hoje administra um próspero comércio de lenços, no qual as importações substituíram progressivamente a produção local. "Foi muito triste a decisão de deixar de produzir aqui. Tínhamos 30 trabalhadores e agora restam só dez, que nem sequer me fazem falta. Prefiro os chineses. Se não fosse por suas famílias, os demitiria", confessa sem rodeios em sua loja no centro de Hebron, no meio de sutiãs e túnicas ao gosto palestino, mas, sim, fabricados na China.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
SARAU PALESTINA LIVRE
COLETIVO TRINCA APRESENTA:SARAU EM PRÓL DA CAUSA PALESTINA
ATRAÇÕES:
- APRESENTAÇÃO MÚSICAL PALESTINA
- VÍDEOS
- DEPOIMENTO DOS REFUGIADOS
- POESIAS
- EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS DE JENNIFER BALCOMBE (FOTÓGRAFA INGLESA PRESENTE EM GAZA NOS DIAS DE CONFLITO!)
- VENDA DE COMIDAS TÍPICAS (FALAFÉL)
- ONDE?
Na Subsede da Apeoesp de Mogi das Cruzes.
Rua Hamilton Silva Costa, 427, Mogilar, Mogi das Cruzes - (Próximo à estação central de Mogi)
- QUANDO?
Marcadores:
conflito,
poesia,
Refugiados,
Sarau Coletivo Trinca,
vídeo
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Artigo pró Israel baseado em mentiras!

Em 19 de janeiro de 2009, com o "cessar-fogo" quase que definido, o jornal Estado de São Paulo, em seu site, na parte de opinião, publicou um artigo de Dennis Lerrer Rosenfield, (professor de Filosofia da UFRGS), intitulado Falsos Humanistas em que, dentre outras coisas, contesta a diferença entre "sionismo" e "semitismo" feita pelo Hamás, por alguns intelectuais(que segundo ele não usam o intelecto - Norman G. Finkelstein, Noam Chomsky, Jeff Halper, Gerson Kinnispel estão todos errados), por setores do jornalismo - a mídia quase toda deturpa as infromações em favor de Israel, se uma parte faz o contrário, é passível de crítica mesmo - e pelo PT ( que só quer aparecer fazendo pose de esquerda pra conseguir uns votinhos, assim como todos os partidos políticos), dizendo que a crítica ao sionismo é uma demonstração antissemita. Semita, de acordo com o ponto de vista dele, refere-se ao judaísmo. Com essa lógica ele se iguala àqueles que pregam o ódio incondicional aos judeus, mesmo os defendendo. E se de acordo com esse raciocínio não há diferença entre o movimento sionista e o povo semita, alguém pode supor que os judeus/semitas estão há 60 anos sufocando os palestinos, que os judeus/semitas não respeitam as determinações da ONU, que os judeus/semitas usurparam 78 % do território dos palestinos, que os judeus/semitas ocupam o território dos autóctones daquela região - há seis décadas, que os judeus/semitas derrubam as casas de inúmeros palestinos os obrigando muitas vezes a trabalhar na construção de uma moradia para um colono israelense (bem mais luxuosa, muitas vezes com piscina) em seu antigo terreno, que os judeus/semitas usam bombas de fósforo contra pessoas inocentes, que os judeus/semitas usaram uma bomba nova contra os palestinos (Explosivo de Metal Denso Inerte ), que os judeus/semitas atiram em mulheres desarmadas acenando bandeira branca, pois antes da criação do Estado de Israel, judeus e muçulmanos viviam em paz. Conforme o pensamento desse filósofo , tudo o que o Estado de Israel já fez, tanto com o Líbano como com a Palestina, é obra dos semitas e qualquer crítica que se faça a tais ações, é "antissemitismo". Ele cita um líder do movimento negro para reafirmar isso:" Martin Luther King já dizia que o antissionismo é o novo disfarce do antissemitismo". Quando Martin Luther King falou isso (se é que falou), certamente não tinha a dimensão exata do que estava por se tornar para os palestinos a criação forçada do Estado de Israel, estava muito fresco o infortúnio passado pelos judeus nas mão dos nazistas. Se Martin Luther King se opunha à Guerra do Vietnã, há de se supor que se oporia a este extermínio perpretado por Israel.
Da mesma maneira que os estadonidenses monopolizaram a condição de "americanos" - não é comun, nós, latinos, sermos chamados de americanos - a maioria dos israelenses e boa parte dos judeus monopolizaram a condição de "semita". Todo o povo que vive ou é oriundo de Sem, tanto os hebreus como os árabes, são semitas. Portanto, o Hamás, os palestinos e os árabes no geral, não são antissemitas, pois se assim fosse, seriam "anti-si-mesmo". O filósofo fala de uma carta de 1988 do Hamás, sendo que este já mudou seu discurso, admitindo a existência do Estado de Israel.
Da mesma maneira que os estadonidenses monopolizaram a condição de "americanos" - não é comun, nós, latinos, sermos chamados de americanos - a maioria dos israelenses e boa parte dos judeus monopolizaram a condição de "semita". Todo o povo que vive ou é oriundo de Sem, tanto os hebreus como os árabes, são semitas. Portanto, o Hamás, os palestinos e os árabes no geral, não são antissemitas, pois se assim fosse, seriam "anti-si-mesmo". O filósofo fala de uma carta de 1988 do Hamás, sendo que este já mudou seu discurso, admitindo a existência do Estado de Israel.
Não se trata de uma defesa incondicional o Hamás, mas é muito difícil distinguir os palestinos "comuns", dos integrantes do Hamás (que são 'militantes', não soldados), visto que o combate às ações de Israel é generalizado. Até mesmo as crianças (de tanto ver seus pais, irmãos mais velhos, tios, mães, amigos... sendo humilhados), com pedradas, combatem o exército. A diferença é que o Hamás tem uns torpedos que, comparados ao poderio militar de Israel, mais parecem rojões. O fato é que o Hamás foi eleito pelo voto do povo e tem o apoio dos palestinos, pois o grupo não negocia fazendo concessões ao governo israelense, como sempre fez o Fatah. O hamás está longe de ser democrático, libertário, mas não dá para compará-lo com o exército israelense e americano que atuam por motivações bem diferentes em defesa da colonização e do império. O hamás tem um discurso religioso assim como o exército israelense, a diferença é que está se defendendo, tentando libertar seu povo. Se depois de ter feito isso vir a reprimir os palestinos, serei o primeiro a criticá-lo.
Dennis Lerrer fala que o Hamás usa os "civis" como escudo humano para comover a opinião pública, deve ser por isso que o exército israelense atacou a própria ONU - daqui uns dias vão dizer que o Hamás havia sequestrado os membros da entidade e, com o intuito de salvá-los, o exército fez o ataque. No fim do século XIX, Theodor Herzel, fundador do sionismo, sugeriu aos russos que intensificasse a perseguição aos judeus para que eles emigrassem de vez rumo à Palestina. Tem mais, o holocausto é um grande álibe para os sionistas, quem usa a morte de civis em seu favor é o Estado de Israel para ocupar territórios, não o Hamás.
Sem distinção nenhuma, ele diz que "mesquita não é mesquita, escola não é escola, universidade não é universidade, da mesma forma que libertação não é libertação. São centros de armazenamento de armas, foguetes, refúgios de terroristas, além de locais de endoutrinação e treinamento", quem que ele chama de fundamentalista?
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Em tempos de crise econômica, até que uma 'guerrazinha' é bem conveniente.
Música da Legião urbana.Existe alguém/ Esperando por você/ Que vai comprar/ A sua juventude/ E convencê-lo a vencer.../ Mais uma guerra sem razão/ Já são tantas as crianças/ Com armas na mão/ Mas explicam novamente/ Que a guerra gera empregos/ Aumenta a produção.../ Uma guerra sempre avança/ A tecnologia/ Mesmo sendo guerra santa/ Quente, morna ou fria/ Prá que exportar comida?/ Se as armas dão mais lucros/ Na exportação.../ Existe alguém/ Que está contando com você/ Prá lutar em seu lugar/ Já que nessa guerra/ Não é ele quem vai morrer.../ E quando longe de casa/ Ferido e com frio/ O inimigo você espera/ Ele estará com outros velhos/ Inventando novos jogos de guerra.../ Que belíssimas cenas/ De destruição/ Não teremos mais problemas/ Com a superpopulação.../ Veja que uniforme lindo/ Fizemos prá vocêLembre-se sempre/ Que Deus está/ Do lado de quem vai vencer.../ Existe alguém/ Que está contando com você/ Prá lutar em seu lugar/ Já que nessa guerra/ Não é ele quem vai morrer.../ E quando longe de casa/ Ferido e com frio/ O inimigo você espera/ Ele estará com outros velhos/ Inventando novos jogos de guerra.../ Que belíssimas cenas/ De destruição/ Não teremos mais problemas/ Com a superpopulação.../ Veja que uniforme lindo/ Fizemos prá você/ Lembre-se sempre/ Que Deus está/ Do lado de quem vai vencer.../ O senhor da guerra/ Não gosta de crianças...

19/01/2009 - 12h06
Software israelense manobra opiniões na internet
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DIÓGENES MUNIZ
Software israelense manobra opiniões na internet
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DIÓGENES MUNIZ
(editor de Informática da Folha Online)
Nem só de caças F-16 e mísseis teleguiados são feitos os ataques israelenses em Gaza. Uma arma em específico se destacou pela eficiência apresentada desde a escalada do conflito --e continuará sendo usada, mesmo após o cessar-fogo. Ela age nos bastidores da internet, modificando resultados de enquetes on-line, entupindo caixas de e-mails de autoridades e ajudando a protestar contra notícias desfavoráveis à comunidade israelense.
O nome da ferramenta é Megaphone, um software desenvolvido pela companhia Collactive e distribuído pela organização Giyus ("mobilização" em hebraico, mas também sigla para "Give Israel Your United Support" ou "Dê a Israel seu apoio integrado", em tradução livre). O programa serve para mobilizar internautas pelo mundo dispostos a manobrar ("balancear", segundo os usuários) opiniões na rede.
Desenvolvido em 2006, durante a Guerra do Líbano, seu uso atingiu 36.700 "soldados virtuais" com o conflito em Gaza. A meta: 100 mil participantes.
Lobby 2.0
O internauta disposto a fazer parte do arrastão cibernético precisa baixar um programa no site Giyus.org, que se apresenta como uma "coalizão de organizações pró-Israel trabalhando juntas para ajudar a comunidade judaica a fazer suas opiniões serem ouvidas de maneira efetiva".
Instalada a plataforma, aparecem no computador alertas em tempo real sobre notícias, enquetes, artigos, vídeos ou blogs que estejam com visões "a favor ou contra" a comunidade. Lembram os avisos de novas mensagens do comunicador instantâneo MSN. O internauta é convidado, a partir daí, a "agir por Israel" --enchendo os alvos de críticas, elogios ou votos.
Com poucos cliques (e sem dominar o idioma da página em questão), é possível influenciar uma pesquisa no site do Yahoo! ou mandar uma notícia sobre mísseis palestinos para a ONU, entre outros. O programa oferece no próprio navegador um formulário completo de "ação" já preenchido, com endereços dos destinatários e conteúdo padrão a ser enviado: o internauta sequer precisa abrir sua conta de e-mail ou clicar em "enviar".
Redes sociais e sites colaborativos, como Facebook e YouTube, também estão na mira do software. Esse tipo de estratégia, que recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores de Israel, já forçou o site da BBC a tirar uma enquete do ar.
Desde o início da invasão a Gaza, dezenas de comunidades e sites foram "pichados", invadidos ou derrubados, tanto por piratas virtuais palestinos quanto israelenses. O que se destaca neste caso, no entanto, é o modo de atuação do programa, que institucionaliza a manipulação de informação de forma coordenada e colaborativa.
O nome da ferramenta é Megaphone, um software desenvolvido pela companhia Collactive e distribuído pela organização Giyus ("mobilização" em hebraico, mas também sigla para "Give Israel Your United Support" ou "Dê a Israel seu apoio integrado", em tradução livre). O programa serve para mobilizar internautas pelo mundo dispostos a manobrar ("balancear", segundo os usuários) opiniões na rede.
Desenvolvido em 2006, durante a Guerra do Líbano, seu uso atingiu 36.700 "soldados virtuais" com o conflito em Gaza. A meta: 100 mil participantes.
Lobby 2.0
O internauta disposto a fazer parte do arrastão cibernético precisa baixar um programa no site Giyus.org, que se apresenta como uma "coalizão de organizações pró-Israel trabalhando juntas para ajudar a comunidade judaica a fazer suas opiniões serem ouvidas de maneira efetiva".
Instalada a plataforma, aparecem no computador alertas em tempo real sobre notícias, enquetes, artigos, vídeos ou blogs que estejam com visões "a favor ou contra" a comunidade. Lembram os avisos de novas mensagens do comunicador instantâneo MSN. O internauta é convidado, a partir daí, a "agir por Israel" --enchendo os alvos de críticas, elogios ou votos.
Com poucos cliques (e sem dominar o idioma da página em questão), é possível influenciar uma pesquisa no site do Yahoo! ou mandar uma notícia sobre mísseis palestinos para a ONU, entre outros. O programa oferece no próprio navegador um formulário completo de "ação" já preenchido, com endereços dos destinatários e conteúdo padrão a ser enviado: o internauta sequer precisa abrir sua conta de e-mail ou clicar em "enviar".
Redes sociais e sites colaborativos, como Facebook e YouTube, também estão na mira do software. Esse tipo de estratégia, que recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores de Israel, já forçou o site da BBC a tirar uma enquete do ar.
Desde o início da invasão a Gaza, dezenas de comunidades e sites foram "pichados", invadidos ou derrubados, tanto por piratas virtuais palestinos quanto israelenses. O que se destaca neste caso, no entanto, é o modo de atuação do programa, que institucionaliza a manipulação de informação de forma coordenada e colaborativa.
OPERAÇÃO CHUMBO IMPUNE

"Resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel a está apagando do mapa"
OPERAÇÃO CHUMBO IMPUNE
Eduardo Galeano. Brecha/Rebelión 17/01/2009.
Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe dissimulação. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.
***
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Têm perdido sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Sequer têm o direito de eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Transformou-se numa ratoeira sem saída, desde que Hamás ganhou de forma limpa as eleições de 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou em El Salvador. Banhados de sangue, os salvadorenhos expiaram sua conduta má e desde então foram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
***
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes de Hamás, encurralados em Gaza, disparam com uma atrapalhada pontaria sobre as terras que haviam sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à beira da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a bem eficaz guerra de extermínio está negando, há anos, o direito de existência da Palestina.
Resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel a está apagando do mapa.
Os colonos invadem e, atrás deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacramentam a expropriação, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia pata impedir que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para impedir que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel tragou outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O devorar se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu e pelo pânico que geram os palestinos ao ficaram na espreita.
***
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações e as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu de presente o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com a qual Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não poderia bombardear o Pais Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico poderia ter arrasado a Irlanda do Norte para liquidar o IRA. Acaso a tragédia do holocausto implica em apólice de eterna impunidade? Ou esta luz verde vem da potência que mais manda e que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
***
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem está matando. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são crianças. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E, como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelense.
Gente perigosa adverte outro bombardeio a cargo dos meios de manipulação de massa, que nos convidam a acreditar que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esta mídia também nos convida a crer que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
***
A chamada comunidade internacional existe?
É algo mais do que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais do que o nome artístico que os Estados Unidos colocam a si mesmo quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial brilha mais uma vez. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas prestam tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes se lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.
A velha Europa, tão capaz de beleza e perversidade, derrama algumas lágrimas, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século esta dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, anti-semitas. Eles estão pagando, em sangue à vista e sonante, uma conta alheia.
Esta matéria é dedicada a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino-americana que Israel assessorou.
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