Não patrocine massacres. Boicote produtos israelenses.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Artigo pró Israel baseado em mentiras!


Em 19 de janeiro de 2009, com o "cessar-fogo" quase que definido, o jornal Estado de São Paulo, em seu site, na parte de opinião, publicou um artigo de Dennis Lerrer Rosenfield, (professor de Filosofia da UFRGS), intitulado Falsos Humanistas em que, dentre outras coisas, contesta a diferença entre "sionismo" e "semitismo" feita pelo Hamás, por alguns intelectuais(que segundo ele não usam o intelecto - Norman G. Finkelstein, Noam Chomsky, Jeff Halper, Gerson Kinnispel estão todos errados), por setores do jornalismo - a mídia quase toda deturpa as infromações em favor de Israel, se uma parte faz o contrário, é passível de crítica mesmo - e pelo PT ( que só quer aparecer fazendo pose de esquerda pra conseguir uns votinhos, assim como todos os partidos políticos), dizendo que a crítica ao sionismo é uma demonstração antissemita. Semita, de acordo com o ponto de vista dele, refere-se ao judaísmo. Com essa lógica ele se iguala àqueles que pregam o ódio incondicional aos judeus, mesmo os defendendo. E se de acordo com esse raciocínio não há diferença entre o movimento sionista e o povo semita, alguém pode supor que os judeus/semitas estão há 60 anos sufocando os palestinos, que os judeus/semitas não respeitam as determinações da ONU, que os judeus/semitas usurparam 78 % do território dos palestinos, que os judeus/semitas ocupam o território dos autóctones daquela região - há seis décadas, que os judeus/semitas derrubam as casas de inúmeros palestinos os obrigando muitas vezes a trabalhar na construção de uma moradia para um colono israelense (bem mais luxuosa, muitas vezes com piscina) em seu antigo terreno, que os judeus/semitas usam bombas de fósforo contra pessoas inocentes, que os judeus/semitas usaram uma bomba nova contra os palestinos (Explosivo de Metal Denso Inerte ), que os judeus/semitas atiram em mulheres desarmadas acenando bandeira branca, pois antes da criação do Estado de Israel, judeus e muçulmanos viviam em paz. Conforme o pensamento desse filósofo , tudo o que o Estado de Israel já fez, tanto com o Líbano como com a Palestina, é obra dos semitas e qualquer crítica que se faça a tais ações, é "antissemitismo". Ele cita um líder do movimento negro para reafirmar isso:" Martin Luther King já dizia que o antissionismo é o novo disfarce do antissemitismo". Quando Martin Luther King falou isso (se é que falou), certamente não tinha a dimensão exata do que estava por se tornar para os palestinos a criação forçada do Estado de Israel, estava muito fresco o infortúnio passado pelos judeus nas mão dos nazistas. Se Martin Luther King se opunha à Guerra do Vietnã, há de se supor que se oporia a este extermínio perpretado por Israel.
Da mesma maneira que os estadonidenses monopolizaram a condição de "americanos" - não é comun, nós, latinos, sermos chamados de americanos - a maioria dos israelenses e boa parte dos judeus monopolizaram a condição de "semita". Todo o povo que vive ou é oriundo de Sem, tanto os hebreus como os árabes, são semitas. Portanto, o Hamás, os palestinos e os árabes no geral, não são antissemitas, pois se assim fosse, seriam "anti-si-mesmo". O filósofo fala de uma carta de 1988 do Hamás, sendo que este já mudou seu discurso, admitindo a existência do Estado de Israel.

Não se trata de uma defesa incondicional o Hamás, mas é muito difícil distinguir os palestinos "comuns", dos integrantes do Hamás (que são 'militantes', não soldados), visto que o combate às ações de Israel é generalizado. Até mesmo as crianças (de tanto ver seus pais, irmãos mais velhos, tios, mães, amigos... sendo humilhados), com pedradas, combatem o exército. A diferença é que o Hamás tem uns torpedos que, comparados ao poderio militar de Israel, mais parecem rojões. O fato é que o Hamás foi eleito pelo voto do povo e tem o apoio dos palestinos, pois o grupo não negocia fazendo concessões ao governo israelense, como sempre fez o Fatah. O hamás está longe de ser democrático, libertário, mas não dá para compará-lo com o exército israelense e americano que atuam por motivações bem diferentes em defesa da colonização e do império. O hamás tem um discurso religioso assim como o exército israelense, a diferença é que está se defendendo, tentando libertar seu povo. Se depois de ter feito isso vir a reprimir os palestinos, serei o primeiro a criticá-lo.

Dennis Lerrer fala que o Hamás usa os "civis" como escudo humano para comover a opinião pública, deve ser por isso que o exército israelense atacou a própria ONU - daqui uns dias vão dizer que o Hamás havia sequestrado os membros da entidade e, com o intuito de salvá-los, o exército fez o ataque. No fim do século XIX, Theodor Herzel, fundador do sionismo, sugeriu aos russos que intensificasse a perseguição aos judeus para que eles emigrassem de vez rumo à Palestina. Tem mais, o holocausto é um grande álibe para os sionistas, quem usa a morte de civis em seu favor é o Estado de Israel para ocupar territórios, não o Hamás.

Sem distinção nenhuma, ele diz que "mesquita não é mesquita, escola não é escola, universidade não é universidade, da mesma forma que libertação não é libertação. São centros de armazenamento de armas, foguetes, refúgios de terroristas, além de locais de endoutrinação e treinamento", quem que ele chama de fundamentalista?



segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Em tempos de crise econômica, até que uma 'guerrazinha' é bem conveniente.

Música da Legião urbana.


Existe alguém/ Esperando por você/ Que vai comprar/ A sua juventude/ E convencê-lo a vencer.../ Mais uma guerra sem razão/ Já são tantas as crianças/ Com armas na mão/ Mas explicam novamente/ Que a guerra gera empregos/ Aumenta a produção.../ Uma guerra sempre avança/ A tecnologia/ Mesmo sendo guerra santa/ Quente, morna ou fria/ Prá que exportar comida?/ Se as armas dão mais lucros/ Na exportação.../ Existe alguém/ Que está contando com você/ Prá lutar em seu lugar/ Já que nessa guerra/ Não é ele quem vai morrer.../ E quando longe de casa/ Ferido e com frio/ O inimigo você espera/ Ele estará com outros velhos/ Inventando novos jogos de guerra.../ Que belíssimas cenas/ De destruição/ Não teremos mais problemas/ Com a superpopulação.../ Veja que uniforme lindo/ Fizemos prá vocêLembre-se sempre/ Que Deus está/ Do lado de quem vai vencer.../ Existe alguém/ Que está contando com você/ Prá lutar em seu lugar/ Já que nessa guerra/ Não é ele quem vai morrer.../ E quando longe de casa/ Ferido e com frio/ O inimigo você espera/ Ele estará com outros velhos/ Inventando novos jogos de guerra.../ Que belíssimas cenas/ De destruição/ Não teremos mais problemas/ Com a superpopulação.../ Veja que uniforme lindo/ Fizemos prá você/ Lembre-se sempre/ Que Deus está/ Do lado de quem vai vencer.../ O senhor da guerra/ Não gosta de crianças...

19/01/2009 - 12h06
Software israelense manobra opiniões na internet
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DIÓGENES MUNIZ


(editor de Informática da Folha Online)

Nem só de caças F-16 e mísseis teleguiados são feitos os ataques israelenses em Gaza. Uma arma em específico se destacou pela eficiência apresentada desde a escalada do conflito --e continuará sendo usada, mesmo após o cessar-fogo. Ela age nos bastidores da internet, modificando resultados de enquetes on-line, entupindo caixas de e-mails de autoridades e ajudando a protestar contra notícias desfavoráveis à comunidade israelense.
O nome da ferramenta é Megaphone, um software desenvolvido pela companhia Collactive e distribuído pela organização Giyus ("mobilização" em hebraico, mas também sigla para "Give Israel Your United Support" ou "Dê a Israel seu apoio integrado", em tradução livre). O programa serve para mobilizar internautas pelo mundo dispostos a manobrar ("balancear", segundo os usuários) opiniões na rede.
Desenvolvido em 2006, durante a Guerra do Líbano, seu uso atingiu 36.700 "soldados virtuais" com o conflito em Gaza. A meta: 100 mil participantes.
Lobby 2.0
O internauta disposto a fazer parte do arrastão cibernético precisa baixar um programa no site Giyus.org, que se apresenta como uma "coalizão de organizações pró-Israel trabalhando juntas para ajudar a comunidade judaica a fazer suas opiniões serem ouvidas de maneira efetiva".
Instalada a plataforma, aparecem no computador alertas em tempo real sobre notícias, enquetes, artigos, vídeos ou blogs que estejam com visões "a favor ou contra" a comunidade. Lembram os avisos de novas mensagens do comunicador instantâneo MSN. O internauta é convidado, a partir daí, a "agir por Israel" --enchendo os alvos de críticas, elogios ou votos.
Com poucos cliques (e sem dominar o idioma da página em questão), é possível influenciar uma pesquisa no site do Yahoo! ou mandar uma notícia sobre mísseis palestinos para a ONU, entre outros. O programa oferece no próprio navegador um formulário completo de "ação" já preenchido, com endereços dos destinatários e conteúdo padrão a ser enviado: o internauta sequer precisa abrir sua conta de e-mail ou clicar em "enviar".
Redes sociais e sites colaborativos, como Facebook e YouTube, também estão na mira do software. Esse tipo de estratégia, que recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores de Israel, já forçou o site da BBC a tirar uma enquete do ar.
Desde o início da invasão a Gaza, dezenas de comunidades e sites foram "pichados", invadidos ou derrubados, tanto por piratas virtuais palestinos quanto israelenses. O que se destaca neste caso, no entanto, é o modo de atuação do programa, que institucionaliza a manipulação de informação de forma coordenada e colaborativa.

OPERAÇÃO CHUMBO IMPUNE


"Resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel a está apagando do mapa"


OPERAÇÃO CHUMBO IMPUNE
Eduardo Galeano. Brecha/Rebelión 17/01/2009.

Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe dissimulação. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.
***
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Têm perdido sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Sequer têm o direito de eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Transformou-se numa ratoeira sem saída, desde que Hamás ganhou de forma limpa as eleições de 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou em El Salvador. Banhados de sangue, os salvadorenhos expiaram sua conduta má e desde então foram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
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São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes de Hamás, encurralados em Gaza, disparam com uma atrapalhada pontaria sobre as terras que haviam sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à beira da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a bem eficaz guerra de extermínio está negando, há anos, o direito de existência da Palestina.
Resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel a está apagando do mapa.
Os colonos invadem e, atrás deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacramentam a expropriação, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia pata impedir que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para impedir que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel tragou outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O devorar se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu e pelo pânico que geram os palestinos ao ficaram na espreita.
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Israel é o país que jamais cumpre as recomendações e as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu de presente o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com a qual Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não poderia bombardear o Pais Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico poderia ter arrasado a Irlanda do Norte para liquidar o IRA. Acaso a tragédia do holocausto implica em apólice de eterna impunidade? Ou esta luz verde vem da potência que mais manda e que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
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O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem está matando. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são crianças. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E, como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelense.
Gente perigosa adverte outro bombardeio a cargo dos meios de manipulação de massa, que nos convidam a acreditar que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esta mídia também nos convida a crer que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
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A chamada comunidade internacional existe?
É algo mais do que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais do que o nome artístico que os Estados Unidos colocam a si mesmo quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial brilha mais uma vez. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas prestam tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes se lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.
A velha Europa, tão capaz de beleza e perversidade, derrama algumas lágrimas, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século esta dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, anti-semitas. Eles estão pagando, em sangue à vista e sonante, uma conta alheia.
Esta matéria é dedicada a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino-americana que Israel assessorou.

Para o nazismo, só falta a câmara de gás


EM GAZA, ESTÃO USANDO UM NOVO TIPO DE ARMA.
Sophie Shihab.
Le Monde 12/01/2009 e Rebelión 13/01/2009.

"Será que esta guerra é um laboratório para os fabricantes da morte? Em pleno século vinte, é possível fechar um milhão e meio de pessoas e fazer com elas o que se quer, chamando-as de terroristas?"


Nos últimos dias, as redes de televisão árabes que transmitem da Faixa de Gaza vêm mostrando feridos de um novo tipo, adultos e crianças com munhões ensangüentados no lugar das pernas. No domingo, dia 11 de janeiro, dois médicos noruegueses, os únicos ocidentais que trabalham no hospital da cidade confirmaram isso.
Os médicos Mads Gilbert e Erik Fosse, que trabalham na região há vinte anos com a ONG norueguesa Norwac, conseguiram sair do território na véspera, com 15 feridos graves pela fronteira com o Egito. Não sem ter que driblar obstáculos: "Três dias atrás, o nosso comboio, apesar de identificado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, teve que dar meia volta antes de chegar em Khan Yunis, onde os tanques atiraram em nós para nos deter", declararam aos jornalistas presentes em Al-Arish.
Dois dias depois, o comboio pôde passar, mas os médicos e o embaixador da Noruega que haviam ido recebê-los foram retidos durante toda a noite "por razões burocráticas" no posto de fronteira egípcio de Rafah, semi-aberto somente para as missões de saúde. Na mesma noite, os vidros do posto foram quebrados pelo estampido de uma das bombas lançadas nas proximidades.
"No hospital Al-Shifa de Gaza não vimos queimaduras de fósforo nem feridos por bombas de fragmentação. Mas vimos vítimas de algo que tem todas as características de um novo tipo de arma testado pelos militares estadunidenses, conhecido como Explosivo de Metal Denso Inerte (DIME, pela sigla em inglês)", declararam os médicos.
Trata-se de pequenas bombas envolvidas por carbono e uma camada de tungstênio, cobalto, níquel ou ferro cujo enorme poder de explosão se dissipa num raio de dez metros. "A dois metros corta o corpo no meio, a oito metros serra as pernas, abrasando-as como se tivessem sido atravessadas por milhares de agulhas. Não vimos corpos partidos, mas sim muitos amputados. Em 2006, houve algo parecido no sul do Líbano e vimos isso em Gaza naquele mesmo ano, durante a operação israelense ‘chuva de verão’. Os experimentos com ratos têm demonstrado que as partículas que permanecem no corpo são cancerígenas", explicaram os médicos.
Um médico palestino, entrevistado no domingo por Al Jazeera, relatou sua impotência em casos como estes: "Não há nenhum rastro visível de metal no corpo, mas há estranhas hemorragias internas. Uma matéria queima os vasos sanguíneos e causa a morte. Não podemos fazer nada". Segundo a primeira equipe de médicos árabes autorizada a entrar no território ocupado, que chegou no hospital de Khan Yunes vinda do sul, entraram aí "dezenas" de casos desse tipo.
Os médicos noruegueses têm se sentido na obrigação de informar o que viram devido à ausência em Gaza de qualquer outro representante do "mundo ocidental", seja ele médico ou jornalista. "Será que esta guerra é um laboratório para os fabricantes da morte? Em pleno século vinte, é possível fechar um milhão e meio de pessoas e fazer com elas o que se quer, chamando-as de terroristas?"
Haviam chegado no hospital de Al-Shifa, lugar que já conheciam antes e depois do bloqueio, no quarto dia de guerra. Aí encontraram um edifício e equipamentos "já nas últimas", um pessoal exausto e moribundos em qualquer lugar. O material que haviam preparado havia sido detido na passagem de fronteira de Eretz.
"Quando chegam no Pronto Socorro cinqüenta feridos de uma vez, o melhor hospital de Oslo mal poderia atendê-los – contam. Aqui podem cair dez bombas por minuto. A destruição de uma mesquita próxima transformou em cacos alguns vidros do hospital. Quando soam as sirenes o pessoal tem que se refugiar nos corredores. Sua valentia é incrível. Na melhor das hipóteses dormem duas ou três horas por dia. A maior parte deles tem vítimas entre seus próprios parentes; ouvem no rádio a lista dos lugares que acabam de ser atacados e às vezes é onde mora sua família, mas eles têm que ficar trabalhando... Na manhã em que saímos daí, quando entrei na emergência, perguntei como haviam passado a noite. Uma enfermeira sorriu. Em seguida prorrompeu em soluços".
Neste momento do relato, a voz do doutor Gilbert se quebra. "Já está vendo – se recompõe e sorri com calma – eu também...".

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009




"Testemunhos colhidos e divulgados pela ONG B"Tselem deram conta de que forças israelenses atiraram na cabeça de uma mulher depois que ela deixou sua casa agitando um pano de cor branca".



ONGs pedem investigação de 'crimes de guerra' em Gaza

Ataques na Faixa de Gaza já deixaram mais de mil mortos
Israel atacou pelo menos três hospitais nesta quinta-feira e está cometendo uma série de abusos contra civis em sua ofensiva militar na Faixa de Gaza, segundo denúncias de associações internacionais e ONGs israelenses.
A organização britânica Medical Aid for Palestinians (MAP) disse nesta quinta-feira que os hospitais Al Wafe, no leste da Cidade de Gaza, e Al Fata, em Tal El Hawa, a oeste da Cidade de Gaza, foram bombardeados.
As informações teriam sido confirmadas por coordenadores de ajuda hospitalar da própria organização no território palestino. O Al Wafa é o único hospital de reabilitação em toda a Faixa de Gaza.
Ainda nesta quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que o hospital Al Quds, também foi atingido em um ataque israelese e teria ficado em chamas.
A ONG Christian Aid disse que uma clínica para mães e bebês na Cidade de Gaza foi destruída e um ataque israelense no sábado.
A clínica foi atingida por um míssil depois de um alerta de 15 minutos, avisando que ela seria atacada. Centenas de milhares de dólares em equipamento foram destruídos no ataque.
Danos sem precedentes
A intensidade dos ataques e o comportamento das forças israelenses levaram ONGs do próprio país a pedir uma investigação sobre a perpretação de crimes de guerra na Faixa de Gaza.
As ações conduzidas pelo Exército israelense "constituem uma clara violação de leis internacionais que regulamentam a condução de guerras", levantando a "forte suspeita" de que estejam sendo cometidos crimes de guerra, diz um documento assinado em conjunto por nove ONGs, entre elas as seção israelense da Anistia Internaciona e a B'Tselem, tida como a principal organização a monitorar violações de direitos humanos nos territórios ocupados.
As ONGs dizem que a responsabilidade do Estado de Israel nessa guerra é "clara e fora de dúvidas", e pedem que Israel "pare com os danos desproporcionais causados a civis e com os ataques contra alvos civis que não tem qualquer objetivo militar".
Israel é acusado pelas ONGs de causar "danos sem precedentes à população civil".
Testemunhos colhidos e divulgados pela ONG B"Tselem deram conta de que forças israelenses atiraram na cabeça de uma mulher depois que ela deixou sua casa agitando um pano de cor branca.
Vários outros testemunhos semelhantes foram colhidos pela ONG, pela BBC e pelo Crescente Vermelho, alguns contando casos de famílias inteiras acuadas em suas casas, que receberam avisos transmitidos por alto-falantes para que saíssem para a rua e que acabaram tendo vários integrantes mortos a tiros por forças israelenses.
Fontes dos serviços de saúde de Gaza dizem que pelo menos de 1.028 pessoas morreram desde o início da ofensiva, há 20 dias - cerca de 30% delas são crianças.
Israel diz que a ação militar na Faixa de Gaza tem o objetivo de impedir que militantes palestinos continuem a lançar foguetes contra o território israelense.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Hamas não é terrorista, afirma representante palestina


http://tvuol.uol.com.br/#list/type=search/q=jamile%20latif

Veto faz EUA cancelarem envio de munição a Israel

WASHINGTON - Os Estados Unidos foram obrigados a cancelar o embarque de munições para Israel a partir de um porto na Grécia, por causa de um veto do governo grego. Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono, disse que a Grécia "tinha alguma objeção ao desembarque daquele carregamento em seu país". Segundo Morrell, os EUA agora estão buscando uma maneira alternativa de fazer o carregamento de munição chegar a Israel. A Grécia é integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar liderada pelos EUA.

No 18º dia da ofensiva militar de Israel contra o território palestino da Faixa de Gaza, as forças armadas israelenses foram acusadas de usar bombas incendiárias de fósforo branco contra a população civil. O analista militar Marc Garlasco, do Human Rights Watch, disse à emissora árabe de televisão Al-Jazeera que "passamos por unidades de artilharia israelenses que tinham munição de fósforo branco com os detonadores instalados". "Claramente, eles estão usando fósforo branco, podemos dizer pelas explosões, com ''tentáculos'' que descem, e pelas chamas que continuam queimando", disse Garlasco.

As leis internacionais permitem o uso de fósforo branco somente em foguetes luminosos que explodem no ar para ofuscar as forças inimigas, mas seu uso como munição é banido. Apesar disso, bombas de fósforo branco foram usadas como munição por Israel na invasão do Líbano, em 2006, e pelos EUA na destruição da cidade iraquiana de Fallujah, em 2004.

Hoje, um deputado israelense pregou o uso de munição ainda mais mortífera na guerra contra Gaza: armas nucleares. Discursando durante conferência na Universidade Bar-Ilan, em Ramat Gan, o deputado Avigdor Lieberman, presidente do partido Beiteinu, disse que "precisamos a combater o Hamas como os EUA fizeram com os japoneses na Segunda Guerra Mundial". Para ele, o uso de bombas atômicas pelos EUA "tornaram desnecessária a ocupação do Japão".

Com informações são da Dow Jones, Associated Press e Al-Jazeera, da Agencia Estado de S. Paulo

domingo, 11 de janeiro de 2009

Quem começou o terrorismo no conflito árabe-israelense?

Palestina a terra prometida
Veja slide em Powerpoint aqui

Para documentação, consulte-se The Arab Women's Information Committee e The Institute for Palestine Studies, Who Are the Terrorists? Aspects of Zionist and Israeli Terrorism, (Beirut: Institute for Palestine Studies, 1972)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Matéria safada da Globo, pra variar.


O Dilema de Israel
Após duas semanas de operação militar e cerca de 800 mortes, Israel ganhou um problema em Gaza: não quer uma ocupação custosa, não aceita deixar o Hamas no poder e não tem como escolher outros líderes para os palestinos

Por Juliano Machado. Com reportagem de José Antonio Lima


Como sempre a mídia coloca Israel como vítima. Além promover uma matança (mais de 800 pessoas,entre elas, mais de 250 crianças), de ocupar e usurpar o território que não é seu, de ser condenado pela ONU (essa farsa que não tem representtividade nenhuma), de minar a economia palestina com embargos estúpidos que não permite a entrada de coisas básicas, de ininterruptamente humilhar os palestinos com os "check point's", de obrigar seus habitantes - em sua maioria conivente - a servir o exército...Israel tem gastado muito com as ocupações, com os ataques e, naturalmente passa por um dilema.
Já os palestinos estão numa boa em meio aos escombros, contando suas vítimas, felizes com o terror das bombas, com o choro de suas crianças, com os feridos nos hospitais sem atendimento, estão em paz com a falta de comida e medicamentos, não passam por nenhum dilema tendo suas casas demolidas, atirando pedras nos tanques de guerra, se esquivando de tiros. É, de fato, quem tem motivos para estar num dilema é o Estado de Israel, com suas vítimas do holocausto...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Israel ataca abrigo que o próprio exército escolheu


ONU acusa Israel de bombardear abrigo de civis


Ofensiva de Israel contra Gaza já dura duas semanas
Forças israelenses bombardearam uma casa na Faixa de Gaza onde os próprios soldados de Israel tinham colocado cerca de 110 palestinos no dia anterior, segundo um relatório da ONU.
O bombardeio, em Zeitoun, um bairro no sudeste da Cidade de Gaza, ocorreu no dia 5 de janeiro e matou cerca de 30 pessoas. Israel afirma que as acusações estão sendo investigadas.

O Escritório da ONU para Questões Humanitárias (OCHA, na sigla em inglês) cita testemunhas que presenciaram o fato e afirma que este foi "um dos incidentes mais graves" desde o início da ofensiva.

"Segundo várias testemunhas, no dia 4 de janeiro soldados israelenses evacuaram aproximadamente 110 palestinos (metade destes, crianças) e os levaram para uma única residência em Zeitoun, afirmando que eles deveriam permanecer em casa", informou o escritório da ONU no relatório.

"Vinte e quatro horas depois, forças israelenses bombardearam a casa várias vezes, matando aproximadamente 30 pessoas."

Segundo a ONU, os que sobreviveram e ainda conseguiam andar caminharam dois quilômetros para a estrada principal de ligação entre o norte e o sul da cidade para conseguir transporte para o hospital mais próximo em veículos civis.

"Três crianças, a mais nova delas com cinco meses de idade, morreram na chegada ao hospital", segundo o relatório.

Cerca de 770 palestinos e 14 israelenses morreram durante as quase duas semanas da ofensiva aérea e terrestre de Israel contra o grupo militante palestino Hamas.

O Conselho de Segurança da ONU pediu um cessar-fogo imediato e a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza.



Fonte BBC Brasil


Saramago condena Estado de Israel




Das pedras de David aos tanques de Golias
Janeiro 9, 2009 by José Saramago


Também não as usa agora. Nestes últimos cinquenta anos cresceram a tal ponto a David as forças e o tamanho que entre ele e o sobranceiro Golias já não é possível reconhecer qualquer diferença, podendo até dizer-se, sem ofender a ofuscante claridade dos factos, que se tornou num novo Golias. David, hoje, é Golias, mas um Golias que deixou de carregar com pesadas e afinal inúteis armas de bronze. Aquele louro David de antanho sobrevoa de helicóptero as terras palestinas ocupadas e dispara mísseis contra alvos inermes, aquele delicado David de outrora tripula os mais poderosos tanques do mundo e esmaga e rebenta tudo o que encontra na sua frente, aquele lírico David que cantava loas a Betsabé, encarnado agora na figura gargantuesca de um criminoso de guerra chamado Ariel Sharon, lança a “poética” mensagem de que primeiro é necessário esmagar os palestino para depois negociar com o que deles restar. Em poucas palavras, é nisto que consiste, desde 1948, com ligeiras variantes meramente tácticas, a estratégia política israelita. Intoxicados pela ideia messiânica de um Grande Israel que realize finalmente os sonhos expansionistas do sionismo mais radical; contaminados pela monstruosa e enraizada “certeza” de que neste catastrófico e absurdo mundo existe um povo eleito por Deus e que, portanto, estão automaticamente justificadas e autorizadas, em nome também dos horrores do passado e dos medos de hoje, todas as acções próprias resulatantes de um racismo obsessivo, psicológica e patologicamente exclusivista; educados e treinados na ideia de que quaisquer sofrimentos que tenham infligido, inflijam ou venham a infligir aos outros, e em particular aos palestinos, sempre ficarão abaixo dos que sofreram no Holocausto, os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida para que não deixe de sangrar, para torná-la incurável, e mostram-na ao mundo como se tratasse de uma bandeira. Israel fez suas as terríveis palavras de Jeová no Deuteronómio: “Minha é a vingança, e eu lhes darei o pago”. Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazis, esses que foram trucidados nos pogromes, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o facto de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros.

As pedras de David mudaram de mãos, agora são os palestinos que as atiram. Golias está do outro lado, armado e equipado como nunca se viu soldado algum na história das guerras, salvo, claro está, o amigo norte-americano. Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos terroristas suicidas… Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida, mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba.